Ed & Lorrain Warren: Domonologistas


particular, feito na própria casa do conjurador, ou — como é a



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Ed & Lorrain Warren Domonologi - Gerald Brittle

particular, feito na própria casa do conjurador, ou — como é a
nova moda — em público, com um dos crescentes cultos de
satanismo ou conciliábulos de bruxas de magia negra que
defendem tal atividade."
Qual é a relação entre bruxaria, satanismo e o espírito
demoníaco?
‘Primeiro, vamos entender o que é a bruxaria", responde
Lorraine. ‘A wicca — ou bruxaria — tem 4
mil anos e é normalmente chamada a ‘religião antiga porque
antecede tanto o judaísmo quanto o cristianismo. As pessoas que
praticam a wicca são conhecidas como bruxas de magia branca
e veneram a Mãe Terra. Elas manipulam forças naturais para
resultados positivos — cura, boa sorte, amor duradouro e
colheitas abundantes. Além disso, no entanto, você começa a
desviar para a magia cinzenta, a magia negra e o satanismo. É aí
que os problemas surgem, porque a bruxaria é uma via de mão
dupla e pode ser usada para alcançar fins positivos ou negativos.


“A magia cinzenta recebe esse nome por causa dos seus efeitos.
A bruxa cinzenta lança feitiços e manipula o destino e a sorte das
outras pessoas de uma forma que não é nem inteiramente boa,
nem totalmente má. Em essência, a magia cinzenta é realizada
com o intuito de proporcionar a uma pessoa uma vantagem
injusta sobre outra. O verdadeiro problema, porém, está na
magia negra e no satanismo. A bruxa de magia negra busca
recompensas terrenas — dinheiro, sexo, poder, prestígio — ou a
ruína de adversários por meio do auxílio expresso de forças
diabólicas. Essas bruxas podem recorrer a demônios e diabos
menores durante os seus rituais. Já os satanistas recorrem à
hierarquia satânica — Astaroth, Belzebu e até Lúcifer — para
interceder em seu benefício. Para garantir poder e efetividade, as
bruxas de magia negra trabalham associadas a espíritos
demoníacos específicos, ao passo que o satanista vai até o fim e
venera Satã como um deus.
“No passado, os rituais negativos envolviam tudo, desde o
assassinato de bebês até pactos com o próprio Diabo. Nos rituais
mais extremos, os celebrantes viravam a Bíblia de cabeça para
baixo e urinavam nela, começando em seguida uma marcha em
sentido anti-horário, formando um círculo mágico enquanto
entoavam blasfêmias, renúncias a Deus e submissão ao outro
senhor, Satã.”
“Valendo-se de rituais profanos, os satanistas e as bruxas de
magia negra são capazes de invocar espíritos demoníacos
específicos e ordenar que cometam atos que tragam benefícios
tanto pessoais quanto para o grupo”, observa Ed. “Dinheiro,
prestígio, conquistas sexuais, riquezas materiais, enorme
poder pessoal e a queda de adversários por meio de feitiços e
maldições podem ser alcançados pela intervenção de forças
espirituais inumanas. No entanto, o espírito demoníaco é um
agiota, e ele não apenas cobra antes que você esteja preparado:
ele quer o pagamento em dobro por aquilo que dá. Em última
análise, ele quer a sua alma. É por isso que feiticeiros, bruxas de


magia negra e satanistas acabam pagando um alto preço, talvez
um preço eterno, por aquilo que fazem."
Hoje em dia, indivíduos solitários que realizam ritos extraídos de
livretos comprados em bancas de jornal podem não estar
preparados para a realidade aterradora em geral destinada a
encontrá-los por meio daquilo a que Ed chama lei cósmica. “Foi
isso o que aconteceu no caso Foster”, diz Ed. “O
verdadeiro início do caso teria que ser identificado como o dia de
Natal de 1977, quando a mãe colocou um livro de conjurações
debaixo de uma árvore de Natal, acredite se quiser! Há um
grande simbolismo aí. Assim, ela fez o convite básico para que o
espírito demoníaco entrasse na casa dela. Seja como for, foi Meg
quem deu a permissão. Se ela tivesse devolvido o livro ou o
jogado fora, nenhum dos incidentes insólitos teria acontecido. No
entanto, pela própria livre vontade, Meg realizou os rituais
formais de convite que colocaram o processo em movimento.”
Quando nem a Lei da Atração e nem a Lei do Convite atuam,
então a infestação espiritual de uma casa já deve ter ocorrido
antes de os novos moradores se instalarem. Isso aconteceu no
caso Amityville, por exemplo, no qual a família Lutz caiu em uma
armadilha sobrenatural. Curiosamente, os Warren afirmam que
essa é a forma pela qual a maioria das * pessoas comuns entra
em contato com fenômenos espirituais inumanos. Não obstante,
mesmo em uma casa infestada, nem todas as pessoas estarão
vulneráveis à interferência negativa. “Uma pessoa feliz e
equilibrada”, diz Lorraine, “teoricamente bloqueia a entrada de
forças negativas com a sua disposição positiva. Por outro lado,
assim como uma mosca é atraída para o papel pega-mosca, uma
pessoa melancólica e deprimida em uma casa infestada é quase
que uma garantia de problemas. Na maioria das vezes, porém, o
fenômeno é convidado para a vida de alguém pela permissão
dada para que os espíritos entrem.”
De que maneiras essa permissão pode ser dada?


“Pela abertura de canais de comunicação que deveriam
permanecer fechados”, responde Ed.
“Tabuleiros Ouija, sessões espíritas, cerimônias de conjuração,
rituais com velas, instrumentos de escrita automática são portas
que se abrem para o sobrenatural e, mais comumente do que se
pensa, levam por um caminho de infortúnio, terror e ruína.
“O tabuleiro Ouija já provou ser uma famigerada chave mestra
para o terror, mesmo quando a intenção da comunicação é de
natureza absolutamente positiva”, ressalta ele de forma enfática.
“De todos os casos a que atendemos, quatro em cada dez
envolvem indivíduos que contataram espíritos inumanos pelo uso
de um tabuleiro Ouija. Fui uma das poucas pessoas que
examinaram os registros oficiais do caso retratado no livro O
Exorcista. Aquele caso, que, a propósito, aconteceu a um garoto,
não a uma garota — ocorreu em 1949 e, sabe como ele
começou? Com o uso de um tabuleiro Ouija!
“Em si mesmo, o Ouija não é nada”, acrescenta Ed. “Não passa
de um pedaço de papelão prensado com o alfabeto escrito nele.
O mesmo efeito pode ser obtido com uma taça de vinho
emborcada sobre uma mesa encerada, como se costumava fazer
na década de 1930. Porém, em qualquer um dos casos, é um
meio de comunicação. Ep outras palavras, o problema é para
que se usa o objeto. Quando você usa o tabuleiro Ouija, dá
permissão para que qualquer espírito desconhecido se
comunique. Você abriria a porta da frente da sua casa e deixaria
entrar qualquer um que o quisesse? É claro que não. Porém, é
exatamente isso o que está fazendo em nível sobrenatural. São
raríssimas as ocasiões em que Lorraine e eu encontramos
alguém que tenha tido uma experiência verdadeiramente positiva
ao usar o tabuleiro Ouija. Para aqueles quase viciados no
tabuleiro e que pensam estar em contato com o ‘divino’, nunca
houve, até onde sei, uma única situação em que um espírito
angelical positivo tenha vindo a um tabuleiro Ouija com uma
genuína mensagem precognitiva. Como já dissemos muitas


vezes, antes que a maioria dessas atividades ocorra, é preciso
que se abram as portas. O tabuleiro Ouija é uma maneira de
fazer
isso.”
“O mesmo problema acontece com sessões espíritas”, observa
Lorraine. “Quando pessoas comuns se envolvem em
comunicações com entidades espirituais, simplesmente não há
qualquer garantia quanto a quem ou o que está se comunicando
do outro lado. A comunicação ‘às cegas’ é a oportunidade
perfeita para um espírito enganador entrar na vida de indivíduos
crédulos.”
Mas é impossível fazer contato com amigos e parentes que já se
foram?
“Se você tem seis, oito, dez pessoas concentrando a mente na
comunicação com os espíritos”, diz ela,
“então há uma enorme probabilidade de que a comunicação
aconteça. Mas, ainda assim, você não sabe com o que está se
comunicando. Geralmente, as informações podem ser verificadas
por uma única pessoa à mesa. Contudo, como saber que as
informações não foram transmitidas ao indivíduo por um espírito
negativo — através da telepatia — antes de a pergunta ser feita?
“Além disso, nem toda pessoa que falece fica necessariamente
presa à terra e à disposição para se comunicar com você. A fim
de se conduzir uma sessão espírita de forma adequada, você
deve primeiro ter uma razão muito boa para isso. Deve ter
consigo um médium profissional experiente que venha por
recomendação de uma organização de pesquisa psíquica de boa
reputação. Um clarividente local bem-intencionado mas ingênuo
ou um médium amador podem fazer contato com espíritos, mas
não conseguirá necessariamente discernir se o espírito em
questão é bom, mau ou indiferente. Nesse caso, tomo a dizer,
você não sabe de fato com quem está falando.


“Outro ponto: uma sessão espírita deve ser realizada durante o
dia. Em geral, espíritos humanos têm a mesma capacidade de se
comunicar durante o dia”, explica Lorraine. “Sessões espíritas
realizadas à noite muito comumente trazem espíritos humanos
negativos ou espíritos demoníacos — às vezes porque o
indivíduo que está realizando a sessão já foi oprimido, de
antemão, a fazê-la nas horas de escuridão.
Quantas vezes você já ouviu falar de mesas de sessões espíritas
se erguendo no ar e se movendo pela sala? Fantasmas não têm
o poder de erguer mesas, ainda que o quisessem. Apenas duas
coisas poderiam fazer isso: um espírito inumano ou, o que é mais
provável, a energia psíquica gerada pelas pessoas sentadas ao
redor da mesa.
“A questão é, se você tem uma necessidade real de se
comunicar com lp outro lado, isso deveria ser importante o
suficiente para você buscar a ajuda de um especialista
autorizado. Do contrário, terá problemas se não tomar cuidados
que devem anteceder uma sessão espírita."
Uma vez dada a permissão, quer por meio da Lei do Convite ou
da Lei da Atração, resta verificar se a infestação de fato ocorreu.
Em caso afirmativo, os Warren dizem que isso será normalmente
notado como um aumento gradual de pequenos incidentes ao
longo de um período de semanas ou até meses.
“Durante a infestação, a estratégia do espírito demoníaco é
causar medo por meio de incidentes com fenômenos
inexplicáveis", conta Ed. “A atividade prevalecerá sobretudo
durante as horas de maior abertura psíquica da noite, entre 21h e
6h, com o pico ocorrendo entre 1h e 5h. Os primeiros incidentes
da atividade tenderão a acontecer exatamente às 3h da manhã.
Esse horário simbólico, o ‘meio-dia’ do dia demoníaco, é
escolhido como um gesto de zombaria, porque está em direta
oposição ao horário tradicional da morte de Jesus. Ocorrida a
infestação inicial, os fenômenos vão tender a irromper a qualquer
horário após o pôr do sol. Se o espírito infestador puder absorver


energia durante as horas claras do dia, a atividade também
poderá ocorrer durante esse período, embora em menor grau.
“No entanto, ao longo dos estágios iniciais da infestação, o
espírito em geral faz tremendos esforços para disfarçar a sua
atuação”, acrescenta ele. “Não é do interesse do espírito
infestador ser descoberto prematuramente. Portanto, a atividade
não chamará muita atenção enquanto o espírito se estabelece.
Em geral, as pessoas ignoraram os fenômenos implausíveis,
considerando-os acasos inesperados, coincidências ou ilusões
naturais. No máximo, a atividade insólita será atribuída à
psicocinese ou à atuação de espíritos humanos atormentados.
Na maioria das vezes, esse julgamento está correto. Porém,
naquelas raras situações em que há forças inumanas negativas
por trás da atividade, a atuação de uma
inteligência sinistra aos poucos ficará evidente.”
Visto que o caso Foster ilustra o estágio de infestação na sua
forma mais fácil de ser reconhecido, vale a pena dedicar algum
tempo à análise mais detalhada do caso.
“Para começar”, diz Ed, “não houve nenhuma materialização,
antes, durante ou depois do caso, de um espírito humano preso à
terra. Em vez disso, os fenômenos exteriores refletiam a
intervenção de um espírito inumano, uma vez que um fantasma
não teria sido capaz de provocar a maior parte das estranhas
ocorrências. Além disso, não havia nada de aleatório com
relação à atividade. Na realidade, em vez de ser uma
manifestação-dissipação fortuita de um fantasma, aquela
atividade era dinâmica e orientada a um objetivo, o que sugere
uma estratégia negativa.
“Além disso, a atividade despertou muito medo. Esse é um sinal
claro de uma presença demoníaca, porque espíritos inumanos
precisam do medo para se manifestar, ao passo que os
fantasmas não. Os fenômenos violentos e perniciosos no caso
Foster tinham o intuito de assustar. Isso ficou evidente quando


Meg me disse: ‘Quanto mais medo eu sentia, mais alta ficava a
barulheira aqui embaixo’. Percebe?
Apenas quando o indivíduo nota que alguma coisa estranha está
acontecendo é que os fenômenos começam a ficar assustadores.
Neste caso, Meg sentiu um toque gelado, então, o cabelo foi
puxado e, depois, ela toda foi puxada, tudo isso por uma mão
invisível. Passos também foram ouvidos, levando as crianças a
presumir que havia uma presença física na casa. Elas também
passaram por uma rodada apavorante de móveis se quebrando,
sussurros mágicos e a manipulação do rádio, das luzes, dos
relógios, das torneiras e da temperatura nos cômodos. Até
mesmo o cão surdo reagiu à presença!”
Ademais, a adolescente mencionou ter visto uma forma escura
pelo canto do olho. Isso estaria correto*
de acordo com os Warren, porque o olho físico é feito para ver
imagens naturais; imagens sobrenaturais costumam ser
detectadas pela visão periférica. “A forma em si era
provavelmente a dos primeiros estágios da materialização do
espírito em uma massa negra”, comenta Ed. “À medida que a
garota liberava cada vez mais energia psíquica negativa, o
espírito recebia os recursos de que precisava para se
manifestar.”
“Mesmo no estágio da infestação, há um método na loucura”,
observa Lorraine. “O pássaro-fantasma que cantava à noite na
árvore que já não existia do lado de fora da janela dos pais era
um prenúncio de que eventos calamitosos estavam por vir.
Quando os fenômenos de fato ocorreram, a tendência era que se
manifestassem em séries de três. As luzes foram apagadas três
vezes antes que a garota sentisse o toque da mão gélida. O
relógio no quarto da garota estava três horas adiantado; o relógio
no quarto do menino estava três horas atrasado. O cabelo da
garota foi puxado não uma, mas três vezes.”


“Fenômenos que ocorrem em sequências de três constituem uma
assinatura da atuação demoníaca”, ressalta Ed. “Normalmente, a
primeira coisa que acontece em um caso de infestação é o som
de três batidas na porta. Não haverá ninguém ali, é claro, pelo
menos ninguém visível.” No entanto, por que o uso do número
três pelo espírito demoníaco? “O três é usado como um sinal”,
responde ele. “O três é usado propositadamente como um insulto
— para zombar da Trindade. No entanto, o seis é o número do
diabo. Ações demoníacas em regra vão acontecer em grupos de
seis, de modo que fique absolutamente claro que os fenômenos
não foram aleatórios, mas premeditados.”
Quando as crianças Foster correram para fora de casa, elas
sentiram uma força maléfica que diminuiu quando estavam
embaixo do poste de luz da rua. Esse é outro fato significativo
para os Warren porque forças negativas mostram-se incapazes
de agir em um ambiente iluminado. Não é por coincidência que
esses espíritos são conhecidos como espíritos das trevas. Além
disso, os pássaros que piavam selvagemente estavam em
atividade apenas à esquerda. Em outros casos que Ed e Lorraine
investigaram, pássaros que guincham à noite, à esquerda,
costumam ser encontrados no chão, mortos, na manhã seguinte.
Como fica evidente no caso Foster, a atividade de infestação não
ocorre como uma investida rápida e ostensiva. Em vez disso, os
fenômenos começarão com três batidas agourentas à porta ou
passos serão
ouvidos pela casa. Pode haver um barulho de algo raspando ou
arranhando dentro das paredes. Pontos estranhamente quentes
ou frios serão detectados em certas áreas. Um cômodo ou local
específico da casa causará repulsa ou parecerá “assustador”.
Sons de sussurro ou de uma respiração pesada poderão ser
ouvidos por qualquer pessoa presente. E, acima de tudo, o
indivíduo que está em um ambiente infestado sentirá
constantemente que há outra presença ali. Essa sensação de
uma presença no local aumentará a tal ponto que a família pode


começar a acordar em horários específicos da noite ou
precisamente às 3h da manhã.
Durante o estágio da infestação, com o passar do tempo, coisas
começarão a acontecer. Guinchos de filhotes de animais talvez
sejam ouvidos, vindos daquele cômodo “assustador”. O barulho
de algo raspando ou arranhando dentro das paredes mudará
para batidas, pancadas leves e, mais tarde, em golpes pesados e
surdos. “Peças” serão pregadas com o objetivo de despertar
fúria. Eletrodomésticos vão começar a funcionar sozinhos. O
telefone vai tocar, mas sem que haja ligação nenhuma. A
campainha da porta da frente soará ao mesmo tempo em que se
ouvirão batidas na porta dos fundos. Ninguém vai estar atrás de
nenhuma das portas.
“Outra indicação de uma presença inumana é a movimentação
insólita de objetos”, diz Lorraine. “Um copo de cristal pode cair no
chão sozinho, mas ele não vai quebrar — vai quicar! A comida no
fogo não cozinha. A água em que é mergulhada a louça para
lavar congela. Chaves não vão abrir fechaduras.
Maçanetas não vão girar, prendendo a pessoa no porão ou no
banheiro. Outras vezes, as coisas simplesmente não
permanecem onde foram deixadas, não importa quantas vezes
os objetos sejam recolocados no lugar.
“Tudo isso, é claro, exige demais não apenas da paciência, mas
da sanidade do indivíduo. No entanto os efeitos psicológicos não
são um elemento desse estágio. Embora a atividade estranha
possa provocar certa ansiedade e muita preocupação, a mente
do indivíduo ainda não foi invadida, como ocorre na opressão.
Crianças, em especial as bem pequenas, são muitíssimo
vulneráveis à atividade inumana, mesmo no estágio da
infestação. É bastante comum que bebês de um ou dois anos de
idade em uma residência infestada acordem gritando,
completamente aterrorizados. O espírito demoníaco não sente
nenhum remorso em assediar um bebê. Uma pessoa que esteja
alerta e que fique desconfiada e consiga identificar os primeiros


mecanismos dos fenômenos demoníacos deve procurar ajuda na
mesma hora, antes que os eventos avancem para um nível mais
pessoal e, então, saiam completamente do controle.
“Uma pergunta que as pessoas costumam nos fazer”, diz
Lorraine, “é: ‘Como vocês sabem que existe um espírito inumano
em uma casa?’ A resposta é que, quando um espírito demoníaco
inumano está presente, você sabe que ele está ali. Mesmo antes
dos seus cinco sentidos começarem a perceber o fato, o sexto
sentido já está absolutamente ciente daquela presença. Quando
entrevistamos pessoas com relação a esses espíritos, o mais
comum é que digam: Tive uma horrível sensação de morte à
minha volta’. Ou:
‘Dava para sentir o mal naquele cômodo’.
“Quando você está em um ambiente espiritualmente infestado e
os seus cinco sentidos entram em ação, você verá, sentirá e
ouvirá coisas claramente horrendas ou anormais. Mas mesmo
isso não é suficiente para o espírito”, prossegue ela, “porque
essa coisa tem que fazê-lo ter medo dela. Assim, o tumulto
assustador que ela promove é parte da estratégia. É bem
verdade que, nos primeiros estágios da infestação, os fenômenos
serão ambíguos. O levitar de uma xícara de chá pode ser
causado por PK ou por um fantasma — e o espírito demoníaco
sabe que isso será chamado de poltergeist, em vez de ser
referido como aquilo que é de fato. O espírito deliberadamente se
esconde atrás da ambiguidade, a fim de se estabelecer. Portanto,
não se olha apenas para os fenômenos observáveis. Você não
pode apontar para qualquer xícara de chá que esteja levitando e
dizer: ‘Arrá! É um fenômeno demoníaco!’ É preciso ver também a
complexidade proposital e dirigida que acompanha a
perturbação. A atividade assume um padrão cheio de significado.
O que, a princípio, parece ser uma sequência curiosa de
acontecimentos acaba por se revelar, após o seu estudo, um
conjunto de eventos integralmente vinculados um ao outro,


algo diferente de coincidências e atividades arbitrárias e
aleatórias.”
Embora o horror vivenciado durante a infestação já seja terrível,
ele é tão somente uma preparação para o pandemônio que tende
a ocorrer no estágio seguinte. Ainda que as perturbações durante
a infestação sejam inquietantes, irritantes ou assustadoras,
durante a opressão, o espírito começa a assumir o controle e a
usar todo o poder maligno que tem à sua disposição. Como
coloca Ed: “Durante a infestação, você tem um problema. Com a
opressão, você tem um verdadeiro transtorno”.
OPRESSÃO:
A ESTRATÉGIA REVELADA


A infestação significa basicamente que uma casa está mal-
assombrada. A opressão significa que os espíritos que
assombram a casa estão tentando subjugar as pessoas que
vivem ali. Em nível prático, portanto, um assunto que os Warren
enfatizam nas suas palestras é o dos fenômenos de opressão. E
eles o fazem porque a infestação de uma casa por espíritos pode
ter ocorrido sem que fosse percebida ou pode estar em curso
sem que seja reconhecida — e a primeira vez que se nota algum
problema é quando a opressão já teve início.
Durante a infestação, a estratégia demoníaca é causar medo a
fim de destruir a força da vontade humana. Durante a opressão,
o espírito já estabelecido ali tende a lançar um bombardeio de
fenômenos inacreditáveis ou iniciar um ataque psicológico furtivo
destinado a dominar completamente a vontade da vítima.
“O principal objetivo na opressão demoníaca”, diz Ed, “é fazer
com que o indivíduo perca o controle ou demonstre um lapso
momentâneo na sua livre vontade, o que abre a porta para que
ocorra a possessão.
A estratégia do espírito infestador neste estágio é começar a
provocar fenômenos tão terríveis e desnorteadores que
praticamente destroem a vontade e a tolerância da pessoa. No
entanto, essa atividade desenfreada e anormal é uma distração.
A ocorrência de fenômenos em duas frentes — a física e a
psicológica — enfraquece e desorienta a vítima ao mesmo tempo
em que leva suas emoções ao limite.
Além disso, para piorar as coisas, se uma ou mais entidades
foram bem-sucedidas durante a infestação, então, outros
espíritos ainda mais poderosos podem entrar em cena e, nesse
ponto, os fenômenos que já eram ruins ficam piores, e daí
passam a ser terríveis. O autocontrole é essencial neste estágio,
pois uma vez iniciada a destruição sistemática da vontade, a
atividade não vai cessar até que alguém a faça parar.


A percepção do problema é crucial porque a atividade aos
poucos crescerá até se transmutar gradualmente em um
completo caos.”
A estratégia de opressão pode ser resumida, de forma mais
acertada, a isto: o espírito demoníaco procura desumanizar o
indivíduo. Por todos os meios, ele tenta reduzir um ser humano
— de modo ostensivo ou velado — ao seu estado mais
degenerado. Escritores religiosos há muito reconheceram esse
fato e, em consequência, dividem a estratégia da opressão em
dois tipos: a interna (pela mente) e a externa (pelos sentidos).
Uma constitui um fenômeno psicológico; a outra, físico.
A opressão externa é uma ocorrência passível de observação:
um espírito negativo interage com o mundo físico para provocar
fenômenos ilusórios ou assustadores. Neste estágio, afirmam os
Warren, a pessoa pode ver e sentir a atividade. “Não há como
confundi-la”, ressalta Lorraine. “Força bruta é usada para
aterrorizar uma pessoa ou família. Enlouquecido por natureza, o
espírito demoníaco dirige a sua fúria à destruição material ou ao
ataque a pessoas. Em alguns casos, haverá pistas sutis de uma
presença espiritual; em outros, um completo rompante de ira.
Porém, em praticamente todos os casos que examinamos, os
espíritos que infestam a casa de fato manipulam o ambiente
físico em alguma medida.”
Que tipos de coisas acontecem com pessoas que deparam com
fenômenos espirituais inumanos? A que intensidade a opressão
pode chegar?
“Quando Lorraine e eu somos chamados a atuar em um caso em
que esteja acontecendo opressão externa”, diz Ed, “há
invariavelmente um imenso terror envolvido. O ataque — e é isso
que costuma ser
— atinge a família em nível natural e sobrenatural. Quanto aos
tipos de coisas que podem acontecer, em geral, os cinco sentidos
da vítima serão saturados com a percepção de fenômenos


assustadores ou repulsivos: odores nauseantes, gemidos
macabros, gritos apavorantes, batidas, pancadas leves e fortes,
respiração pesada e sussurros mágicos, passos sem corpo,
rápidas alterações de temperatura em um cômodo, visões
horripilantes e assim por diante. Quando uma perturbação
realmente avança, digamos, para o que chamamos de assédio
diabólico, então se observam fenômenos como materializações,
desmaterializações, tele transportes, levitações — de pessoas e
objetos, sensações de estrangulamento ao redor do pescoço,
braços que são agarrados por trás, cortes, queimaduras, talhos,
feridas, súbitas doenças críticas, dores de cabeça torturantes,
vulgaridades e blasfêmias escritas nas paredes por mãos
invisíveis, irrupções espontâneas de fogo, vozes inumanas
falando ao telefone, faces demoníacas aparecendo na tela da
televisão — tudo o que você puder imaginar, eu já vi. Às vezes,
as vítimas são mantidas prisioneiras dentro da própria casa
enquanto são sistematicamente subjugadas, e até mortas, por
forças inumanas e maléficas. Em termos mentais, o cérebro
ficará sobrecarregado; em termos físicos, o corpo ficará exaurido;
e, em termos emocionais, a pessoa ou família ficará arrasada,
prostrada. É nesse ponto, quando a atividade se toma
absolutamente insuportável, que a vítima é acordada às 3h da
madrugada por uma entidade vestida de preto, de pé, ao pé da
cama, dizendo para a pessoa parar de resistir! Isso é terror, é
opressão!
“Vejamos um bom exemplo”, diz Ed. “Todo ano, milhões de norte-
americanos mudam de residência, e um número significativo
deles passa a morar em casas onde existe a possibilidade de um
espírito dormente ser ativado. Foi isso o que aconteceu aos
Carlson. Os Carlson, um casal feliz na casa dos 30
anos, comprou uma antiga hospedaria aqui na Nova Inglaterra.
Era uma bela residência antiga, como que tirada de uma
ilustração da Currier & lves [empresa de impressões de litografias
que funcionou entre 1834 e 1907], e para a qual se mudaram em
uma Sexta-Feira Santa. Agora, Nathan Carlson viajava e ficava


fora durante a semana, mas a esposa dele, Alexandra, ficava em
casa o tempo todo para cuidar do bebê e da filha mais velha do
casal. Pouco tempo depois da mudança, a sra. Carlson e a filha
começaram a ouvir passos no primeiro andar, onde, no passado,
os hóspedes costumavam ficar. Durante a tarde e já noite
adentro, elas ouviam passos arrastados de botas se movendo
pelo piso acima delas. O padrão do som era sempre o mesmo.
“A irmã mais velha da sra. Carlson, que morava ali perto, às
vezes passava a noite na casa e ajudava a cuidar das crianças
enquanto o sr. Carlson estava fora. A filha e a irmã da sra.
Carlson dormiam no primeiro andar, e também ouviam aqueles
passos. Os Carlson também tinham quartos localizados em outro
ponto da casa para os funcionários rurais da propriedade que
viviam ali, e esses homens ouviam passos fazendo círculos em
volta de sua cama. Na verdade, enquanto a sra. Carlson dormia,
à noite, ela era acordada pelos espíritos da casa, que chegavam
a puxar os cobertores da cama enquanto ela estava deitada ali.
Mais tarde, ela descobriu que a mesma coisa acontecia aos
funcionários rurais da propriedade, o que explicava por que os
homens em geral se demitiam pouco depois de serem
contratados.
“Por fim, os fenômenos de infestação evoluíram para sussurros
que podiam ser ouvidos atrás de portas fechadas. No entanto,
quando a sra. Carlson e sua irmã mais velha verificavam o
cômodo de onde vinham os sussurros, nunca havia ninguém ali.
Embora aqueles espíritos projetassem palavras em geral
audíveis o suficiente para serem percebidas as mulheres nunca
conseguiam identificar a língua que estava sendo falada. Às
vezes, essa língua misteriosa ouvida em casas infestadas acaba
sendo tão somente o inglês dito de trás para frente.
“O tempo passava e o tormento prosseguia. Depois de arrumar a
casa, enfeites e outros pequenos objetos nunca estavam
exatamente onde a sra. Carlson os havia deixado. À noite, do
lado de fora da casa,


viam-se luzes acesas no sótão — embora não houvesse
eletricidade lá em cima. Um dia, enquanto pintava um quarto, a
temperatura caiu de repente, e ela sentiu uma mão tocar o seu
ombro. A sra. Carlson disse ter ficado tão furiosa que atirou a
brocha de pintura na direção em que ela acreditava estar a
entidade, e gritou: ‘Não sei quem você é ou o que quer, mas não
vai me pegar’. A sra. Carlson, é claro, contava ao marido sobre
tais perturbações. Entretanto, o sr. Carlson, nunca tendo
vivenciado os sons ou os fenômenos, não dava importância,
dizendo à esposa que eram rangidos de casa velha.
“Isso faz parte da estratégia do espírito demoníaco, é claro —
direcionar os fenômenos a pessoas específicas, enquanto outras
não vivenciam nada. Em geral, a opressão se concentrará em um
ou talvez dois membros do grupo familiar. Realmente não importa
se o espírito já estava nas dependências quando a casa foi
comprada ou se as crianças o trouxeram ao usar um tabuleiro
Ouija. Se há um espírito negativo lá, ele vai atormentar alguém.
Normalmente, a entidade escolherá a pessoa mais vulnerável,
em termos psicológicos, ou alguém que passe a maior parte do
tempo sozinho na residência. Não é preciso dizer que, em geral,
essa pessoa é a dona de casa. Quatro em cada cinco casos de
opressão e possessão que investigamos envolvem mulheres. O
espírito demoníaco acha mais fácil oprimir mulheres porque elas
são geralmente mais abertas e sensíveis que os homens — além
do fato de estarem fisicamente no cenário em que o espírito
infestador está ativo enquanto o marido está fora, trabalhando.
“O motivo por que o espírito demoníaco escolhe uma pessoa é
óbvio: duas pessoas poderiam comparar as experiências e
reconhecer uma influência externa. Por outro lado, uma única
pessoa não tem meios de provar o que está acontecendo. Sentir
o tapa leve de uma mão invisível no ombro, ouvir bater a porta de
um cômodo vazio, encontrar um anel de casamento no fundo do
vaso sanitário podem ser experiências um tanto perturbadoras,
mas não indicam nada sobrenatural. Assim, para evitar a
ridicularização, a pessoa não fala sobre o problema. Em vez de


nós dois problemas a partir de um, o indivíduo oprimido
simplesmente internaliza a experiência.
“No entanto, mais cedo ou mais tarde, surge a dúvida com
relação a si mesmo, e a pessoa começa a questionar a própria
sanidade. Ela não consegue encontrar a origem das buzinas de
automóveis que ecoam na sala de estar à noite. Ela não vê
ninguém atrás de si depois de sentir um puxão nos cabelos.
Não consegue encontrar nenhum animal morto que explique o
odor repugnante que se faz sentir depois do pôr do sol. Estou de
lato vivenciando isso? — a vítima pergunta a si mesma, com
honestidade.
Naturalmente, o espírito opressor tira proveito da dúvida que
criou, passando a alimentá-la até que a pessoa já não saiba se
está indo ou voltando. É por isso que os fenômenos são
considerados uma distração. Eles são produzidos para
desestabilizar a vítima. Portanto, na opressão, a individualidade é
intencionalmente atacada por uma força externa e, se a vítima
começa a perder o controle, então está a um passo da
possessão — o objetivo, é claro, da entidade inumana
possessora.
“No caso Carlson”, continua Ed, “fenômenos de opressão externa
ocorriam quase que todo dia, visto que a infestação já havia
ocorrido na casa muito tempo atrás. As torneiras da cozinha e do
banheiro se abriam de repente, com força máxima, e ao mesmo
tempo. Ouviam-se batidas incessantes nas janelas, portas se
entreabriam, e sempre havia os passos de botas e
movimentação de pessoas andando no andar de cima. Uma
verdadeira casa mal-assombrada! Em algumas ocasiões, a sra.
Carlson ouvia três batidas na porta da frente — sinal
convencional de uma presença inumana. Contudo, sempre que ia
até a porta, não havia ninguém ali. No primeiro andar, um
visitante relatou ter visto uma cobra no peitoril da janela depois
de ouvir três batidas leves na janela. Porém, não existia
nenhuma árvore próxima pela qual o réptil pudesse ter subido.


“Certa vez, ao ouvir o som de três batidas, a sra. Carlson
também escutou a porta da frente abrir e fechar em seguida, ao
que se seguiu um barulho de passos pesados de botas no andar
de cima. ‘Agora eu o peguei’, pensou ela. Com toda a coragem
que tinha, a sra. Carlson subiu as escadas, armada com a pistola
do marido, e verificou cada cômodo sistematicamente,
determinada a encontrar o odioso intruso.
Mas, é claro, não havia ninguém visível ali. Como acontece com
tanta frequência quando o demoníaco
está envolvido, ela foi tapeada.
“Entretanto”, prossegue Ed, “esses foram basicamente pequenos
incidentes se comparados às ocorrências trágicas e sinistras que
se seguiram depois. Enquanto viviam na casa, os Carlson
tiveram outro filho. Uma noite, quando a sra. Carlson e uma
empregada da fazenda assistiam à televisão na sala de estar,
elas ouviram de repente uma explosão fortíssima, tremenda. Ao
se levantarem de um salto para ver o que era, pensando que a
caldeira tivesse explodido, encontraram a porta do quarto do
bebê aberta, estourada com violência. Objetos ainda sacudiam e
vibravam quando elas chegaram, e a temperatura dentro do
cômodo ‘era igual à de uma câmara frigorífica’, disse a mãe. O
bebê nasceu prematuro e, até poucas semanas antes, havia
ficado em uma incubadora, no hospital. Embora os espíritos da
casa tivessem evidentemente tentado matá-lo, o bebê conseguiu
sobreviver à experiência. No entanto, quando o menininho tinha
três anos, a sra. Carlson fez outra descoberta surpreendente. Um
dia, ao passar pelo filho, ele de repente soltou um grito alto e
estridente. ‘Você pisou em Beatrice!’, disse ele à mãe, com muita
clareza. Sendo aquele um nome sofisticado demais para uma
criança de três anos conhecer, e mais ainda pronunciar, a sra.
Carlson colocou de lado as roupas para lavar que estava
carregando e perguntou à criança quem era Beatrice. ‘Ela é
minha amiga’, respondeu o menino. ‘Ela me diz o que fazer.’ A
sra.


Carlson então pediu ao filho que perguntasse a Beatrice quem
ela era. O garotinho perguntou e, depois de aguardar poucos
segundos pela resposta, ele disse à mãe: ‘Beatrice me mandou
dizer a você que ela é uma bruxa!’
“Como a maioria das pessoas, os Carlson não acreditavam em
fenômenos espirituais nem conheciam nada sobre eles, de modo
que aquelas entidades invisíveis dentro da casa exerciam um
domínio quase que irrestrito sobre a família. E continuou assim
até que, por fim, certa noite, as coisas chegaram a um ponto
crítico. A sra. Carlson estava sozinha na cama quando viu uma
grande forma negra ali no quarto.
Ela descreveu a entidade como sendo ‘mais negra que a máxima
escuridão da noite’. Ela disse isso porque as luzes do quarto
estavam apagadas e, no lugar onde moravam, não havia
iluminação pública para lançar sombras estranhas. A entidade se
movimentou devagar pelo quarto, deixando-a paralisada de
pavor. Tecnicamente, a sra. Carlson foi vítima de fantomania [ou
paralisia psíquica]. Antes de a massa negra desaparecer, ela se
transmutou em um globo de luz sintética mais ou menos do
tamanho de uma bola de basquete, produzindo um rugido
ensurdecedor, que ela comparou ao som de um alto-fomo. O
fenômeno aumentou em intensidade até que, de repente,
desapareceu, deixando a sra. Carlson completamente exausta,
ao que ela caiu de imediato em um sono pesado. Isso aconteceu
mais duas vezes — três no total.
“Nas duas vezes seguintes, o sr. Carlson estava em casa, na
cama, em companhia da esposa, mas ele não viu nada. Como
me disse a sra. Carlson — e, veja você, ela era uma mulher
sensata e lúcida: ‘No meu coração, eu sabia que aquele terror
estava destinado exclusivamente a mim e a mais ninguém’.
Quando o espírito veio pela segunda vez, ela acordou, de
repente, com a presença da mesma entidade negra perto do seu
lado da cama. A isso se seguiu a manifestação do grande globo
de luz, mais uma vez acompanhado do rugido de um alto-fomo.


O fenômeno chegou ao ápice e, então, desapareceu, deixando-a
completamente sem energia. Na terceira noite, o espírito se
manifestou para ela, no quarto. Ela tentou acordar o marido, mas
foi em vão: ela o sacudiu e bateu nas costas dele, mas o homem
não acordava —
ou, antes, não conseguia acordar. Nesse meio-tempo, o espírito
permaneceu ameaçadoramente com ela ali, no quarto, deixando-
a muito apavorada. Por fim, a mensagem que a entidade
demoníaca projetou para ela foi: ‘Saiam!’. E eles saíram. Hoje, os
Carlson vivem na mesma cidadezinha, mas agora sabem tudo
sobre a hospedaria e os espíritos funestos e opressores que ela
abriga.”
O espírito demoníaco manifesta-se sempre como uma massa
negra, semelhante a uma nuvem?
“A ‘massa negra’ de que falo”, diz Ed, “é a maneira mais comum
pela qual o espírito demoníaco se apresenta no reino físico. Não
sei se isso representa o mecanismo da sua manifestação, ou se
é peculiar a determinados tipos de aparições demoníacas.
Entretanto, um espírito demoníaco pode, em última análise, se
manifestar como o próprio Jesus Cristo! Ele pode ser visto como
um fantasma, pode vir como um
espectro encapuzado ou até mesmo na forma de um animal.
Alguns anos atrás, enquanto estava sentado no meu escritório,
aqui em casa, por acaso vi, de relance, pelo canto do olho,
alguma coisa se mover.
Quando olhei diretamente, vi um animal negro que nunca tinha
visto antes, com duas vezes o tamanho de uma marmota,
andando pelo tapete. Era peludo, gordo e gingava ao caminhar
— como se o corpo não fosse adequado às pernas. Eu não sabia
o que era e supus que tivesse entrado por alguma porta, vindo da
mata. Contudo, quando me levantei, vi que nenhuma porta
estava aberta. Nesse momento, porém, o animal estava seguindo
para o corredor. Ele parecia ter focinho — como um gambá.


Segui a coisa enquanto ela bamboleava pelo corredor. Como a
porta estava fechada, ele não poderia avançar, então, para não
encurralar o bicho, parei — mas ele continuou andando e
atravessou a porta fechada. Um segundo depois, quando abri
depressa a porta, o animal havia desaparecido. Foi então que me
dei conta de que era um espírito — ou, no mínimo, a monstruosa
criação de um. A sala em que ele entrou — se é que de fato
entrou na sala — era autônoma e não tinha outras portas de
acesso. Seja lá o que fosse, a coisa desapareceu. Na realidade,
o espírito demoníaco inumano pode assumir a forma que quiser."
Se é assim, então, por que ele vem como uma massa negra?
“Porque o lema do espírito demoníaco é anonimato”, responde
Ed. “O espírito se mostra como uma grande massa negra
indiferenciada que é claramente visível nas raras ocasiões em
que é visto durante o dia, embora seja maior a probabilidade de
testemunhá-lo durante as horas psíquicas da noite. No entanto,
apenas em raras ocasiões ele se mostrará em forma
pretematural. Por que vir em forma inteligível, raciocina ele,
quando a melhor proteção do espírito — na realidade, sua
principal proteção — é o anonimato e a descrença na sua
existência? Porém, enquanto fenômeno físico, a massa negra é o
espírito e, como tal, é perigosíssima. Quando encurrala uma
pessoa, como o fez, digamos, com as crianças Foster, o
indivíduo relata uma tremenda falta de ar, um frio inacreditável no
corpo e uma pressão como a do peso de um pedregulho sobre si.
Se a pessoa não consegue fugir, então acabou. Em geral,
acontecerá uma da duas coisas: ou uma combustão espontânea
— a pessoa explodirá em chamas e será reduzida a cinzas —
ou a completa desmaterialização do indivíduo, às vezes para
sempre. Incidentes de combustão humana são muito raros:
existem apenas cerca de vinte casos registrados. No entanto, é
mais provável que o indivíduo seja desmaterializado. Na casa
dos Carlson, Lorraine conseguiu detectar que a massa negra
havia engolido duas pessoas. O primeiro a literalmente


desaparecer sem explicação foi o lacaio de um soldado. A massa
negra se aproximou dele no estábulo, nos fundos da casa, no
ano de 1776. Nunca mais foi visto. A segunda pessoa a
desaparecer foi uma garotinha de uns 14 anos de idade,
chamada Laura DuPre, que correu para dentro de um armário da
casa para fugir da massa negra, mas em seguida foi engolida por
ela. Isso ocorreu por volta da virada do século XX e a polícia
estadual ainda mantém o seu nome na lista de pessoas
desaparecidas. A terceira a desaparecer poderia ter sido a sra.
Carlson, se não tivesse tido a prudência de entrar em contato
conosco antes que os espíritos da velha hospedaria fizessem o
mesmo a ela também.”
Ed diz que o espírito demoníaco apenas raramente se mostra em
forma pretematural. Qual é a aparência do espírito demoníaco?
Ele se sente desconfortável ao responder à pergunta.
“Embora o espírito possa se projetar na forma que escolher”, diz
Ed, “sua aparência é uma abominação, uma monstruosidade. Ver
o que está de fato por trás do fenômeno não é algo que se deve
desejar. Realmente ver o demoníaco é sentir a ruína. O que fica
visível é algo de aparência claramente preternatural: algo real o
suficiente para ser visto, mas que, ainda assim, não é deste
mundo.”
Mas, qual é a aparência dele?
“Basicamente”, responde Ed, com bastante relutância, “ele não é
humano. É inumano. Tem escamas.
Parece... um réptil. É isso”, diz ele. “Não vou descrever o restante
da imagem.”
A opressão, todavia, nem sempre é externa e observável. Ela é,
na mesma medida, subjetiva. A opressão interna é uma intrusão
demoníaca de caráter emocional e psicológico que visa promover
uma completa mudança na forma de pensar da pessoa. Aqui, a
estratégia do espírito opressor é manipular a


vontade do indivíduo de tal maneira que hábitos ruins piorem, e
hábitos muito ruins se transformem em impulsos de “pecado” ou
autodestruição. Como criatura de pecado que é, o espírito
demoníaco busca tomar o ser humano repreensível, afundando-o
até chegar a um nível que rejeita toda a vida. Escrevendo
exatamente sobre esse ponto no século v, Santo Agostinho
observou que um hábito incontrolado se transforma em uma
necessidade. “Isso”, diz Ed, “é precisamente o que acontece
durante a opressão psicológica. O indivíduo corre o risco de se
tomar um joguete, quando não um escravo, do espírito que o
oprime. Em estágios avançados de opressão, a entidade pode
exercer tamanho domínio sobre a vontade da pessoa que ela já
não tem nenhuma autonomia. Nesse ponto, é claro, o ser
humano está às portas da possessão.”
“O objetivo do espírito opressor”, acrescenta Lorraine, “é possuir
o corpo da pessoa, ou, se isso não for possível, levá-la a cometer
assassinatos e suicídio — ou ambas as coisas. Antes de chegar
a esse ponto, porém, o indivíduo oprimido já terá sido vítima de
uma estratégia muito complexa. Deixe-me dar um exemplo de
como a estratégia de opressão interna pode ser abrangente.
“Em abril de 1978, recebemos um telefonema de uma mulher de
uns 35 anos, articulada e instruída, que estava completamente
apavorada. Essa mulher, Patrícia Reeves, estava submetida a
opressão, mas ela não sabia o que estava lhe acontecendo. Ela
teve extrema dificuldade de entrar em contato conosco, ao passo
que Ed e eu tivemos a mesma dificuldade de chegar até ela.
Patrícia e a amiga haviam comprado uma autêntica casa mal-
assombrada na Nova Inglaterra. Embora os eventos do caso
sejam interessantes, o que é importante aqui é a clareza com
que a estratégia demoníaca atuou na compra.
“Patrícia nasceu e cresceu em Ohio, descendente de uma longa
linhagem de ministros batistas. Ela não era casada, então dividia
o aluguel com outra mulher, chamada Melinda. Embora fosse
uma adulta capacitada em todos os aspectos, dinheiro, felicidade


e satisfação pare: ciam ser negados a ela, e Patricia chegou ao
ponto de planejar o próprio suicídio. Completamente frustrada,
ela comprou um livro de bruxaria. Dos rituais daquele livro, ela
selecionou um, que visava a prosperidade. Poucos meses depois
de realizar o ritual, Patricia conseguiu um emprego que pagava
bem e era bastante prestigiado.
“Curiosamente, desde os 12 anos de idade, Patricia tinha um
sonho vivido e recorrente, no qual morava em uma antiga casa
de fazenda em estilo colonial. Comprar essa casa ‘dos sonhos’
era um objetivo de vida. Para Patricia, isso significava ‘ir para o
lar’. A morada ficava em um cenário rural, na região norte da
Nova Inglaterra, e tinha que ter sido construída no máximo até o
início do século XIX.
Então, toda semana, sem falta, ela ia à biblioteca municipal no
centro da cidade e consultava o jornal de Boston em busca dos
classificados de imóveis. Como Patricia mesma disse, ela o fazia
‘obsessivamente’.
Na medida em que a opressão também é chamada obsessão,
todo o processo estava acontecendo bem debaixo do seu nariz,
embora ela não o soubesse.
“Um dia, mais ou menos dois anos depois de assumir o emprego,
Patricia encontrou no jornal um anúncio de uma antiga casa de
fazenda que parecia perfeita. Desejando vê-la, ela e a colega de
quarto Melinda tiraram férias juntas e viajaram de carro para o
leste. Elas viram a casa pela primeira vez em 1® de janeiro de
1977.
“O lugar era adorável e ficava ao final de uma longa estrada de
terra cercada de árvores, recuada mais ou menos um quilômetro
da estrada principal. Embora o lugar parecesse ideal”, diz
Lorraine, enfática,
“aquilo era uma armação.” Descobriu-se mais tarde que a antiga
proprietária da casa era uma bruxa satânica de magia negra. Um


tanto estranho, não acha, que elas tivessem sido atraídas do
ensolarado sudoeste, a quase 5 mil quilômetros, para o meio das
florestas da Nova Inglaterra, a fim de viver naquela casa em
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