Ensino de filosofia na modalidade ead: limites e possibilidades



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ENSINO DE FILOSOFIA NA MODALIDADE EAD: LIMITES E 

POSSIBILIDADES

 

 



VALESE, Rui, 

rui.v@uninter.com

  

LOPES, Luís Fernando



luis.l@uninter.com

  

LOPES, Douglas Henrique Antunes, 



douglas.l@uninter.com

  

PILÃO, Valeria, 



valeria.p@uninter.com

 

 



 

 

Grupo de trabalho: EAD, PRESENCIAL E O HÍBRIDO: VÁRIOS CENÁRIOS DE 



DOCÊNCIA, DE GESTÃO, DE HISTÓRIA, DE CURRÍCULO, DE APRENDIZAGEM 

E DE POLÍTICAS PÚBLICAS

 

 

Resumo 

 

O  presente  trabalho  é  resultado  de  um  estudo  bibliográfico  e  de  levantamento 



empírico  feito  no  canal  de  tutoria  de  um  curso  de  licenciatura  de  Filosofia  na 

modalidade  a  distância  de  uma  Instituição  de  Ensino  Superior  e  tem  por  objetivo 

refletir sobre os desafios do ensino de filosofia nessa modalidade de ensino, tendo em 

vista  algumas  das  características  da  Educação  Básica  brasileira,  que  se  refletem 

naquele  nível  de  ensino,  entre  as  quais  destacamos  a  centralização  do  processo 

ensino-aprendizagem  na  figura  do  professor  e  a  dependência  dos  estudantes  em 

relação  àquele.  Mais  do  que  na  modalidade  presencial,  no  ensino  a  distância  a 

autonomia  do  educando  é  fundamental  para  que  o  mesmo  se  aproprie  dos 

conhecimentos  e  conceitos  de  cada  uma  das  disciplinas  que  compõem  a  matriz 

curricular do curso que estuda, bem como realize as atividades acadêmicas de forma 

competente e dentro dos critérios e prazos estabelecidos. Caso contrário, ficará na 

dependência  de  informações  das  tutorias  online  e  presenciais,  podendo  seu 

rendimento acadêmico e processo de aprendizagem serem prejudicados. Apesar de 

na  educação  brasileira  já  termos  passado  pela  influência  de  diversas  tendências 

pedagógicas (SAVIANI, 2007), (Tradicional, Escola Nova, Tecnicista, Histórico Crítica, 

Sócio  Construtivista),  além  de  outras  experiências  realizadas  por  instituições 

escolares individualmente ou por fazerem parte de uma rede, o fato é que algumas 

características  parecem  se  perpetuar  na  escola  brasileira,  entre  elas  o 

“docentecentrismo”,  isto  é,  no  processo  de  ensino  aprendizagem,  o  professor  é  o 

centro e os estudantes são os astros a orbitar ao redor do mesmo. E, dentro dessa 

lógica astronômica-pedagógica, é o mesmo quem determina o que, quando e como o 

aluno deve agir. Ou ainda, mesmo que este não determine intencionalmente, o próprio 

processo é organizado para que assim seja. Essa é tal e tão cedo se inicia, que se 

traduz  em  algumas  perguntas  por  demais  infantis,  mesmo  no  final  da  Educação 

Básica, tais como: “É para copiar?”. “É para responder a caneta ou lápis?”. “Vale nota? 

O/A senhor/a vai dar visto?”. Segundo Kant (1999), “O homem é a única criatura que 

precisa  ser  educada”.  Dentre  os  objetivos  da  educação,  Kant  destaca  a  disciplina 

(impedir o regresso a animalidade); o tornar-se culto; o tornar-se prudente; o tornar-

se um sujeito moral. Porém, o principal deles é tornar-se um sujeito esclarecido pois, 

treinado, até um animal pode ser. Porém, ao ser humano, não é suficiente treinado: 

“... não é suficiente treinar as crianças; urge que aprendam a pensar” (KANT, 1999, p. 

27). E, pensar, deve ser com autonomia e maioridade (KANT, 2005). Já que, como o 

próprio nos alerta, o aluno até pode ser conduzido, porém, não carregado em ombros. 

Tese  com  a  qual  Adorno  reafirmará  o  ideal  do  esclarecimento  no  século  XX, 

principalmente  a  partir  dos  horrores  provocados  pela  razão  instrumental  em 

Auschwitz: a educação como “a produção de uma consciência verdadeira” (ADORNO, 

2003,  p.  141).  O  curso  analisado  está  organizado  da  seguinte  forma:  são  nove 



 

 

 



unidades temáticas de aprendizagem (UTA), divididas cada uma em duas fases. Ao 

ingressar no curso, o aluno, obrigatoriamente cursa duas disciplinas: Introdução Geral 

à Filosofia e Orientação para Educação a Distância. A primeira tem por objetivo dar 

um panorama geral do que é a filosofia, apresentando os principais temas, autores e 

problemas.  Já  a  segunda,  o  que  é  ensino  a  distância,  seus  aspectos  históricos, 

metodológicos e algumas orientações de como estudar nessa modalidade de estudos, 

bem  como,  de  que  maneira  está  organizado  o  sistema  da  IES  em  que  o  aluno 

ingressou. Em cada fase, o aluno cursa duas disciplinas sendo que, na segunda fase 

ele cursa uma terceira – eletiva – que ele escolhe entre duas que são ofertadas para 

o mesmo no início da fase. Cada fase tem em média 41 dias de estudo conteudista, 

isto é, período em que o aluno, teoricamente, deveria dedicar-se apenas aos estudos 

uma vez que o mesmo terá outros 26 dias apenas para a realização das atividades 

avaliativas. Os estudos podem ser feitos pelo material disponível num ambiente virtual 

de  aprendizagem,  como  também,  na  maior  parte  das  disciplinas,  por  material 

impresso produzido e distribuído pela IES. Ao analisarmos as perguntas feitas pelos 

alunos de um curso de licenciatura em filosofia de uma IES na modalidade EAD e que 

se  repetem  em  todas  as  fases,  inicialmente,  nos  deparamos  com  situações  muito 

idênticas à educação presencial, guardadas as devidas proporções. Assim, partindo 

de um conceito de educação e, de educação a distância na perspectiva da formação 

de um sujeito competente, autônomo, crítico e emancipado, analisamos as questões 

enviadas pelos alunos no início de uma fase de estudos, antes do início de realização 

de qualquer atividade avaliativa. Feito esse recorte temporal (os 41 dias de estudo 

conteudista)  e  quantitativo,  fizemos  o  levantamento  das  categorias  de  análise  das 

perguntas  para,  a  partir  dessas mesmas  categorias,  realizarmos  uma  análise  mais 

crítica e detalhada das demandas apresentadas pelos alunos por meio do canal de 

tutoria, procurando identificar o nível de autonomia acadêmica dos mesmos. Um dos 

fundamentos  da  filosofia  é  a  autonomia  de  pensamento  (ADORNO,  2003),  o  uso 

público da razão (KANT, 2005). Ainda que o filosofar não se ensina (KANT), conhecer 

a  história  da  filosofia  de  maneira  autônoma  e  crítica  é  fundamental  (HEGEL, 

ADORNO).  Em  conclusões  preliminares,  podemos  afirmar  que  ainda  persistem 

comportamentos  de  menoridade,  que  se  traduzem  nas  perguntas  enviadas  pelos 

alunos por meio do canal de tutoria, com relação a dúvidas que podem ser facilmente 

respondidas,  numa  breve  pesquisa  pelo  ambiente  virtual  de  aprendizagem,  que  é, 

diga-se de passagem, bastante amigável. O que talvez também nos levar a uma outra 

hipótese/conclusão a ser verificada, de ser, essa dificuldade, a de ser autônomo nos 

estudos, uma das causas de abandono em EAD. 

 




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