Este estudo busca relatar a abordagem dos profissionais de nutrição na



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#26025
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Relato de experiência de prática supervisionada
 
 
INTRODUÇÃO 
Ao longo da última década, o Transtorno do espectro autista (TEA) foi 
identificado em uma a cada 160 crianças no mundo todo, e esse é um demonstrativo de 
que pelo menos 1% da população brasileira se encontra no espectro autista. Ainda que 
algumas pessoas com TEA tenham um quadro mais leves e podem viver de maneira 


independente, outras têm graves insuficiências e estes necessitam de cuidados e atenção 
ao longo da vida (OPAS, 2017). 
O TEA é um conjunto complexo de deficiências do neurodesenvolvimento, 
definido por um conjunto de sintomas envolvendo deficiência na comunicação, 
interesses limitados, insuficiência na interação social mínima e comportamento 
repetitivo. O TEA pode ser percebido ao longo dos primeiros anos de vida da criança e 
a sua ocorrência é oriunda de fatores genéticos, imunológicos e ambientais 
(MAGAGNIN et al., 2019). O autismo não é associação nosológica simples, mas uma 
perspectiva de manifestações que varia tanto na intensidade, como na frequência de 
indícios ligados ou comórbidos, mostrando uma variedade de ocorrências clínicas 
(LÁZARO, 2016). 
A partir da primeira infância, 80% das crianças com desenvolvimento atípico 
podem mostrar algum tipo de dificuldade na alimentação, enquanto 25% das crianças de 
crescimento típico apresentam essa resistência, afirmando assim que crianças com TEA 
estão ainda mais sujeitos a demonstrar seletividade alimentar perante a um fator 
particular do alimento, principalmente na sua textura e variedades (GOMES et al., 
2020; LÁZARO, 2016).
Como não existe diagnósticos exatos e/ou precisos em relação ao TEA, a 
multiplicidade da sua ocorrência não proporcionam testes ou exames que possa definir 
qual de fato é a condição do paciente, mas é possível elencar em três níveis de 
gravidade. No nível um, a criança precisa de apoio; no nível dois, demanda apoio 
considerável; e no nível três demanda uma atenção e cuidado absoluto (ONZI e 
GOMES, 2015). Pacientes com TEA são extremamente vulneráveis na alimentação por 
demonstrarem um padrão alimentar sensível e seletivo que inviabiliza uma gama maior 
no repertório alimentar (RANJAN et al., 2015). 
A resistência alimentar em pacientes com TEA podem acarretar consequências 
para a saúde, muitas das quais comprometedoras como a desnutrição, ingestão 
inadequada de energia, perda ou ganho de peso, etc. As disfunções cognitivo-
comportamentais são influenciadas na alteração e composição da funcionalidade da 
microbiota intestinal, visto que a dieta de um paciente com TEA não disfruta de todo o 
funcionamento motor e oral, por apresentar deficiências (MANGAGNIN et al., 2019). 


Dependendo do grau do TEA, a criança pode apresentar uma dificuldade na 
mastigação e ingestão, fazendo com que a mesma opte por alimentos pastosos, 
impedindo uma alimentação mais rica de variedades de texturas e mantendo uma dieta 
restrita e que não pode proporcionar avanços no seu quadro clínico (KUSCHNER et al., 
2017).
Considerando as dificuldades aparentes na alimentação da criança com TEA, o 
objetivo deste estudo visa proporcionar uma melhoria no quadro clínico do paciente 
através de um planejamento alimentar e suplementar, implementar condutas para 
amenizar quadros de alergia, tratar a disbiose e inflamação intestinal e tratamento de 
deficiências nutricionais (desnutrição clínica). Alcançar uma melhoria a qualidade de 
vida aliada a um mapeamento da vida pregressa até a última consulta através de exames 
clínicos, bioquímicos e avaliação dos dados antropométricos e rastreamento metabólico. 
E por fim, garantir uma melhoria cognitiva e tratamento da monotonia alimentar 
visando à manutenção da saúde sem tanta medicação, qualidade de vida e ganho 
ponderal. 
Manifestações clínicas 
De acordo com o diagnóstico, trata-se de uma paciente do sexo feminino, de 
quinze anos, com TEA, com síndrome de duplicação/deleção invertida 8p [invdupdel 
(8P)] e deficiência intelectual. A síndrome de duplicação invertida 8p é uma falha 
cromossômica rara determinada clinicamente pelo déficit intelectual leve a grave, atraso 
grave de desenvolvimento psicomotor e de comunicação, hipotonia com predisposição a 
evoluir para hipertonia progressiva, disfunção ortopédica grave ao passar do tempo, 
anomalias faciais discretas e agenesia do corpo caloso (FRYNS, 2013). 
 
O paciente pode demonstrar atraso no desenvolvimento psicomotor, déficit 
cognitivo, ausência ou atraso na comunicação (fala) e na linguagem expressiva. 
Hipotonia presente (colabora com grande parte no atraso motor e dificulta a mastigação 
de alimentos sólidos). A criança demonstra ser feliz e sociável, embora não seja de 
forma verbal, déficit de atenção e impulsividade, disformismo facial sutil e mais 
perceptível na infância. 


Características físicas

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