Erica cristina gabriela fiorindo haline floriano



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2. DESENVOLVIMENTO

2.1 ANÁLISE REFLEXIVA E DESCRIÇÃO DA MITOLOGIA ÁRABE


Ao abordarmos a mitologia árabe, é preciso salientar que ela se refere à mitologia pré-islâmica, ou seja, aquela anterior ao advento do Islã, Antes do Islã na Península Arábica, em 622, a Caaba, localizada em Meca, e centro físico do Islã, estava permeada de símbolos que representavam os “demônios inumeráveis”, djinn, semideuses e outras criaturas sortidas, as quais caracterizavam o politeísmo pré-islâmico da antiga Arábia. A partir dessa diversidade de deuses e personalidades, tem-se espaço para o desenrolar de mitos, como as histórias de gênios, ghouls, lâmpadas mágicas, tapetes voadores, e os desejos contidos nos contos de “As Mil e Uma Noites”, por exemplo, além de outras obras que foram transmitidas ao longo das gerações. É neste sentido que, para analisarmos a mitologia árabe, abordamos o mito “As Mil e Uma Noites”, clássico da literatura árabe, mais especificamente, da Pérsia. Primeiramente, esta obra deu origem aos mais variados tipos de narrativas, assim como será analisado posteriormente. No entanto, a construção inicial parte da reunião de vários contos, cuja procedência é, exclusivamente, oriental.

O primeiro nome que caracterizou este mito foi “Alf Lailah Oua Lailah”, reunindo contos que datam dos séculos XIII e XVI. Embora cada capítulo tenha uma história diferente, há uma ligação na transição entre elas, que são narradas pela personagem Scherezade. De acordo com as análises feitas acerca da obra no geral, o uso, no título, de “as mil”, isto é, o plural em vez do singular, vem da necessidade de mostrar que cada história pode trazer inúmeras narrativas, até mesmo incontáveis, a fim de resultar em uma obra aberta, o que não aconteceria caso fosse utilizado o singular. Este clássico abrangeu, em suas narrativas mais antigas, histórias de origem egípcia, que permeiam o século XII. Posteriormente, novas histórias foram adicionadas à criação original, tais como contos persas, hindus, siríacos e judaicos. Essa miscelânea, portanto, visivelmente se modifica conforme os novos textos vão sendo incorporados. No mundo ocidental, a obra passou a ser amplamente conhecida a partir de uma tradução para o francês realizada em 1704 pelo orientalista Antoine Galland, transformando-se num clássico da literatura mundial. Todavia, não existe uma versão definida da obra, uma vez que os antigos manuscritos árabes diferem no número e no conjunto de contos.

Fazendo uma ligação com o que foi exposto acerca da mitologia árabe, temos em muitos contos, que integram a obra “As Mil e Uma Noites”, como em “Aladim e a lâmpada maravilhosa”, a evidência da presença que o “gênio” ganha nessa mitologia. Um gênio é um ser fantástico da mitologia semita. Nos tempos antigos, eram os espíritos de pessoas que tinham desaparecido, deixando a noite para perturbar e se esconder logo ao amanhecer; em contrapartida, para outras mitologias, são seres de fogo. No Islã, são considerados seres criados com fogo sem fumo, com o livre arbítrio, eles podem obedecer a Deus, Iblis, ou ao Diabo, podendo compartilhar o mundo físico com os homens e serem tangíveis, porém, podem também assumir qualquer forma ou ser invisível. Eles podem se casar e procriar com os seres humanos, além de outras características.

Por conseguinte, em “As Mil e Uma Noites” o enredo envolve a relação entre o Califa de Bagdá e a sua mais recente esposa, aquela que, supostamente, seria a sua próxima vítima, Scherezade. O rei persa foi traído por sua mulher, a qual dormia com o próprio escravo do rei, toda vez que este viajava. Ao descobrir a traição, o Califa mandou executar a mulher e o escravo; e convicto de que nenhuma mulher do mundo é digna de confiança, decide que, a partir de então, dormirá com uma mulher diferente cada noite, mandando matá-la na manhã seguinte: desta forma não poderia ser traído nunca mais. Durante três anos ele pratica o mesmo ritual, no qual o rei desposou e sacrificou inúmeras moças, trazidas à sua presença pelo vizir (equivalente a um primeiro-ministro) do reino, até que não haja mais jovens virgens em seu reino.

É quando a filha do vizir, Scherezade, aquela que era considerada a mais bela donzela da corte, pediu para ser entregue como noiva ao rei, embora corresse os notáveis riscos; sua decisão era porque sabia de uma forma para escapar ao triste fim que alcançaram as moças anteriores. O vizir apenas aceita depois de muita insistência da filha, levando-a finalmente ao rei. Antes de ir, ela diz à irmã, Dinazarda, que lhe peça que conte uma história quando for chamada ao palácio do rei. Muito inteligente e astuta, arma o plano com a sua irmã, que com a permissão do soberano, dorme também no quarto nupcial.

Conforme o combinado, a cunhada do Califa convida a irmã para lhe narrar um de seus contos fantásticos. Ela relata a "História do mercador e do gênio", mas, ao amanhecer, ela interrompe o conto, dizendo que continuará a narrativa na noite seguinte. O rei, curioso com o maravilhoso conto de Scherezade, não ordena a sua execução para poder saber o final da história na noite seguinte. Assim, repetindo essa estratégia, a mulher consegue sobreviver noite após noite, contando histórias sobre os mais variados temas, desde o fantástico e o religioso até o heróico e o erótico. Ao fim das mil e uma noites repletas de contos, Scherezade já havia tido três filhos do rei, e lhe suplica que a poupe, por amor às crianças. O rei, que há muito havia-se arrependido dos seus atos passados e se convencido da dignidade de Scherezade, perdoa-lhe a vida, desistindo de matá-la, bem como se livra da sua desvairada vingança, fazendo dela a sua rainha definitiva. E sua irmã, Dinazarda, é feita esposa do irmão do rei, Xazamã.

Dessa maneira, levando-se em consideração que as religiões representam mitos, e analisando-se, por exemplo, a Bíblia e o Corão, percebe-se que a construção de um Deus neles é contraditório quando se tenta correlacioná-los. No âmbito dos gênios, na mitologia árabe, a maioria desses “espíritos”, beneficentes ou maus, possuía um guardião supremo da ordem moral: Allah (Al Ilah; nome que remete ao Deus do Corão); logo, percebe-se a relação na construção dos mitos e das religiões locais.



Em suma, cada conto relatado por Scherezade que, posteriormente, tornou-se a conhecida obra “As Mil e Uma Noites”, representa uma série de costumes e peculiaridades da cultura e mitologia árabe. A expansão da obra para os outros países permitiu que as suas origens, evolução, significado, etc se fizessem públicos. Para a civilização ocidental, por exemplo, entrar em contato com essa obra (por meio de novelas, desenhos e pela própria publicação) parece algo longínquo, justamente por se tratar de hábitos que não fazem parte do cotidiano deste. Por isso, além de representar os costumes e construção histórica de um povo, esse mito também explica as atitudes e muito daquilo que a civilização árabe é ainda hoje em dia. Muito se vê sobre a submissão da mulher árabe, e desde os primórdios, com os relatos e com aquilo que lemos na mitologia em questão, percebemos o quanto o homem desenvolvia um discurso autoritário e violento, ao não suportar que “a sua mulher” tivesse outro caso com alguém; no entanto, em uma relação desigual, ele podia ter com outras mulheres. As Mil e Uma Noites, por outro lado, mostra como uma mulher conseguiu driblar aquilo que seria a sua predestinação, isto é, a morte em decorrência da vingança do rei. Os contos se fazem, então, a parte pelo todo; através de histórias separadas que se interligam, constitui-se uma obra literária de alcance universal.


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