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Para que servem os verbetes?



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CAMPOS ESFERAS2-PARTE1-MIOLO-001-208
CAMPOS ESFERAS2-PARTE1-MIOLO-001-208
Para que servem os verbetes?
Na seção Letras jurídicas do caderno Cotidiano, Walter Ceneviva, colunista da Folha de S.Paulo, utilizou 
características de verbetes em seu artigo. A problematização do assunto girou em torno de cinco diferentes 
acepções para a palavra trabalho. Leia o artigo.
1.
  Responda, com base no artigo de Walter Ceneviva.
a) Como o verbete é usado? Justifi que sua resposta.
b) Que características do texto coincidem com as de um verbete, mas não o são?
c) Qual é a função desse recurso no texto? 
Filosofando sobre o trabalho
Devem ser raros os brasileiros que ignoram a existência da Consolidação das Leis do 
Trabalho,  a  CLT,  sigla  que  deu  origem  ao  neologismo  “celetista”,  ou  seja,  o  empregado, 
segundo regras legais consolidadas. O nome da CLT, contudo, é incorreto ou, talvez, falso, 
pois suas normas referem-se predominantemente à relação entre empregado e emprega-
dor e não a todas as leis sobre o trabalho.
O leitor já pensou em defi nir trabalho? Proponho uma alternativa. Trabalho é atividade 
desenvolvida pelo ser humano com fi ns úteis e lícitos. Lendo a defi nição sugerida, o leitor 
dirá que está faltando a remuneração, pois, na linguagem do dia a dia, trabalhar é ativi-
dade profi ssional, de produção ou de prestação de serviços, que assegura, pelo salário, a 
manutenção do trabalhador e de sua família, conforme resulta dos artigos 6.
o
 e 7.
o
 da Cons-
tituição.  Há  uma  ressalva  importante. As  ações  desenvolvidas  em  causas  humanitárias, 
religiosas, de benemerência, sem contrapagamento, também se enquadram na defi nição. 
Trabalho e emprego são coisas diferentes.
O escritor — bem ou malsucedido, não importa — serve de bom exemplo porque realiza 
seu trabalho. De outro ângulo, compreende, paradoxalmente, o chamado trabalho escravo, 
o do preso e o das freiras integrantes de irmandades religiosas, entre tantos outros. O tra-
balho infi nitamente importante da dona de casa há de ser necessariamente considerado. 
Ainda não tratei do futebolista, do camelô, do catador de papel, da prostituta, injustamen-
te chamada praticante da vida fácil, que também trabalham.
De tudo o que fi cou dito resulta a questão óbvia de saber se é possível colocar toda essa 
gente na defi nição proposta no começo ou admitir alguns e afastar outros. Tentativa útil 
para o enquadramento é a de considerar “trabalho a atividade humana, manual ou inte-
lectual, exercida com vistas a um resultado útil e determinado”. É a defi nição do “Vocabu-
laire Juridique” da Association Henri Capitant, dirigido por Gérard Cornu.
Variando o rumo: o verbo trabalhar não signifi ca necessariamente exercer profi ssão. O 
recentemente falecido Jorge Guinle dizia que jamais havia trabalhado, fruindo até o fi m 
a fortuna herdada. No polo oposto, achou-se o estímulo ao trabalho (“cada segundo que 
passa é um milagre que não se repete”) na versão utilitarista (“tempo é dinheiro”), a exigir 
atuação metódica e constante, como condição da dignidade humana, posição desmentida, 
contudo,  pelos  grandes  fazedores  do  mundo,  de Aristóteles  a  Marx,  de  Buda  a  Jesus  e  a 
Muhammad (Maomé).
Os funcionários públicos não são trabalhadores, na terminologia constitucional, mas 
trabalham, subordinados à relação estatutária, que também não é de emprego. Eles são 
servidores.
A Constituição nega a distinção entre o trabalho intelectual e o trabalho físico. Traba-
lho, para a Carta Magna, é a atividade remunerada, com ou sem relação de emprego. Nesse 
plano, o controlador de voo e o ajudante de pedreiro têm a mesma dignidade profi ssional, 
do ponto de vista legal, o que é rigorosamente correto. No Dia do Trabalho, quando este 
permite divagações fi losófi cas, com tantas alternativas completamente diversas, só cabe 
completá-las com a última pergunta: “Dia de quê!?!”.
CENEVIVA, Walter. Filosofando sobre o trabalho. Folha de S.Paulo, São Paulo, 1
o
 maio 2004. Cotidiano, p. C2.
Filosofando sobre o trabalho. Walter Ceneviva. 1
o
 maio 2004, Caderno Cotidiano, p. C2. Folha de S.Paulo. Folhapress. 
Disponível em: . Acesso em: 23 maio 2016.
F A Ç A   N O
CADERNO
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12/8/16   5:33 PM


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Texto, gênero do discurso e produção

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