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EDUCAÇÃO FÍSICA

PROFESSOR:

Antonio Carlos

A história do Atletismo

O Atletismo no Mundo1

O homem desde sua concepção é um ser essencialmente composto pelo movimento. Movimentos naturais que a principio serviram como meio de sobrevivência dentro de um mundo hostil e repleto de obstáculos e perigos. Ao longo do tempo, a necessidade de sobrevivência deixou de ser principal função e deu lugar as atividades ligadas mais as disputas para conhecer o mais veloz, o mais forte e o mais ágil. Na antiguidade clássica confundiram-se inclusive com a mitologia dando status de semideus aos vencedores das festividades olímpicas na Grécia antiga.

Desde a extinção dos Jogos Olímpicos em 393 d.C. até seu ressurgimento através dos ingleses em 1790, o Atletismo passou por um longo período de abandono, mas finalmente ganhou destaque e cresceu efetivamente com a realização dos Jogos Olímpicos da era Moderna pelo barão de Coubertain em 1896, na Grécia. A partir de então as provas atléticas evoluem rapidamente através da introdução de elementos tecnológicos para aperfeiçoamento de treinamento, pistas, implementos e vestimentas utilizadas pelos atletas, além da profissionalização do esportista o que eleva as disputas a níveis nunca antes imaginados pelo homem.

A origem do Atletismo é incerta, mas de certa forma esta ligada aos primórdios da humanidade visto que o homem-de-neandertal já praticava algumas das modalidades do referido esporte como caminhar, correr, saltar e arremessar. Tais movimentos eram utilizados para se locomover, escapar dos predadores, caçar, entre outras coisas como forma de sobrevivência.

Desta forma, os homens e as mulheres foram adquirindo habilidades que, mais tarde, foram aprimoradas e adaptadas passando a serem utilizadas nas provas das competições do esporte Atletismo. No livro de regras da Confederação Brasileira de Atletismo – CBAt – e Ministério da Educação e Cultura – MEC – encontramos que a prática atlética, a principio, era para preservação da espécie. Decorridos milênios, a arte do movimento foi adotada para o lazer para medir, velocidade, destreza e força com seus semelhantes fazendo surgir assim o Atletismo e outros desportos. (CBAt-BRASIL, s.d.)

Tal afirmação é sustentada por Dornelles (s.d., p.3):

Muitas das provas atléticas que hoje conhecemos foram, originalmente, habilidades necessárias para a sobrevivência do homem primitivo. Tinha que correr para perseguir ou escapar de seus inimigos, que fossem feras famintas, quer fossem homens pertencentes a grupos rivais. Tinha que atacar animais que lhe proporcionavam alimentos e vestuários. Não há dúvida que suas corridas tomaram forma de provas de velocidade, tanto como de grandes distâncias e até corridas com obstáculos, quando deviam saltar sobre pedras e outros impedimentos. O homem pré-histórico lançou pedras e paus em animais, a fim de matá-los. Esses lançamentos devem ter dado origem ao que hoje conhecemos como disco, peso, dardo e martelo. A necessidade de saltar sobre correntes d’água e grandes pedras, deu origem, por sua vez, aos saltos em distância, salto com vara e o salto em altura. Observando o nosso selvagem e recolhendo informações dos historiadores, é fácil concluir e afirmar: O exercício físico nasceu com o homem, e momentos após nasceu o Atletismo.

Dessa forma, segundo CBAt (2008), o desporto Olímpico do Atletismo, que originou todos os demais desportos, surgiu da necessidade natural de correr saltar e lançar objetos desde a pré-história ajudando assim para a sobrevivência de nossos antepassados mais distantes.

[...] Afinal, o ser humano já corria, saltava obstáculos e lançava objetos, muito tempo antes de fabricar suas primeiras flechas, de aprender a montar em cavalo e de nadar. Assim, por representar movimentos próprios do ser humano, o Atletismo é chamado esporte-base. (CBAT, 2008 p.6)

O Atletismo é considerado o esporte-base, pois segundo Museu dos Esportes (s.d.) e Teixeira (1995), pela sua capacidade de testar todas as características básicas do homem em três tipos de provas como as corridas, os saltos e os arremessos e lançamentos, todas originárias de atividades naturais e fundamentais do homem desde seus primórdios, e porque o desenvolvimento dessas habilidades é essencialmente necessário para a prática ou execução de gestos esportivos ou atléticos em outras modalidades esportivas além do aprimoramento físico, mental e motor.

Mas o que é Atletismo? Encontra-se, segundo CBAt (2008, p.9), “Atletismo são provas atléticas de pista e de campo, corridas de rua, marcha atlética, corrida através do campo (cross country) e corrida em montanhas”. E para Steel (1967, p. 8), “a prática de um exercício racional, a execução organizada de jogos de agilidade, competições nobres e provas leais entre os homens, pode se chamar Atletismo”.

Dessa maneira podemos considerar Atletismo toda prática atlética que se realiza em diferentes locais e busca a igualdade de condições para todos os participantes, através do respeito às regras e ao adversário, que também é companheiro de prova. Mas esse conceito não esteve sempre presente na caracterização sobre o que Atletismo.

Essa diferenciação na significação da palavra Atletismo deve-se a duas fases distintas da modalidade na Grécia Antiga. A primeira vai de sua origem até 456 a.C., quando a península grega é invadida pelo Império Romano. Nessa fase, o Atletismo tinha caráter educacional e tinha como princípio a lealdade nas disputas o que explica o significado de competição. A segunda, que acontece a partir de 456 a.C. até a extinção dos Jogos Olímpicos em 393 a.C., é marcada pelos eventos com características de combates sangrentos e com intenção de divertir o público com essas disputas, tornando assim aplicável o uso do termo combate para significar o Atletismo. (DORNELLES s.d.); (NASCIMENTO, s.d.)

De forma primária, segundo Nascimento (s.d.), o Atletismo é praticado a mais de 4 mil anos, pois em 2500 a.C., os egípcios já se ocupavam de provas de luta livre e combates com paus, além de vários achados arqueológicos confirmarem que os antigos habitantes da China, Índia e Mesopotâmia também conheciam pela mesma época, as corridas e os lançamentos de peso.

Mas para Dornelles (s.d. apud Camargo e Silva, 1978), o registro mais antigo do Atletismo data somente de 1496 a.C. como trata o trecho a seguir:

Segundo Homero, a primeira referência de uma prova de corrida como prova atlética, dataria do ano de 1496 a.C., organizada por Hércules. Diz a lenda que Hércules, depois de peregrinar pelo mundo, realizando proezas incríveis, radicou-se na ilha de Creta, ai construindo um estádio. Nele realizando competição de corridas com outros simpatizantes.

Com isso o berço do esporte organizado situa-se na Grécia Antiga, pois segundo Nascimento (s.d apud Filóstrato), “em 1225 a.C. foi disputado o primeiro pentatlo, série de cinco provas (corrida, salto em distância, luta e lançamento de disco e dardo), por um mesmo atleta”. Mas, ainda segundo Nascimento (s.d.), a primeira competição oficial de Atletismo ocorreu na cidade de Olímpia, na Grécia em 1º de julho 776 a.C, quando aconteceram os primeiros Jogos Olímpicos da Antiguidade.

Em 456 a.C., quando a península grega é invadida e seu povo dominado pelo Império Romano, começa ali a decadência dos Jogos Olímpicos, onde as disputas cordiais e educacionais tornaram-se combates sangrentos. O atleta que, geralmente era escravo ou prisioneiro de guerra, não alcançava o prestigio que os competidores gregos dispunham e era treinado, como o gladiador2, para divertir como no circo ou teatro (DORNELLES, s.d.).

Além disso, os jovens de boa posição social preferiam as corridas de bigas e quadrigas, banhos em termas, às corridas, saltos e lançamentos tão celebrados pelos gregos. (NASCIMENTO, s.d.)

Segundo Vieira (2007, p. 18), em 393 d.C., o então imperador romano Teodósio, cristão ortodoxo, proibiu qualquer prática que tivesse motivação a cultos não-cristãos, entre as quais os Jogos “Olímpicos” Romanos, a partir daí o Atletismo é esquecido, e a chama Olímpica extinta.

De 393 d.C. até 1154, quando é encontrado o primeiro registro de provas do Atletismo na Idade Média, segundo Nascimento (s.d.), as competições de pista e campo são abandonadas, com exceção a alguns jogos na America pré-colombiana e atividades isoladas em poucos países do Oriente, não havendo assim Atletismo organizado nesse período. Ainda segundo esse mesmo autor, a Europa Medieval interessava-se mais por cavalaria, exercícios voltados à formação de exércitos e pelo aperfeiçoamento ao uso da espada, lanças, arco e flecha considerados mais úteis em uma época de freqüentes disputas pela terra, o que explica o abandono da modalidade.

As corridas atléticas começaram a reavivar sutilmente, o interesse de diferentes povos para a retomada do Atletismo na Europa, em especial os ingleses que já na Idade Média praticavam provas de corridas entre mensageiros dos senhores feudais.

Em 1790 os ingleses organizaram as primeiras competições atléticas para amadores, estabelecendo, também, as primeiras regras para esse esporte. Da Inglaterra o gosto pelo Atletismo foi se tornando popular por toda Europa. E assim ele chegou ate os Estados Unidos, onde em 1865 surgiu a Associação Atlética de Nova York. (GOMES, 2007 apud TEIXEIRA, 1995 p.52).

Após o ressurgimento das provas atléticas na Inglaterra, e mesmo com sua popularização por toda a Europa o que garantiu definitivamente o destaque ao Atletismo, foi a realização da primeira Olimpíada da Era Moderna. Disputada em Atenas, em 1896, o Atletismo foi o principal esporte da primeira Olimpíada e o Barão de Coubertin chegou a declarar durante os jogos: “Não podemos realizar os Jogos Olímpicos sem o Atletismo, mas só com o Atletismo realizamos uma Olimpíada.” (DORNELLES, s.d.).

Segundo Gomes (2007, p. 18) e Vieira (2007, p. 12), o primeiro programa Olímpico contemplava 12 provas que eram: as corridas de 100m, 110m com barreiras, 400m, 800m, 1.500m, saltos em distância, salto triplo, salto em altura e salto com vara, arremesso de peso, lançamento de disco e a maratona, prova com simbolismo muito grande e com destaque especial, tendo esse nome em homenagem ao atleta Philípides que ao terminar a travessia de cerca de 40 km de Marathon a Atenas para anunciar a vitória sobre os Persas morreu devido ao esforço realizado. Vencer a Maratona é uma glória para poucos, e sempre desperta uma grande emoção ao final dos Jogos Olímpicos.

A partir do renascimento das Olimpíadas surgiram disputas nos diferentes continentes e a necessidade de um órgão mundial para organizar as regras originou em 1912 a INTERNACIONAL AMATEUR ATHLETIC FEDERATION (IAAF), entidade máxima do esporte. Que já em 1914 fez a publicação das primeiras regras internacionais e listas de recorde mundiais. (DORNELLES, s.d., p.8) Segundo Dorneles, a IAAF conseguiu organizar o Atletismo mundial e foi inovadora em diversas áreas como a inclusão das mulheres e a primeira regra anti-dopping em 1928, e o programa de controle de dopagem fora de competições iniciado em 1989.

O Atletismo e o movimento Olímpico sempre tiveram estreita ligação até 1980, já que desde 1896 o torneio Olímpico era oficializado como Campeonato Mundial de Atletismo. Com o boicote americano aos jogos realizados em Moscou em 1980, a IAAF optou por realizar um campeonato próprio, que aconteceu em Helsinque na Finlândia em 1983, e conseguiu levar as duas grandes potências, União Soviética e Estados Unidos, realizando com sucesso uma competição em meio a Guerra Fria. (DORNELLES, s.d.).

A segunda metade dos anos 1980 foi marcada pela ascensão do Atletismo tecnológico, com atletas espetaculares e parcialmente harmonizados com os tempos da modernidade. A geração formada por atletas como Carl Lewis, Sebastian Coe, Steve Ovett e – em especial para nós brasileiros – Joaquim Cruz, foram os primeiros a se beneficiarem dos avanços da medicina esportiva, dos treinamentos dirigidos e da chegada dos patrocinadores. Gradativamente o esporte passou a ser um produto comercial extremamente interessante transformando corredores, jogadores de basquete, ginastas e outros atletas em verdadeiras celebridades (VIEIRA, 2007).

Segundo Gomes (2007) os ingleses sistematizaram o Atletismo e o difundiram pela Europa e Estados Unidos. Os mesmos ingleses, alemães e norte-americanos introduziram-no em toda a América Latina, mas foram os Jogos Olímpicos no século XX, que tornaram as provas de pista e campo num esporte universal, base de todos os outros.




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