Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar


O que está em disputa nessa arena da política



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Educação Contra a Barbárie Por Escolas Democráticas e Pela Liberdade de Ensinar - Bell Hooks
O que está em disputa nessa arena da política
educacional?
Tendo  em  vista  as  emaranhadas  redes  políticas  na
educação  contemporânea,  posicionamentos  simplistas  que
assumem  que  todo  privado  seja  ruim  e  que  todo  público
seja bom – ou o oposto, a depender do posicionamento de
quem olha – se tornam problemáticos. As dinâmicas nessas
redes são persistentemente mais complexas, o que dificulta
muito o nosso trabalho de analisar e categorizar, no fim das
contas, aquilo que é público e o que é privado. Contudo, o
que  permanece  e  merece  a  nossa  atenção  é  o  embate  de
projetos educacionais.
A disputa entre “público” e “privado” parece ecoar muito
mais  a  oposição  entre  uma  visão  de  educação  como  bem
público  (e  sua  gestão  para  o  público)  e  uma  visão  privada
que compreende a educação como uma ferramenta para o
desenvolvimento econômico (e propõe que esta seja gerida
como  uma  empresa).  Ainda  assim,  tais  posições  seriam
melhor  compreendidas  como  em  um  espectro,  e  não
marcadas  de  forma  tão  dicotômica.  Precisamos  de  novos
termos para falar dessa arena, já que o vocabulário anterior
parece  não  dar  conta  da  complexidade  do  atual  estado  de
coisas.


Essa disputa de visões permeia a política e a pedagogia,
a  gestão  e  o  ensino,  em  um  embate  entre  “politização”  e
“despolitização”.  Na  política  e  na  gestão,  isso  é  visível  no
conflito  entre  a  gestão  democrática  (como  uma  gestão  a
serviço da participação de todos e da mudança do entorno
da  escola)  versus  a  gestão  “técnica”  ou  empresarial
(focalizada  em  processos  e  técnicas,  voltada  à  eficiência  e
ao alcance de metas). Na pedagogia, identifica-se o mesmo
conflito  entre  uma  formação  para  a  liberdade  e  a
compreensão  do  entorno  social  versus  uma  formação
centrada  em  habilidades  e  competências  aplicáveis  ao
trabalho.
Esse  embate  internacional  assume  tensões  especiais  no
Brasil.  Paulo  Freire  permeia  a  nossa  formação  como
educadores  e  professores  com  o  pressuposto  de  que  a
educação  é  política  e  de  que  o  papel  do  educador  é
justamente o de politizar esse processo e auxiliar os alunos
a  perceberem  e  modificarem  as  dinâmicas  sociais.  Nesse
contexto,  há  certamente  uma  desconfiança  sobre  a
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