Educar, Curitiba, n. 35, p. 81-94, 2009. Editora ufpr



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AbstRAct

Considering that love and marriage have being jeopardized in our society, 

as new family patterns or even other possibilities on how to experience 

love emerge, my research problem is focused on discussing how children’s 

literature has been presenting themes such as: how does romantic love and 

the materialization of this feeling, through relationships that are established 

   Doutora em Educação – UFRGS. E-mail: suyanzen@hotmail.com




PIRES, S. M. F. Amor romântico na literatura infantil: uma questão de gênero

Educar, Curitiba, n. 35, p. 81-94, 2009. Editora UFPR

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based upon it, have been represented in children’s literature books? In which 

ways are gender relationships depicted in these books? How is marriage 

seen in connection with love relationships? Results show that in most of 

children’s literary pieces love feelings still appears associated with the 

idea of marriage; woman is still responsible for raising up children; some 

stories present romantic love linked with pain and the difficulty of conquest. 

The characteristics of love at first sight are also persistent, as well as the 

empowerment of this feeling in order to transform the other person.

Keywords:  children’s  literature;  romantic  love;  gender  relationships; 

representation.

Um dos aspectos que caracteriza a contemporaneidade, também chamada 

de pós-modernidade

1

,

 é um estado de permanente conflito na sociedade e nos 



laços entre e dentro de seus segmentos. Na verdade, a pós-modernidade não gerou 

essa crise; ela a herdou da Modernidade e a explicita em cores cada vez mais 

fortes. A pós-modernidade se constitui como uma crítica à modernidade, sem 

substituí-la, contudo. Nela convivem elementos do classicismo, da modernidade 

e da própria pós-modernidade, com sua dimensão de conflito permanente, sem 

que se forme um todo, sem que se integrem.

É ambíguo o momento em que vivemos. Por um lado experimentamos a 

satisfação de podermos modificar nosso mundo social, no qual novas identida-

des culturais e sociais surgem, enquanto outras já existentes são transgredidas, 

arrombadas, deliciosa ou sofridamente transformadas. Por outro lado, nosso 

tempo é de dor, de angústia, de incertezas, de um mundo à deriva. Uma parcela 

cada vez maior da humanidade é excluída dos prazeres e das alegrias da vida. 

É época de primazia de mercado, de competitividade, de produção, de priva-

tização e desregulamentação. Ao mesmo tempo é o momento de investidas na 

coletividade, no crescimento grupal, na valoração do trabalho em equipe.

Do ponto de vista econômico, a pós-modernidade acompanhou e favoreceu 

um considerável empobrecimento geral e um aumento apreciável do número 

de excluídos dos bens e do bem viver em todo o mundo. Consumo é a palavra-

chave dessa nova era e os sujeitos se transformam em consumidores incessantes. 

A pós-modernidade também adentrou o cotidiano da vida das pessoas através 

da tecnologia eletrônica de massa. Assim, os meios de comunicação aderiram 

à função de “interligar” o mundo às diferentes realidades, favorecendo, assim, 

a chamada globalização.

1   Sobre este tema ler Stuart Hall (1997, 1998); Michael Peters (2000).




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Nessa linha de pensamento, Antonio Dória (2008, p. 30) afirma que nossa 

sociedade

urbana e industrializada, defini-se pela competição acirrada. A competição 

sempre existiu, mas o modo de produção atual e a conquista de mercados 

tornaram  esse  fenômeno  mais  evidente.  Hoje,  fala-se  de  competição 

até mesmo como algo positivo e necessário. E a industrialização traz 

exigências como eficiência, rapidez, produção em série e, por extensão, 

maior controle da natureza e do homem. Nesse contexto de eficiência, 

a  pausa,  a  interrupção,  a  dúvida,  enfim,  poderiam  se  tornar  grandes 

obstáculos.

Passamos a conviver com situações entendidas muitas vezes como naturais, 

mas que foram construídas e continuam sendo legitimadas como práticas sociais. 

Lançamos mão de conceitos novos, abandonamos concepções antigas, aprecia-

mos ideias diferentes, tornamo-nos metamorfoses ambulantes neste mundo do 

aqui-e-agora. A problematização sobre a possibilidade de tais mudanças termina 

por propiciar a incerteza, a desconfiança em relação a situações consideradas 

certeiras, à reflexão sobre os argumentos ditos definitivos, permitindo-se assim 

que o sujeito situe-se na busca intermitente do novo, do diferente.

Percebemos a multiplicação concomitante de práticas sociais inusitadas, 

singulares, excêntricas, “censuráveis”, lamentosas que colocam na berlinda 

as “verdades” sociais vividas recentemente. Tal época, borbulha, efervesce, 

invade diferentes instâncias sociais ao mesmo tempo em que é produzida no 

âmago dessas. Sob essa perspectiva, pode-se verificar algumas características 

concentradas nessa cultura instantânea como a busca do prazer imediato, o 

descompromisso com o outro, a tolerância ao diferente, a (des)construção e 

transgressão às regras, a violação dos corpos, a banalização de diferentes práticas 

e a realização de desejos efêmeros.

A representação visual torna-se objeto de fascínio. Cola-se a ela a ideia 

de produção de estímulos, de possibilidade de emoções, de contemplação de 

cenas virtuais, fantásticas, delirantes, violentas, de forte apelo à sexualidade, 

tornando os sujeitos espectadores e produtores da realidade. Passa-se, portanto, 

a conviver com os fatos sociais cotidianos estáveis ao tempo de suas imagens.

E nessa sociedade em constante crise, com rupturas, com desconstruções 

das “verdades únicas” na qual o controle social se exerce através das informa-

ções, da estetização, da personalização do cotidiano, questiono: ainda há espaço 

para o amor? Se há, de que amor estamos falando? De um amor romântico, 


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