Educação contra a barbárie: por escolas democráticas e pela liberdade de ensinar


A escola que queremos, um espaço de criatividade e



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Educação Contra a Barbárie Por Escolas Democráticas e Pela Liberdade de Ensinar - Bell Hooks
A escola que queremos, um espaço de criatividade e
pluralidade
Pode-se  aprender  história  nas  escolas  no  mesmo  ritmo
em  que  se  canta  o  samba-enredo  da  Mangueira  ou  o  da
Tuiuti.  Porém,  como  garantir  uma  escola  que  acolha  a
pluralidade de sujeitos em territórios plurais, sem que ela se
aliene do seu entorno nem nele se enclausure? Eis o desafio
que  se  coloca  para  a  história  ensinada:  como  fomentar  a
atitude  historiadora  em  tempos  de  presente  contínuo  e  de
incentivo  ao  esquecimento  pela  produção  exponencial  da
novidade?
Algumas  estratégias  possíveis  residem  em  valorizar  a
memória  como  dimensão  criativa  dos  sujeitos,  em
incentivar  a  performance  como  vivência  de  experiências
pregressas,  em  ultrapassar  a  escrita  como  meio  por
excelência  de  expressão  escolar,  em  cantarolar,  dançar,
emocionar-se diante da incontornável diversidade do mundo


e  divertir-se  com  aquilo  que  se  descobre  todos  os  dias.  E
também  em  significar  as  memórias  –  observando  as
trajetórias  de  vida,  os  corpos  em  movimento  e  a
gestualidade  –  para  potencializar  práticas  de  liberdade  e
processos  de  resistência  frente  aos  autoritarismos.  Ou,
ainda,  em  seguir  o  rumo  do  poeta:  “Tenho  o  costume  de
andar  pelas  estradas.  Olhando  para  a  direita  e  para  a
esquerda, e de vez em quando olhando para trás... E o que
vejo  a  cada  momento  é  aquilo  que  nunca  antes  eu  tinha
visto, e eu sei dar por isso muito bem...”
 
[3]
 
.
Um  desafio  contínuo  é  o  de  abraçar  esse  caráter  ativo,
criativo  e  compartilhado  do  conhecimento  histórico  e,  ao
mesmo  tempo,  repelir  abordagens  que  relativizam  o  vivido
e colocam em pé de igualdade leituras sobre a existência ou
não de repressão durante a ditadura militar, por exemplo –
como  se  estas  fossem  meras  “versões”,  igualmente
legítimas, da história.
A história pública, mediadora de saberes em diálogo e em
conflito,  é  uma  poderosa  plataforma  de  observação  e  ação
frente  às  múltiplas  possibilidades  de  tomada  de  posse  da
experiência  passada  pelos  coletivos  que  se  formam  nas
trincheiras  culturais:  de  comunidades  quilombolas  a
movimentos  pelo  direito  à  moradia,  de  coletivos  artísticos
urbanos  a  associações  de  familiares  de  desaparecidos.  Ela
expressa o trabalho de memória em diversas comunidades
de  sentido,  considerando  as  permanências  e  mudanças
sociais,  e  assumindo  o  desafio  de  repensar  os  problemas
históricos. Os diversos ativismos contemporâneos, no Brasil,
irradiam  práticas  de  história  pública  em  projetos
independentes marcados por ações engajadas e parcerias –
entre  professores,  historiadores,  lideranças  comunitárias,


cineastas,  jornalistas,  produtores  culturais,  atores,  artistas
plásticos  entre  outros  –  para  a  transformação  social  em
meio aos conservadorismos e intolerâncias.
Na  educação,  para  além  da  comunidade  escolar,  a
história  pública  potencializa  a  produção  de  sites,  blogs,
podcasts , games, aplicativos para celular, turismo histórico
a  partir  de  mapas  interativos;  bem  como  filmes,  séries  e
documentários. Digitalizar, catalogar e garantir acesso livre
na  internet  são  dimensões  importantes  da  história  pública;
mas é fundamental atentar para os interesses envolvidos e
qualificar  os  debates  públicos  por  meio  dos  esforços
colaborativos (circularidade do conhecimento histórico) que
mobilizam compromissos sócio-históricos. A história pública
convida todos os sujeitos sociais – estudantes e professores,
inclusive  –  a  serem  protagonistas  da  reflexão  histórica
(narrada,  construída  e  analisada),  atribuindo  sentido  ao
trânsito 
na 
ponte 
temporal 
presente-passado 
e
vislumbrando horizontes de expectativas compartilhados.

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