Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar


Quem está fazendo as políticas da educação?



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Educação Contra a Barbárie Por Escolas Democráticas e Pela Liberdade de Ensinar - Bell Hooks
Quem está fazendo as políticas da educação?
Uma resposta comum que habita nosso imaginário é que
quem  faz  as  políticas  é  o  Estado,  o  governo.  Evoca-se  os
órgãos  públicos,  como  o  MEC  e  as  secretarias  estaduais  e
municipais  de  educação.  Algumas  vezes,  também  os
profissionais  da  educação  são  mencionados  como  parte
desse  ecossistema.  Entretanto,  passam  despercebidos
outros grandes atores, em especial os grupos privados, com
ou  sem  fins  lucrativos.  Aí  estão  incluídos  fundações,
institutos e empresas cuja relevância é crescente em todo o
mundo. No Brasil não tem sido diferente.


Com  uma  nova  tendência  internacional  de  gestão
pública,  Estados  estão  se  afastando  de  sistemas  mais
hierarquizados  em  direção  a  redes  de  governança
complexas e dinâmicas. Nessas redes, governo, filantropia e
mercado  têm  colaborado  na  formulação  e  na  execução  de
políticas públicas (na educação e em outros setores). A linha
que separa organizações públicas e privadas tem se tornado
cada  vez  mais  tênue  e  opaca.  Classificar  pessoas  físicas
como provenientes do âmbito “público” ou “privado” torna-
se,  portanto,  desafiador  (quando  não  impossível).  Com
carreiras  forjadas  simultaneamente  nos  setores  público  e
privado, os próprios profissionais da educação passam a ter
experiências,  contatos  e  influências  em  diferentes  setores.
São  pessoas  que,  carregando  consigo  a  reforma
educacional,  atravessam  as  fronteiras  de  setores  e
instituições públicos e privados
 
[2]
 
.
Quanto  ao  setor  privado  com  fins  lucrativos,  algumas
organizações  têm  se  interessado  cada  vez  mais  pela
educação  por  seu  potencial  de  lucro.  Os  chamados
edubusiness 
”, 
ou 
“edunegócios”, 
têm 
crescido
internacionalmente  em  todos  os  níveis  de  ensino,  da
educação  infantil  ao  ensino  superior.  O  Brasil  tem  se
tornado  um  local  especialmente  atrativo  para  esses
empreendimentos  por  conta  de  sua  enorme  população  em
idade  escolar  (está  entre  as  dez  maiores  populações  em
idade  escolar  do  mundo).  Com  foco  no  lucro,  questões
pedagógicas,  éticas  e  sociais  são  colocadas  em  segundo
plano  por  esse  tipo  de  organização,  cujo  trabalho  pode
atingir  a  política  educacional  de  diversas  formas:
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