Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar


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Educação Contra a Barbárie Por Escolas Democráticas e Pela Liberdade de Ensinar - Bell Hooks
4
 Disponível em: 
http://bit.ly/2JBV8AB 
.
5
 Ver Kenneth J. Saltman, The Gift of Education :  Public  Education  and  Venture
Philanthropy (New York, Palgrave Macmillan, 2010).
6
  Ver  Paul  G.  Schervish,  “Hyperagency  and  high-tech  donors:  a  new  theory  of
the new philanthropists”, 14 nov. 2003; disponível em: 
http://bit.ly/2YSISzd 
.
7
  Peter  Frumkin,  Strategic  Giving  :  The  Art  and  Science  of  Philanthropy
(Chicago/IL, University of Chicago Press, 2008).
8
 Ver Kenneth J. Saltman, The Gift of Education :  Public  Education  and  Venture
Philanthropy, cit.



Educação na primeira infância:
direito público × capital humano
Bianca Correa
Em  um  documento  de  2011,  a  Campanha  Latino-
Americana  pelo  Direito  à  Educação  (Clade)  apontou  “uma
forte  disputa  de  sentidos  no  campo  da  educação  na
primeira infância”
 
[1]
 
. De um lado, a ideia de que assim como
todo  ser  humano,  também  as  crianças  têm  direito  a  uma
educação  de  qualidade  desde  o  nascimento;  de  outro,  a
posição de que investir em educação desde tenra idade se
configura  como  estratégia  de  desenvolvimento  econômico,
sendo  as  crianças  parte  do  capital  humano  que,  uma  vez
“educado”  no  momento  certo,  pode  gerar  “alta  taxa  de
retorno”
 
[2]
 
.
No  Brasil,  o  reconhecimento  da  educação  infantil  como
primeira  etapa  da  educação  básica,  recobrindo  a  faixa  que
vai desde o nascimento até os cinco anos e onze meses de
vida,  com  oferta  obrigatória  gratuita  pelo  Estado  em
creches  e  pré-escolas,  é  conquista  recente,  que  surge  na
Constituição  Federal  de  1988.  A  legislação  brasileira
relacionada  à  oferta  da  educação  infantil  é  extremamente
avançada  se  comparada  à  de  outros  países  do  continente
americano  e  europeu,  pois  a  previsão  de  atendimento  a


bebês  de  forma  inteiramente  gratuita  como  obrigação  do
Estado  é  incomum  mesmo  em  países  onde  os  direitos  das
crianças e das mulheres são bastante avançados.
Todavia,  como  bem  assinalou  Fúlvia  Rosemberg
 
[3]
 
,  ao
colocar tais direitos na letra da lei, nossa sociedade parecia
não  estar  plenamente  convencida  da  relevância  de  uma
educação infantil fora do âmbito doméstico e oferecida por
outro  sujeito  que  não  a  própria  mãe.  Ainda  somos  uma
sociedade  machista  e  patriarcal,  que  entende  que  os
cuidados com a primeira infância, ou seja, com as crianças
de  até  três  anos,  devem  ser  executados  no  contexto
familiar, mais especificamente pela mãe.
Quero  tratar  aqui  de  um  ideário  sobre  a  educação  na
primeira infância que vem se construindo desde ao menos a
década de 1970, particularmente no campo da psicologia, e
que, nos últimos tempos, vem ganhando adeptos no campo
da economia. Trata-se de um discurso que, a um só tempo,
enquadra  as  crianças  pequenas  como  seres  meramente
biológicos,  com  “janelas  de  oportunidades”  a  serem
exploradas  numa  perspectiva  quase  que  explicitamente
mercantil,  e  define  como  responsável  primeira  por  tal
desenvolvimento  as  mulheres;  não  mais  numa  lógica  do
“dever materno” à moda antiga, mas de um dever afetivo e
econômico que chega a soar como chantagem emocional.
Os  discursos  governamentais  para  justificar  diferentes
modelos  de  educação  e  cuidado  com  os  bem  pequeninos
têm  sido  produzidos,  com  exceções  cada  vez  mais  raras,
não  por  educadores,  mas  por  psicólogos,  médicos,
neurocientistas,  administradores  e  economistas,  muitos
deles  ligados  a  institutos  e  fundações  empresariais,  os
chamados reformadores empresariais da educação. Embora
a  conjuntura  internacional  indique  a  prevalência  de  uma


visão instrumental e economicista da primeira infância e da
educação  infantil,  algumas  contradições  abrem  brechas
para argumentarmos em prol da ideia de que a educação é
um  direito  humano  construído  socialmente  e  do  qual  não
podemos abrir mão.

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