Entidade Educacional Com Jurisdição Nacional


Leitor: Então, prazer sem sofrimento é possível para Deus. Por que não nos é possível? Autor



Baixar 0.56 Mb.
Página137/142
Encontro17.03.2020
Tamanho0.56 Mb.
1   ...   134   135   136   137   138   139   140   141   142
Leitor: Então, prazer sem sofrimento é possível para Deus. Por que não nos é possível?

Autor: Boa pergunta.

Leitor: Você tem uma boa resposta?

Autor: Acho que sim. Mesmo no Jardim do Éden, antes que houvesse pecado, morte e sofrimento, estávamos sujeitos ao tempo, tínhamos de crescer, de aprender. Mas aquilo era um prazer. Depois que pecamos, aprender tornou-se doloroso, porque aprender significa submeter a mente à realidade.8

A missão prioritária do educador, portanto, é a de “resgate” (por mais desgastado que o termo possa estar) da realidade, “doa a quem doer,” da forma mais “didática” possível, abrindo portas que permitam enfocá-la e interpretá-la mais adequadamente. A realidade da “dureza da vida” deve ser levada em conta, certamente. Mas a vida não se limita a isso. Como observa Lewis, devemos ajudar o educando a superar esse nível da desilusão e animá-lo para uma nova aventura em busca do sentido mais profundo das coisas.

De acordo com Kreeft, o sofrimento pode, nesse sentido, adquirir uma feição totalmente nova para nós:

O outro significado do mistério — positivo — é o encontrado em Jó. Deus tem seus motivos para deixar que coisas ruins aconteçam a pessoas boas. Mas ele não diz isso a Jó, que não consegue descobrir nada. Aqui, o obscuro é subjetivo, não objetivo. Aqui, nossas mentes estão no escuro, mas Deus é a luz... No mistério das Escrituras, a realidade é a luz e nós estamos no escuro. De fato, estamos no escuro precisamente porque realidade é luz, muita luz. Assim como Agostinho e Tomás de Aquino gostavam de repetir, somos como morcegos ou corujas: enxergamos bem as sombras, mas não o sol. Pelo excesso de luz, o sol nos cega.9

Hoje, mais do que nunca, é necessário lembrar aos que se queixam da dureza da vida que as coisas não são obscuras por si mesmas, mas porque, de fato, perderam algo e sofrem as conseqüências dessa falta. E, como nós mesmos temos essa carência, somos vulneráveis às preocupações cotidianas. De acordo com as cartas de Lewis a uma amiga americana, um dos maiores desafios é aprender a viver as preocupações do dia, sem transferi-las do passado ou do futuro:

Suponho que viver a vida a cada dia (...) é precisamente o que nós temos que aprender — mesmo quando o velho Adão em mim às vezes alega que, se Deus quisesse me fazer viver como os lírios do campo, por que não me deu a mesma dose de nervos e imaginação que eles! Ou será esse precisamente o ponto, o propósito exato deste paradoxo divino e audacioso chamado ser humano — fazer, dotado de razão, tudo aquilo que outros seres fazem sem ela?10

Então, para aprendermos a enfrentar o desafio de viver a vida, temos a necessidade de compreendê-la, de apreender a sua lógica interna, sua ratio (a tradução latina de logos) ou razão de ser mais profunda, “aplicando corretamente a inteligência” a ela (que é um dos conceitos de “estudar” no Dicionário Aurélio). A razão, longe de ser um empecilho à fé, pode vir a se tornar um grande instrumento para o homem perceber o lado bom que há nas coisas e assim viver de modo menos depressivo, desesperançoso e auto-depreciativo do que vem vivendo neste final de século. E o grande desafio do educador do presente e do futuro é o de ponderar todas essas coisas e descobrir meios criativos para representar o seu sentido mais profundo de forma perceptível ao educando, transformando a sala-de-aula numa aula viva, e a qualidade do ensino em qualidade de vida.




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   134   135   136   137   138   139   140   141   142


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal