Escravidão contemporânea na zona rural brasileira: um reflexo de 300 anos de escravidãO


Da escravidão tradicional à escravidão contemporânea



Baixar 0.64 Mb.
Pdf preview
Página4/12
Encontro19.12.2022
Tamanho0.64 Mb.
#26157
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12
EscravidãoContemporâneaZona
1.2 Da escravidão tradicional à escravidão contemporânea
O tráfico negreiro foi um tipo de negócio bastante lucrativo no início do capitalismo, e 
deixou marcas que, mesmo hoje, diante da modernização e criação de medidas de proteção, 
como as leis, ainda assombra a sociedade. Está marcado na história do Brasil um passado de 
quase três séculos de seres humanos trazidos de várias partes do continente africano, em 
condições insalubres, desumanas e contra a sua vontade, para a América. Era a dignidade 
humana sendo dominada para o acúmulo de riquezas da época, que, de acordo com Viana 
(2007, p. 37), “[...] como sucede em todos os tempos, submissão e resistência conviviam lado 
a lado”. 
Em pleno século XXI a escravidão ainda existe, em duas formas: em condições 
degradantes ou contra a vontade do trabalhador. A exploração refere-se à prática desse crime 
que está escondida em fábricas, fazendas, organizações de portas fechadas e diversos outros 
tipos de trabalhos em condições onde exista o aproveitamento de trabalho e o afrontamento 
dos seus direitos humanos, tais como a vida, a liberdade e a dignidade, de acordo com o artigo 
149 do Código Penal Brasileiro: 
Art. 149 - Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer 
submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o 
a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio
sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto 
[...] (JUSBRASIL, 2014, s/p). 



Autores contemporâneos criaram a metáfora da escravidão contemporânea, sendo que 
os mesmos fazem uma comparação diante da vida dos antigos escravos, aqueles que 
enfrentaram os navios negreiros e os atuais trabalhadores que vivem este lamento. Na época, 
os escravos eram submetidos a algemas para imobilização enquanto não estavam trabalhando. 
Atualmente, o conceito de algema, teoricamente, é símbolo de uma ligação que prende o 
homem ao seu trabalho. Portanto, compreende-se que as cadeias da nova escravidão nem 
sempre são físicas: o medo, o isolamento e as dívidas são usados para reter uma pessoa contra 
a sua vontade, ou seja, são os novos grilhões. 
De acordo com Ciconetto (2014), os tipos de escravidão contemporânea podem ser 
classificados em sete categorias. A primeira delas é a servidão. Estima-se que 20 milhões de 
pessoas trabalham em condições de servidão, ou seja, jornadas exaustivas, sem folgas e 
recebimento do pagamento em forma de alimentação básica, caracterizando o primeiro tipo de 
escravidão. Já a segunda caracteriza-se pela atuação da classe política, assim como a de 
indivíduos particulares que captam de forma ilegal pessoas para o trabalho forçado. A 

Baixar 0.64 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   12




©historiapt.info 2023
enviar mensagem

    Página principal