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O poema narrativo de Gonçalves Dias



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CAMPOS ESFERAS2-PARTE1-MIOLO-001-208
CAMPOS ESFERAS2-PARTE1-MIOLO-001-208
O poema narrativo de Gonçalves Dias: I-Juca Pirama
Leia o Canto I do poema de Gonçalves Dias.
Canto I
No meio das tabas de amenos verdores, 
Cercadas de troncos — cobertos de flores, 
Alteiam-se os tetos d’altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes, 
Temíveis na guerra, que em densas coortes 
Assombram das matas a imensa extensão.
São rudos, severos, sedentos de glória, 
Já prélios incitam, já cantam vitória, 
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes! 
Seu nome lá voa na boca das gentes, 
Condão de prodígios, de glória e terror!
O texto integral da obra 
está disponível em: 

Acesso em: 14 abr. 2016.
prélio:
 luta, batalha.
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Leitura e literatura
As tribos vizinhas, sem forças, sem brio, 
As armas quebrando, lançando-as ao rio, 
O incenso aspiraram dos seus maracás:
Medrosos das guerras que os fortes acendem
Custosos tributos ignavos lá rendem,
Aos duros guerreiros sujeitos na paz.
No centro da taba se estende um terreiro, 
Onde ora se aduna o concílio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d’outrora,
E os moços inquietos, que a festa enamora, 
Derramam-se em torno dum índio infeliz.
Quem é? — ninguém sabe: seu nome é ignoto, 
Sua tribo não diz: — de um povo remoto 
Descende por certo — dum povo gentil;
Assim lá na Grécia ao escravo insulano
Tornavam distinto do vil muçulmano
As linhas corretas do nobre perfil.
Por casos de guerra caiu prisioneiro
Nas mãos dos Timbiras: — no extenso terreiro 
Assola-se o teto, que o teve em prisão; 
Convidam-se as tribos dos seus arredores, 
Cuidosos se incumbem do vaso das cores
Dos vários aprestos da honrosa função.
Acerva-se a lenha da vasta fogueira, 
Entesa-se a corda da embira ligeira, 
Adorna-se a maça com penas gentis:
A custo, entre as vagas do povo da aldeia 
Caminha o Timbira, que a turba rodeia, 
Garboso nas plumas de vário matiz.
Entanto as mulheres com leda trigança, 
Afeitas ao rito da bárbara usança,
O índio já querem cativo acabar:
A coma lhe cortam, os membros lhe tingem, 
Brilhante enduape no corpo lhe cingem, 
Sombreia-lhe a fronte gentil canitar.
DIAS, Gonçalves. I-Juca Pirama. In: BARBOSA, Frederico (Org.). Cinco séculos de poesia
antologia da poesia clássica brasileira. São Paulo: Landy, 2000. p. 143-159.

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