Escravidão contemporânea na zona rural brasileira: um reflexo de 300 anos de escravidãO



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EscravidãoContemporâneaZona
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
A metodologia adotada para este artigo foi a pesquisa documental. Uma vez que se 
visa descrever as características do trabalho escravo nas fazendas brasileiras, utilizou-se 
reportagens, vídeos e textos referentes ao tema.
Inicialmente, realizou-se pesquisa em uma reportagem feita pelo Repórter Brasil, 
uma Organização Não Governamental (ONG), fundada em 2001 por jornalistas, cientistas 
sociais e educadores com o intuito de promover uma reflexão e ação sobre a violação aos 
direitos trabalhistas no Brasil. A organização apresenta em seu site reportagens, 
investigações jornalísticas, pesquisas e metodologias educacionais que têm sido usadas 
como instrumentos de combate à escravidão contemporânea.
A reportagem inicial era descrita como “Operações de Trabalho Escravo”, e 
descrevia uma ação feita em conjunto com o Ministério Público do Trabalho que 
quantificou e abordou o trabalho escravo em todo o Brasil. Em 2015, foram realizadas 
mais de 170 operações de fiscalização em estabelecimentos e 1.674 pessoas em situação 


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análoga à escravidão foram libertadas. Além disso, a reportagem contava com um anexo 
relacionando os proprietários dos estabelecimentos abordados em uma lista, nomeada de 
“lista suja”, que se referia às pessoas que respondiam a processos na Justiça em relação a 
esse tipo de crime. 
A reportagem abordava diversos estabelecimentos no Brasil que foram 
inspecionados, contudo, decidiu-se focalizar apenas as denúncias de trabalho escravo 
ocorridas em fazendas brasileiras. Ao todo, foram 1.160 fazendas nos 20 estados que 
apresentam fazendas registradas. 
Tratando-se das informações sobre a “lista suja”, a princípio buscou-se, a partir do 
nome dos proprietários das fazendas, o número e a sentença dos processos abertos para 
investigação das condições de trabalho. No entanto, devido à dificuldade de acesso a essas 
informações, em comunhão com os casos já prescritos e também aos casos ainda abertos, 
foi alterado o critério de análise para caracterizar as condições de trabalho nas fazendas. 
Desse modo, observou-se que haviam reportagens relacionadas a todas as fazendas 
analisadas devido à recorrência dos casos e à posição social ocupada pelos proprietários 
das mesmas. Com isso, elegeu-se os casos com o maior número de escravizados em cada 
um dos 21 estados analisados, para identificar os aspectos comuns e, assim, agrupá-los em 
quatro categorias distintas.
Alguns trechos das reportagens utilizadas como objeto de estudo: 
“Pelo menos um em cada dez deputados federais teve sua 
campanha financiada por empresas flagradas utilizando mão de obra 
análoga à escrava. Na eleição de 2014, 51 dos 513 parlamentares eleitos 
receberam R$ 3,5 milhões de empresas que estão ou estiveram presentes 
nos cadastros de empregadores autuados pelo crime.” (LOCATELLI, 
Piero). 
“O ônibus clandestino lembra Marcos, saiu lotado do centro, à 
noite. Como os demais, ele levou uma boroquinha (espécie de mochila), 
com rede, roupas e R$ 25 adiantados por “Meladinho” para alimentação – 
deixou os outros R$ 25 com a mãe. Em Santa Inês, no Maranhão, 
embarcaram num trem. Marcos desconfiou quando “Meladinho” disse que 
não seguiria viagem, o que é praxe. Se soubesse ler, pensou, tentaria voltar 
para casa sozinho. Na penumbra, entrou no trem. Então, nova surpresa: foi 
colocado no vagão de cargas, entre as malas, com a orientação de não 
circular nos vagões. E assim foi. Por volta das duas da manhã, desceu na 
última parada, no meio de um matagal. Poucos metros adiante, subiu, com 
os demais, num caminhão pau de araras onde seguiram até alcançar os 
portões da fazenda Brasil Verde, em Sapucaia, no Pará” (LARIZZE, 
Thais).


12 
A tabela 1, a seguir, apresenta, de forma resumida, os dados encontrados, 
destacando o estado da federação, o município, o nome da fazenda, o número de 
escravizados e o nome do proprietário da fazenda. 

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