Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar


parte  do  processo  para  a  formação  de  indivíduos



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Educação Contra a Barbárie Por Escolas Democráticas e Pela Liberdade de Ensinar - Bell Hooks

parte  do  processo  para  a  formação  de  indivíduos
autônomos, capazes de crítica e reflexão.
Ao propor o desenvolvimento de um sujeito afetivamente
inatacável, sem considerar as etapas que levam a ele e sem
propor  caminhos  para  a  sua  (auto)construção,  a  BNCC
presta 
um 
desserviço 

alunos 

educadores,
responsabilizando-os  previamente  pelos  maus  resultados
que  surgirão.  Como  exigir  de  um  estudante  negro  e  da
periferia  que  faça  escolhas  “livres  e  com  autonomia”  para
seu  “projeto  de  vida”  numa  comunidade  miserável  e
embrutecida  pela  violência?  De  que  maneira  sugerir
“resiliência”  à  estudante  que  enfrenta  o  assédio  no
transporte  público  a  caminho  de  uma  escola  sem
infraestrutura  e  sem  professor?  Como  cobrar  que
educadores  e  educadoras  “promovamos  direitos  humanos”
quando  seu  direito  constitucional  à  greve  é  duramente
reprimido pelas forças do Estado?
Vivemos  num  mundo  injusto  e  num  país  abissalmente
desigual.  É  compreensível  e  indispensável  que  alunos  e
professores  sintam  raiva,  que  se  indignem.  Que  a  escola
esteja  a  serviço  da  transformação  da  indignação  em  ação,
trabalhando  a  raiva  e  a  revolta  como  insumo  básico  nas


discussões  dos  aspectos  afetivos  no  ambiente  escolar.  Por
muitos  anos  como  editor  de  Nova  Escola  ,  colei  acima  da
tela  do  computador  uma  frase  atribuída  ao  filósofo
iluminista  Condorcet:  “A  verdadeira  educação  faz  cidadãos
indóceis  e  difíceis  de  governar”.  Deixei  o  emprego  e  o
computador. Sigo levando comigo essa máxima.
1
 Rodrigo Ratier, “Precisamos sentir mais raiva”, Nova Escola ,  n.  304,  11  ago.
2017; disponível em: 
http://bit.ly/2ExJIJU 
.
2
 Ana Luiza Bustamante Smolka, Adriana Lia Friszman de Laplane, Lavinia Lopes
Salomão Magiolino e Débora Dainez, “O problema da avaliação das habilidades
socioemocionais  como  política  pública:  explicitando  controvérsias  e
argumentos”, Educação & Sociedade , Campinas, SP, v. 36, n. 130, 2015, p. 219-
42; disponível em: 
http://bit.ly/2Wo5GsJ 
.

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