Escola superior de enfermagem do porto



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PARTE V - CONCLUSÃO




Como conclusão do presente estudo, serão sintetizadas as ideias essenciais decorrentes da análise e discussão dos resultados obtidos, tendo em consideração os objetivos traçados, as hipóteses elaboradas e as limitações sentidas. Serão, igualmente, apresentadas as implicações do estudo para a prática de enfermagem e sugestões para futuras investigações.

Neste sentido, com este trabalho, pretendeu-se analisar o impacto de um programa educacional baseado no empowerment, para utentes com DM2, na perceção de autoeficácia e nos comportamentos de autocuidado, contribuindo, desta forma, para a prática de enfermagem sustentada na evidência, em benefício dos utentes com DM2.

Após a implementação do programa, constatou-se que o mesmo produziu melhorias em algumas áreas dos comportamentos de autocuidado, nomeadamente nos hábitos alimentares e na perceção de autoeficácia. Nas restantes variáveis, o programa não obteve resultados estatisticamente significativos, no entanto, observou-se uma evolução positiva, o que se traduz, também, num resultado desejável. Exclui-se, no âmbito do autocuidado, as dimensões “Medicação” e “Cuidados com os Pés”, que não sofreram alterações positivas ao longo do programa, apresentando, contudo, elevados níveis de autocuidado.

É, assim, possível, concluir que, quando submetidos a um programa de educação para a saúde baseado no empowerment, os utentes com DM2 apresentam melhores comportamentos de autocuidado e uma maior perceção de autoeficácia, do que aqueles que não são submetidos a este mesmo programa.

Considerou-se que a aplicação do programa promoveu o envolvimento dos participantes na gestão dos seus cuidados de saúde, incentivou a sua capacidade de tomada de decisões e de resolução de problemas, através da procura e implementação de estratégias adaptativas.

Com o programa pretendeu-se ajudar os utentes portadores de DM2, a refletir sobre o seu projeto de saúde para que, eles próprios, apoiando-se nas suas forças e prevendo quais os obstáculos, conseguissem, autonomamente, decidir qual o seu curso de ação. De facto, considera-se que este objetivo foi atingido com sucesso.

É importante referir que, em termos de contabilização de custos, o programa não comporta grandes encargos, para além dos recursos humanos e dos materiais já existentes, podendo ser replicado com poucas despesas para o SNS.

No entanto, este estudo não está isento de limitações, que, decerto, afetaram os resultados conseguidos. Um dos maiores obstáculos sentidos foram os limites temporais exigidos pelo calendário letivo, que influenciaram a possibilidade de ampliar o tamanho da amostra do estudo e a possibilidade de avaliação da hemoglobina glicada no momento M1, este último sem trazer constrangimentos para os elementos da amostra.

A segunda limitação prende-se com o facto de este estudo se limitar apenas a uma área geográfica, pelo que não é correto generalizar os resultados. Parece interessante, em estudos futuros, aplicar o mesmo programa em diferentes unidades de saúde que abranjam populações detentoras de distintas características sociodemográficas.

À semelhança da proposta colocado por outros autores (Chen et al., 2015; Sousa et al., 2017) considera-se, ainda, a necessidade de, em estudos futuros, ser realizado um follow-up para avaliar os resultados do programa a longo prazo.

Apesar destas limitações, o estudo apresenta sob o ponto de vista metodológico aspetos que se consideram positivos, nomeadamente, o facto de no instrumento de colheita de dados serem aplicadas três escalas validadas e adaptadas para a população portuguesa, bem como o facto dos pressupostos do programa serem baseados em literatura bastante documentada e já testada previamente.

Sousa (2014), após a realização de um programa de características semelhantes, afirmou que este tipo de intervenções deverá ser realizado por profissionais que se identifiquem com os princípios do empowerment, sendo essencial preparar os enfermeiros para esta nova abordagem, de modo a ser possível replicar sistematicamente este tipo de programas.

Considera-se fundamental trabalhar junto dos profissionais de saúde, no sentido de despertar a importância de focarem a sua prática clínica na filosofia do empowerment, prestando cuidados centralizados nos objetivos e nas metas definidos pelos utentes.

O Enfermeiro Especialista de Saúde Comunitária deverá ter um papel crucial na elaboração de um plano de cuidados, em parceria com a pessoa com DM2, plano este que deve centrar-se nos objetivos e metas estabelecidas pelo utente que promovam a mudança de comportamentos através de um processo de motivação interna. Desta forma, é possível capacitar os utentes na área da prevenção, para diminuir/prevenir as complicações decorrentes da DM e promover uma melhor adaptação à doença crónica, melhor qualidade de vida e uma redução de custos para o SNS.

Sugere-se que, no futuro, de forma a aprimorar os resultados obtidos, se continuem a realizar programas culturalmente sensíveis à população em estudo. Preferencialmente com um maior intervalo temporal, para que desta forma, seja possível abranger um maior número de participante, avaliar o seu impacto no valor da hemoglobina glicada e, se possível, realizar um follow-up. Desta forma, será também possível proporcionar aos participantes mais tempo para consolidaram as alterações no seu estilo de vida e, assim, obterem-se melhores resultados em algumas dimensões do autocuidado.

Pelo exposto, considera-se que os objetivos definidos, aquando do início desta investigação, foram atingidos com sucesso.




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