Estado do rio grande do sul fl. Nº: CÂmara municipal de farroupilha ata nº: 916 casa legislativa dr. Lidovino antônio fanton data: 25/03/2019



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PRES. SANDRO TREVISAN: Bom nesse momento então a gente pede a Sra. Gicela que faça a explanação.

SRA. GICELA BORTOLUZ: Pode ser. Na realidade eu vou contar um pouquinho da nossa experiência ali no Hospital Geral e eu acho bem importante passar para vocês que o Hospital Geral não se preocupa só com a parte técnica, só com o conhecimento. O Hospital Geral se preocupa também com outro fator que é primordial quando se fala em área da saúde, humanização. Então todos os Projetos que a gente puder abraçar e tiver parceiros que abracem junto com a gente para humanizar a questão do hospital a gente vai levar para direção e vai tentar que, juntos, a gente possa fazer algo mais pelo paciente e pelo seu familiar. Porque a gente acredita que o hospital não precisa lembrar a todo o momento que eu sou doente, que eu estou em fase terminal, que eu estou em tratamento; hospital não precisa ser sofrimento o tempo inteiro e foi assim que a gente há mais de dois anos veio pensando o ‘Projeto Pet’ lá no hospital. Só que a gente tinha um desafio, nós não temos dinheiro. A gente passa todo mês com o pires na mão para conseguir verbas para custear as internações quanto mais montar um Projeto que envolvesse dinheiro. E foi aí que a gente teve ideia conhecendo vários Projetos do mundo todo, porque aqui na nossa região pode ser uma terapia recente, a terapia com animais, mas fora do Rio Grande do Sul e fora do Brasil essa terapia já é bastante antiga. Têm muitos hospitais na Inglaterra, Estados Unidos, países de primeiro mundo que a terapia com animal ela já se inseriu no tratamento do paciente. E aqui no Brasil a gente procurou conhecer um pouquinho o que acontece no Albert Einstein, o que acontece em Curitiba, o que acontece em Brasília; e se tantos lugares estão dando certo não teria porque aqui a gente não dar certo. Foi aí que a gente teve a ideia, sem dinheiro nenhum, de montar esse Projeto e a gente tem uma direção muito parceira que comprou a nossa ideia. Então a mais de um ano funciona a ‘visita Pet’. Como que a gente fez para não ter dinheiro e investir? A gente teve a ideia de trazer o animal de estimação do paciente. Então a família, é o paciente que nos solicita; só que a gente não é inconsequente e a gente sabe o que é a quebra de paradigma e a gente também ouvia, como provavelmente vocês escutam aqui em Farroupilha, “só o que me faltava botar animal agora dentro de hospital”. “A infecção hospitalar vai ser imensa”. O que posso dizer para vocês? Não sou médica né, minha formação é outra. Todo o nosso Projeto ele está balizado por uma médica de infecção hospitalar, que se chama Dra. Lessandra Michelin, ela trabalha junto conosco desde a elaboração do Projeto até a execução das visitas. Nenhuma visita é feita sem o consentimento do médico do paciente, isto é fundamental. Porque essa visita ela tem que fazer bem para o paciente, e ela não pode trazer risco nem para o paciente e ela não pode trazer risco também para o animal. E outra coisa, tu tem que garantir que quem não goste de animal tenha também assegurado isso. Ninguém é obrigado a gostar de animal é obrigado a respeitar, a gostar não. Então a gente procurou elaborar um Projeto pensando nisso; não ter dinheiro porque não temos dinheiro para gastar, não fazer com que o paciente melhorasse sempre pensar na terapia para melhorar e, enfim, trazer para dentro do hospital e quebrar esses paradigmas que algumas pessoas acreditam, principalmente, na questão da infecção hospitalar. Há um ano esse Projeto acontece. Nós monitoramos todas as visitas, a gente já teve mais de 10 visitas. Para nossa surpresa no mês de novembro foi nos solicitado que fosse feita uma visita em UTI, aí eu fiquei bastante receosa porque até então nossas visitas tem uma salinha pequenininha de 1 metro por 1 metro ou a gente faz no leito; sendo que o animal tem que estar devidamente vacinado ou com uma cartinha do médico veterinário dizendo que naquele momento ele não tem nenhuma patologia. Ele entra na caixa de transporte ele é acompanhado a visita toda pelo familiar e ele vai ficar com o paciente por meia hora no máximo. Então ele não vai circular pelo hospital. Tivemos algumas visitas diferenciadas? Tivemos. Tivemos a Brigada Militar que entrou com um pastor alemão foi visitar toda a Pediatria, mas com acompanhamento da equipe, com uma boa higienização. Eu não sou médica a Doutora está aqui, mas enfim o quê que eu poderia dizer para vocês, na minha opinião de 23 anos de área de saúde, o que vai garantir que não tenha risco nenhum é a tua desinfecção, é a tua higienização correta dentro do hospital. Há um ano nós estamos desenvolvendo esse Projeto, jamais teve qualquer problema de infecção por onde o animal passou. Mas a gente se precavem, a gente tem critérios, a gente não está abrindo as portas do hospital para os animais entrarem. Após essa visita, que volto a repetir ele não fica circulando livremente pelo hospital, o leito é feito toda a desinfecção com os produtos corretos, o paciente é higienizado e o animalzinho para ir para dentro da instituição também segue os critérios que eu já falei. Inclusive a gente solicita também que ele tome um banho. Na realidade, se a gente for ver, nós visitantes do hospital, eu acho que dá para contar nos dedos aquela pessoa que toma um banho antes de visitar algum paciente, ninguém tira os seus calçados quando chega no hospital, então as pessoas caminham no hospital inteiro com os calçados que pisaram na rua, pisaram no esgoto, estiveram por todos os lugares; então não lavam as mãos, outra coisa bastante importante e que o nível de infecção também, grande parte passado isso pela nossa médica infectologista, é pelo que nós levamos pelas mãos né. Tocam no paciente tocam em todos os ambientes que passam. Então assim, o risco é o mesmo né e nós não seguimos tantos critérios assim para entrar, por isso que eu digo para vocês, na minha opinião de leiga, enquanto médica o que vai garantir que a gente continue sem ter problemas de infecção é a higienização do ambiente do hospital. É o teu processo que tu já tem. Claro que tu vai reforçar, no momento que o animalzinho sair tu vai fazer todo processo de novo. Aí vocês vão me perguntar: “ah e o custo disso?” Nós não temos porque no Hospital Geral a gente higieniza um leito de manhã e de tarde higieniza tudo novamente então realmente custo nós não temos. Estamos à disposição no Hospital Geral para quem quiser vir lá conhecer fazer uma visita, eu acho que só traz benefício para os pacientes. Aqui no vídeozinho vocês viram uma pequena parcela que foi uma ONG que obedeceu todos os critérios e foi até o hospital. E o que observo há um ano tá, sou suspeita em falar porque eu gosto de bichos, mas o quê que eu observo há um ano: o paciente é outro após a visita do animalzinho, a equipe é outra. Então isso traz humanização, isso traz qualidade na assistência, isso faz parte também de uma terapia de melhora do paciente. E em caso de fase terminal como apareceu aquela foto ali, se eu estou dando direito ao paciente de se despedir de toda a família dele porque que aquele paciente que tem um animalzinho de estimação não possa ter esse direito mesmo. Então não é o hospital que está colocando os animais para dentro do hospital, é um pedido da família é um pedido do paciente para ele conviver um pouquinho mais numa longa internação. Nós tivemos visita na psiquiatria. O Hospital Geral tem psiquiatria só a ala infantil e adolescente; então vocês imaginem o que é uma criança ficar 20 dias ali “trancada” só recebendo tratamento médico e de enfermagem. Então realmente assim o que nós pudermos, volto a salientar, o que nós pudermos fazer para trazer um pouquinho de acolhimento, de alegria para os nossos pacientes sem, em momento algum, colocar eles em risco a gente vai sim tentar fazer. E a gente tem a sorte que a gente tem uma direção muito parceira; o que ela pede é que a gente não gaste, o que ela pede é que a gente não coloque em risco jamais nenhum processo dentro do hospital. E essas visitas dos animais de estimação só vieram beneficiar. Encontramos resistência em abril do ano passado como quando a gente implantou? Encontramos. Teve um ou dois médicos que chegavam para nós e diziam assim: “só o que me faltava colocarem os animais dentro do hospital agora”. Esses mesmos médicos, três quatro meses depois assistindo essas visitas, quando eles sabiam que o animalzinho ia visitar o paciente eles estavam lá para acompanhar. Porque eles veem o benefício, eles veem que é alguma coisa que está agregando ao tratamento do paciente, então se tu pode fazer isso obedecendo a tua estrutura, obedecendo o teu bolso porque não fazer. Eu acho, volto a repetir para vocês, eu acho que o hospital ele não tem que ser um ambiente somente de doença e a cura não está só na medicação. A gente pode procurar alternativas para esse paciente sair de lá de uma forma bem melhor do que ele internou, e é nisso que a gente procura desenvolver nossos Projetos e o ‘amigo Pet’ é um deles. Vários locais aqui na nossa região, eu acho que a gente foi o primeiro está há um ano, mas eu vi a semana passada no jornal Pioneiro de Caxias do Sul que o Hospital Tacchini também começou a permitir a visita dos animais Pet. Cada um vai fazer seu Projeto de acordo com aquilo pode executar. Tem vários tipos de terapias com animais. Nós começamos dessa forma enfim pelos objetivos né, pelos critérios que eu falei para vocês. O meu depoimento né sou extremamente favorável. Temos sim parceiros porque no momento que tu não tem parceiros e tu tem pessoas que só botam empecilhos, nenhum Projeto dá resultado, tanto é que a nossa primeira visita não deu certo. A nossa primeira visita era com uma menina que estava no hospital há 40 dias, ela queria que o cachorrinho dela viesse, o pessoal da enfermagem não quis muito; e realmente eles não quiseram e a visita não aconteceu porque o animalzinho foi até o hospital e a menina, do nada, teve uma febre, isso dito pelo médico, voltado muito à questão psicológica. Então é importante que as pessoas comprem as ideias junto contigo e trabalhem junto contigo para dar certo. Eu acho que tudo que vem agregar, a mudar um pouquinho a situação do paciente, vale a pena a gente começar e tendo parceiros, é como eu digo para vocês, tudo dá certo. Fico aberta a perguntas e mais alguma informação que vocês precisem, e o hospital também está sempre de portas abertas para receber.




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