Entrando no clima



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UNIVERSIDADE ESTACIO SE SÁ

CURSO: PEDAGOGIA

DISCIPLINA: ASPECTOS ANTROPOLÓGICOS E SOCIOLÓGICOS DA EDUCAÇÃO

PROFESSOR/TUTOR: SIMONE BARRETO MAGALHAES

TÍTULO DA ATIVIDADE ESTRUTURADA: "ENTRANDO NO CLIMA", UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA DAS RELAÇÕES ENTRE A SOCIEDADE E O MEIO AMBIENTE.

ALUNO (A) AUTOR (A) DA ATIVIDADE: ALESSANDRA LIMA GRACEK

DATA: 31/05/2016
Rio Tietê: Breve História da "Água que já foi verdadeira".

Quando a última árvore tiver caído,
quando o último rio tiver secado,
quando o último peixe for pescado,
vocês vão entender que dinheiro não se come.

Greenpeace”



O rio Tietê nasce a uma altitude de 1.030 metros da Serra do Mar, no município paulista de Salesópolis, a 22 km do oceano Atlântico e a 96 km da Capital. Ao contrário de outros rios, ele subverte a natureza: como não consegue vencer os picos rochosos rumo ao litoral, em vez de buscar o mar - como a maior parte dos rios que corre para o mar – o Tietê atravessa a Região Metropolitana de São Paulo e segue para o interior do Estado, desaguando posteriormente no rio Paraná, num percurso de quase 1.100 km.

A nascente do Tietê, apesar de encontrada num passado recente, possui importância histórica e econômica diretamente relacionada às conquistas territoriais, realizadas pelos Bandeirantes que desbravavam os sertões, fundando povoados e cidades ao longo de suas margens. 

O rio Tietê percorre 1.100 quilômetros, até o município de Itapura, em sua foz no rio Paraná, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Banha 62 municípios ribeirinhos e sua bacia compreendem seis sub-bacias hidrográficas: Alto Tietê, onde está inserida a Região Metropolitana de São Paulo; Piracicaba; Sorocaba/Médio Tietê; Tietê/Jacaré; Tietê/Batalha e Baixo Tietê.

O lançamento de esgotos industriais inicia-se a 45 km da nascente na cidade de Mogi das Cruzes. Na zona metropolitana o rio encontra o mais complexo urbano-industrial do país, e conhece um de seus trechos mais poluídos, a foz do Tamanduateí. 

A história tem mostrado ao longo do tempo que não só de dinheiro se vive o homem. A ganância, o egoísmo são sementes daninhas que crescerão para as futuras gerações colherem, ou melhor, não colherem.

Desde os tempos dos grandes barões dos cafezais espalhados pelo nosso país como muito bem demonstrado no vídeo “O Vale”, o desmatamento e a despreocupação generalizada é uma dura lição que ainda não foi aprendida até os dias de hoje.

Obviamente não nos falta relatos, documentários, provas de que o pensar somente no hoje só traz consequências desastrosas no futuro.

Na cidade de São Paulo, convive-se nos extremos facilmente. De um lado uma sociedade rica e abastada e de outro lado o oposto também ocorre. Além dos prejuízos e transtornos sofridos pelas pessoas diretamente atingidas (doenças transmitidas pela água - como tifo, hepatite e leptospirose; residências, móveis, veículos e documentos destruídos etc.), as inundações nas marginais do Tietê acabam atingindo não só a economia da região, mas também a economia do estado e do país.

Um fato muito interessante é o signicado do nome "Tietê" foi registrado pela primeira vez em um mapa no ano de 1748 no mapa D'Anvile . O hidrônimo é de origem tupi e significa "água verdadeira", com a da junção dos termos ti ("água") e eté ("verdadeiro"). Essa “água verdadeira” já alegrou a vida de muita gente, o Rio Tietê já foi palco de competições de remo, canoagem, natação, como também, serviu para lazer de muitas famílias. Ao conversar com as pessoas que viveram nessa época, podemos notar muitas vezes, além da indignação, uma profunda tristeza e não raro, lágrimas brotam de seus olhos.



O processo de degradação do rio por poluição industrial e esgotos domésticos no trecho da Grande São Paulo tem origem principalmente no processo de industrialização e de expansão urbana desordenada ocorrida nas décadas de 1940 a 1970, acompanhado pelo aumento populacional ocorrido no período, em que o município evoluiu de uma população de 2 000 000 de habitantes na década de 1940 para mais de 6 000 000 na década de 1960.

Todo esse processo de degradação se acentuou e, em 1950, o moribundo Tietê foi, enfim, declarado morto. E assim ele permaneceu por mais de 40 anos, sem que nada fosse feito para tentar reanimá-lo. Um dossiê produzido anualmente pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) informa que a situação da bacia do alto Tietê - que inclui o trecho do rio compreendido desde a sua nascente, em Salesópolis, até a cidade de Pirapora do Bom Jesus, bem como seus afluentes - é extremamente grave. O relatório "Qualidade das Águas Interiores do Estado de São Paulo" afirma que, com exceção dos reservatórios de Juqueri, na serra da Cantareira, e Tanque Grande, em Guarulhos, "os demais rios desta bacia encontram-se totalmente comprometidos pelo grande aporte de esgotos domésticos e efluentes industriais, acarretando contaminação química, microbiológica e ausência total de oxigênio dissolvido".

Há 102 anos, o engenheiro Joaquim José de Freitas, ao relatar a situação do Tietê ao secretário-geral da prefeitura, já alertava os governantes para a importância de "tratar quimicamente os despejos, antes de lançá-los ao rio, na Ponte Pequena, na barra do Tamanduateí e no Bom Retiro". Porém, nada foi feito. Depois dele, outros especialistas também chamaram a atenção para as péssimas condições da água. "Mas, infelizmente, todas as soluções que surgiram foram ficando no papel. São Paulo sempre foi movida pelo progresso a qualquer custo. Jogar lixo no rio sempre foi a solução mais barata", lamenta Aristides Almeida Rocha, professor titular da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro Do Lendário Anhembi ao Poluído Tietê.




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