Erica cristina gabriela fiorindo haline floriano


JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO TEMA



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2.6 JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO TEMA



Abordar uma mitologia que esteja inserida no todo que constitui a cultura árabe não é uma tarefa fácil. Tanto pelas complexidades que envolvem a sua formação, quanto pelos aspectos que que desenham a sua unidade enquanto povo, os traços da mitologia árabe não permitem uma interpretação rápida ou superficial. Por conta do trajeto histórico e as mudanças vividas pelos países integrantes, cada região do mundo árabe acabou por estabelecer características diferentes entre si.
Desde os inícios do islamismo até aos nossos dias foram bastante complexas as circunstâncias e os condicionalismos que determinaram a fisionomia de cada país ou região desse vasto mundo, pelo que se torna actualmente embaraçoso estabelecer um quadro único que se possa aplicar a todos eles. (RODRIGUES, 1980, p.3)
Apesar de não conseguirmos com facilidade estabelecer um quadro único da cultura árabe, a mitologia pode se tornar um ponto de contato entre as diferentes nacionalidades. Obviamente, a língua é o laço mais forte e o que une todas elas, mas os personagens e narrativas constituintes desse “folclore” dos países árabes, parece ser a base de seu desenvolvimento cultural. Essa riqueza de relações e possibilidades foram motivos que entusiasmaram o grupo na escolha do tema do trabalho.

Além disso, cabe ressaltar a importância dos países do mundo árabe, tanto do ponto de vista histórico, quanto da atualidade. Importante recuperarmos que boa parte das manifestações culturais presentes até hoje na Europa, em particular na Península Ibérica, sofreram forte influência do povo árabe. Durante a expansão de seu Império, eles dominaram Portugal e Espanha por anos e acabaram, até mesmo, por definir novos vocábulos da própria língua portuguesa. Atualmente, essa região é vista por sua grande importância econômica e financeira, oriunda das bacias petrolíferas. Entretanto, é preciso pensar o mundo árabe para além da perspectiva do capital.
Por outro lado, é estranho que as nações se debrucem tantas vezes sobre a problemática árabo-islâmica apenas quando estão em causa interesses de ordem material, como os intercâmbios comerciais, e de estratégia político-militar. O que ultimamente tem sucedido com o problema do petróleo e com as questões do Irão e do Afeganistão aí está a testemunhar essa óptica unilateral e limitada. (RODRIGUES, 1980, p. 5)
Conforme coloca Rodrigues (1980), enxergar a cultura árabe por uma única perspectiva é unilateral e limitado. Exemplo prático disso pode ser obtido no discurso da escritora nigeriana Chimamanda Adichie na TED Conference, abordando o perigo intrínseco quando se conta apenas um lado de uma história, à medida em que todo o restante é desconsiderado, abrindo portas para os processos de estereotipização. A partir dessa reflexão, o papel da mídia na disseminação da cultura árabe também surgiu como um motivador para o grupo.

Agravado pelos conflitos com os Estados Unidos dos últimos anos, os povos que vivem nos países de língua árabe vêm sofrendo com o poder que a mídia de massa possui de modelar a opinião pública a favor de interesses que, na maioria das vezes, não são claros nem divulgados. Primeiramente, é preciso estabelecer a diferenciação entre a religião e a etnia, já que nem todo árabe é muçulmano, sendo esta associação uma das principais causas dos preconceitos e sub julgamentos acerca da cultura destas populações.
As designações de “árabe” e “islâmico” são distintas. Ser árabe refere-se a uma etnia e cultura. Árabe é a aquele que fala a língua o idioma de mesmo nome e vive em um dos 22 países árabes existentes. Noventa por cento dos árabes são islâmicos, mas na realidade podem professar qualquer religião ou mesmo ser ateus. (GUEDES, J; DIAS, L & SOUSA, R., 2011, p. 3)
Por conta da atuação de grupos religiosos extremistas, os muçulmanos acabaram ganhando uma imagem amplamente disseminada pela imprensa internacional que não corresponde à sua totalidade enquanto povo. Aliada à baixa representação dos aspectos da cultura árabe nos meios de comunicação e do entretenimento mundial, sendo possível contar nos dedos as produções de massa que de fato se debruçam na análise desses traços, o público muitas vezes acaba assimilando somente noticiários negativos e unilaterais como a única versão disponível de uma cultura que é diversificada, complexa e rica como qualquer outra, seja da Europa, da África ou de qualquer outra região.
Em conseqüência da ação dos jornais, da televisão e dos outros meios de informação, o público sabe ou ignora, presta atenção ou descura, realça ou negligencia elementos específicos dos cenários públicos. As pessoas têm tendência para incluir ou excluir dos seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo. Além disso, o público tende a atribuir àquilo que esse conteúdo inclui uma importância que reflete de perto a ênfase atribuída pelos mass media aos acontecimentos, aos problemas, às pessoa (SHAW, apud WOLF, 2001, p. 144).
Em resumo, a riqueza dessa cultura, a possibilidade de abordá-la por meio de viés que extrapole sua importância econômica e financeira para o mundo atual, além do entendimento mais profundo, que fuja das representações unilaterais da mídia de massa, foram os principais motivadores para que o grupo escolhesse a mitologia árabe como foco do trabalho desenvolvido. Aliado a esses motivadores, está ainda a baixa representatividade do tema tanto no universo do entretenimento quanto nos projetos acadêmicos, principalmente no que se relaciona aos imigrantes árabes no Brasil e nos seus legados para o país, já que conforme coloca Montenegro (2002), a atual presença árabe não foi objeto no campo da análise dos estudos do Brasil, sendo possível encontrar apenas pequenas menções à chegada dos contingentes de imigrantes ao país na maioria das bibliografias especializadas.


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