Esta pesquisa pretendeu fazer uma análise dos processos de trabalho dos Agentes Comunitários



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Considerações finais 

A proposta deste artigo foi fazer um recorte analítico 

de uma pesquisa que buscou desenvolver a análise 

dos processos de trabalho dos Agentes Comunitários 

de Saúde, sob o ponto de vista da atividade. Profis-

sionais estes inseridos na concepção da Estratégia 

de Saúde da Família, que atuam na USF Ilha das 

Caieiras, a qual fornece serviços integrais de acom-

panhamento em saúde à população residente num 

complexo de cinco bairros residenciais e periféricos, 

denominado “Grande São Pedro” na região da baía 

noroeste de Vitória-ES.

Salientamos que as ACS, todas mulheres e resi-

dentes no mesmo território em que trabalham, são 

profissionais, mães, esposas, trabalhadoras que 

deixam seus filhos na escola e fazem o serviço de 

casa antes de ir para o trabalho. A maioria delas

há quase uma década atuando como ACS, admite 

que apesar das muitas dificuldades encontradas no 

trabalho, gosta de atuar naquela função por terem 

a possibilidade de almoçar em casa, e ver os filhos 

crescerem. Ou seja, elas têm vínculo com a comu-

nidade e algumas características desse trabalho 

vão ao encontro dos valores prezados por essas 

trabalhadoras.

Observamos que as ACS participantes da pesqui-

sa vivem e trabalham com as “dramáticas do uso de 

si”, buscando preservar a saúde e prevenir doenças 

da população da microárea de sua responsabilidade, 

muitas vezes sem o devido apoio da gestão local do 

SUS para preservar a sua própria saúde, expondo-se 

ao sol durante todo o dia.

Podemos dizer ainda que são profissionais que 

vivem e trabalham renormalizando o trabalho com o 

objetivo de levar à população residente a produção de 

saúde em uma perspectiva integrada e participativa, 

sendo centrais nesse processo e perspectiva de ges-

tão da saúde; diferentemente do antigo conceito de 

saúde-doença centrado na figura do médico. Estão ao 

mesmo tempo lidando com usuários que dependem 

quase exclusivamente dos serviços de saúde do SUS, 

mas que muitas vezes não reconhecem a importân-

cia do trabalho dessas ACS na nova perspectiva de 

saúde integrada, ou seja, os usuários estão ainda in-

seridos na perspectiva sociocultural da doença e da 

cura. Muitos usuários só procuram saber a respeito 



400  

Saúde Soc. São Paulo, v.22, n.2, p.389-402, 2013




de saúde quando estão doentes e precisam de vaga 

para exames especializados ou para internação nos 

hospitais da rede pública.

Por fim, entendemos que as ACS vivem e traba-

lham “no fio da navalha”, pois representam na rede 

de trabalho em saúde – na perspectiva da ESF – a 

linha de frente do SUS para com os usuários, ca-

bendo a elas realizar a triagem dos problemas do 

território abrangido pela microárea de sua respon-

sabilidade e informar à sua equipe de saúde. Embora 

elas aleguem não ter a importância do seu trabalho 

reconhecida pelos profissionais colegas da equipe, 

por questão de valores conforme discutimos no item 

analítico deste artigo.

Entendemos que pudemos mostrar ser este um 

trabalho complexo e desafiador, marcado por muitas 

variabilidades que demandam convocações e usos de 

si, dos saberes da experiência e levam a um constan-

te embate de valores e escolhas para a sua execução. 

A complexidade do trabalhar e viver no local 

aqui exposta é de certa forma prescrita pelo MS. 

Sob o ponto de vista da gestão pública, o trabalhador 

local cuida melhor do seu território, no entanto, a 

pesquisa coloca em análise quão desafiador pode 

se tornar isso para os ACS, desafios estes singu-

larizados ainda mais pelo território específico em 

que se inserem (Queirós e Lima, 2012). Um território 

singular que há três décadas era visto como “lugar 

de toda a pobreza”, onde o lixo alimentou e serviu 

de solo e trabalho para a população, trazendo doen-

ças e estigmas que a população supera aos poucos. 

Um território marcado pela falta de integração do 

poder público no que diz respeito a programas que 

envolvam as áreas de Educação, Saúde, Assistência 

Social, Segurança entre outras. Um território que 

as ACS ajudam a transformar, colocando em ação 

os princípios da ESF no exercício cotidiano dos 

seus trabalhos. 

Como contribuição para desafios de pesquisa 

futuros, apontamos pesquisar por que as ACS so-

mente são ouvidas quando “gritam” com os colegas 

da USF e, a importância de se estudar a relação da 

atividade de trabalho das ACS com a formação do 

gênero profissional. 






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