Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar



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Educação Contra a Barbárie Por Escolas Democráticas e Pela Liberdade de Ensinar - Bell Hooks
brasileiro: em disputa a formação dos jovens e a gestão da escola pública (Tese
de Doutorado em Educação, Curitiba, Universidade Federal do Paraná, 2016).
4
  Valdirene  Alves  de  Oliveira,  As  políticas  para  o  ensino  médio  no  período  de
2003  a  2014:  disputas,  estratégias,  concepções  e  projetos  (Tese  de  Doutorado
em Educação, Goiânia, Universidade Federal de Goiás, 2017).
5
 O manifesto em que o movimento apresenta suas discordâncias em relação ao
PL n. 6.840/2017 está disponível em: 
http://bit.ly/2WnbSkL 
.
6
  A  divulgação  da  MP  n.  746/2016  (reforma  do  ensino  médio)  desencadeou  o
que  Groppo  denomina  de  “segunda  onda  de  ocupações”  de  escolas  em  2016,
começando pelo Paraná e se espraiando por outros dezoito estados brasileiros.
Ver  Luís  A.  Groppo,  “Ação  coletiva  e  formação  política:  os  coletivos  juvenis  e  a
ocupação de uma universidade no sul de Minas Gerais”, em 38ª Reunião Anual
da ANPEd , São Luís, MA, 1-5 out. 2017.
7
  A  convergência  entre  a  reforma  do  ensino  médio  e  os  documentos
programáticos  do  Instituto  Unibanco  e  do  Todos  pela  Educação  foi  investigada
por  Vinicius  Bezerra  e  Carla  Maluf  de  Araújo,  “A  reforma  do  ensino  médio:
privatização  da  política  educacional”,  Retratos  da  Escola,  Brasília,  v.  11,  n.  21,
2017, p. 603-18; disponível em: 
http://bit.ly/2VZTEql 
.


Educação a Distância: tensões entre
expansão e qualidade
Catarina de Almeida Santos
Pensar a Educação a Distância (EAD) no Brasil requer que
pensemos a própria educação e a sua função na sociedade.
Requer ainda lembrar a educação como um direito humano
fundamental  e  seu  papel  na  formação  dos  sujeitos  e  na
construção  das  relações  socais.  Isso  implica  pensar  a
educação  como  possibilidade  de  desenvolvimento  das
potencialidades  humanas,  da  apropriação  dos  saberes
sociais  construídos  historicamente  e  de  aquisição  de
conhecimentos  que  permitam  conhecer,  compreender  e
transformar a realidade.
Em 1947, Anísio Teixeira defendia que, para além de ser a
base  da  democracia,  a  educação  é  o  processo  que  pode
levar  à  justiça  social,  tendo  em  vista  que  ela  é  o  principal
meio  de  se  conquistar  a  igualdade  de  oportunidades.  Mas,
segundo  o  autor,  esta  não  seria  uma  educação  qualquer,
mas  uma  que  “faz-nos  livres  pelo  conhecimento  e  pelo
saber  e  iguais  pela  capacidade  de  desenvolver  ao  máximo
os  nossos  poderes  inatos”
 
[1]
 
.  Uma  educação  que  não  seja,
segundo o autor, apenas para alguns, mas para todos. Que
possibilite  superar  as  distâncias  físicas,  materiais,  sociais,


mentais, culturais, econômicas e raciais do Brasil. Que não
seja  treino  ou  domesticação,  mas  base  da  construção  de
uma sociedade democrática.
A  Constituição  de  1988,  ao  definir  que  a  educação  é
direito  de  todos  e  dever  do  Estado  e  da  família,  também
define  que  ela  tem  três  finalidades:  o  desenvolvimento
pleno  do  sujeito,  a  formação  para  a  cidadania  e  para  o
mundo  do  trabalho.  Os  preceitos  ali  estabelecidos
coadunam  com  o  que  Anísio  Teixeira  defendia  para  uma
sociedade democrática.
Na busca pela garantia do direito à educação, a utilização
da EAD é apontada como forma de superação das distâncias
geográficas que, em algumas situações, impedem o acesso
físico a instituições de ensino. Assim, o uso da modalidade a
distância  garantiria  a  expansão  das  oportunidades
educacionais  e  a  democratização  do  acesso  à  educação,
com  maior  alcance,  maior  flexibilidade  para  professores  e
alunos  e  modernização  dos  processos  educativos  por  meio
do uso das tecnologias de informação e comunicação.
A  defesa  da  utilização  da  EAD  é  permeada  por  um
conjunto de argumentos que buscam legitimar a sua ampla
expansão,  não  apenas  pela  perspectiva  do  direito,  mas
também  pela  ampliação  do  mercado  educacional.  A  não
presença  do  aluno  em  sala  de  aula,  o  fato  de  este  poder
organizar  seus  horários  de  estudo,  o  respeito  ao  tempo  do
estudante,  a  flexibilidade  dessa  modalidade  educativa  e,
principalmente,  o  fato  de  ela  chegar  a  lugares  onde  a
educação  presencial  não  chega  –  e  a  custo  menor  –,  são
argumentos basilares dos defensores da modalidade.
A  ampla  utilização  da  EAD  é  defendida  por  diferentes
atores,  não  só  do  campo  educacional.  Organismos
multilaterais,  como  o  Banco  Mundial,  apontam  a  utilização


das  tecnologias  educacionais  para  a  implantação  de
sistemas de ensino a distância, com especial atenção “para
programas  que  abordem  as  necessidades  educativas  dos
grupos  geograficamente  isolados  das  instituições  públicas
convencionais  de  ensino”
 
[2]
 
.  Nessa  ótica,  não  há  como
analisar  a  expansão  da  EAD  sem  levar  em  conta  as
contradições que estão nas bases de sua defesa. Se por um
lado,  a  educação  é  condição  para  o  desenvolvimento  das
potencialidades  humanas,  por  outro,  serve  para  construir
um  ideário  que  favorece  a  manutenção  da  hegemonia
política  dos  grupos  que  exercem  o  poder,  visando,  em
última instância, à reprodução ampliada do capital.
No  documento  “Construir  sociedades  de  conocimiento:

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