Ed & Lorrain Warren: Domonologistas


particular? Bem, pode parecer estranho mas, ao realizar o ritual



Baixar 1.54 Mb.
Pdf preview
Página9/25
Encontro21.09.2022
Tamanho1.54 Mb.
#25451
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   ...   25
Ed & Lorrain Warren Domonologi - Gerald Brittle

particular? Bem, pode parecer estranho mas, ao realizar o ritual
de magia negra, Patricia e, em menor grau, Melinda estavam em
débito com as forças demoníacas. E que melhor maneira de
atraí-las para a perdição que transformando um sonho em
realidade?
“No decorrer do período de um ano, as duas mulheres viajaram
para o leste um total de não uma nem duas, mas três vezes
antes de ratificar o seu desejo de comprar a propriedade. Em
dada ocasião, a irmã
de Patricia, Susan, também foi até lá. Durante aquele período,
nenhuma das mulheres suspeitou que houvesse alguma coisa
errada.
“Quando o processo de opressão interna começa, é quase
impossível reconhecer o problema, porque a mudança ocorre
devagar, passo a passo. Basicamente, a pessoa está sendo
treinada ou ‘preparada’ para o momento em que a possessão
pode acontecer. No dia 31 de dezembro de 1977, Patrícia tomou
uma importante decisão: pedir demissão do emprego e comprar
a casa. Ela e Melinda eram tipos independentes e disseram que
queriam ‘voltar para a natureza e criar animais’. Na realidade, é
claro, isso era a Lei da Atração agindo.
"Quando se demitiu", continua Lorraine, “Patrícia já havia
providenciado toda a papelada necessária para a compra da
casa de fazenda. No entanto, nenhum banco, nem na costa
Oeste nem na costa Leste, estava disposto a conceder uma
vultosa hipoteca para duas mulheres solteiras. Para comprar a
casa seria necessário que elas pagassem uma entrada
substancial, e elas não tinham aquele dinheiro. Mas sem
problema! Enquanto visitava Los Angeles, Melinda se inscreveu
em um jogo de um programa de televisão e, no dia do seu


aniversário, ganhou dez vezes o valor necessário para o
pagamento da entrada.
Na realidade, o prêmio praticamente quitava a casa. Ainda assim,
quando elas voltaram ao banco, os funcionários responsáveis por
autorizar empréstimos quiseram, por alguma razão, três
assinaturas na hipoteca. Por causa disso, a irmã de Patrícia,
Susan, foi incluída na transação e assinou a hipoteca com as
outras duas mulheres. Tradicionalmente, quando um pacto é
assinado, o espírito demoníaco costuma arranjar para que três
pessoas — três vontades humanas — participem do
compromisso, mais uma vez como insulto à Trindade. Para
infelicidade de Susan, seu destino estava agora formalmente
atrelado ao das outras duas mulheres.
“No dia em que a hipoteca foi assinada, passos pesados de
botas entraram, à noite, no apartamento de Patrícia e Melinda, no
Novo México. O que parecia ser um intruso esmurrou a porta do
quarto de cada uma das mulheres. Isoladas do telefone da sala
de estar, ambas passaram uma noite de puro terror, cada uma
sozinha, encolhida de medo. O que elas não sabiam à época é
que aquela era a entrada clássica do espírito demoníaco. Era a
hora de cobrar a conta pelo ritual de prosperidade.
“Com a hipoteca assegurada, Patrícia e Melinda se mudaram
para a fazenda no final de janeiro de 1978. Assim que
começaram a residir na casa, elas tiveram uma horrível sensação
de que eram observadas. A sensação era tão intolerável que as
duas muitas vezes dormiam em um motel nas proximidades
enquanto consertavam o interior da casa durante o dia. Elas
também tinham dois cães da raça corgi, que sempre haviam se
dado bem antes. Contudo, assim que os dois cães foram levados
para a propriedade, eles começaram a atacar um ao outro. As
mulheres tinham que mantê-los separados para que um não
estraçalhasse o outro.
“Mais ou menos na mesma época, Patrícia e Melinda também
começaram a discutir e a brigar por coisas insignificantes, sem


importância. Em vez de trabalhar, elas discutiam por dias a fio
quem pintaria uma janela ou quem pintaria uma porta. Veja,
essas mulheres não percebiam, mas estavam sendo forçadas a
esse comportamento, assim como os cães. Na realidade, a
opressão estava totalmente preparada, apenas esperando pela
chegada do grupo.
“Por fim — sob o jugo da opressão — elas decidiram que aquela
era a casa delas e que dormiriam ali em vez de bancarem o caro
motel locai. A essa altura, a sensação de que eram observadas
ficou ainda pior, transformando-se em uma atmosfera de
perversidade. Acreditando que aquelas sensações fossem de
natureza apenas psicológica, as mulheres fizeram o possível
para não dar importância às emoções, mas, então, começaram a
acontecer coisas estranhas. À noite, elas ouviam, do lado de fora
da casa, cânticos funestos que faziam o sangue gelar. Durante o
dia, amônia e produtos de limpeza desapareciam; no lugar deles
apareciam gotas de sangue. Dentro da casa, dinheiro e objetos
pessoais também desapareciam e nunca mais eram
encontrados. Uma tarde, ouviram-se batidas na porta dos fundos.
Quando foram atender, não havia ninguém ali. Em vez disso, o
que as mulheres encontraram foi um rastro de pegadas
esquerdas
— um sinal do espírito demoníaco — na neve, que chegava à
altura dos quadris. A pegadas levavam ao celeiro e ocorriam a
intervalos de três pés [91,5 centímetros], mas tinham apenas a
profundidade de pouco mais de um centímetro na neve macia.
“Poucos meses depois da compra da casa, a irmã de Patrícia,
Susan, foi até lá para ajudar nos reparos.
Susan era uma mulher sensível, na casa dos 20 anos. Dessa
vez, quando chegou à casa da fazenda, o lugar a sufocou com
um terror mórbido, e ela pegou imediatamente um voo de volta
para casa. No entanto, ela ainda foi perturbada pelos espíritos
opressores, pois, algumas semanas mais tarde, do nada, Susan
se esfaqueou brutalmente com uma faca de açougueiro. O


médico que socorreu a jovem disse que os ferimentos — havia
três deles — deveriam ter sido fatais e que não conseguia
entender como ela não havia morrido.
“Por abandonar a casa da fazenda, Melinda também recebeu
uma punição semelhante. Não mais de um mês depois de se
mudarem para lá, Melinda desenvolveu uma aversão tão grande
pela malignidade presente no local que eia também voltou para
Ohio. Mas havia apenas poucos dias que Melinda estava lá
quando foi violentamente estuprada por um intruso
desconhecido. Àquela altura, ela sucumbiu.
Acreditando que o terror mental era preferível à brutalidade da
violência física, ela retornou à casa da fazenda na Nova
Inglaterra.
“Na primavera de 1978, tendo vivenciado uma diversidade de
horrores ao longo de meses, aquelas pobres mulheres estavam
totalmente mergulhadas na opressão. Apareceram rugas no rosto
de ambas, seus cabelos castanhos ficaram grisalhos e,
fisicamente, suas feições envelheceram ao dobro da idade delas.
‘Eu não conseguia me reconhecer no espelho’. Patrícia me
contou. ‘Nossos olhos tinham uma expressão de vazio e morte.’”
“De vez em quando, Melinda era involuntariamente tomada por
uma personalidade perversa, em especial quando Patricia queria
fazer alguma mudança radical na moradia. O pior episódio foi
quando Patricia alugou uma serra elétrica e estava prestes a
cortar uns pinheiros na frente da casa, os quais escureciam o seu
interior.
“‘Melinda saiu correndo de dentro da casa como se estivesse
pegando fogo’, Patricia me disse. ‘Ela tinha uma expressão
incrivelmente maligna no rosto — era o rosto de outra pessoal
Ela ameaçou me matar se eu fizesse um único corte em algum
pinheiro!’ Patricia então compreendeu que havia alguma coisa
errada — metafisicamente errada — e viu que precisava buscar


ajuda. Depois de enfrentar tremendas dificuldades para que
alguém acreditasse nela, uma pessoa acabou lhe dando o nosso
nome e ela nos contatou.
“Eu não podia dizer isso a elas na época”, prossegue Lorraine,
“mas, para aquelas mulheres, a morte estava realmente muito
próxima. Aquela casa de fazenda era um lugar mortal. Quando
Ed e eu percorremos de carro a via de acesso à propriedade, vi
— pela segunda visão — pessoas vestindo túnicas realizando
algum tipo de ritual profano na campina ao lado da casa. Havia
cânticos, e o show todo estava acontecendo à noite; as pessoas
usavam um ser humano — ou vítima — como altar. Ao entrarmos
na casa, ficou evidente para mim que quem quer que tivesse
vivido ali antes havia praticado matança e mutilação de animais.
Eu conseguia sentir a tristeza de muitas centenas de animais,
pequenos e grandes, que haviam sido mortos no local. E, na
casa, a atmosfera, o próprio ar que se respirava estava pesado
de maldade e perversidade. O lugar também me causou repulsa
e ficou claro que apenas por meio de opressão demoníaca
alguém podia viver em um território tão infernal.
“Acredito que o que dissemos deixa bem claro que uma
inteligência negativa invisível estava conduzindo os eventos ali.
Porém, quero ressaltar que, neste caso, naquela casa, ela não
era apenas invisível. Enquanto Ed entrevistava as mulheres,
decidi caminhar pela residência. Um dos cães corgi me
acompanhou. O lugar era como a maioria dessas casas
infestadas — desconfortável e ameaçador, com uma tristeza que
recobria tudo. De repente, o cão disparou pelo corredor,
derrapando ao parar diante da porta de um armário, onde
começou a rosnar com agressividade. Abri a porta. O armário
cheirava a uma
fossa. O cão se virou para alguma coisa dentro do armário e,
então, segundos depois, para minha perplexidade, uma figura
totalmente negra — na forma geral de um homem, mas sem
feições — saiu correndo do armário, passou por mim e subiu


depressa as escadas, com o corgi nos seus calcanhares, a
persegui-lo. Em toda a minha vida, nunca vi o demônio assumir
uma forma tão abertamente humanoide.
"Neste caso”, conclui Lorraine, “a investida da estratégia de
opressão do espirito demoníaco foi sutil
— mais psicológica que física. De qualquer forma, porém, a
estratégia do demônio permanece a mesma: destruir a força de
vontade do ser humano a fim de possuir o corpo, ou oprimir o
indivíduo, levando-o a cometer algum ato negativo, de
preferência que envolva derramamento de sangue e morte. E,
neste caso, ele quase teve sucesso. As duas mulheres tiveram
que passar por uma forma de exorcismo para serem libertadas
da influência e das deformidades físicas provocadas pelas
entidades inumanas que habitavam o lugar. No final, Patrícia e
Melinda venderam a fazenda pelo preço que pagaram por ela e
voltaram para o Novo México, onde hoje levam uma vida mais
triste, porém, mais sensata. Embora Ed e eu pudéssemos
continuar desfiando todos os fatores fortemente entrelaçados que
constituem este caso específico, acho que está bastante claro
que um caso como este envolve muito mais que coincidência. Há
uma inteligência negativa se esgueirando nos bastidores,
dirigindo toda a atividade.”
“Quando os fenômenos passam do estágio da infestação para o
da opressão”, concorda Ed, “o espírito demoníaco de fato já não
consegue ocultar a própria presença. Em vez disso, por orgulho
da sua eficiência, ele começa a deixar cartões de visita — alguns
literais, outros simbólicos.
“Normalmente, o espírito demoníaco gosta de revelar a sua
presença por escrito. Ele tem predileção por escrever em
paredes e espelhos, chegando ao ponto de preferir batom ou giz
de cera como implemento de escrita. O espírito demoníaco tende
a escrever de trás para a frente, da direita para a esquerda, de
modo que a mensagem tenha que ser lida em um espelho.
Parece até que alguém escreveu as palavras e frases nas


paredes com a mão ‘errada’. Quanto ao que dizem, o que esses
espíritos basicamente tendem a escrever são vulgaridades,
indecências e blasfêmias, em geral na língua falada pela pessoa
ou família oprimida. Pode haver mistura de outras línguas,
embora isso ocorra com maior frequência quando o espírito fala
durante a possessão. Em estágios mais avançados da opressão
ou em situações em que diabos estão por perto, línguas mais
sofisticadas podem ser usadas.”
Ed e Lorraine falam quase que exclusivamente sobre demônios.
Se existem diabos — uma hierarquia à parte de espíritos — por
que não falar sobre eles também?


“Embora leigos tenham escrito muita coisa sobre diabos”, afirma
Ed, “meu conhecimento deriva da minha própria experiência ou
do estudo de documentos religiosos autênticos. Com base no
meu trabalho, o que se sabe corretamente sobre diabos é
mínimo em comparação com o que se sabe sobre o espírito
demoníaco. É o espírito demoníaco que vemos realizando todos
esses fenômenos extraordinários. É
verdade que, durante um exorcismo, um espírito demoníaco vai
adiante e bravateia ser este ou aquele diabo, mas, em geral, ele
está mentindo. No final das contas, a distinção entre demônios e
diabos é como aquela entre trabalho e gerenciamento: uns
trabalham, outros supervisionam. Espíritos demoníacos de uma
ordem superior promovem a opressão interna, porque espíritos
inferiores, bestiais, não têm o conhecimento e a habilidade de
completar a atividade com a possessão. As entidades inferiores
se contentam em provocar devastação externa a fim de
enfraquecer a vontade pelo medo, ao passo que as entidades
superiores enfraquecem a vontade diminuindo a resistência
psicológica interna. Em termos teológicos, veja bem, os diabos
eram uma ordem superior de anjos antes da Queda, e têm mais
conhecimento e poder que os espíritos que estão abaixo deles.
Os escritos de um diabo tendem a ser limpos e organizados, por
exemplo, escritos de trás para frente, da direita para a esquerda,
em uma caligrafia muito bonita. Além disso, essas entidades
mais versadas em geral lançam mão de línguas clássicas —
sobretudo o latim, embora, às vezes, também o grego ou o
hebraico antigo. Ao contrário dos espíritos demoníacos, diabos
parecem propensos a escrever apenas em papel ou pergaminho
e tão somente quando um pacto com Satã está envolvido. Em
geral, nos casos com que eu trabalho, os rabiscos,
garranchos e blasfêmias são feitos por espíritos demoníacos.”
Quando a entidade demoníaca não coloca literalmente o seu
nome em sua obra abominável, os Warren precisam sair em
busca de traços mais simbólicos e intelectuais da sua presença.


“Primeiro”, diz Lorraine, “trata-se de um espírito negativo,
portanto, é algo que ‘segue em sentido contrário’. O demoníaco
tende a atuar em oposição direta aos princípios do mundo
positivo. Quando o espírito se move, ele costuma fazê-lo da
direita para a esquerda, em sentido anti-horário ou em círculos.
Ao se aproximar de você, ele geralmente vem da esquerda ou de
trás. Ódio, obscenidade e morte fortalecem o espírito demoníaco;
bondade, luz e oração o imobilizam. O espírito vem de preto,
intensifica o mal e busca mais destruir que aprimorar. Os
resíduos que deixa para trás são repugnantes e asquerosos.
Derramamento de sangue e lesões físicas são elementos
fundamentais do fenômeno. Ele ajuda o malvado e o ignorante;
ele ataca o inocente, o incauto e o piedoso. Ele é traiçoeiro,
dissimulado e vem como um ladrão na noite. Ele oculta a sua
presença com mentiras e preserva o seu anonimato por meio de
duplicidade e invisibilidade. Como já disseram escritores
religiosos: ‘Não há nada de positivo na natureza do espírito; seu
ser baseia-se na ausência de algo que seja bom’.
Os mecanismos simbólicos de atuação desse espírito não são
menos indicativos da sua presença.
Normalmente, o espírito demoníaco escolherá um dia ou período
significativo do ano para dar início ao seu assédio. Os Warren
descobriram que ocasiões favoráveis a isso incluem o Natal, a
Páscoa, a Sexta-Feira da Paixão, o início da Quaresma, a
primeira noite da Páscoa judaica, o mês de novembro (o período
astrológico do signo de Escorpião), domingos, sextas-feiras e o
aniversário das pessoas.
“A fase da lua também pode integrar a fórmula”, observa Ed. “A
lua nova é a fase preferida, por causa da total ausência de luz
natural — além disso, a lua nova há muito é vista como símbolo
da morte. No entanto, é comum que os eventos venham a atingir
seu pico ou a ter início na lua cheia. Isso acontece porque, pelo
relógio da natureza, o que começa em uma lua nova chega ao
ápice em uma lua cheia.


Contudo, devo enfatizar que, quando se está lidando com
fenômenos espirituais, esse simbolismo pode ser percebido
muito mais tarde. Repito: apenas em retrospectiva, diante de
uma análise, é que um número, data ou período específico do
ano se revelará parte da estratégia geral de um espírito opressor.
“Quando todos os fatores são reunidos”, prossegue Ed, “após
entrevistarmos os principais envolvidos e testemunharmos a
atividade por nós mesmos, então fica evidente que há uma
ordem no pandemônio. Se você tivesse que reconstruir um típico
caso de opressão demoníaca, disporia de algo como mil fatores
separados. Desse modo, o caso precisa ser estudado na sua
totalidade para que a interação de todos os fatores — a história,
os fenômenos, os sinais, os símbolos, a estratégia e a
sincronicidade — possa ser vista como uma atuação conjunta.
Quando visto na totalidade, a progressão dos eventos ficará
óbvia, com cada detalhezinho desempenhando o próprio papel.
Você identificará a origem do problema, os arranjos preliminares,
a estratégia de infestação, a estratégia de opressão, as
ocorrências simbólicas e assim por diante. Haverá sinais de ação
deliberada — eventos ocorrendo em horários precisos do dia ou
apenas em certos dias da semana. Embora seja impossível
repetirmos todos os detalhes do caso Amityville, por exemplo,
vejamos algumas das semelhanças entre o que os Lutz relataram
o que já vivenciamos nas nossas investigações.
“Primeiro”, diz Ed, “consideremos os antecedentes do caso,
antes de os Lutz se mudarem para a casa.
Os DeFeo, uma família normal de sete membros, se mudou para
a residência no início da década de 1960.
“Por volta das 3h do dia 13 de novembro de 1974 — o pior
horário do dia, provavelmente no dia mais problemático do ano
— o filho matou os outros seis membros da família, inclusive o
próprio pai, com um rifle potente. Nenhum dos vizinhos ouviu os
disparos. Treze meses após a ocorrência dos assassinatos,
George e Kathleen Lutz se mudaram para a residência durante a


temporada do Natal — em geral, um período de atividade
demoníaca. Nosso conhecimento do que aconteceu em seguida
é inevitavelmente indireto — não estávamos lá com os Lutz. Mas,
de acordo com o que eles disseram a Jay Anson, George,
que costumava ser asseado, se vestir bem e ser um pouco
workaholic, ficou preguiçoso e desleixado. Ele permaneceu
sentado junto à lareira durante praticamente o episódio inteiro.
George estava sempre sentindo frio, embora o termostato da
casa ficasse constantemente entre 26 e 27 graus. Nos casos que
investigamos, quando o espírito absorve energia térmica, ele
também retira todo o calor dos cômodos. O
que ele sentiu é o que chamamos frio psíquico. Você pode se
enrolar em uma dúzia de cobertores, mas não vai adiantar nada,
porque o calor do seu corpo também está sendo roubado.
“É claro”, continua ele, “um espírito absorve essa energia por
uma razão: para usá-la contra as pessoas da casa. Uma vez que
se trata de uma entidade negativa, que pensa de forma negativa,
então, essa energia é usada para propósitos brutais e negativos.
“Ao mesmo tempo, Kathy nos contou que já ‘não era mais ela
mesma’: havia se tomado irritadiça, briguenta e impaciente com
as crianças. De acordo com o livro Amityville, ela teve vários
sonhos que pareciam semelhantes a certos fatos do caso do
assassinato dos DeFeo. As crianças também começaram a ficar
briguentas, e o cão da família agia de forma peculiar desde a
mudança de residência.
“O que aconteceu em seguida?”, pergunta Ed, retoricamente.
“Apenas aqueles que estiveram lá podem dizer ao certo.
Entretanto, George e Kathy contaram que centenas de moscas
apareciam no quarto do andar de cima. Os fluidos do vaso
sanitário ficavam negros. Um leão de cerâmica se
teletransportava pela casa. Os móveis se moviam por vontade
própria. A mão de uma das crianças foi esmagada, porém, o


menino não sofreu nenhuma lesão física. E, é claro, no meio da
noite, George ouvia o som de uma banda marcial.
“Ironicamente, enquanto os Lutz viviam na casa, fizemos duas
palestras para públicos universitários e, nelas, detalhamos os
tipos de fenômeno com que as vítimas se deparam em
ambientes infestados por forças demoníacas — inclusive o som
de bandas marciais tocando John Philip Sousa no meio da noite!
“A atividade que leva o selo dos poderes demoníacos tem o
intuito de assustar. Além disso, a família Lutz afirma também ter
experimentado frio psíquico, temperaturas de calor sufocante e o
odor repulsivo de excremento — um sinal convencional da
presença demoníaca. Os Lutz também tiveram problemas
enquanto usavam o telefone, e o irmão de Kathy Lutz deu falta
de 1.500 dólares no seu bolso — dinheiro que ele pretendia usar
em despesas com seu casamento.”
Esse dinheiro realmente desapareceu?
“Não sei dizer”, responde Ed. “Mas é comum que dinheiro
desapareça em casas infestadas por espíritos maléficos. A perda
de um cheque de pagamento de salário ou de somas vultosas de
dinheiro perturbará um indivíduo. É apenas uma das muitas
maneiras pelas quais espíritos negativos tentam abalar uma
pessoa ou família. Contudo, acho improvável que esse dinheiro
‘perdido’ simplesmente desapareça.
Em vez disso, cá entre nós, eu diria que há mais ou menos 100%
de chance de que o dinheiro seja teletransportado para um
feiticeiro ou alguma pessoa envolvida com as artes negras. Digo
isso porque conheço feiticeiros que nunca trabalharam um dia
sequer na vida e, no entanto, suas condições financeiras são
excelentes. Para eles, tudo dá certo. A vida deles é fácil, e coisas
boas sempre lhes acontecem. Esses indivíduos não têm
absolutamente nenhum problema. O dinheiro os encontra. Por
quê? Porque eles fizeram um acordo metafísico com o espírito
demoníaco e trabalham em conluio com ele.


“Embora isso possa parecer inofensivo, há um problema. Esses
feiticeiros ou bruxos normalmente contraem uma dívida com o
espírito demoníaco que chega a valer a sua própria alma; ou um
débito que o diabo cobrará em uma dívida futura; ou talvez o
sacrifício de alguém à sua escolha, como uma criança.
Para essa gente, é a básica jornada de Fausto. A vida é curta, e
eles não a respeitam. Eles vendem a alma por um centavo
quando ela vale um milhão. Então, sim, quando dinheiro
desaparece em uma casa infestada, estou disposto a apostar
que ele reaparece na carteira de um feiticeiro!
“Todos esses fatores levaram as emoções dos Lutz ao limite e os
deixaram em uma situação em que começaram a duvidar da
própria sanidade", retoma Ed. “No entanto, essas perturbações,
somadas a muitas outras que não mencionei, como um crucifixo
que foi simbolicamente virado de cabeça para
baixo, fazem lembrar o que temos visto em fenômenos de
opressão externa. Indo mais longe, porém, os Lutz disseram que
a forma de um demônio surgiu sozinha, marcada a fogo, na parte
posterior interna da lareira. Esses espíritos tipicamente se
manifestam nas chamas ou em lareiras. Houve também uma
monstruosidade encapuzada que se mostrou nas escadas. Esses
espíritos costumam ser vistos em hábitos de monge. E, é claro, a
filha caçula, Missy, falava de um porco que chamava a si mesmo
de Jodie e disse à criança que era um anjo!”
Parece haver certa controvérsia com relação a Jodie, o porco.
Ele poderia ter sido uma entidade real, física?
“Eu mesmo nunca vi a entidade”, responde Ed. “No entanto, não
é necessário que um espírito se torne físico. Espíritos também
podem se projetar por meio de um processo a que chamamos
hipnose telepática.
Esse monte de sílabas significa simplesmente que o espírito tem
a capacidade de projetar a própria imagem em qualquer forma


que escolher, por um processo que se poderia chamar percepção
extra-sensorial tridimensional. Basta que o espírito pense em
como quer se apresentar, e essa será a sua aparência. Usando
esse método — e tanto espíritos humanos como inumanos
podem fazer isso —, a entidade se esquiva ao olho físico e
projeta a imagem desejada diretamente no ‘olho da mente’, a
imaginação, ou terceiro olho, como é chamado nas religiões
orientais. O resultado dessa transferência telepática de vibrações
de uma inteligência para outra pode ter toda a roupagem de um
ser físico. Na realidade, porém, o espírito pode nunca ter se
manifestado fisicamente. De uma forma ou de outra, no entanto,
alguma coisa tem que estar ali para ser percebida.”
O caso Amityville ocorreu durante a temporada de Natal. Um
caso não menos horrendo de fenômenos demoníacos genuínos
aconteceu durante a época da Páscoa de 1974 e durou oito
semanas e meia até finalmente cessar graças a um exorcismo
sancionado pela Igreja. À exceção dos Warren, do exorcista e
dos principais envolvidos no caso, poucas pessoas até hoje
sabem que houve uma batalha sobrenatural na residência dessa
família norte-americana normal em tudo o mais.
Vejamos o caso dos Beckford.


FAMÍLIA SOB ATAQUE
No dia 3 de março de 1974, o sr. Peter Beckford, de 50 anos, fez
uma anotação no calendário da cozinha: o pneu do carro da sua
filha Vicky acabara de furar em uma corrida até a drogaria.
Servindo-se de outra xícara de café naquela manhã de domingo,
Pete Beckford nunca teria imaginado que aquele evento
aparentemente comum era o início de um cerco completo
lançado por violentos espíritos inumanos, o qual começaria com
atos de vandalismo e terminaria com a quase total destruição da
sua pequena casa.
O caos reinaria na residência dos Beckford porque, na noite
anterior, Vicky Beckford, então com 19


anos de idade, havia saído da linha: ela convidou um espírito
demoníaco a se manifestar. Embora a garota iludida tenha dado
essa permissão sem querer, ela, não obstante, cometeu uma
transgressão sobrenatural da maior gravidade. O resultado foi
talvez o pior caso de ataque diabólico que os Warren já
vivenciaram.
“No entanto, o verdadeiro início do caso teria que ser datado em
um ano antes”, afirma Ed. “Foi quando Vicky começou a usar o
tabuleiro Ouija.” Nos dias atuais, o motivo da garota para buscar
comunicação espiritual era até compreensível. Entediada e
solitária, ela estava em busca de aventuras.
Sua família era severa e religiosa, e os pais mantinham a garota
e o irmão dela, Eric, de 15 anos, na rédea curta. Vicky, que era
uma adolescente melancólica, tinha poucos amigos e era
bastante introvertida.
Certa noite, quando não estava fazendo nada, ela decidiu tentar
encontrar um amigo no tabuleiro Ouija.
Após todos terem ido para a cama, ela colocou o “mágico
tabuleiro falante” no chão, posicionou os dedos sobre a
prancheta e começou a fazer perguntas.
“Tem alguém aí? Meu nome é Vicky Louise Beckford. Tem algum
espírito que possa me ouvir?" De repente, a prancheta deslizou,
subindo depressa para o sim. Para infortúnio futuro de Vicky, ela
agora tinha um colega desencarnado.
Dali em diante, ela passou a contatar o mesmo espírito todas as
noites. A moça aguardava ansiosamente pela comunicação
noturna com seu condescendente “amigo" etéreo e passava
horas conversando com ele pelo tabuleiro. E, não é de se
surpreender, o espírito tirou vantagem das vaidades da garota,
sempre fazendo questão de elogiá-la: VOCÊ ESTAVA LINDA NO
VESTIDO MARROM


HOJE, VICKY. VOCÊ É TÃO BONITA EM COMPARAÇÃO COM
AQUELAS GAROTAS. AMANHÃ, USE UM RABO DE CAVALO,
FICA BONITO ASSIM. Noite após noite, o espírito do tabuleiro
enfatizava questões melodramáticas que, mais tarde, levariam a
excessos emocionais, você me faz tão feliz, querida, o tabuleiro
dizia perversamente à adolescente solitária. EU ADORARIA ME
CASAR
COM VOCÊ, SE PUDESSE.
VOCÊ TEM TANTA SORTE DE ESTAR VIVA ERA OUTRO
SUBTERFÚGIO. DIGA-ME COMO
FOI ESTAR VIVA HOJE, IMPLORAVA O ESPÍRITO. Em
resposta, Vicky narrava compadecidamente os acontecimentos
do dia. Na sequência, ela fazia perguntas à coisa. O espírito
respondia com histórias sobre a morte dele e sobre como se
sentira solitário antes de “conhecê-la". Vicky acreditava em cada
palavra. Ardilosamente, todas as noites, o espírito exacerbava as
emoções da garota. Então, parava abruptamente de se
comunicar e dizia, para provocá-la: VEJO VOCÊ AMANHÃ.
No decorrer de muitos meses, a entidade levou Vicky a acreditar
que era o espírito de um adolescente,
uma espécie de “anjo adolescente", que havia morrido quando a
garota ainda era muito pequena. Ingênua e sem desconfiar de
nada, Vicky respondia, dizendo ao “rapaz" tudo sobre si mesma e
os seus sentimentos. Por sua vez, o espírito do tabuleiro
comunicava “intimidades" semelhantes à garota. Não obstante,
na única ocasião em que ela pediu que o espírito lhe revelasse
seu nome, a entidade opressora recusou, dando a desculpa
esfarrapada de que “nunca devia revelar o seu nome a uma
pessoa viva, ou então seria forçado a retornar às brumas”.
Com o passar do tempo, porém, Vicky apaixonou-se pelo espírito
do tabuleiro Ouija, que ela passou a ver como namorado. Para
retribuir sua afeição, o espírito dava à moça informações sobre


eventos futuros insignificantes. Depois, ela testemunhava, pela
cidade, incidentes que o espírito dissera que ocorreriam.
No geral, o espírito do tabuleiro Ouija tornou-se extremamente
confiável para Vicky Beckford.
Depois de um ano trocando intimidades pelo tabuleiro, Vicky
ficou emocionalmente dependente do espírito. Durante a última
semana de fevereiro de 1974, ela deu um passo adiante. “Você
pode revelar o meu futuro?”, perguntou.
O espírito mostrou-se mais do que feliz em atendê-la. Em uma
sessão longa e carregada de envolvimento, ele apresentou um
cenário da vida de Vicky pelos seis anos seguintes, fornecendo-
lhe detalhes específicos, até mesmo a data de nascimento do
seu primeiro filho, e o fato de que ela teria, ao todo, três filhos até
1978 (todas essas informações acabariam se provando
corretas!).
O envolvimento arrebatador de Vicky com um espírito
desconhecido logo a deixou ainda mais curiosa e impaciente. Ela
queria ver o namorado invisível. Na madrugada de sábado, 2 de
março, a garota implorou que ele se manifestasse. Apenas uma
vez, disse ao espírito, ela queria ver como ele era.
Na manhã do dia seguinte, um domingo, Pete Beckford saiu e
tentou dar partida no seu carro, mas o veículo não funcionou.
Erguendo o capô, ele observou que os cabos da vela de ignição
haviam sido removidos; as mangueiras de borracha, soltas; e a
correia da ventoinha, cortada. Não muito tempo depois, Vicky
tentou dar partida no próprio carro. Ele também não funcionou e,
por fim, teve que ser rebocado para uma oficina mecânica local.
No dia seguinte, os mecânicos deduziram que partes internas do
motor haviam sido desmontadas.
Naquela semana, outros incidentes de vandalismo aparente
ocorreram ao redor da casa dos Beckford.


A campainha dos fundos foi arrancada da sua caixa. Os arbustos
plantados junto ao alicerce da casa foram arrancados do chão —
com raízes e tudo. No telhado, um cano de ferro fundido de 1,8
metro que acomodava cabos elétricos foi inexplicavelmente
dobrado em um ângulo de noventa graus.
Na sexta-feira, 8 de março, Pete Beckford marcou “um pneu
furado” no calendário da cozinha. Tão logo o carro de Vicky
voltou da oficina mecânica, um dos outros pneus murchou. No
dia seguinte, sábado, o pai dela fez a mesma anotação no
calendário; embora, dessa vez, parecesse que o pneu havia sido
cortado com uma faca.
Nesse ínterim, inexplicavelmente, Vicky já não conseguia
contatar o namorado invisível pelo tabuleiro Ouija. Noite após
noite, ela tentava se comunicar, mas a prancheta simplesmente
deslizava para adeus.
Ela não fazia ideia de que o seu bem-amado etéreo havia se
manifestado de fato: na forma de um vândalo sobrenatural.
Na segunda semana de março, os danos materiais à casa e aos
carros já eram tão preocupantes que Pete Beckford fez uma
reclamação à polícia- Quando os policiais chegaram, Pete
ressaltou a destruição causada às plantas e aos arbustos do
jardim, ao exterior da casa, e a aparente invasão à garagem
trancada para furar pneus e desmontar motores. Em cerca
ocasião, ele chegara mesmo a ouvir alguém dar fortes pancadas
na casa pelo lado de fora! Antes de partirem, os policiais
garantiram a Pete — um respeitável membro da comunidade —
que ficariam de olho na propriedade durante as patrulhas
noturnas.
Todavia, posteriormente, naquela segunda semana, veio o
primeiro indício de que os danos não tinham nada a ver com
garotos travessos da vizinhança. Depois do trabalho, Pete e a
esposa, Sharon, estavam sentados na cozinha fazendo


perguntas a Eric sobre os amigos dele. Esses incidentes de
vandalismo
seriam resultado de algum tipo de rixa colegial? De repente, os
três ouviram algo ser atirado contra uma parede e se estilhaçar
em algum lugar dentro da casa. Percorrendo-a com cautela para
investigar, eles encontraram um buraco de quase cinquenta
centímetros na placa de gesso da parede do quarto de Eric.
O fato de que as bordas irregulares do buraco no gesso
apontavam para dentro da parede era igualmente inquietante. O
golpe fora desferido a partir do interior da casa! Para os
Beckford, o estranho vandalismo de repente assumiu uma nova e
grave dimensão.
Naquela noite, quando se recolheram, os Beckford ouviram algo
raspando e arranhando dentro das paredes. Era como se um
esquilo tivesse entrado na casa. Atento aos sons, no escuro,
Pete também ouviu o barulho de uma tábua sendo solta. Saindo
da cama de um salto, ele acendeu as luzes e passou meia hora
verificando a casa, do porão ao sótão. Não encontrou nenhuma
tábua solta; na verdade, não encontrou nada fora do lugar. Não
obstante, os mesmos barulhos esquisitos e perturbadores
continuaram pelo restante da semana.
Enquanto isso, o carro de Vicky já havia tido três pneus furados,
de modo que Pete comprou para a filha um novo jogo de pneus
radiais. Na terça-feira, 9 de março, na garagem trancada, um dos
novos pneus da garota foi furado. Ele parecia ter sido rasgado
com uma faca.
Na terceira semana de março, os fenômenos começaram a se
intensificar. Após o cair da noite, alguma coisa começou
novamente a golpear a casa dos Beckford pelo lado de fora. As
fortes pancadas, que soavam como cabum, ocorriam em
sequências de três, e golpeavam com tanta violência que faziam
a casa vibrar. Naturalmente, Pete saiu para investigar, mas não
havia nada que pudesse ver. Ao menos uma dúzia de vezes


naquela semana, ele e Eric saíram da casa com lanternas,
tentando em vão encontrar a origem das pancadas.
À medida que aquela terceira semana se arrastava, batidas
abruptas e irritantes começaram a ser ouvidas também dentro da
casa. Elas aumentaram depressa em intensidade, até que o som
fosse como o de um adulto batendo nas paredes. Quando a
família ia dormir, as pancadas e raspagens aleatórias
continuavam. Por volta da meia-noite, o som de tábuas sendo
arrancadas das paredes podia ser ouvido por toda a pequena
casa.
No final de semana, dias 20 e 21 de março, as válvulas de
pressão dos radiadores a vapor do sistema de calefação de
algum modo se afrouxaram, espirrando água quente pelas
paredes e pelos carpetes. O
primeiro impulso de Pete foi responsabilizar Vicky ou Eric, mas
eles não estavam em casa quando isso aconteceu. Intrigado,
apesar de aborrecido, ele recolocou metodicamente os cilindros
dos radiadores, mas, a intervalos de poucas horas, eles se
soltavam outra vez, provocando mais danos por causa da água.
Por fim, ele desligou a calefação no porão.
Nesse meio-tempo, as pancadas pela casa ficavam mais
frequenteis — e intensas. Em vez de descansar naquele fim de
semana, Pete Beckford, um homem com 23 anos de experiência
em design de máquinas, quase desmontou a casa em busca da
origem dos barulhos. Após trabalhar o domingo inteiro em vão,
ele desistiu. Na manhã seguinte, precisando desesperadamente
de paz e silêncio, ele se rendeu e chamou um encanador e um
profissional que consertasse calefações.
O profissional reparador de calefações chegou cedo na manhã
de terça-feira da quarta semana de março e declarou que o
sistema estava em perfeito estado de funcionamento. Contudo,
ele também ouviu os sons de pancadas e acabou passando


quase dezenove horas na casa dos Beckford tentando acabar
com as batidas intermitentes. No final, a única coisa que ele pôde
dizer a Pete e Sharon foi que “os barulhos não estão sendo
causados pela calefação”.
Na quarta-feira, o encanador foi examinar os radiadores. Pete
estava trabalhando na sua fábrica, mas Sharon explicou que,
todos os dias, uma ou duas válvulas de pressão afrouxavam,
espirrando vapor e água quente. Ela também falou sobre as
pancadas nas paredes e os sons de algo raspando e arranhando
durante a noite.
O encanador fez testes para identificar vazamentos de pressão,
mas os radiadores também estavam em
perfeito estado de funcionamento. Por precaução, ele trocou as
válvulas antigas por novas, apertando-as com toda a força. Ainda
mais estranhamente, tão logo ele passava ao seguinte, o novo
cilindro era encontrado no chão, ao lado do radiador. Após testar
e consertar todos os radiadores duas vezes, ele, por fim,
recolocou os antigos cilindros. Em seguida, recolheu suas
ferramentas e disse a Sharon Beckford:
“Dona, a senhora está com um problemão!".
Naquela mesma semana, outro dos pneus novos de Vicky foi
rasgado com uma faca, mesmo que o carro estivesse
estacionado dentro da garagem trancada como sempre. No
entanto, pneus furados haviam se tornado problemas
insignificantes em comparação ao caos que estava acontecendo
dentro da casa. Dia a dia — em especial depois do pôr do sol —,
as pancadas nas paredes da casa ficavam mais altas. Os golpes
surdos costumavam perdurar horas a fio, noite adentro. Quadros
e decorações caíam das paredes com a força do impacto.
Corajosamente, os Beckford tentaram lidar com aquele problema
absurdo saindo para jantar, perambulando por shopping centers
ou frequentando cinemas drive-in que pudessem mantê-los fora


tanto quanto possível. Embora as primeiras tentativas da família
de evitar o tumulto tivessem proporcionado certo alívio
temporário, o que havia acontecido até então era apenas o
prelúdio do pandemônio que estava por vir.
No domingo, 31 de março, mais um corte de faca apareceu em
um dos pneus novos de Vicky. Aquela era a sexta vez que um
pneu era cortado ou murchava. Também era a última vez em que
ela teria problemas com eles. Isso porque, naquela noite, o
vandalismo inexplicável do último mês transformou-se em
atividade ostensivamente sobrenatural.
Por volta das 22h daquele domingo, enquanto ocorriam as
incessantes pancadas, Pete e Sharon assistiam à televisão no
seu quarto, o lugar mais silencioso da casa. Eric e Vicky, com
medo de ficar sozinhos, estavam sentados no chão, perto dos
pais. De repente, por três vezes em sequência, as luzes se
apagaram e se acenderam sozinhas; em seguida, a televisão
desligou. Nisso, os Beckford viram a pesada penteadeira de
madeira do quarto começar a levitar misteriosamente, erguendo-
se a alguns centímetros do chão.
Horrorizados, eles observaram enquanto, repleta de coisas, a
penteadeira — de 1,8 metro de comprimento e pesando cerca de
110 quilos — começou a balançar com violência para a frente e
para trás. Frascos de perfume e de cosméticos caíram no chão e
quebraram. Em seguida, a penteadeira desceu e parou. Um
instante depois, porém, uma das gavetas se abriu devagar, ficou
suspensa por um segundo e, então, fechou--se de súbito e com
força. Em pouco tempo, todas as gavetas estavam abrindo e
fechando, sozinhas, de forma abrupta.
Enquanto os Beckford permaneciam sentados, paralisados de
terror, a* gavetas se aquietaram.
Imediatamente, uma pesada cadeira, cheia de rou< pas
dobradas, ergueu-se a uns noventa centímetros do chão,
inclinou-te para o lado, derrubou as roupas e, depois, caiu sobre


elas com um baque pesado. A seguir, um depois do outro, os
quadros ergueram-se dos teu* ganchos, afastaram-se da parede
e flutuaram em círculo pelo quarto.
“Meu Deus”, gritou Sharon, “o que fizemos para merecer isto?"
Neste momento, o estrado da cama caiu no chão. A cama de
casal cedeu, com Pete e Sharon sobre ela. Os quadros, então,
caíram ao chão e toda a atividade cessou.
Mais tarde, naquela noite, depois de arrumarem a bagunça, os
Beckford tentaram dormir. No entanto, quando as luzes foram
apagadas, a família ouviu o som de um gatinho miando no quarto
de hóspedes.
Minutos depois, o som se transformou no choro de um bebê.
Pete queria verificar o quarto, mas o bom senso dizia-lhe para
ficar longe dali. Os incessantes barulhos de algo raspando e
arranhando transformaram-se em sons de coisas rasgando e
rebentando. Uma vez mais, ouviu-se o barulho de tábuas sendo
arrancadas das paredes; na realidade, parecia que a casa inteira
estava sendo desmantelada.
Pancadas recomeçaram no telhado e do lado de fora da casa,
transferindo-se, em seguida, para o
interior das paredes. Ao longo de uma hora, as pancadas se
mexeram até chegar ao corredor e, então, pararam de maneira
agourenta. De repente, batidas agudas e vibrantes soaram na
cabeceira da cama de Pete e Sharon, como se a peça estivesse
recebendo marteladas. O casal saltou da cama, mas o barulho
continuou. A certa altura, Pete contou dezoito golpes contínuos
na cabeceira de madeira.
À medida que o medo se espalhava pela casa, a atividade ficava
ainda mais poderosa e intensa.
Quando ouviu a mobília tombando na sala de estar, Pete estava
prestes a sair para investigar, mas, então, um grito assombroso


veio do quarto de Vicky.
“Alguma coisa estava aqui!”, disse a garota, ofegante de pânico.
“Alguma coisa estava neste quarto, comigo!”
No dia 1º de abril, choveram pedras! Elas caíam do céu aberto,
atingiam o telhado dos Beckford e rolavam, caindo no gramado.
Apavorada ao ver que uma das pedras estourou a janela dos
fundos e entrou na casa, Sharon telefonou para o marido, no
trabalho. Cansado por causa da noite anterior, Pete pediu à
esposa que ligasse para a polícia e disse que iria para casa
naquele instante.
Quando Pete Beckford chegou à residência, a polícia já estava
no local, também assistindo ao inacreditável espetáculo de
pedras caindo do céu «obre a despretensiosa casa. As pedras
caíram por cerca de uma hora, ao todo, e depois pararam.
Desesperado, Pete perguntou aos policiais o que fazer.
“Chame um padre”, sugeriram.
Como um padre poderia ajudar?, pensou Pete. Não havia nada
“religioso” com relação às dificuldades da família.
Pete Beckford ficou em casa pelo restante do dia. Naquela noite,
quando o sol se pôs, móveis e objetos começaram a levitar
dentro da casa, à vista de todos. Alguns dos itens caíam, ao
passo que outros eram arremessados contra as paredes. A
terrível atividade insidiosa durou a noite inteira. O máximo que os
Beckford podiam fazer era sair do caminho, pois alguns dos
objetos pareciam ser atirados diretamente neles.
Na manhã seguinte, com a casa toda bagunçada, Pete estava
irritado o suficiente para aceitar a sugestão do policial. Sendo
católico romano, ele telefonou para o presbitério da igreja católica
local e conversou com o padre que estava de serviço. Os móveis
da casa estavam levitando, explicou Pete; objetos caros estavam
sendo jogados no chão e quebrados; pancadas, coisas raspando


e outros barulhos assustadores eram ouvidos a noite toda; havia
chovido pedras sobre a casa! O padre anotou o endereço dos
Beckford e prometeu que estaria lá em uma hora.
A perturbação parou abruptamente quando o padre chegou, mas,
mesmo assim, Pete o conduziu pela casa. Pisando sobre
escombros e móveis revirados, a única avaliação do padre foi
que alguém na casa estava “perturbado” e era melhor que ele
chamasse um psiquiatra. Então, o clérigo partiu, ao que as
pancadas e levitações recomeçaram.
Atormentado e confuso, Pete chegou atrasado ao trabalho
naquele dia. Absolutamente furioso, decidiu ir adiante e
confidenciar o problema ao único homem que respeitava e no
qual confiava: o seu supervisor.
Em um cubículo com paredes de vidro, Pete explicou o porquê
de tantas ausências no seu registro de frequência, que antes era
excelente. Por quase uma hora, Pete revelou toda a história
insólita ao homem.
O supervisor acreditou em Pete e queria ajudá-lo, mas não sabia
como poderia ser útil. No entanto, ele se lembrava do nome de
algumas pessoas que ouvira falando no rádio. “O sobrenome
deles é Warren, creio eu: lembro que eles diziam que, às vezes,
apenas um objeto abençoado colocado na casa faria com que
acontecimentos esquisitos parassem. Não sei como entrar em
contato com essa gente, mas acho mesmo que eles são a sua
melhor alternativa.”
A conversa deixou Pete Beckford bastante animado. No final da
tarde daquele dia, ele desceu até o porão e desembrulhou uma
estátua de gesso de meio metro de Santa Ana, que ele esperava
que pudesse resolver o problema. Contudo, assim que Pete a
levou para cima, ele ouviu uma tremenda confusão li embaixo.
Ao correr de volta para investigar, ele encontrou a mobília da sala
de recreação no porão


flutuando em pleno ar. À esquerda, pedras de sabão e vidros de
detergente também estavam levitando na lavanderia, espirrando
o seu conteúdo no chão. A irracionalidade daquilo tudo foi
demais para Pete. Ele se arrastou de volta lá para cima e deu
falta da estátua. Mais tarde, ele a encontrou no banheiro, ao lado
do vaso sanitário.
Naquela noite, além de todos os outros fenômenos intoleráveis,
guinchos e barulhos infernais encheram a casa dos Beckford.
Depois de uma busca, na manhã seguinte, a estátua de Santa
Ana foi encontrada debaixo dos cobertores, na cama do quarto
de hóspedes.
Antes de descobrir o paradeiro da estátua, porém, Pete
encontrou obscenidades escritas a lápis na porta do quarto de
Eric, o mesmo tipo de baixeza vulgar que se encontra em um
banheiro público.
Acreditando que Eric pudesse de algum modo estar por trás de
tudo, Pete foi tomado de fúria e repreendeu duramente o filho.
Eric, porém, simplesmente entrou em desespero e desatou a
chorar do fundo do coração. O garoto não havia feito nada de
errado. Pete pediu desculpas a ele. Embora perplexo, Pete
Beckford aos poucos começou a se dar conta de que, por algum
motivo misterioso, sua família caíra nas garras da mesma
criatura — fosse o que fosse.
À medida que se arrastava a primeira semana de abril, dormir
tornou-se impossível. Farto, Pete decidiu retirar a família da casa
até que se pudesse encontrar uma solução. Talvez eles apenas
estivessem imaginando aquilo tudo, pensou, ou talvez, se
ficassem fora, o “feitiço" se quebrasse. Levando artigos de
higiene pessoal e uma muda de roupas limpas, os Beckford
foram para o motel mais próximo.
No motel, naquela noite, eles dormiram todos no mesmo quarto,
por segurança. Todavia, logo descobriram que não havia como


fugir das suas dificuldades. Luzes acendiam-se e apagavam-se
sozinhas.
Quadros abandonavam as paredes e as pancadas recomeçaram.
Na manhã seguinte, quando os Beckford voltaram ao seu quarto
depois do café da manhã, tudo estava revirado. Os móveis
estavam tombados, gavetas haviam sido arrancadas. Lençóis e
roupas, colchões e molas estavam espalhados pelo cômodo. Ao
começarem a arrumar tudo, o gerente apareceu para dizer que
outros hóspedes haviam reclamado das “crianças” Beckford
batendo nas paredes a noite inteira, e a faxineira havia
comentado sobre o vandalismo ridículo no quarto.
Pete Beckford assumiu a responsabilidade por tudo, pediu
desculpas e garantiu ao gerente que aquilo não aconteceria de
novo. Porém, naquela noite, aconteceu. No dia seguinte, os
Beckford não tiveram escolha senão voltar para casa.
No sábado, 6 de abril, quando Pete abriu a porta da frente de
casa, a mistura de odores era inacreditável. Tapetes e camas
estavam impregnados de respingos de comida, produtos de
limpeza, bebidas alcoólicas, graxa de sapato, água de colônia e
perfume. Toalhas estavam enfiadas dentro dos vasos sanitários.
A mobília de todos os cômodos estava revirada, parte dela
quebrada. Pelas paredes estavam rabiscadas blasfêmias
verdadeiramente doentias em tinta vermelho-sangue, bem como
acusações obscenas a Deus e a Cristo. Os Beckford levaram o
restante do dia para limpar as paredes e recolocar a casa em
ordem. Em casos particularmente violentos que os Warren
investigaram, a característica mais impressionante da estratégia
de opressão é esse tipo de destruição sistemática. O resultado
do violento ataque desses vândalos invisíveis é suficiente para
deixar um observador chocado e boquiaberto. Parece realmente
que um batalhão de imbecis marchou pela casa. Há destruição
por toda parte. Palavras indecentes estão rabiscadas nas
paredes. Peças estimadas e objetos religiosos são escolhidos


para serem conspurcados e arruinados. Em termos de dinheiro,
pode ser muito caro bancar o anfitrião do demônio.
Não obstante, por que a destruição? Por que essas entidades
incorpóreas se dariam ao trabalho de destruir objetos materiais?
“Tais espíritos são a essência da crueldade”, diz Ed. “Se você
passou metade da vida tentando montar uma casa boa e
confortável para sua família, é muito angustiante ficar parado e
assistir a 5 mil dólares em móveis virar lixo em uma questão de
minutos. Via de regra, muitos serão os espíritos responsáveis
pela ação violenta — e eles vão arruinar tudo que tenha valor
para você. E você não pode fazer nada
sobre isso. Se tentar, será impedido, incapacitado por alguma
força invisível, ou então estará sujeito a ser atingido na cabeça
por um objeto. Muitas vezes, como no caso Beckford, as pessoas
não estão sequer em casa quando a destruição acontece. Elas
simplesmente chegam e encontram todos os seus pertences
arrasados, destruídos ou quebrados. É tão inconcebível que um
ser incorpóreo possa causar tamanho estrago que a primeira
reação das pessoas é pegar o telefone e ligar para a polícia,
acreditando que a casa foi saqueada por ladrões. No entanto, o
efeito final da destruição é psicológico. O espírito está tentando
quebrar a vontade do indivíduo.
“Não esqueça”, continua ele, “que os fenômenos externos são
usados como distração. Enquanto está quebrando a mobília, o
espírito dedica a mesma quantidade de energia para
desestabilizar a pessoa internamente. Para manter suas
emoções sob controle durante a opressão, você teria que ter a
paciência de um santo. Quer a perturbação o deixe assustado,
deprimido, furioso ou qualquer outra coisa, é impossível não ficar
emocionalmente abalado. Não há nada do que se envergonhar
— isso é ser humano.
Embora seja aceitável que se fique abalado como resultado da
situação, outra coisa completamente diferente é perder o


controle, porque, em última análise, é isso o que o espírito
demoníaco está tentando fazer.”
No dia 7 de abril, Domingo de Ramos, o irmão de Pete, Terry,
levaria sua família à casa dos Beckford para jantar. Ao contrário
de Pete, Terry era um profissional mais instruído, embora ambos
os irmãos fossem trabalhadores dedicados que ajudaram um ao
outro a vida inteira. Talvez agora, pensou Sharon, eles
conseguissem resolver aquele problema juntos.
Ela e Pete explicaram a Terry o terrível suplício pelo qual
estavam passando. Todavia, nenhuma atividade incomum
aconteceu naquele domingo enquanto o clã dos Beckford
permaneceu sentado para jantar. A única resposta de Terry
Beckford foi dizer que precisava haver uma explicação racional
para tudo aquilo.
Depois do jantar, as duas famílias seguiram para a sala de
recreação no porão. Terry levara slides da sua recente viagem de
férias com a família, inclusive fotografias da Terra Santa, uma
atração turística na sua rota.
Quando apareceu um slide que mostrava cruzes, estátuas e
templos, Vicky levantou-se de um salto e apontou. De alguma
forma inacreditável, da parede do porão brotava água!
De repente, as luzes se apagaram e tomaram a se acender,
sozinhas. Um instante depois, começaram as pancadas lá em
cima. Juntos, Terry e Pete correram para o térreo a fim de
descobrir de onde vinham as pancadas. No entanto, sempre que
se aproximavam, o barulho simplesmente recomeçava em outra
Baixar 1.54 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   5   6   7   8   9   10   11   12   ...   25




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal