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Álvares de Azevedo: “Se eu morresse amanhã”



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Álvares de Azevedo: “Se eu morresse amanhã”
Você lerá, agora, um poema do escritor paulistano Álvares de Azevedo.
Leia, a seguir, a crítica do professor Antonio Candido sobre Gonçalves Dias.
A obra de Gonçalves Dias foi no Brasil a primeira de elevada qualidade depois dos árcades do século XVIII, 
como concepção e como escrita. A cadência melodiosa, o discernimento dos valores da palavra e a correção 
da linguagem formavam uma base, rara naquela altura, para a calorosa vibração e o sentimento plástico 
do mundo que animam os seus versos. O tempo desgastou a maior parte de sua obra, como a de todos os 
contemporâneos, e o que dela restou é hoje relativamente pouco. Pouco, mas bastante para manter a sua 
posição, devida sobretudo aos poemas indianistas, os únicos realmente belos dessa tendência, não porque 
correspondam etnograficamente ao que o índio foi, mas, ao contrário, porque construíram dele uma imagem 
arbitrária, que permitiu recolher no particular da realidade brasileira a força dos sentimentos e das emoções 
comuns a todos os homens. O sopro poético e a deformação cavalheiresca com que tratou os seus selvagens 
os conservaram vivos, realizando o seu desejo de redefinir a tradição da literatura ocidental por meio de 
novas imagens, referidas a gente diversa.
CANDIDO, Antonio. O romantismo no Brasil. São Paulo: Humanitas, 2002. p. 43-44.
A VOZ DA
 CRÍTICA
 
Se eu morresse amanhã
Se eu morresse amanhã, viria ao menos 
Fechar meus olhos minha triste irmã; 
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro! 
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
AZEVEDO, Álvares de. Se eu morresse amanhã. In: SIMON, Iumna Maria (Org.). Álvares de Azevedo
poesias completas. Campinas: Unicamp/São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 2002. p. 301.
O texto integral da obra 

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