Eliana aparecida amancio


Emma Morton Ginsburg em terras brasileiras



Baixar 2.08 Mb.
Página23/66
Encontro29.10.2019
Tamanho2.08 Mb.
#1921
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   66
2.2 Emma Morton Ginsburg em terras brasileiras

A revista Visão Missionária é fruto do trabalho missionário de Emma Morton Ginsburg, que liderava um grupo de mulheres na Primeira Igreja Batista de Niterói, organizado informalmente no ano de 1893. Emma foi uma das muitas missionárias descritas por Eliane Moura SILVA (2008) que, por meio do missionarismo, alcançou muitas oportunidades não concedidas em seus países. Francisco Bonato PEREIRA e Maria Marques de Oliveira PEREIRA (2010) afirmam que Emma, assim que chegou a terras brasileiras, em junho de 1889, apropriou-se da língua portuguesa. Esse domínio do idioma abriu caminhos para que se tornasse uma das primeiras redatoras de lições para a Escola Dominical. Sobre as missionárias estadunidenses em terras brasileiras, Eliane Moura SILVA enfatiza que:

...a questão de gênero e religião tem uma especificidade deste momento histórico no caso das protestantes americanas e da grande expansão missionária. Foram mulheres que se inseriram numa perspectiva particular de alteridades: mulheres, norte-americanas e protestantes numa sociedade e cultura católica. Educação, oração, pregação e missionarismo integravam a sua identidade e garantiam valores morais, regras de conduta e respeitabilidade em lugares distantes e longe de suas comunidades de origem... (2008, p.34).

Com 24 anos de idade, Emma foi a segunda mulher solteira enviada por uma União Feminina Missionária Norte-Americana para trabalhar no estrangeiro. Esse fato, segundo Francisco Bonato PEREIRA e Maria Marques de O. PEREIRA (2010), serviu de modelo para que a organização enviasse outras moças para os campos missionários. Para Eliane Moura SILVA (2008), algumas missionárias solteiras viviam de forma independente, sem compromissos com a família, já que estavam distantes geograficamente e também sem compromissos matrimoniais. Estes distanciamentos dos referenciais do gênero feminino marcavam o processo de construção de novas representações de gênero. A autora acrescenta que o suporte financeiro enviado pela instituição mantenedora garantia às missionárias solteiras lugares privilegiados como profissionais e religiosas. Sendo assim, “muitas missionárias rejeitavam os papéis de esposa e mães como únicos atributos femininos embora ensinassem essas virtudes como inerentes aos modelos cristianizados” (2011, p.29).

Todavia, Emma não permaneceu solteira por muito tempo, pois trabalhava na Igreja Batista de Niterói com o missionário Salomão Ginsburg, recém-viúvo. Eles se casaram e assumiram o comando da Igreja Batista de Niterói. Ela era responsável pelas áreas de ensino na Escola Dominical, música e Sociedade de Senhoras. Esta sociedade teve como paradigma a organização de mulheres batistas dos Estados Unidos. O sucesso do trabalho de Emma facultou-lhe o apoio da União Feminina Missionária do Missouri – EUA. O casal pastoreou rebanhos em Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Em todos os campos Emma era ativa nas áreas de educação e na organização da Sociedade de Senhoras da igreja. O casal teve três filhas, Arvila, Brazilia e Claire.

Em São Paulo, foi professora no Colégio Batista. Ficou viúva em 1927, mas permaneceu no Brasil. Em 1934, aposentou-se e retornou aos Estados Unidos, onde faleceu em 1951, aos 86 anos de idade (VM2T, 2010, p.36-39)42.





Baixar 2.08 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   66




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal