Esportes e o cérebro o surpreendente resultado da autópsia em cérebro de atleta que matou amigo e se suicidou na prisão



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O cérebro foi considerado no estágio 3 da doença, em uma escala de um a quatro. Em um estudo anterior da própria equipe de McKee, órgãos no estágio 3 geralmente pertenciam a ex-jogadores com, em média, 56 anos.

Em uma coletiva de imprensa, McKee afirmou que o caso de Hernandez era grave "de uma maneira como nunca vimos nos 468 cérebros que já examinamos, exceto em indivíduos muito mais velhos".

Em julho de 2017, o New York Times publicou os resultados de um novo estudo da pesquisadora feito em 202 cérebros - 111 deles eram de ex-jogadores da NFL e destes, 110 tinham sinais de ETC.

A liga de futebol americano tem sido questionada sobre o assunto, mas não admitiu que o esporte seja responsável pelos danos à saúde dos atletas.

Os órgãos pertenciam a homens de 23 a 89 anos, que ocuparam todas as posições de um time de futebol americano.

Os pesquisadores também examinaram órgãos de ex-jogadores da liga de futebol canadense, de jogadores semi-profissionais, universitários e do ensino médio. Dos 202 cérebros estudados, 87% tinham sinais de ETC. Os jogadores do ensino médio tinham casos mais brandos, enquanto que os atletas universitários e profissionais apresentavam mais danos.

"Já não é discutível se existe um problema no futebol Americano. O problema existe", disse McKee, na época, ao jornal americano.

Até agora, no entanto, a maior parte dos cérebros estudados foram doados pelas famílias dos jogadores porque já se suspeitava que eles pudessem ter a doença. Isso poderia gerar um viés nos resultados.

Falta ainda, de acordo com Caramelli, um estudo mais abrangente para determinar qual seria, realmente, a frequência da ETC nos atletas.

Assim como Ann McKee nas poucas entrevistas que deu sobre o tema, o neurologista brasileiro menciona diversas vezes a palavra "fascínio" ao falar do cérebro de Hernandez.

Para ele, o fascínio despertado nos cientistas se deve ao fato de que o mecanismo pelo qual as pancadas repetitivas na cabeça levam a uma alteração química no cérebro ainda não é conhecido.

É possível ainda que traumas menos graves, que não causem perda de consciência, mas também ocorrem repetidamente, possam ter algum papel na doença. Por exemplo, os que sofrem os jogadores de futebol tradicional.

Em 2014, um estudo da USP mostrou que o ex-capitão da seleção brasileira de 1958, Hilderaldo Luís Bellini, sofria de ETC. Na Inglaterra, a doença também foi encontrada no cérebro de alguns jogadores.

"Aqui na UFMG estamos fazendo um estudo com jogadores de futebol brasileiros na ativa. Não esperamos encontrar ETC exatamente, mas queremos saber se há pelo menos alterações sutis no cérebro", diz Caramelli.

"No caso do futebol tradicional, o impacto é bem menor do que no americano e no boxe, sem dúvida. E ainda não sabemos qual é o papel do organismo de cada indivíduo, que pode ser mais suscetível à doença."

Outro desafio é o fato de que, até agora, a ETC só pode ser diagnosticada após a morte. Não se tem ideia, portanto, de como interpretar alterações de comportamento em jogadores e nem se, no caso de um diagnóstico, interromper a prática do esporte poderia de fato ajudar.

"Surgiu agora um exame em que você pode ver o acúmulo da proteína tau em uma pessoa viva. Está sendo testado para pacientes de Alzheimer, mas ainda não sabemos se serviria para ETC", afirma.






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