Ed & Lorrain Warren: Domonologistas



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Ed & Lorrain Warren Domonologi - Gerald Brittle
De todos os objetos de conversação comuns e familiares que são
abordados quando as pessoas estão reunidas, de todas as
coisas remotas da natureza e apartadas dos sentidos, não há
nada tão à mão, tão inusitado, que o tema dos espíritos e se o
que dizem sobre eles é verdade. É o assunto que as pessoas
discutem com maior facilidade e no qual mais se demoram por
causa da abundância de exemplos, além de ser prazenteiro e
agradável, e a discussão ser a menos tediosa que se pode
encontrar.
— Pierre Le Loyer, 1586


Alguns dos primeiros livros já impressos em língua inglesa
tratavam da temática dos espíritos e da demonologia. Os
espíritos não eram um fato menos cotidiano no século XVI do
que o são hoje: ocorriam a mesma ruína e o mesmo terror, e um
cenário igualmente violento repetia-se.
Nos tempos bíblicos, jesus falava sobre fantasmas, espíritos,
demônios e possessão com conhecimento de causa. “Na
realidade”, observa Ed, “o próprio Cristo mostrou-se ao menos
uma dúzia de vezes na forma de aparição aos seus seguidores,
antes da Ressurreição.”
Recuando ainda mais na história, parece que a questão dos
espíritos tem preocupado a humanidade desde o início da
civilização. Ainda nos tempos da Grécia Antiga, escritores viam
toda essa atividade maligna como algo mais ominoso que a
ocasional manifestação de um espectro negro no meio da noite.
Mesmo àquela época, os antigos consideravam-no um espírito,
uma entidade com um propósito negativo, e atribuíram-lhe o
nome “daemon”, com o significado de espírito perverso ou
impuro.
Hoje, documentos sobre a existência de fenômenos envolvendo
espíritos presos à terra estão disponíveis na maioria dos grandes
centros ou em bibliotecas universitárias, graças ao trabalho
realizado por respeitáveis organizações de pesquisa psíquica ao
longo do último século. Contudo, informações corretas sobre o
espírito demoníaco ainda são difíceis de encontrar — como
sempre foram. O assunto é envolto em sigilo. A maioria dos livros
sobre ocultismo faz referências superficiais a “demônios”, mas
tais informações costumam estar entremeadas com ressalvas de
que o fenômeno não passa de superstição medieval. Cientistas
descartam completamente a hipótese da existência de “espíritos”;
a classe médica tende a ver o tema como ilusão ou psicose; e os
acadêmicos concebem demônios como uma fantasia.


Apenas a classe religiosa dá crédito à noção do demoníaco na
alta teologia e, então, o assunto de repente torna-se bastante
real. Ele recebe um nome: o Mysterium Iniquitatis — ou o
Mistério da Iniquidade. E ao diabo atribui-se um símbolo: xpistos
— o Anticristo.
A melhor forma de alcançar alguma compreensão sobre o
assunto seria consultar os especialistas, mas ninguém
simplesmente entra em uma igreja ou sinagoga e pede para falar
com um demonologista. Não há tantos deles assim, seus nomes
são confidenciais e eles estão obrigados a relatar as suas
experiências tão somente aos seus superiores. Nem mesmo Ed
Warren dirá tudo a respeito desses horrendos espíritos das
trevas que vêm no meio da noite trazendo mensagens e
proclamações de blasfêmia. Na verdade, quando pressionado a
falar sobre isso, a resposta de Ed é: “Existem coisas do
conhecimento dos padres, e
também do meu conhecimento, que é melhor não revelar”.
Então, qual é a base para as opiniões de Ed Warren? Há
evidências reais ou confirmações que provam as suas
afirmações?
“Pessoas que não estão familiarizadas com o fenômeno às vezes
perguntam se não estou envolvido em alguma espécie de
alucinação ultrarrealista, como Dom Quixote duelando com
moinhos de vento. Bem, alucinações são experiências
visionárias. Por outro lado, este é um fenômeno que responde
com retaliação. Meu conhecimento do assunto não difere
daquele de clérigos versados, e eles vão dizer, com a mesma
clareza com que digo, que não se trata de algo que possa ser
facilmente classificado como um pesadelo.
“Posso sustentar tudo o que falo com provas autênticas”,
prossegue Ed, “e relatos de testemunhas confiáveis e
profissionais gabaritados. Não existem conjecturas envolvidas
aqui. Minhas afirmações sobre a natureza do espírito demoníaco


são baseadas nas minhas próprias experiências em primeira mio
ao longo de mais de trinta anos neste trabalho, corroboradas
pelas experiências de outros demonologistas reconhecidos, além
das experiências do clero exorcista, o centenas de testemunhas
que foram vítimas de tais espíritos e cias físicas de peso. O
dogma religioso acerca do espirito demoníaco simplesmente se
mostra de acordo com as minhas próprias descobertas sobre tais
espíritos na vida real. Mas deixe-me ser mais específico.
“O espírito inumano costuma se identificar como o diabo e, então
— por meios físicos e psicológicos
— prova ser exatamente isso. Falando mais uma vez a partir das
minhas experiências pessoais, já que fui queimado por essas
forças invisíveis. Já recebi talhos e cortes; esses espíritos
entalharam marcas e símbolos no meu corpo. Fui arremessado
de lá para cá pela sala como um brinquedo. Meus braços já
foram torcidos para trás até ficarem doloridos por uma semana.
Padeci de enfermidades súbitas para ficar fora de uma
investigação. Monstruosidades se manifestaram diante de mim,
em forma física, fazendo ameaças de morte, de ruína à minha
família e de tormento no além. Porém, o que quer que eu tenha
testemunhado, o clero que deve desafiar a foiça demoníaca já
sofreu — e muito pior.
"Estou falando de atividade que está acontecendo neste exato
instante. Amanhã, por exemplo, vou submeter provas
documentais à Igreja Católica para justificar o exorcismo de uma
jovem que está possuída agora, enquanto eu falo.
“No tocante a provas”, continua Ed, “tenho muitos milhares de
horas de gravações em fita cassete de entrevistas com pessoas
e família* de todo o território norte-americano e britânico, e tais
gravações documentam plenamente a realidade dos fenômenos
demoníacos. Eu poderia encher um auditório de bom tamanho
com testemunhas que confirmam o que digo. Tenho uma coleção
de objetos e substâncias — os aportes de que falei — que foram
criados sinteticamente por ação demoníaca. Tenho fotografias


verdadeiras de fenômenos demoníacos em curso. Elas mostram
levitações, materializações e formas espirituais. Tenho provas,
em fita cassete, desses espíritos falando. Muitas vezes, eles
chegam até mesmo a se identificar pelos seus nomes diabólicos.
Além disso”, revela ele, “essas entidades me confrontaram
pessoalmente, falando através dos possuídos e assumindo
formas físicas manifestas, tão sólidas quanto você ou eu. E elas
me dizem — com a mesma clareza com que estou falando agora
— quem elas são, por que estão aqui e o que vão fazer!
Diante da solicitação para apresentar um exemplo do último
ponto, Ed vai até o seu escritório e retoma com uma fita
magnética em rolo. “Isto foi gravado em uma sessão em 1972”,
diz ele, passando a fita pelo tape deck de rolo. “Na ocasião,
estávamos tentando determinar quem ou o que vinha oprimindo e
às vezes possuindo uma mulher chamada Mary desde que ela
tinha 8 anos de idade. Quando a gravação foi feita, Mary tinha
uns 55 anos. Naquele dia também estavam presentes Lorraine,
eu, um padre católico e uma médium de transe profundo.
Imediatamente antes deste segmento, o espírito vinha falando
através da médium — mentindo, passando a línguas estrangeiras
para nos impedir de compreendê-lo e falando com uma voz em
falsete, alegando ser um ‘anjo’. Para chegar à verdade,
colocamos um crucifixo sobre uma
mesa atrás da médium — que estava em transe, com os olhos
bem fechados. Em seguida, ordenamos que o espírito falasse, e
a partir daí, algo muito diferente foi comunicado.” Ed ligou o
gravador: Voz: Eu não escolhi estar aqui!
Ed Warren: Então, por que veio?
V.: Estou submetido ao Poder!
E.W.: Poder de quem? u V.: Uma luz branca!
E.W.: Descreva-se para mim.


V.: Não. [O crucifixo, então, é colocado de pé, ao que se seguem
gritos *agonizantes do espírito possessor.]
E.W.: Descreva-se para mim!
V.: Em verdade, devo dizer qual é a minha aparência. Sou
perverso — e feio de aparência. Sou inumano. Sou vingativo.
Tenho um rosto horrendo, tenho muitos pelos ásperos pelo corpo.
Meus olhos são muito fundos. Sou todo negro. Carbonizado.
Tenho cabelos. Minhas unhas são longas, meus dedos dos pés
têm garras. Tenho uma cauda. Uso uma lança. O que mais você
quer saber?
E.W.: Como você chama a si mesmo?
V.: [Proclamando] Eu sou Resisilobus! Eu sou Resisilobus!
“Embora Ed e eu não tenhamos a pretensão de ser teólogos
acadêmicos”, diz Lorraine, “não encontramos nada no nosso
trabalho que indique que o espírito demoníaco seja outra coisa
que um anjo caído. O comportamento rotineiro do espírito, os
seus poderes metafísicos e a sua violenta reação a objetos
sagrados certamente corrobora tal conclusão. Na verdade, eu me
atreveria a dizer que transcrições de exorcismos provariam que o
espírito demoníaco é o proverbial anjo caído.” Não se encontra
qualquer outra justificativa para a existência desse espírito além
do que é sugerido nas Escrituras. Em ambos os testamentos da
Bíblia, anjos e demônios são mencionados cerca de 3 mil vezes.
[1]
Não existe nenhum outro precedente confiável sobre o
espírito demoníaco, à exceção de alguns textos religiosos
enigmáticos que oferecem o mesmo ponto de vista básico.
O motivo exato do desentendimento entre o espírito demoníaco e
Deus é desconhecido ao homem.
Como disse o papa Paulo vi em 1972: “Sabemos muito pouco
acerca de todo esse drama infeliz anterior ao início do mundo”.


(Não obstante, o mesmo pronunciamento papal também deixou
claro que o Diabo é uma entidade real ~ não um símbolo ou uma
metáfora psicológica. Mesmo no seu curto pontificado de um
mês, o papa João Paulo i reafirmou as convicções dos seus
predecessores de que o Diabo existe como um ser real.)
Algumas das melhores explicações sobre esse assunto
verdadeiramente inolvidável estão contidas na obra de Nicolas
Corte, Who ls the Devil? [Quem é o Diabo?], e na de Billy
Graham, Angels
[Anjos], mas a explicação definitiva continua a ser encontrada no
livro de Santo Agostinho, A Cidade de Deus. A clássica história
da Queda dos Anjos pode ser resumida da seguinte maneira: Os
primeiros seres que Deus criou eram anjos. Dentre todos os
anjos criados, nenhum era superior a Lúcifer. Deus criou Lúcifer
em tamanha perfeição que ele era tudo, exceto Deus. Insatisfeito
com o próprio ser, porém, Lúcifer tentou alcançar, por inveja, o
que não lhe cabia. De fato, Lúcifer tentou ser Deus, negar a
existência Dele e governar ele mesmo os céus. Desse modo, o
espírito demoníaco prova ser um espírito negativo de possessão.
Outros anjos aliados a Lúcifer tomaram parte no mesmo desejo
ruinoso, a “cobiça”: ou seja, estavam dispostos a renunciar aos
dons da sua natureza a fim de tomar aquilo que não lhes
pertencia. A suposta resposta de Deus diante dessa traição
cósmica foi banir Lúcifer e sua legião do Céu, ao que esses anjos
caídos juraram desobediência perpétua ao Senhor.
Lúcifer foi renomeado Satã — o caluniador, o acusador, o Pai da
Mentira. Embora tenham caído do seu estado de graça, esses
anjos não foram destituídos do seu poder; ao contrário,
conservaram todos os
poderes pretematurais — para além da terra — que lhes foram
dados na criação. Tais poderes consistem basicamente em
existência imortal, conhecimento místico do universo e o poder
de ignorar as leis físicas da natureza, o que lhes dá a capacidade
de produzir fenômenos psíquicos e promover criações sintéticas.


Não obstante, apesar dos poderes impressionantes, o espirito
demoníaco foi proibido de dominar o homem. Em vez disso, a
aliança foi que Deus protegeria o homem se este, por sua vez,
respeitasse os poderes de Deus.
Em última análise, é óbvio que ninguém conhece a história
completa. A oposição do espírito demoníaco a Deus não
representa, em si mesma, uma prova da inferência de Deus. É
apenas por inferência que consideramos que Deus existe, diante
das palavras e ações de ódio desses seres sobrenaturais
blasfemadores.
“No entanto”, como observa Ed. “independentemente de qualquer
interpretação das Escrituras, espíritos inumanos sórdidos de fato
vagam pela Terra nos dias atuais. E quando se ordena que falem,
a resposta desses espíritos é muito grave: "Meu nome é Legião
— somos um’. Também é certo que esses espíritos são dotados
de poderes devastadores e agem contra a humanidade com
malícia, desprezo e uma ira feroz. Curiosamente, a única
proteção que o homem pode invocar contra essas forças
negativas é a menção do nome de Deus — embora de forma
mais especial o de Jesus — e a apresentação de objetos
abençoados. Do contrário, nada conseguirá impedir essas
entidades espirituais bizarras.”
Ainda assim, se a atividade é tão ostensiva, por que os cientistas
não chegaram a conclusões semelhantes com relação aos
fenômenos espirituais inumanos?
“Cientistas são pessoas”, responde Ed, “e alguns cientistas e
investigadores de fenômenos psíquicos já viram o que está
acontecendo e hoje o compreendem. Os céticos mais
veementes, porém, nunca testemunharam os fenômenos por si
mesmos. No entanto, as movimentações e a atividade
provocadas por esses espíritos estão cientificamente
documentadas em muitíssimos casos. Infelizmente, os
parapsicólogos desconsideraram a atividade, julgando-a PK ou,
no máximo, atribuem a perturbação a espíritos humanos presos à


terra. No entanto, mesmo isso é incorreto: como ele mesmo
admite, o espírito inumano nunca foi um escravo de Deus em
forma humana. Ele se orgulha disso. Na realidade, relatos e
evidências fornecidos pelos principais envolvidos e por
testemunhas confiáveis, sessões gravadas com os possuídos,
transcrições de exorcismos, 2 mil anos de registros da Igreja —
tudo isso mostra que eles são nada além do que se conhece que
eles sejam desde o início: espíritos diabólicos inumanos,
tomados pelo ódio e dotados da sabedoria maléfica para usá-lo,
espíritos cuja existência se estende por todas as eras,
alimentando um ódio violento por Deus e prometendo a ruína do
homem. No entanto, a maior parte do ódio deles é dirigida a
Deus, e apenas raramente um homem testemunha toda a
intensidade da sua fúria.
“Quanto ao fenômeno em si”, prossegue ele, “uma dúzia de
investigadores pode examinar uma residência infestada por
forças demoníacas e não encontrar nada. E isso porque, em
geral, o investigador científico está pescando sem anzol. O
cientista, abordando o problema com o seu cronômetro e o seu
papel tornassol, não representa nenhuma ameaça à entidade
infestadora. Com certeza a entidade não revelará sua presença
de forma voluntária. Mas, entre ali com um objeto religioso, e o
espírito inumano responderá ao desafio.
“Devo me apressar a dizer, porém, que não recomendo, em
absoluto, que nenhum investigador ou pesquisador de
fenômenos psíquicos realize tal procedimento. A provocação é
um procedimento distintamente religioso, não científico. Ela exige
preparação especial antes de ser sequer tentada, ou os
resultados podem ser desastrosos. Digo isso como um aviso
antecipado àqueles que possam tentar. Por mais dedicado que
seja um investigador, chega um ponto em que ele deve parar,
aceitar o impasse e ir para casa. Não existe essa coisa de
‘vitória’ neste trabalho. O objetivo final é o exorcismo, o
banimento da força negativa. Nenhuma outra atitude terá êxito. O
demoníaco é um problema muito grave, muito sério, e nem boas


intenções nem ‘intolerância varonil’ vão expulsá-lo. Ele recua
apenas em nome de
Deus. E só.”
Provavelmente o aspecto mais perturbador dos fenômenos
demoníacos seja que, por trás de todo o terror e caos, há uma
inteligência ardilosa e calculista.
“Tenha em mente, ainda, que não se trata de uma coisa morta”,
ressalta Ed. “Trata-se de uma inteligência negativa e ativa que é
anterior ao homem na evolução cósmica. Ela tem mais
conhecimento que nós porque é mais antiga que nós. Veja-a
como uma poderosa inteligência negativa completamente perdida
no seu ódio por Deus. Ao fazer isso, você começará a compor o
quadro do que é realmente o espírito demoníaco.”
Talvez nenhum objeto ilustre de maneira mais vivida a “sabedoria
maligna” do espírito demoníaco que o antiquíssimo espelho de
conjuração de 1,5 metro que pende da parede próxima ao
escritório de Ed.
Não se pode deixar de notar os ornamentos da sua moldura
insculpida, mas ele é qualquer coisa, menos um estimado objeto
de arte. Em vez disso, o espelho está sob o olhar vigilante de Ed
Warren porque é um objeto profano.
“Hoje em dia”, explica Ed, “a única familiaridade real que as
pessoas têm com a magia de espelhos deriva da rima de Branca
de Neve: ‘Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que
eu?’. Mas, no passado, bruxas e feiticeiros usavam espelhos
para prever e manipular eventos futuros por meio de magia
— não ilusão, mas magia genuína, a verdadeira manipulação da
natureza e dos acontecimentos. Aquele espelho ornamentado ao
lado da minha porta veio da residência de um vingativo homem
de 55 anos, da Pensilvânia, chamado Steven Zellner, que o


usava para praticar um ritual medieval pouco conhecido a que
chamamos speculum, ou magia de espelho.
“Agora, a magia, como a bruxaria, pode ser usada para produzir
tanto efeitos bons quanto ruins. Esse homem usava o espelho
como instrumento de magia negra. Primeiro, ele realizou um
longo ritual de encantamento ou recitou uma longa fórmula de
conjuração, convidando o mundo espiritual para ajudá-lo a
manipular o futuro. Feito o encantamento, ele então direcionava o
olhar para o espelho, usando-o quase da mesma forma que se
usa uma bola de cristal: como ponto de concentração.
“Quando o usou pela primeira vez, Steven viu muito pouco no
espelho, nada além da movimentação de formas borradas, ou
pequenos incidentes rápidos que não significavam nada para ele.
Porém, dia a dia, semana a semana, quanto mais ele
concentrava sua atenção no espelho — ou seja, quanto mais
abria sua livre vontade à experiência —, mais controle Steven
ganhava e, em consequência, mais ele conseguia ver. Por fim,
após realizar esse ritual speculum obsessivamente por muitos
meses, o sr. Zellner chegou ao ponto em que bastava declarar o
que queria ver para que a imagem desejada aparecesse.
“Finalmente, depois de ter concluído o ritual, ele conseguia de
fato sintonizar o futuro sempre que quisesse. O homem podia ver
— e realmente predizer — eventos do seu interesse que
ocorreriam um dia, um mês, até um ano mais tarde. Mas, como
ensina o ditado, ‘o poder nos escraviza a todos’, e, em pouco
tempo, ele decidiu tirar proveito desse poder oculto. Dando um
passo adiante, ele passou a projetar pessoas no espelho.
Invariavelmente eram pessoas de que o sr. Zellner não gostava
— que ele selecionava para se vingar ou punir. Que Deus ajude o
açougueiro que tenha passado a perna em Steven Zellner!”,
brinca Ed.
“A fim de aplicar a própria forma de justiça, Steven escolhia uma
vítima, cuja imagem surgiria no espelho. O indivíduo, que não
suspeitava de nada, era visto em alguma situação futura real.


Então, tendo a vítima literalmente diante dos seus olhos, Steven
decretaria, pela sua vontade, que um infortúnio recaísse sobre
aquela pessoa. Por exemplo, ele via sua vítima de pé, no alto de
um lance de escadas.
Nessa situação, se ele quisesse fazê-la cair das escadas e
quebrar um braço, bastava que ele desejasse ver tal
acontecimento. Ao executar esse tipo de magia, o homem de fato
enxergava a concretização da sua justiça rancorosa no espelho,
exatamente como ele planejava — algo mais ou menos como
assistir a uma reprise instantânea antes de a ação ocorrer.
“Um truque engenhoso, não é? Mas havia um porém. Esses atos
maléficos não aconteciam pelo simples
poder da vontade de Steven; eles seriam realizados por espíritos
inumanos que ele comandava como parte do ritual. Para fazer a
vítima cair das escadas, o espírito inumano iria
momentaneamente desorientar a pessoa, aportar um pouco de
graxa em um degrau ou chegaria mesmo a dar um empurrão
psicocinético na vítima — e então, ploft!
“No entanto, em algum momento, Steven cometeu um erro, e a
magia começou a dar errado. Não tenho dúvidas de que ele
negligenciou a parte do ritual em que tinha de prestar honras a
Satã. Em consequência, o mal que ele pretendia infligir aos
outros começou a recair sobre ele. Contudo, isso foi apenas um
agravo secundário, pois os espíritos que ele havia liberado para
atormentar os seus inimigos tinham, em vez disso, infestado a
casa dele e se ocupavam ativamente de oprimi-lo. Ouviam-se
passos sem corpo e respirações pesadas na casa que, no mais,
estava vazia. Portas se abriam sozinhas. Objetos levitavam ou
eram arremessados pelo cômodo por mãos invisíveis. Barulhos
sobrenaturais o acordavam no meio da noite. Em suma, uma
presença invisível perambulava pelo local, e não havia nada que
ele pudesse fazer a respeito.


“Depois de mais ou menos uma semana, esse homem estava tão
aterrorizado que telefonou para um eminente oficial católico aqui
no leste e implorou que ele enviasse um demonologista à casa
dele. No entanto, em vez de enviar para lá um sacerdote
ocupado, aquele oficial eclesiástico me contatou em Connecticut
e perguntou se eu poderia investigar o caso e tentar acertar as
coisas. Naquela ocasião, Lorraine e eu estávamos trabalhando
com uma agenda apertada, mas, para nós, as pessoas vêm em
primeiro lugar. Então, cancelei o restante dos nossos
compromissos naquele dia, inclusive a participação em um
importante programa de entrevistas, e parti com a minha esposa,
de carro, para o norte de New Jersey.
“Quando chegamos ao endereço, encontramos um homem
absolutamente em pânico. É claro, ele tinha todo o direito de
estar. Portas abriam e fechavam sozinhas. Objetos voavam aqui
e ali, pela casa inteira.
A cada minuto, alguma coisa colidia e se espatifava, ou
ricocheteava em uma parede, acertava o chão e se estraçalhava
— uma verdadeira balbúrdia! A certa altura, durante a tarde, até
o meu carro acabou envolvido. Mais ou menos uma hora depois
de chegarmos lá, os carros na rua começaram a buzinar. Ao
olhar pela janela, vi o nosso carro atravessado nomeio da via,
bloqueando ambas as faixas de tráfego.
Quando chegamos, estacionei o carro na entrada da garagem do
sr. Zellner, puxei o freio de mão e tranque as portas. Mesmo
assim, alguém na rua disse ter visto o caem descer de ré,
sozinho. Quando saí para pegá-lo, é claro, as portas do carro
ainda estavam trancadas e o freio de mão estava puxado.
“De qualquer forma”, continua Ed, “era evidente que eu terá que
fazer alguma coisa ainda naquela tarde para interromper a
perturbação. Em uma situação como essa, a melhor solução é
‘apunhalar o diabo com a própria força’, por assim dizer —
portanto, o que eu precisava fazer era reverter o ritual que
Steven havia realizado. Eu o fiz, correndo considerável risco,


mas isso colocou um fim imediato na atividade, e também anulou
qualquer malefício futuro que o homem tivesse projetado —
porque o ritual reverso obrigava o espírito demoníaco a realizar o
malefício pela sua própria conta e responsabilidade, ou então
fazer cessar totalmente a opressão.
“Naquela tarde, ao terminarmos o trabalho, o sr. Zellner quis
saber se poderíamos levar o espelho de conjuração conosco
quando fossemos embora. Eu disse: “Claro”. Assim, ao menos eu
sabia que não precisaria, voltar ao mesmo caso pela segunda
vez. Então, coloquei o espelho no porta-malas do carro, e
Lorraine e eu partimos de volta para casa, pouco antes de
escurecer.
“Quando eu era jovem e inexperiente em relação aos perigos
deste trabalho”, diz Ed, “busquei a orientação de pessoas
bastante versadas que, muito tempo atrás, já haviam aprendido
os segredos mais profundos deste mundo. Àquela época, um
homem extremamente sábio me disse: ‘Ed, eu jamais entraria em
casas para confrontar o tipo de entidades que você confronta,
qualquer que fosse o motivo — e em especial quando se trata do
demoníaco. Uma vez que você cruza o limiar e entra no mundo
das trevas, você passa a viver para sempre em perigo, e também
aqueles a quem você ama. Goste ou não, você será
único — e solitário — entre os homens. Nunca se esqueça: as
forças diabólicas que você desafia são astutas, pois, ao contrário
de qualquer mortal, elas possuem a sabedoria e o conhecimento
das eras’.
“Fazia um frio terrível naquela noite. As ruas tinham placas de
gelo, então seguimos devagar. Eu também sabia que a remoção
do espelho havia enfurecido certos espíritos perversos e que isso
me tornava objeto da ira deles, então, fiz questão de ser extra
cauteloso ao dirigir. Bem com ou sem cautela, a uns oito
quilômetros da casa do homem, passei por um buraco pequeno
na estrada. Em circunstâncias normais, Isso não teria tido
nenhuma importância. Porém, naquela ocasião, estourou um


pneu radial novo, de cem dólares — coisa quase impossível de
acontecer em um incidente desse. Isso fez o carro dar uma
guinada c Invadir a faixa de tráfego contrária. Carros freavam e
desviavam, deixando de nos acertar por um triz. Foi um milagre
não termos morrido ali mesmo.
“Depois de trocar o pneu, voltei para a estrada. Uma enorme
carreta apareceu atrás da gente, saiu para a esquerda e, então,
entrou na faixa em que estávamos, bem na nossa frente. Logo
notei que havia alguma coisa estranha com relação àquele
caminhão: ele não tinha letreiros, placas ou qualquer tipo de
marcação. De repente, apesar de estarmos em uma pista seca, o
caminhão começou a espirrar em nosso para-brisa litros de uma
gosma verde e gelatinosa, tornando impossível que eu
enxergasse lá fora. Os limpadores de para-brisa mal conseguiam
retirar aquela coisa. Quando consegui enxergar outra vez, o
caminhão havia desaparecido. No entanto, assim que o para-
brisa ficou limpo, esse mesmo caminhão nos ultrapassou pela
esquerda, entrou na nossa faixa, na nossa frente, e provocou a
mesma confusão outra vez.
“Quando isso aconteceu pela terceira vez, ficou óbvio que
alguma coisa sinistra estava acontecendo, então, parei na beira
da estrada e deixei o tráfego seguir enquanto eu limpava a
sujeira do para-brisa.
Cinco minutos mais tarde, depois de já termos voltado à estrada,
exatamente o mesmo caminhão se aproximou, passou pela
esquerda, entrou de forma brusca e descuidada na nossa faixa,
bem na nossa frente e, no mesmo instante, começou a espirrar
litros daquela gosma verde e espessa. A substância atingiu
apenas o nosso carro e, quando consegui recuperar a
visibilidade, o caminhão havia desaparecido, como antes. Coisas
semelhantes já aconteceram conosco quando estávamos indo a
outras investigações ou voltando delas. Nunca tinha sido aquela
coisa verde antes, mas nosso carro já foi inundado com


aguaceiros de urina e — em uma ocasião — cerveja. Como
sempre, apenas o carro é atingido.
“De qualquer forma, esse negócio com o caminhão se repetiu
pelo menos meia dúzia de vezes, e não havia modo de eu
conseguir me livrar dele — ou daquilo. A situação era tão
perigosa que tínhamos certeza de que morreríamos. Enfim
consegui sair da estrada na primeira oportunidade, e peguei uma
rodovia secundária que levava até Connecticut.
“Tudo correu bem por mais ou menos uma hora depois daquilo”,
prossegue Ed. “Quase não havia tráfego naquela estrada
secundária, então nos sentimos bastante seguros. Mas, de
repente, no meu espelho retrovisor interno, notei um carro atrás
de nós que se aproximava a uma velocidade tremenda. Já estava
escuro àquela altura, mas aquele veículo não tinha nenhum farol
aceso! A única coisa que eu conseguia distinguir era um par de
luzes de presença fracas. Em uma fração de segundo, o carro
nos alcançou, jogou para a faixa de ultrapassagem e seguiu a
toda velocidade pela estrada. Era um carro preto-azeviche, e juro
que o motorista não nos atingiu por um triz. Lorraine, olhando
para o carro que disparava adiante, disse que era como se o
próprio diabo tivesse acabado de passar! ‘Bem, pode ser’, eu
disse a ela,
'porque o maldito idiota quase nos matou.’ O cara era maluco,
dirigindo àquela velocidade, à noite, em uma estrada coberta de
gelo e nenhum farol aceso.
"Continuei no meu curso enquanto esse cara seguia rasgando
pela estrada à nossa frente. Ao longe, eu o vi passar sobre uma
ponte suspensa de uma única faixa, e começar a subir uma
colina. A única coisa que conseguia ver daquele carro preto eram
as luzes de presença traseiras, e fiquei feliz por me livrar dele.
Porém, quando ele chegou ao alto da colina, mais ou menos 1,5
quilômetro à frente, eu o vi frear, girar o carro na direção contrária


e descer a colina em grande velocidade. Uma sensação
horrorosa, de náusea,
tomou conta de mim. Eu conseguia pensar apenas que
sofreríamos um terrível acidente.
“Agora, eu já havia entrado naquela estreita ponte suspensa.
Mas, no tempo em que eu havia percorrido não mais de um terço
dela, aquele maluco já tinha descido a colina a toda velocidade e
estava entrando na outra extremidade da ponte! ‘O que é isso?’,
lembro que disse a mim mesmo. ‘Esse cara está em algum tipo
de viagem para a morte?’
“Com aquele carro avançando em alta velocidade na nossa
direção, não havia possibilidade de dar marcha a ré e deixá-lo
passar. Ao contrário — se ele não parasse imediatamente, nós
bateríamos de frente! Mas ele continuava avançando! A ponte
formava um arco, como um cavalete, sobre uma ravina. Se eu
virasse para a esquerda ou para a direita, nós teríamos
mergulhado no vale e morrido, com certeza.
Quando meus faróis iluminaram a grade do radiador daquele
carro, gritei para Lorraine se abaixar no assoalho. Porque, na
certa, ali vinha aquele maníaco já no meio da ponte, correndo
direto na nossa direção.
“Ele estava a 145 km/h. Eu estava a 65 km/h. Àquela altura,
mesmo que nós dois tentássemos parar, a inércia ainda levaria
os carros a uma colisão. Era uma situação sem saída. Mesmo
assim, eu tinha que fazer alguma coisa. Restando cinco
segundos para batermos, minha vida se reduziu a uma pergunta
simples: Devo desviar ou seguir em frente? No último instante,
algo me disse continue em frente
“Já não havia tempo. Minhas últimas palavras para Lorraine
foram: ‘Invoque São Miguel!’. Faltando dois segundos — e,
nessas situações, você pensa em termos de tempo, não de
distância — meus braços estavam firmes no volante e eu estava


pronto para a batida. Um segundo antes da colisão, inspirei uma
última vez. Então, bem no instante do impacto... SSSHHHHH!
Era um carro-fantasma! Lorraine tinha razão."
Autores religiosos sempre chamaram o espírito demoníaco de
“gênio maléfico" — uma referência velada à estratégia
premeditada que pode ser discernida quando o espírito
demoníaco é responsável por perturbações em uma casa.
Portanto, em uma investigação, é principalmente essa
inteligência — uma força racional ativa por trás dos fenômenos
— que o demonologista busca.
Em virtude da natureza extraordinária do trabalho de Ed e
Lorraine Warren, a estratégia do espírito demoníaco costuma
também envolver a ambos. Na verdade, ela chega a ter início
antes que o casal receba uma solicitação para entrar em uma
investigação ou se segue a um telefonema com um pedido de
ajuda. Ed explica um recente ato de vandalismo que ocorreu no
seu escritório:
“Isso acontece umas duas vezes por ano, em geral depois do pôr
do sol. Da última vez, porém, aconteceu em plena luz do dia.
Lorraine e eu estávamos na cozinha, depois do almoço. Primeiro,
o telefone tocou. Lorraine atendeu, mas, como não havia
ninguém na linha, ela desligou. Mais ou menos um minuto
depois, o telefone tocou outra vez — no entanto, em vez dos
toques intermitentes normais, o som era contínuo. Quando
Lorraine atendeu, um rosnado gutural e animalesco se fez ouvir
na linha.
“Ela ficou perturbada e me passou o telefone, e também ouvi o
rosnado. Assim que desligamos, nosso pastor-alemão começou
a latir ferozmente lá fora. Nesse momento, começou o que, pelo
barulho, parecia ser uma briga violenta no meu escritório. Dava
para ouvir móveis sendo arremessados, e o som de objetos
colidindo e quebrando prosseguiu pelo menos por uns dez
minutos. A tendência da maioria das pessoas teria sido correr até


lá para descobrir o que estava acontecendo, é claro, mas você
não gostaria de ter visto o que estava havendo lá embaixo!
“Uma hora mais tarde, entramos no escritório. Ele estava
completamente devastado. Quadros haviam sido arrancados das
paredes, arquivos estavam revirados e vazios. Livros, papéis,
cadeiras, abajures, mesas — tudo havia sido jogado em uma
pilha no centro da sala. Sabemos, por experiência, que aquilo
não era obra de seres humanos. Aquilo era obra do demônio.
“Entenda, essas entidades são delinquentes espirituais. Eles
estão sempre lá. Às vezes, você os vê pelo canto dos olhos,
passando depressa de lá para cá. Outras vezes, eles ficam
vagueando entre o estado físico e o não físico:
semimaterializados, sem forma, como uma nuvem cinza-carvão.
Temos um acordo”,
diz Ed com ironia, mas absolutamente sério. “Eles não me
incomodam e eu não jogo água benta neles.”
Então, por que o escritório foi vandalizado?
“Neste exato instante”, responde Ed, “não sabemos por que está
ocorrendo essa intensificação de atividade, mas é provável que
aconteçam mais coisas estranhas — com sorte, nada sério. Esse
tipo de coisa costuma ocorrer uma ou duas semanas antes de
sermos chamados para investigar um caso sério em que a
presença demoníaca está envolvida. Agora mesmo, a única coisa
que sabemos é que, em algum lugar, alguém está sendo
oprimido ou possuído pelo espírito demoníaco. A pessoa ou
família que está sendo assediada provavelmente não faz a
menor ideia de quem sejam Lorraine e eu, e menos ainda de
como nos contatar. Porém, de um modo ou de outro, eles vão
ligar pedindo ajuda. No entanto, os espíritos também sabem
disso. Esse é, em parte, o motivo por que o escritório foi
arrasado: para tentar nos intimidar desde já. Como eu digo, há
um método e uma estratégia em todos esses fenômenos.”


A comunidade religiosa há muito é alvo de ataques demoníacos,
e as pessoas piedosas são o alvo preferido. Compare as
declarações de Ed Warren com este trecho da biografia do padre
Pio: Muitas vezes, ao entrar em sua cela pequena e modesta,
Pio encontrava tudo revirado: o leito simples, as cobertas, os
livros e a tinta do tinteiro respingada nas paredes. Esses
estranhos espíritos apareciam-lhe sob as mais diversas formas,
em geral usando hábitos de monge. Certa noite, ele viu que o
seu leito estava rodeado de monstros pavorosos [...] eles o
agarraram, sacudiram e lançaram ao chão e contra as paredes,
como faziam com frequência a Cura d’Ars
[...]. Afora o seu confessor, ele não falava a ninguém sobre tais
visitações.
Certa noite, ele viu entrar na sua cela um monge com a silhueta e
o semblante do padre Agostino, seu antigo confessor. O falso
monge aconselhou-o e exortou-o a desistir da vida de ascetismo
e privações, afirmando que Deus não poderia aprovar o modo de
vida dele. O padre Pio, estupefato com as palavras do padre
Agostino, ordenou-lhe que proclamasse junto com ele: “Viva
Gesu” [Vida Longa a Jesus].
O estranho personagem desapareceu de imediato, deixando no
aposento um estranho odor desagradável de enxofre [...]
.[2]
Obviamente, a demonologia surgiu na comunidade religiosa
como uma proteção necessária contra essa incrível influência
sobrenatural. E embora, normalmente, o assunto seja mantido
em confidencialidade nos dias de hoje, todas as principais
religiões dispõem de um clero especializado que se dedica à
demonologia e ao exorcismo, não como um resquício do passado
(o padre Pio faleceu em 1968), mas como uma necessidade
contemporânea real. Para os católicos, a demonologia é um tema
importante o suficiente para ser ensinado ao clero nas
universidades pontificais de Roma. “A comunidade religiosa


preferiria não ter que lidar com o problema dos fenômenos
demoníacos”, diz Ed. “Ela apenas o faz porque tem que fazer.”
Enquanto disciplina, a demonologia abrange o estudo de filosofia,
teologia, psicologia (tanto normal quanto anormal), antropologia,
química, biologia, física e metafísica. Uma abordagem assim tão
ampla permite que o clérigo-demonologista determine, quando
outros pesquisadores não o conseguem, se fenômenos incomuns
são, em última análise, de origem sobrenatural. Tais julgamentos
são sérios: a vida de pessoas costuma estar em jogo.
Além de conhecimento, o demonologista ou exorcista precisa ser
dotado de força interior inabalável e estar completamente no
comando em situações de pandemônio irrestrito e violento. “Uma
pessoa que entrasse em uma situação de plena atividade
demoníaca sem autocontrole”, observa Ed, “enlouqueceria em
cinco minutos. Os fenômenos o atacam através de todos os seus
cinco sentidos; ao mesmo tempo, eles se aproveitam da sua
psicologia pessoal. Se você apenas vacilar, você fraqueja, e se
fraqueja, cai nas garras de uma força especializada em
atormentar os inocentes, os ignorantes e os caídos.
“E o que é pior", acrescenta Ed, de forma espantosa, “esses
espíritos conhecem a sua vida inteira: passado, presente e, em
certa medida, futuro. Na verdade, quando estou trabalhando com
pessoas possuídas, a primeira coisa que a entidade possessora
normalmente me diz é: ‘Ed Warren, eu sei quem
você é!’."
Embora Ed não seja clérigo, ele realiza grande parte do trabalho
do clero nessa área. “Viagens, investigações de longa duração,
análise de dados, discernimento de forças espirituais,
aconselhamento, acompanhamento posterior — as coisas que o
clero não tem tempo de fazer —, esse é o meu trabalho, e mais",
diz Ed. “Ser um demonologista é algo que não se alardeia,
entende, porque a própria palavra tende logo a deixar as pessoas
paralisadas. Também não há motivo para alarmar as pessoas,


em especial se estiverem de fato envolvidas em uma situação de
atividade demoníaca e não saibam."
Qualquer um que já tenha testemunhado os fenômenos ignóbeis
e profanos provocados por espíritos inumanos malignos sabe
que um demonologista arrisca a vida sempre que entra em uma
casa para confrontar as forças da escuridão. Não obstante, esse
trabalho precisa ser feito. Do contrário, indivíduos que
inadvertidamente caiam na armadilha do demônio acabarão
vendo-se vulneráveis e sozinhos na presença de poderes que
são impiedosos causadores de terror e violência. E, com isso, a
estratégia do espírito demoníaco terá apenas começado.
Como o sr. Zellner tão habilmente colocou ao descrever seu
problema a Ed Warren: “Há um ser invisível e de mente
perturbada na minha casa, causando devastação e tentando me
subjugar". Embora ele não o soubesse na ocasião, o sr. Zellner
não apenas identificou o problema como definiu a estratégia
básica da força demoníaca em uma mesma afirmação.
[1] 
Padre John Nicola, Diabolical Possession and Exorcism
[Possessão Diabólica e Exorcismo].
Rockford, III: TAN, 1974.
[2] 
Padre Pio: The Stigmatist [Padre Pio: O Estigmatizado], pelo
rev. Charles Carty: TAN Books, 1953.


INFESTAÇÃO:
O INÍCIO DO PROCESSO
“Muito antes de nos envolvermos em um caso — aliás, muito
antes de sequer sabermos que há um caso”, diz Lorraine,
“eventos estranhos começam a acontecer. Eu os chamo de
‘coisinhas grandes’. O telefone tocará de maneira estranha e,
quando eu o atender, ouvirei vozes sussurrando ao longe, ou
rosnados animalescos, ou efeitos sonoros esquisitos. Mais tarde,
quando o caso vem à tona, é provável que escutemos os
mesmos sussurros ou efeitos sonoros no local mal-assombrado.
“Além disso, é provável que outros incidentes perturbadores nos
aconteçam antes do encaminhamento de um caso de atividade


demoníaca. Por volta de meia-noite, podemos ouvir alguém
caminhando em círculos no alpendre da frente, ou andando de
um lado para o outro no terraço dos fundos da casa. Então,
vamos verificar, é claro, mas ninguém estará ali, embora os
passos continuem audíveis. Outras vezes, ouvimos passos
subindo às pressas um lance de escadas dentro de casa,
tentando nos assustar. Podemos ver fortes faróis de carro se
aproximando pela entrada da garagem, seguidos do som de
passos e, então, três batidas na porta da frente. Contudo,
novamente, ao verificarmos, não haverá ninguém à porta e, de
repente, não haverá nenhum carro na entrada da garagem. Em
geral, estamos sujeitos a ouvir um tumulto lá no escritório de Ed,
embora a porta do escritório esteja trancada e os alarmes
sonoros não tenham disparado. Podemos estar sentados
tranquilamente em casa quando passa uma lufada enregelante
de vento, ou ouvimos o farfalhar de roupas, como se alguém
tivesse acabado de passar por ali. Um gato preto pode entrar
caminhando na sala de estar, se sentar e desaparecer —
simbolizando um envolvimento demoníaco.
“Duas noites atrás, Ed foi chamado para tratar de um assunto
oficial fora da cidade. Ele teve que viajar para o Meio-Oeste, e
fiquei terrivelmente apreensiva quanto à sua segurança. E
exatamente às 3h da manhã, ouvi um estrondo tremendo,
inacreditável, de alguma coisa arrebentando, inclusive janelas
quebrando e o tinir de cacos de vidro. O barulho era de fato como
se o telhado estivesse vindo abaixo!
Eu me levantei e percorri a casa usando uma lanterna — porque
a luz desorienta o espírito demoníaco —, mas não vi nada.
Embora não tivesse acontecido nada físico, aquele estrondo
ainda me fazia tremer de medo. Não dá para se acostumar com
esse tipo de coisa! Em vez disso, Ed e eu viemos a compreender
que essas ‘manobras’ negativas, como as chamamos, fazem
Baixar 1.54 Mb.

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