Estado do rio grande do sul fl. Nº: CÂmara municipal de farroupilha ata nº: 916 casa legislativa dr. Lidovino antônio fanton data: 25/03/2019



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SR. CÉSAR DALZOCHIO: Boa noite a todos. Primeiro lugar agradecer a participação e o convite da Ver. Renata Trubian. Dizer que foi uma experiência muito incrível. Hoje eu tenho a satisfação de estar aqui falando, ter o meu grande instrutor o Capitão Américo da Aeronáutica Chilena, 9 anos como instrutor, e colega de equipe. Hoje ele é Delegado Regional aqui das emergências terrestres, aéreas e marítimas aqui na nossa região e possa dizer que é um grande amigo do peito, com certeza né. Esse curso que nós fizemos foi criado em cima de um desastre acontecido no ano de 2010 no Chile. Eram 33 mineiros na mina San José que ficaram aproximadamente 69 dias soterrados a 680 metros de profundidade. Eles foram encontrados 17 dias depois com vida e todos os 33 sobreviveram. A gente tem um carinho muito grande, é recebido com muito carinho no país, no Chile, porque um dos países que mais auxiliou nesse resgate com dinheiro para a ONU foi o nosso país, o Brasil. Então esse pessoal tem muito, como é que posso dizer, tem muita apreciação pelo povo brasileiro. Eles são muito gratos, nos atendem muito bem. A gente foi o ano passado para lá, nós fomos com veículo próprio particular em 5 pessoas representando o Rio Grande do Sul. Estávamos em 14 brasileiros representando o nosso país e várias pessoas de outras partes do mundo: México, Japão, Colômbia, Argentina, vários países estavam reunidos lá. Infelizmente a gente não pode bater foto de dentro da mina do nosso curso, nós temos uma ou duas que foi liberado né pelo nosso instrutor. Durante o ano de 2018 quem nos avaliou foi o Senhor Sérgio Luiz Chagas, que foi o primeiro brasileiro a escrever uma literatura sobre resgate em espaço confinado. Ele nos convidou no final de setembro né e a gente teve pouco tempo para se programar, como a passagem aérea é muito grande a gente optou por ir de carro. Foi uma experiência muito grande a gente saiu numa terça-feira da cidade de Feliz, eu sai daqui de Farroupilha, e chegamos no Chile na sexta-feira à noite, por volta das 22h. O curso já estava em andamento. O funcionamento lá é a seguinte questão: a gente entra dentro de uma mina e de primeiro momento entramos à noite né, e é feito somente o contato com o tato, a gente não usa lanterna, nada, para diminuir um pouco a tensão. O clima é muito muito diferente, de dia chega em torno de 34/35 graus e a noite vai em torno de 0 grau; dentro da mina a gente chegou a ter -7 graus durante a madrugada. O clima lá é bastante agitado né porque tem muitas minas no Chile né; muitas delas são ilegais assim como tem no nosso país também né e eles trabalham com muito tipo de resgate subterrâneo. Aqui na nossa região a gente trabalha bastante com parreirais. No Chile aonde a gente tem essa região montanhosa o pessoal utiliza para explorar os minérios; então a gente olha uma montanha do lado de fora ela tem apenas um buraco no meio e quando a gente entra dentro é como se fosse um formigueiro, são vários andares, tem buracos imensos dentro da mina né. E a gente pode ver a complexidade desses bombeiros do pessoal do Chile que atua nesse tipo de resgate. O meu colega, o Capitão Américo, que hoje está aqui presente já fez vários tipos desse resgate, auxiliou também o pessoal lá em 2010; ele também trabalhou no desastre da boate Kiss e ele pode nos auxiliar também depois na volta né, de minha pessoa particular, em muitas dúvidas nesse quesito de resgate subterrâneo. A gente teve lá uma experiência muito grande que é a questão do ‘breque’. No ano passado no mês de abril, no início do mês de abril, a gente fez um resgate de um Senhor soterrado aqui em Farroupilha. Eu atuei como voluntário na guarnição dos Bombeiros Militares e em torno de 4 horas a gente conseguiu retirar esse Senhor com vida né. Hoje ele tá aí firme e forte para poder contar essa história também. Outro quesito que a gente se influenciou bastante para fazer esse curso é os desastres que vem ocorrendo em nosso país né; teve a tragédia de Brumadinho que foi concluído ontem as buscas né, 110 pessoas não foram encontrados até os bombeiros fizeram uma homenagem com as aeronaves lá. E a gente pode ter como experiência ,aqui em Farroupilha, no ano de 1999 para 2000 a gente teve aquela tragédia em Sete Colônias também né, que é muito próxima do que a gente vive lá no Chile quando vai fazer esse curso. Nessa viagem a gente pôde ver muitas dificuldades também que os voluntários têm nesse quesito de cursos e valores, mas a gente vê que tudo é válido, tudo vale a pena. Hoje a nossa cidade conta com bastante pessoas voluntárias que estão aí para apoiar a causa, os militares eles são, na visão de nós cidadãos, eles são uma equipe muito reduzida, porém eles têm bastante equipamento e acho que não deixam nem um pouco a desejar, não tanto no nosso estado, mas como em outros países também. A experiência maior que a gente tem: no Chile eles trabalham com muitas pessoas. Um acidente como eu atendi aqui no ano passado, nós estávamos em torno de 10 resgatistas em todas as unidades; no Chile é atendida aproximadamente 40 pessoas em um acidente dessa proporção com uma vítima. Se tiver mais pessoas obviamente vão ter mais bombeiros disponíveis. O país do Chile ele conta hoje com 5% de bombeiros remunerados, existe um chefe de quartel e a secretária que são remunerados, os outros bombeiros eles são todos voluntários. A gente fica muito feliz, leva para nós essa causa, porque a meu parecer hoje como a gente atua tem que ter bastante essa ação voluntária no nosso meio. Existem muitos desastres, ontem na região de Bento Gonçalves se perdeu mais uma indústria pelo fogo. A gente, graças à ação da guarnição militar na semana passada, o pessoal também salvou o shopping aqui de Farroupilha de um sinistro muito grande. E a gente toma como exemplo na empresa onde eu atuo, já houveram sinistros e hoje a gente trabalha bastante nessa parte de prevenção. E hoje em dia tem que ter muito, a gente trabalhava se especializava bastante no resgate e hoje em dia nós nos especializamos mais na prevenção. Se não tiver prevenção a gente não vai ter resultado e cada vez mais nós vamos ter esse tipo de tragédia no nosso país né. A nossa cidade ela conta a meu ver ela tem pouco apoio né remunerado, nós temos poucas ambulâncias da parte do nosso governo do estado, mas eu acho que com o pouco que tem as pessoas que têm eles fazem muito para poder nos auxiliar. A outra questão também que a gente pode citar como voluntária no nosso município é que cada vez mais está tendo essa decorrência de tragédias. A gente não imagina a magnitude que o pessoal vivencia, mas tem um estudo muito recente de 1999 a 2017 morreram 149.000 jovens no nosso país vítimas de arma de fogo. Um estudo muito importante, esse nº é muito alarmante porque a gente está vivenciando e isso está se tornando rotina não só em outros municípios, mas no nosso também né. E a gente tem que estar preparado. Existem muitos tipos de tragédias, muitas chacinas que o pessoal faz também. E nessa área de prevenção nós temos que atuar bastante. Acho que eu só tenho a agradecer o convite da Senhora, de todos os que estão aqui presentes né, e nos colocamos à disposição sempre para o que precisar para nós auxiliar a comunidade; não só de minha parte, como os bombeiros voluntários, meu grande amigo Américo também que faz parte da Organização Internacional de Emergências Terrestres, Aéreas e Marítimas do Brasil. Todos nós estamos aqui para contribuir.




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