Ensino Fundamental II (Segundo Ciclo) e Ensino Médio pierre auguste renoir (1841-1919)


Novos tempos, nova arte: Impressionismo



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Novos tempos, nova arte: Impressionismo
O impressionismo pode ser considerado o percursor das vanguardas modernistas do século XX, muito embora, diferente delas, não foi um movimento uniforme ou político, mas estético e contra o academicismo e o neoclassicismo nas artes. Cada um dos representantes do impressionismo seguiu percursos diferentes e retratou cenas e objetos distintos.

Profundamente influenciado pelo realismo, os artistas impressionistas também saíram de seus ateliês e foram retratar o real através da observação do instante em contraposição ao neoclassicismo, apegado ao modelo greco-romano, de figuras estáticas e retrato de poderosos e de eventos políticos. Também se opuseram ao romantismo e sua visão idealizada do homem e da natureza. Do ponto de vista técnico, os impressionistas romperam com a ideia de centralização dos objetos, de cores duras e fixas e do contorno que delimitava uma figura de outra em suas obras.

Para os artistas impressionistas, três avanços tecnológicos são determinantes no período: o da química, a invenção das tintas portáteis, feitas em tubos, que os permitia transportar seus materiais com mais facilidade para o ambiente externo ao do ateliê; o da fotografia, que impôs um novo papel aos artistas, já que o simples retrato da realidade não era mais suficiente para captação do momento ou do instante e, sobretudo, os estudos na área da ótica.

A ótica, uma área nova da física, estudou a questão da formação da imagem e das cores através do olho humano de acordo com a incidência da luz. Isso gerou uma verdadeira revolução na forma de pensar as cores, o contorno, as sombras, a distância entre o olhar do observador e a obra e o movimento em figuras bidimensionais. Os artistas impressionistas passaram a usar os conhecimentos desenvolvidos pela ótica para realizar suas obras e foram, eles mesmos, grandes pesquisadores da área.

Em 1872, na França, o que determinava o sucesso de um artista era sua aceitação ou rejeição no Salão de Paris. Era de lá que saíam suas vendas, o mecenato - uma forma de patrocínio feita por famílias ricas a determinados artistas - e o sucesso no restante da Europa. Quem determinava qual obra ia ou não ser exposta era um júri formado por artistas e críticos que valorizavam somente o estilo neoclássico, chamados de “academicistas”. Cansados de serem rejeitados ano após ano no salão, um grupo de jovens artistas, liderados por Édouard Manet, fundou a “Sociedade Anônima Cooperativa de Artistas, Pintores, Escultores e Gravadores”, cujo compromisso principal era a realização de uma exposição de obras por ano para auxiliar na divulgação de suas ideias e se sustentar através da venda das mesmas. A primeira exposição realizada pelo grupo ocorreu em abril daquele mesmo ano, nas salas do fotógrafo Félix Tournachon Nadar.

Como era de se esperar, a crítica e o público rejeitaram a exposição. Nela, o artista Claude Monet expôs o seu quadro “Impressão: nascer do sol”, que atraiu comentários furiosos do jornalista e também artista Louis Leroy. Para ele, os artistas da exposição buscavam causar “impressionismo” aos visitantes. A expressão pejorativa, no entanto, acabou se revertendo e os próprios artistas passaram a se denominar dessa forma. Em 1874, realizaram a primeira exposição usando sua nova denominação “Impressionistas” e, entre esse ano e 1886, fizeram mais seis exposições contando cada vez mais com o reconhecimento de público e crítica.



“Impressão: nascer do sol” - Claude Monet, 1872.



Disponível em: https://www.wikiart.org/pt/claude-monet/impressao-nascer-do-sol-1873
Os impressionistas realizavam suas obras a partir da observação direta da luz do sol incidindo sobre a paisagem ou a cena em questão, e as suas mudanças ao longo do dia, de acordo com a diferença da luminosidade. Iam para as áreas abertas e pintavam o que viam, da forma que viam. Não havia nesses artistas uma ideia edificante, como havia anteriormente nos românticos ou nos realistas. Seus objetivos eram voltados ao registro da luz solar sobre pessoas, objetos e sobre a natureza. Apesar de não terem grandes questões políticas como os realistas, as mudanças estéticas operadas pelos impressionistas renderam-lhes a alcunha de “revolucionários”, porque o rompimento causado com os academicistas foi em si só chocante para a época.

“Ponte Japonesa” – Claude Monet, 1899.



Disponível em: https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/versoes-da-obra-de-claude-monet-a-ponte-japonesa/#jp-carousel-7957

“Ponte Japonesa” - Claude Monet, 1900.



Disponível em: https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/versoes-da-obra-de-claude-monet-a-ponte-japonesa/#jp-carousel-7959
Para os artistas impressionistas, a cor não era uma qualidade absoluta. Ela se alternava conforme a mudança da luz e do dia sobre as coisas, gerando percepções diferentes em quem as vê. Nesse sentindo, eles passaram a utilizar cores contrastantes e complementares para criar efeito de luz e sombra, deixaram de usar a cor preta nas suas composições e misturava as cores diretamente na tela, sem antes passar pela paleta, como era um costume na época. Além disso, suas pinturas não têm linhas claras e demarcadas, para eles a linha é uma abstração criada pelo ser humano para representar o que se vê. Na natureza real, não existiriam linhas. Os impressionistas costumavam fazer várias séries de quadros da mesma paisagem e local em diferentes horas do dia ou em diferentes estações do ano.

“Aula de Dança” - Edgard Degas, 1974.

Disponível em: https://www.todocuadros.es/pintores-famosos/degas/

Outra característica das obras impressionistas é a não necessidade de centralizar os objetos presentes na tela. Para a arte neoclássica, o objeto ou a figura retratada tem começo, meio e fim na tela, podendo ser observado todos os elementos presentes na cena em questão. Os artistas impressionistas operavam recortes nas imagens retratadas, mais um elemento da questão do estudo da formação da imagem na retina, já que, para eles, o cérebro e o olho humano podem sozinhos completar o que falta no quadro.



É graças a esses elementos que os impressionistas são tratados como os abre-alas das vanguardas artísticas que tomaram a Europa a partir do século XX. Eles romperam com paradigmas antes impostos no campo da estética e da apreciação, fizeram experiências na área da física, ótica e química, saíram dos ateliês e estúdios e foram retratar a realidade, romperam com a noção de objeto definido com linhas demarcadas, ressignificaram a representação de imagens na época do advento da fotografia e criaram associações de proteção e grupos de apoio mútuo que romperam, ao menos parcialmente, com as imposições mercadológicas do período, podendo dar vazão à sua criatividade de forma mais livre.
Texto resumido baseado em:
PROENÇA, Graça. História da Arte. Editora Somos Educação: São Paulo, 2012.
HAUSER, Arnold. “VII. Naturismo e Impressionismo” in: História Social da Arte e da Literatura. Editora Martins Fontes: São Paulo, 2000.




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