Ed & Lorrain Warren: Domonologistas


parto. Agora, uma mulher que queira muito ter um filho e ser uma



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Ed & Lorrain Warren Domonologi - Gerald Brittle

parto. Agora, uma mulher que queira muito ter um filho e ser uma
boa mãe dificilmente desejaria morrer no momento do parto.
Então, ela pode permanecer presa à terra, na casa —
emocionalmente ligada ao lugar. Cem anos depois, uma família
com um recém-nascido se muda para essa casa. De repente, o
fantasma de uma mulher da época vitoriana é visto no quarto do
bebê. A presença da criança desencadeou uma resposta
emocional. Esse tipo de fenômeno espiritual é muito comum e já
perdi a conta de quantas vezes aconteceu.
“Outro motivo para que um fantasma se manifeste tem por base
uma necessidade de comunicação.
Nesses casos, o espírito preso à terra está tão enredado na
própria tragédia ou situação não resolvida que se manifestará a
qualquer um a fim de tentar comunicar seu infortúnio. É por isso
que luzes se acendem e se apagam, ou se escutam batidas, ou
pequenos objetos se movem na presença das pessoas. O
espírito está tentando chamar atenção. Isso aconteceu em West
Point. De vez em quando, porém, o fantasma não sabe que está
ali. Tenho uma fotografia de um caso assim. Era um monge da
Inglaterra e eu inadvertidamente o fotografei na igreja de Borley
enquanto ele folheava um livro enorme.
“Um exemplo ainda melhor disso”, prossegue Ed, ué um caso
que aconteceu há poucos anos, aqui nos Estados Unidos. Uma
família de sete filhos já adultos e o seu pai recentemente viúvo


tinha um fantasma na sua casa. Até aí, tudo bem. Mas era um
pouco mais que isso — o espírito era a aparição da mãe.
Cerca de dois meses antes de a família nos contatar, essa
mulher voltava de carro para casa com a própria mãe, de 65
anos, após terem feito compras de Natal, quando começou a
nevar bastante. Ansiosa para chegar à casa antes que a
tempestade piorasse, essa senhora chegou a um trecho ruim da
estrada. O
carro bateu em uma árvore, matando as duas na mesma hora.
Embora a avó tenha feito a passagem de imediato, a mãe não o
fez.
“Por que ela ficou para trás na forma de um espírito? Porque a
última coisa que tinha em mente era chegar em casa: e foi para
lá que ela seguiu, mas como um espírito. Pouco tempo depois do
acidente, movimentações incomuns começaram a ocorrer na
casa. Após alguns meses, ficou claro que a origem da atividade
era o espírito da mãe. Digo claro porque o mais sensitivo dos
filhos a viu, em um estado semimaterializado, regando plantas,
arrumando as camas, fechando portas de armários; no meio da
noite, quando estava frio, ela fechava as janelas — coisas desse
tipo. No seu novo estado de consciência, essa mulher estava
totalmente inconsciente de que era, então, uma desencarnada.”
Como uma pessoa pode não perceber que é um fantasma?
“Bem, é algo parecido com uma amputação. Uma pessoa pode
pensar que a sua perna amputada está ali, quando não está.
Para o fantasma, é a mesma coisa, só que, no caso do espírito, o
corpo inteiro foi amputado.
“No entanto, naquele caso, tive que lançar mão de um médium
de transe profundo para se comunicar com a mulher”, conclui Ed.
“Hoje uma sessão longa e comovente. No início, passamos pela
rotina do


‘Não eu. Eu não sou um fantasma’, porque ela naturalmente se
recusava a aceitar o fato de estar morta.
Por fim, porém, naquela tarde, nós conseguimos fazer com que a
mulher fizesse a transição corretamente, enquanto espírito. Os
fenômenos na casa pararam de imediato, é evidente. Para
alguns, pode parecer cruel fazer essa mãe seguir adiante, mas o
espírito humano não é nenhum animalzinho de estimação.
Portanto, era imperativo que essa mulher conhecesse a sua
condição. Do contrário, no futuro, quando a família se mudasse
dali ou morresse também, ela ainda continuaria presa à terra.
Repito, tragédia e irresolução constituem os lemas da síndrome
do fantasma.”
A comunicação com uma entidade fantasmagórica ocorre, em
regra, por telepatia. Esse foi o processo que Lorraine usou em
West Point. Não foi necessário que Greer se mostrasse para se
comunicar. A telepatia foi absolutamente suficiente para fazer o
trabalho.
A telepatia, uma habilidade latente em todas as pessoas, é uma
forma de transferência de pensamento.
Em vez de uma ideia ser transmitida por meio da voz, ela é
transmitida diretamente pelo cérebro. Assim como os olhos e os
ouvidos, o cérebro — o órgão mais complexo do corpo —
também é um órgão de percepção. Colocado de outra maneira, o
cérebro pode manejar dados sensoriais que os outros cinco
sentidos não podem. Os espíritos consideram esse “sexto”
sentido o mais fácil de usar como canal de comunicação.
Contudo, o que não se sabe largamente é que a transferência de
pensamento é um fenômeno físico.
“O pensamento tem substância”, explica Ed, “e a substância do
pensamento são vibrações. Toda informação sensorial, qualquer
que seja seu tipo, chega a nós por meio de vibrações. Nosso
corpo é como uma imensa antena com receptores especializados


para captar essas vibrações específicas. Assim como ondas de
rádio, essas vibrações não podem ser vistas, embora estejam à
nossa volta. E não apenas pensamentos: tudo no mundo tem
uma vibração única própria, uma frequência especial. Por serem
as frequências diferentes entre si, o cérebro é capaz de distinguir
fisicamente uma coisa da outra.
“O único porém é que, para o cérebro humano, é impossível
distinguir entre um som real, físico, e a impressão psiquicamente
criada desse som. A frequência de ambos é idêntica. Desse
modo, quando um fantasma se comunica por telepatia, isso é
nada mais nada menos que transferência de vibrações de uma
mente para a outra. O resultado é a comunicação. Logo, é claro
que não haveria comunicação do outro lado se não existisse uma
inteligência, uma mente gerando vibrações telepáticas
direcionadas ao reino físico.
Como jovens artistas, Ed e Lorraine descobriram que grande
pane dos fenômenos em casas mal-assombradas poderia ser
atribuída a atuação de espíritos presos à terra. Com o tempo,
eles aprenderam que essas entidades desencarnadas — embora
às vezes responsáveis por fenômenos assustadores — não
existiam de fato para um proposto sinistro. Além disso, apesar da
estranha atividade que esses espíritos presos à terra eram
capazes de desencadear, eles não eram dotados de poderes
verdadeiramente misteriosos.
Em alguns casos raros, porém, ficou evidente aos Warren que
havia outra categoria completamente diferente de fenômenos. As
forças ativas nessas casas tinham poderes que eram de fato
misteriosos.
“Muitas vezes”, diz Lorraine, “chegávamos ao locai quando a
perturbação ainda estava em curso. Nós víamos a atividade por
nós mesmos, em primeira mão. Porém, acima de tudo, eu teria
que dizer que o comportamento das pessoas contava a
verdadeira história. Nós entravamos em uma casa, e a família
estava absurdamente apavorada com o que tinha visto ou


vivenciado. Além disso, naquele tempo, havia pouquíssimas ou
nenhuma instituição ou agência a que as pessoas pudessem
pedir ajuda, então, muitas vezes, essas famílias tinham que
resistir sozinhas a esses ataques inacreditáveis de espíritos
maléficos.
Quando chegávamos, elas em geral estavam exaustas,
esgotadas por causa dos fenômenos incessantes que
aconteciam à sua volta. E embora inúmeras dessas pessoas
estivessem sendo atormentadas quase que ao
ponto da loucura, muitas vezes elas não percebiam que os
espíritos — para não dizer espíritos demoníacos — eram
normalmente os responsáveis. O que estava acontecendo a
essas pessoas era inquestionável: elas estavam sitiadas.
“Em última análise, o que Ed e eu tiramos dessas primeiras
experiências foi a compreensão de que havia um espírito por trás
dos fenômenos, mas esse espírito era muito pior, muito mais
ameaçador que um simples fantasma.
“Um fantasma é basicamente uma entidade passiva com poderes
e habilidades limitados. Geralmente, ele se manifestará de
maneira aleatória, tentará se comunicar e, então, desaparecerá
de vista. Tudo se resume a um ciclo: manifestação, comunicação,
dissipação”, declara Ed. “E o fantasma apenas raramente faz
alguma coisa além de se dar a conhecer. Acabamos por
descobrir que o espírito humano comum preso à terra é um
solitário, acorrentado a um problema pessoal e buscando a
solução para o caráter fundamental desse problema. O fantasma
se comporta de formas previsíveis, quer desejando comunicar
seu pesar ou ser deixado sozinho para contemplar o próprio
infortúnio. No entanto, esses outros casos não ostentavam nem
um único padrão sequer do espírito preso à terra. O enorme
tumulto, os fenômenos negativos, o choque e o terror indicavam
que algo diferente estava atuando.”


Nos piores casos, os Warren encontravam situações em que as
coisas estavam completamente fora de controle. Ao passo que
um espírito humano relativamente dócil pudesse fazer levitar um
lápis ou quebrar uma chaleira estimada, nesses casos, a casa
inteira era destruída de maneira deliberada e sistemática.
Não raro, as pessoas da casa eram atacadas, no âmbito mental
e físico. De início, os Warren atribuíram essas perturbações a
bandos de espíritos, talvez saqueando após a morte tal como o
haviam feito na terra.
No entanto, essa explicação otimista nunca se sustentou, pois
esse era um fenômeno com um propósito —
algo que era dotado de uma inteligência misteriosa —, alguma
coisa que indicava um discernimento absolutamente perverso.
Enquanto um fantasma se manifestava a qualquer momento, do
dia ou da noite, essa espécie de fenômeno ocorria com mais
frequência na ausência de luz natural. As perturbações tendiam a
começar após o pôr do sol e terminar antes do raiar do dia. E ao
contrário de um fantasma, que demandava energia luminosa
para se manifestar, essa coisa era negra quando visível aos
olhos humanos, e parava de agir na presença de luz. Ela
aparecia como uma grande massa sem forma, em regra descrita
pelas testemunhas como “mais negra que o negror natural”.
Além disso, tudo que era associado ao espírito era aterrorizante
e negativo. Diferentemente de um fantasma, que desaparecia se
despertasse medo, esse espírito apenas se fortalecia em uma
atmosfera amedrontadora. Sua chegada fazia-se acompanhar de
uma sensação de completo pavor e mau agouro; uma inegável
atmosfera de maldade e animosidade selvagem tomava o lugar.
Em geral, um fedor repulsivo, asqueroso — de enxofre,
excremento ou carne apodrecida — enchia o lugar em que ele se
materializava; muitas vezes, deixava para trás algum resíduo de
sangue ou outros fluidos corporais. E, como um farol, ele


irradiava um inveterado senso de ódio e ciúme destrutivo; sua
atuação era cruel, violenta e iníqua.
Ademais, os Warren notaram que, quando tais entidades
estranhas estavam presentes, elas jogavam sujo, usavam
linguagem obscena e causavam ferimentos e danos.
Caso após caso, os fenômenos com que os Warren se
defrontavam traziam as mesmas marcas perversas e
aterradoras. O que era essa força depravada de ódio e violência?
Por fim, no entanto, eles já não precisavam conjecturar, pois,
para fazer-se conhecer, o espírito costumava deixar pistas
deliberadas e diretas: cruzes invertidas, montes de excremento,
poças de urina. De fato, ele em geral escrevia, com audácia, o
que era, especialmente em espelhos — ao contrário, da direita
para a esquerda: OCAINOMED
Ou, de maneira ainda mais clara:
MORTEADEUS
“Quando não rabiscava blasfêmias”, diz Ed, “ele escrevia
obscenidades degradantes, vulgares.
Quando vi essas inscrições nojentas pela primeira vez, pensei
que alguém na casa tivesse uma mente realmente doentia. Eu,
ingênuo, tentei apagar esses grafites das paredes e dos espelhos
para que Lorraine não fosse exposta a eles. Contudo, assim que
eu os apagava, eles apareciam outra vez diante dos meus olhos.
Logo ficou claro para mim que aquilo não era obra de seres
humanos — nem de espíritos humanos.
“A princípio”, admitiu ele, “toda a ideia de fenômenos demoníacos
era incompreensível para mim, como tenho certeza de que o
seria para qualquer um que se visse envolvido na mesma
situação.


Entretanto, também ficava cada vez mais óbvio que essas
perturbações eram totalmente diferentes daquelas provocadas
por espíritos humanos presos à terra. Essas entidades não só
escreviam em paredes como, em casos raros, chegavam a falar
— com uma voz física. Mesmo assim, nem Lorraine, nem eu
conseguíamos aceitar o fato. Essas forças tipicamente negativas
eram tão poderosas e ameaçadoras que fazíamos de tudo para
evitá-las no nosso trabalho. Estar apenas nas proximidades do
fenômeno já era emocionalmente pavoroso. Embora eu
soubesse que estávamos fazendo um progresso efetivo na
categorização do comportamento do espírito humano preso à
terra, aquilo era algo que nunca havíamos planejado.”
Para Ed Warren, a descoberta do reino demoníaco não era uma
espécie de ponto final em uma busca religiosa imoderada. Ele
não saíra ao mundo e encontrara “demônios” para satisfazer os
seus caprichos.
“Deparamos com essa atividade por acidente, no curso das
nossas investigações. Ela já estava lá quando a encontramos.
Mas, ao contrário do que acontece com espíritos humanos, essas
coisas não eram algo com que se deve mexer. Nós nos
mantínhamos à distância e estudávamos sua atuação tanto
quanto podíamos, ao mesmo tempo em que ajudávamos a
pessoa ou a família envolvida. Foi apenas mais tarde que
descobrimos com que ferocidade essas entidades inumanas
atacavam qualquer emblema religioso —
e, consequentemente, a real gravidade do problema do
demoníaco para o clero piedoso.” Seria possível que as crenças
religiosas dos Warren seriam capazes de afetar o que viam?
Parece que, em certa medida, uma pessoa estaria mais
propensa a perceber atividades sobrenaturais se já acreditasse
nisso.
“Faz sentido”, concorda Ed, “mas o que vimos no nosso trabalho
não poderia ter sido influenciado por aquilo em que acreditamos.
Não temos nenhum motivo para influenciar as coisas ou agir com


parcialidade. Não somos fanáticos pregadores da Bíblia. Não
cobramos por nossos serviços e somos ambos física e
mentalmente sãos. Você precisa compreender que somos
chamados por outras pessoas que já estão vivenciando a
atividade perturbadora. Seus filhos de repente começaram a agir
de forma peculiar ou as coisas estão voando pela casa, e essas
pessoas não sabem por que essas coisas estão acontecendo ou
como fazer o fenômeno parar. Então, essas pessoas acabam
pedindo nossa ajuda. Quando Lorraine e eu nos envolvemos, é
sempre após a eclosão da perturbação, não antes — e aí
fazemos o possível para identificar a origem da perturbação e
agimos de acordo com o que descobrimos a fim de fazê-la parar,
ou chamamos alguém que possa fazê-lo.
“Hoje em dia”, diz Ed, “as pessoas que não estão familiarizadas
com o problema gostam de filosofar acerca do demoníaco, como
se fosse uma ocorrência puramente psicológica, ou dizem que
ele nem sequer existe de fato. Entretanto, essas pessoas nunca
testemunharam os fenômenos por si mesmas; do contrário, não
fariam tais afirmações vazias. Ao menos uma vez, elas precisam
ter a experiência de entrar em uma casa onde esses espíritos
inumanos se manifestaram.
“Do lado de fora, os vizinhos estarão perambulando pela calçada.
Eles instintivamente sabem que alguma coisa está errada.
Quando você entra na casa, é provável que a família esteja aos
soluços ou acuada, uns agarrados aos outros de tanto pavor,
totalmente petrificados por causa de alguma coisa horrível pelo
qual tenham passado. Suas roupas talvez estejam meio
rasgadas. No ar, pode ser que paire
um forte odor de enxofre, ozônio ou excremento. Se há uma
possessão em curso, esse indivíduo é capaz de vir para cima de
você como um tremendo monstro. Objetos estarão levitando. O
interior da casa talvez esteja arruinado devido à ação de forças
invisíveis: todos os objetos, grandes ou pequenos, estarão
revirados e quebrados. É muito comum que se ouçam pancadas


inacreditáveis vindas das paredes. E nas próprias paredes, é
provável que afirmações obscenas ou antirreligiosas tenham sido
escritas por mãos invisíveis em uma dúzia de línguas diferentes.
Coisas vão se materializar e desmaterializar bem diante dos seus
olhos. Objetos religiosos são profanados ou pendurados de
cabeça para baixo, bem à vista de todos. Pequenas labaredas
podem estar tremulando nos cantos das cadeiras, as cortinas
talvez já tenham sido consumidas em chamas. Caos absoluto! E,
envolvendo tudo isso, haverá uma atmosfera de perversidade tão
densa que você poderia cortá-la com uma faca. Ecoarão gritos
pavorosos, profundos gemidos sinistros ou gargalhadas
maníacas, capazes de fazer o seu sangue gelar nas veias.
Então, em algum momento — se você estiver sem sorte —, o
próprio espírito pode surgir pela porta, ou sair da parede, ou se
manifestar atrás de você e, de repente, fica muito claro que
aquilo não é uma fantasia distorcida passível de explicação. É
um verdadeiro ataque físico contra a humanidade e que ocorre
de maneira proposital e direcionada.”
Curiosamente, os Warren vieram a descobrir que os fenômenos
provocados por espíritos inumanos ocorriam em etapas. No
início, enquanto o espírito se estabelecia no lugar, a atividade era
apenas moderada, cautelosa, para não causar alarme. Contudo,
nem todas as pessoas estavam sujeitas a enfrentar tais
fenômenos. Em geral, indivíduos específicos eram selecionados
para a incursão ou o ataque. E havia um motivo para que eles
fossem o alvo — como duas jovens enfermeiras descobriram
recentemente.


ANNABELLE
Quando o telefone toca na casa dos Warren e um clérigo com um
tom de voz sombrio do outro lado da linha pede para falar com
Ed, é grande a probabilidade de que algo sério tenha acontecido.
Foi assim com “Annabelle”.
Desta vez, o encaminhamento vinha de um padre episcopal.
Telefonando dos escritórios administrativos da Igreja em
Connecticut, o clérigo estava repassando uma mensagem que
recebera de um ministro de outro local do estado. Embora as
informações dadas pelo padre fossem superficiais, ele disse a Ed
que duas jovens enfermeiras haviam se “comunicado” com o que
julgavam ser um espírito humano.


Porém, o padre tinha dúvidas de que esse fosse mesmo o caso,
porque o pedido de ajuda incluía o fato de que um amigo das
garotas havia sido atacado — fisicamente. Conquanto os
ferimentos não fossem sérios, a atividade ainda estava em curso,
e uma das garotas parecia acreditar que havia algo estranho
dentro do seu apartamento. “Você investigaria o caso mais a
fundo”, solicitou ele, “e, como demonologista, poderia
recomendar alguma ação formal da Igreja, caso necessário?”
Concordando com a avaliação do clérigo de que algo de natureza
espiritual negativa pudesse estar atuando, Ed Warren aceitou o
encaminhamento. Com isso, o padre informou a Ed o número de
telefone e o nome das jovens. Após falar com o sacerdote, Ed
ligou imediatamente para o número que lhe fora dado.
Ao conseguir contatar uma das enfermeiras, Ed averiguou a
existência do problema e disse à jovem que ele e Lorraine
estavam a caminho...
Embora o tráfego estivesse tranquilo na interestadual naquele
dia, os Warren levaram bem mais de uma hora para chegar ao
endereço do moderno prédio baixo de apartamentos. Após
estacionarem o carro, o casal foi até a porta da frente e Ed tocou
a campainha. Ele levava consigo um gravador de fita cassete,
uma câmera e uma maleta preta. O som de passos que se
aproximavam pelo lado de dentro logo se fez ouvir. Ferrolhos de
trancas foram soltos, e uma jovem de 25 anos, atraente, ainda
que de rosto sério, chamada Deirdre Bernard, abriu a porta. Ed e
Lorraine Warren apresentaram-se e, em seguida, foram levados
ao apartamento.
A jovem enfermeira conduziu os Warren até a cozinha, passando
por uma ampla sala de estar. Ali, Cal Randell e sua noiva, Lara
Clifton, estavam sentados à mesa tomando um café. Deirdre
apresentou-lhes os Warren, mas os jovens falaram muito pouco.
A expressão facial séria e esgotada dos três dizia tudo. Os
demonologistas então se sentaram à mesa junto com os jovens.
Após inserir a fita cassete no gravador, Ed ligou o aparelho e


registrou o horário, a data, o endereço e o nome completo dos
principais envolvidos no caso.
“Tudo bem", começou ele. “Eu gostaria de ouvir a história inteira,
desde o começo. Quem aqui pode contá-la?”
“Eu posso”, respondeu Deirdre.
“Certo. Cal, Lara, por favor, acrescentem qualquer detalhe que
ela deixar de mencionar”, orientou Ed.
“São duas histórias, na verdade”, disse Deirdre. “Uma que
começou no início da semana, com Cal. A outra é sobre
Annabelle. Mas suponho que ambas sejam sobre Annabelle. Não
tenho certeza.”
“Quem é Annabelle?”, perguntou Ed na mesma hora.
“Ela pertence a Deirdre”, tomou Lara.
“Pertence?”, indagou Lorraine. “Annabelle é um ser vivo?”
“Se ela é viva?”, tomou Deirdre, confusa. “Ela se mexe. Age
como se estivesse viva. Mas não, acho que ela não é viva.”
“Annabelle está na sala de estar”, disse Lara, apontando por
cima da mesa. “Está sentada no sofá.”
Lorraine olhou para a esquerda, para a sala de estar. “Você está
falando da boneca?”
“Isso mesmo”, respondeu Lara. “Aquela boneca de pano
Raggedy Ann, grande. Aquela é Annabelle.
Ela se mexe!”
Ed se levantou e foi até a sala de estar para inspecionar a
boneca. Ela era grande e pesada, do tamanho de uma criança de
quatro anos de idade, e estava sentada com as pernas


estendidas no sofá. Os olhos negros sem pupila encararam-no
de volta, enquanto o sorriso pintado dava à boneca uma
expressão de ironia sinistra. Depois de examinar a coisa sem
tocá-la, Ed voltou à cozinha.
“De onde veio a boneca?", Ed perguntou a Deirdre.
“Foi um presente”, respondeu a jovem. “Minha mãe me deu no
meu último aniversário."
“Existe algum motivo para sua mãe ter comprado uma boneca
para você?”, indagou Ed.
“Não. Era só uma novidade — para decoração”, disse a
enfermeira.
“Tudo bem”, prosseguiu ele. “Quando você começou a notar a
ocorrência de alguma atividade?"
“Há mais ou menos um ano”, disse Deirdre. “A boneca começou
a andar sozinha pelo apartamento.
Não estou querendo dizer que ela se levantou e andou por ai,
nem nada assim. Quero dizer que, quando chegávamos do
trabalho, ela nunca estava exatamente onde a tínhamos
deixado.”
“Explique essa parte um pouco melhor”, solicitou Ed.
“Depois que ganhei a boneca de aniversário”, explicou Deirdre,
“eu a deixava em cima da cama todo dia de manhã, depois que a
cama estava arrumada. Os braços ficavam ao lado do corpo e as
pernas, estendidas para frente — exatamente como ela está
sentada ali, agora. Porém, quando voltávamos para casa, à noite,
os braços e as pernas estavam posicionados de formas
diferentes. Por exemplo, as pernas estavam cruzadas na altura
dos tornozelos, ou os braços estavam cruzados no colo dela.
Depois de mais ou menos uma semana, isso nos deixou


desconfiados. Então, para fazer um teste, de manhã eu cruzava
de propósito os braços e as pernas da boneca, para ver se ela
realmente se mexia. E, é claro, toda noite, quando voltávamos
para casa, os braços e as pernas estavam descruzados e a coisa
estava sentada ali em uma dúzia de posturas diferentes.”
“É, mas ela fazia mais que isso”, interrompeu Lara. “A boneca
também mudava de cômodo sozinha.
Voltamos para casa uma noite e Annabelle estava em uma
cadeira ao lado da porta da frente. De joelhos!
Mas, o engraçado foi que, quando nós tentamos fazer a boneca
ficar de joelhos, ela simplesmente desabou. Era impossível
colocá-la de joelhos. Outras vezes, nós a encontrávamos
sentada no sofá, apesar de, ao saímos do apartamento, de
manhã, ela ter ficado no quarto de Deirdre, com a porta fechada!”
“Mais alguma coisa?”, perguntou Lorraine.
“Sim”, disse Deirdre. “Ela nos deixava bilhetinhos e recados. A
caligrafia parecia ser de uma criança pequena.”
“O que os bilhetes diziam?”, indagou Ed.
“Diziam coisas que não faziam nenhum sentido para nós”,
respondeu Deirdre. “As mensagens eram como ajude a gente ou
ajude cal, mas Cal não estava correndo nenhum tipo de risco na
ocasião. E quem era ‘a gente? Nós não sabíamos. Além disso, o
mais esquisito era que os bilhetes estavam escritos a lápis mas,
quando tentávamos encontrar um lápis, não havia nenhum no
apartamento! E o papel em que ela escrevia era pergaminho.
Revirei o apartamento, procurando papel tipo pergaminho, mas,
outra vez, nenhuma de nós tinha esse tipo de coisa.” “Parece que
alguém tinha a chave do apartamento e estava pregando uma
peça de mau gosto em vocês”, declarou Ed categoricamente.


“Foi exatamente o que pensamos”, disse Deirdre. “Então, fizemos
algumas coisinhas, como deixar marcas nas janelas e portas, ou
ajeitar os tapetes de modo que qualquer um que entrasse aqui
deixaria uma pista que pudéssemos ver. Mas nunca, nem uma
única vez, apareceram sinais de que houvesse mesmo um
intruso vindo de fora.”
“Enquanto a boneca ficava mudando de lugar e nós passamos a
desconfiar de ladrões, outra coisa absurda aconteceu”,
acrescentou Lara, em seguida. “A boneca Annabelle estava
sentada na cama de Deirdre, como sempre. Quando voltamos
para casa, uma noite, havia sangue nas costas da mão da
boneca, e três gotas de sangue no peito dela!” “Meu Deus, aquilo
realmente nos deixou apavoradas”, disse Deirdre, com
franqueza.
“Vocês notaram qualquer outro tipo de fenômeno ocorrendo no
apartamento?”, perguntou Ed.
“Uma vez, perto do Natal, encontramos no aparelho de som uma
botinha de chocolate que nenhum de nós havia comprado.
Supostamente, ela veio de Annabelle”, disse Lara.
“Quando vocês chegaram à conclusão de que havia um espírito
associado à boneca?”, indagou Lorraine.
“Sabíamos que alguma coisa esquisita estava acontecendo”,
respondeu Deirdre. “A boneca de fato mudava sozinha de um
cômodo para o outro. Ela realmente ficava em posturas
diferentes, todos nós vimos. Mas queríamos saber por quê. Será
que podia haver uma razão plausível para a boneca estar se
mexendo? Então, Lara e eu entramos em contato com uma
mulher que é médium. Isso foi há mais ou menos um mês, ou
talvez seis semanas depois que tudo isso começou a acontecer.”
“O que vocês descobriram?”
“Descobrimos que uma garotinha morreu nesta propriedade”,
Deirdre contou aos Warren. “Ela tinha 7


anos e o seu nome era Annabelle — Annabelle Higgins. O
espírito de Annabelle disse que brincava nos campos muito
tempo atrás, antes de estes apartamentos serem construídos.
Ela nos disse que aqueles foram ‘tempos felizes’. Como todos
por aqui eram adultos e só se preocupavam com os seus
empregos, não havia ninguém com quem ela pudesse interagir,
só a gente. Annabelle sentia que nós conseguiríamos entendê-la.
Foi por isso que ela começou a movimentar a boneca de pano.
Tudo o que Annabelle queria era ser amada, então ela pediu se
poderia ficar conosco e se mudar para dentro da boneca. O que
podíamos fazer? Então, dissemos sim.”
“Espere um instante”, interrompeu Ed. “O que você quer dizer
com ela queria se mudar para dentro da boneca? Está dizendo
que ela propôs possuir o brinquedo?”
“Correto, esse foi o trato”, tomou Deirdre. “Parecia bastante
inofensivo. Somos enfermeiras, sabe, vemos sofrimento todos os
dias. Tivemos compaixão. De qualquer forma, começamos a
chamar a boneca de Annabelle dali em diante.”
“Vocês fizeram alguma coisa diferente com a boneca depois de
descobrirem que ela estava supostamente possuída pelo espírito
de uma menininha chamada Annabelle?”, perguntou Lorraine.
“Na verdade, não”, disse Deirdre. “Mas, é claro, ela já não era só
uma boneca. Era Annabelle. Não podíamos ignorar esse fato.”
“Certo, antes que você vá em frente, vamos voltar um instante”,
pediu Ed. “Primeiro, você ganhou a boneca no seu aniversário.
Depois de um tempo, a boneca começou a se mover — ou, pelo
menos, a mudar de lugar o suficiente para que vocês o
notassem. Isso as deixou curiosas, então vocês decidiram fazer
uma sessão espírita, e um espírito se comunicou, dizendo que se
chamava Annabelle Higgins. Esse suposto espírito de uma
garotinha tinha 7 anos e pediu para vir morar com vocês,
possuindo a boneca.


Vocês concordaram, por compaixão. Então, passaram a chamar
a boneca de Annabelle. Correto?”
“Correto”, disseram Deirdre e Lara.
“Vocês alguma vez viram o fantasma de uma garotinha neste
apartamento?”, perguntou Ed.
“Não”, responderam ambas as jovens.
“Vocês disseram que um chocolate apareceu aqui certa vez”,
comentou Ed. “Aconteceu mais alguma
coisa estranha que vocês não conseguiriam explicar?”
“Uma vez, uma estatueta se ergueu no ar, do outro lado da sala”,
recordou Deirdre. “Então, ela deu uma cambalhota no ar e caiu
no chão. Nenhuma de nós estava perto da estatueta — ela
estava do outro lado da sala. Esse incidente nos deixou
completamente apavoradas.”
“Deixem-me perguntar outra coisa”, continuou Ed. “Vocês não
pensaram que talvez não devessem ter dado tanta atenção a
uma boneca?”
“Não era uma boneca!", corrigiu-o Deirdre. “'Era com o de
Annabelle que nós nos importávamos!”
“É isso mesmo!”, disse Lara.
“Quero dizer, antes de vocês saberem qualquer coisa sobre
Annabelle - “Como poderíamos saber alguma coisa?”, perguntou
Deirdre. “Mas, pensando bem, vendo agora, talvez não
devêssemos ter dado tanta credibilidade à boneca. Mas, de
verdade, víamos a coisa como nada além de uma mascote
inofensiva. Ela nunca fez mal a ninguém... pelo menos até outro
dia.”


“Vocês ainda acham que o que está movimentando a boneca
seta o espirito de uma garotinha?”, indagou Lorraine.
“O que mais poderia ser?”, disse Lara, em resposta.
“É uma maldita boneca de vodu, é isso o que ela é”, soltou Cal.
"Faz muito tempo que falei a elas sobre aquela coisa. A boneca
estava só tirando vantagem delas...”
“Tudo bem, Cal, acho que chegou a hora de você contar a sua
versão das coisas’, observou Ed, dirigindo-se ao rapaz.
“Deixe-me colocar desta forma: eu não gostei da boneca, e a
boneca também não gostou de mim”, disse ele. “Aquela coisa
pensa, e bonecas não pensam, certo? Então, desde o começo,
não achei que essa corsa andando pelo apartamento delas fosse
bonitinha.”
“Além disso, conte-me o que aconteceu a você*, disse Ed.
“Conte a eles sobre os sonhos*, persuadiu-o Lara.
“Bem”, continuou Cal, “a coisa me faz ter pesadelos. Recorrentes
Mas, ainda assim, o que vou contar a vocês não é um sonho, na
minha opinião, porque, de alguma forma, vi acontecer comigo.
Da última vez que aconteceu, caí no sono em casa, um sono
muito pesado. Enquanto eu estava ali, deitado, me vi acordar.
Alguma coisa me parecia errada. Eu olhava ao redor do quarto,
mas não havia nada fora do lugar. Então, quando olhei para
baixo, para os meus pés, vi a boneca de pano, Annabelle. Ela
estava subindo devagar pelo meu corpo. Ela chegou ã altura do
meu peito e parou. Então, abriu os braços. Um deles tocou um
lado do meu pescoço, e o outro tocou o outro lado, como se
estivesse fazendo uma conexão elétrica. Daí, eu me vi sendo
estrangulado. Eu me contorcia e tentava empurrar a boneca para
longe do meu peito, mas eu bem que podia estar empurrando
uma parede, porque ela mio se movia. Eu estava literalmente


sendo estrangulado até a morte, mas não conseguia sair daquela
situação, não importa o quanto eu tentasse.”
“Sim, mas o padre com quem falei disse que você tinha sido
fisicamente atacado. É isso que considera o ataque físico?”,
pressionou-o Ed.
“Não”, declarou Cal. “Isso aconteceu aqui, neste apartamento,
quando Lara e eu estávamos sozinhos.
Eram mais ou menos 22h ou 23h e estávamos estudando alguns
mapas porque eu ia viajar no dia seguinte.
Tudo estava quieto naquela hora. De repente, nós dois ouvimos
barulhos no quarto de Deirdre, o que nos fez pensar que alguém
havia invadido o apartamento. Eu me levantei e fui em silêncio
até a porta do quarto, que estava fechada. Esperei até os
barulhos pararem, abri a porta com cuidado e coloquei a mão
para dentro para acender a luz. Ninguém estava lá dentro! Só
que a boneca Annabelle estava jogada a um canto, no chão.
Entrei sozinho e caminhei até a coisa para ver se algo esquisito
havia acontecido. Porém, quando cheguei perto dela, tive a nítida
impressão de que alguém estava atrás de mim. Eu me virei no
mesmo instante e, bem...”
“Ele não vai falar sobre essa parte”, declarou Lara. “Quando Cal
se virou, não havia ninguém ali, mas, de repente, ele soltou um
berro e agarrou o peito. Ele estava com o tronco encurvado, tinha
cortes e estava sangrando quando cheguei até ele. A camisa
estava ensopada de sangue. Cal estava tremendo, apavorado.
Voltamos para a sala de estar. Então, abrimos a camisa dele e,
no peito, havia o que pareciam ser marcas de garras!”
“Posso ver a marca?”, perguntou Ed.
“Já sumiu agora”, disse-lhe o rapaz.


“Eu também vi os cortes no peito dele”, manifestou-se Deirdre,
em apoio aos amigos.
“Quantas havia?”, indagou Ed.
“Sete”, disse Lara. “Três eram verticais, quatro horizontais.”
“Você tinha alguma sensação nos cortes?”
“Todos os cortes eram quentes, como se fossem queimaduras”,
disse o rapaz.
“Você já teve cortes ou ferimentos na mesma região do peito
antes de acontecer esse incidente?”, questionou Ed.
“Não”, tornou ele.
“Você perdeu a consciência antes ou depois de o ataque
acontecer?"
“Não”, foi novamente a resposta.
“Quanto tempo levou para os ferimentos cicatrizarem?”,
perguntou Lorraine Warren.
“Elas cicatrizaram bem depressa”, disse Cal. “Já tinham quase
sumido no dia seguinte, e sumido totalmente no outro.”
“Aconteceu mais alguma coisa desde então?”, perguntou Ed.
“Não”, foi a resposta de todos.
“Quem foi a primeira pessoa que vocês contataram depois que
ocorreu o incidente?”
“Entrei em contato com um padre episcopal chamado Kevins”,
Deirdre informou a Ed e Lorraine.


“Por que vocês decidiram chamá-lo em vez de chamar um
médico?”, indagou Lorraine.
“Você acha que alguém de fora teria acreditado de onde tinha
vindo aquela marca de garras no peito de Cal?”, perguntou
Deirdre, retoricamente. “Além disso, concordamos que os cortes
eram menos importantes do que o modo como Cal foi ferido.
Queríamos saber se isso aconteceria outra vez. Nosso problema
era: a quem perguntar?”
“Há algum motivo para vocês terem chamado especificamente o
padre Kevins?”, questionou Lorraine.
“Sim. Confiamos nele”, disse Deirdre. “Ele dá aulas aqui perto,
em uma faculdade que ministra apenas os dois primeiros anos
dos cursos de graduação. Além disso, Lara e eu o conhecemos.”
“O que vocês contaram ao padre?”, perguntou Ed.
“A história toda — sobre Annabelle e como ela se movia sozinha,
e principalmente sobre os cortes de Cal”, respondeu Deirdre. “No
início, tivemos receio de que ele não acreditasse, mas não foi
esse o problema — ele até que acreditou. No entanto”, concluiu
ela, “o padre disse que nunca tinha ouvido falar desse tipo de
coisa acontecendo hoje em dia. Nós estávamos morrendo de
medo na ocasião, e perguntei o que ele achava que tinha
acontecido conosco.”
“O que ele falou?”, indagou Ed.
“Ele disse que não queria fazer especulações”, respondeu
Deirdre. “Mas o padre parecia realmente ter a impressão de que
era uma questão espiritual, possivelmente algo importante, e
disse que entraria em contato com alguém de grau mais elevado
na Igreja — um tal padre Everett.”
“Foi isso o que ele fez”, informou-lhe Ed.


Então, preocupada, Lara perguntou aos Warren: “O que vocês
acham que fez aquilo no peito de Cal?”.
“Vamos discutir isso em um instante”, respondeu Ed. “Primeiro,
para encerrarmos, deixem-me apenas fazer algumas perguntas.
Esse tipo de coisa já aconteceu a vocês antes — a qualquer um
de vocês?”
“Não”, os jovens disseram aos Warren.
“O nome Annabelle, ou Annabelle Higgins, significava alguma
coisa para vocês, na vida real, antes de esse incidente ocorrer?”
“Não”, responderam eles mais uma vez.
“Embora vocês nunca tenham visto nada de natureza espiritual
aqui, Cal disse ter sentido uma presença no quarto antes de ser
ferido...”
“Existe alguma coisa aqui”, afirmou Lara, com firmeza. “Na
verdade, já não suporto mais ficar neste lugar. Decidimos arranjar
um novo apartamento. Vamos sair daqui!”
“Temo que isso não será de grande ajuda para vocês”, disse Ed.
“O que quer dizer?”, perguntou Deirdre, espantada.
“Para resumir, pessoal, vocês inadvertidamente trouxeram um
espírito para dentro deste apartamento
— e para as suas vidas. E não conseguirão se livrar dele com
essa facilidade.”
A afirmação de Ed era compreensivelmente inquietante. Por
prudência, ele e Lorraine permaneceram calados para que os
três jovens colocassem os pensamentos em ordem.
Passado um longo minuto, Ed tomou a falar. “Conseguiremos
ajudá-los, e vamos começar hoje mesmo.


Agora. A primeira coisa que eu gostaria de fazer é telefonar para
padre Everett e pedir que ele venha até aqui. Então, vocês terão
que compreender o que aconteceu e por que Cal recebeu aquela
horrível marca de garras no peito. Eu poderia usar o telefone?”
Ed não teve problemas para contatar o padre episcopal, que já
estava à espera do seu telefonema. Lorraine, enquanto isso,
dirigiu-se à sala de estar para detectar a presença espiritual que
estava no apartamento. Depois do telefonema, os Warren
retomaram à cozinha junto com os outros.
“Tudo bem”, disse Ed, impassível, “quando o padre Everett
chegar, ele vai realizar uma espécie de bênção, um... exorcismo
da propriedade.” “Eu sabia!”, declarou Cal, enfático. “Eu sabia
que ia dar nisso.”
“Sim, creio que sim”, disse-lhe Ed. “Mas, não estou certo de que
algum de vocês saiba por que motivo. Para começar, não existe
nenhuma Annabelle! Nunca existiu. Vocês foram enganados. No
entanto, estamos de fato lidando com um espírito aqui. O
teletransporte da boneca enquanto vocês estavam fora do
apartamento, o aparecimento de bilhetes escritos em
pergaminho, a manifestação simbólica de três gotas de sangue e
os gestos que a boneca fazia, tudo isso é significativo. Essas
coisas me dizem que havia intento} o que significa que havia uma
inteligência por trás da atividade. No entanto, fantasmas —
espíritos humanos — pura e simplesmente não conseguem
provocar fenômenos dessas natureza e intensidade. Eles não
têm esse poder. Em vez disso, o que se apossou deste lugar é
algo inumano.”
“Inumano?”, perguntou Cal, perplexo.
“Demoníaco”, disse-lhe Ed de imediato. “Normalmente, as
pessoas nunca são incomodadas por espíritos demoníacos
inumanos, a menos que façam alguma coisa para trazer essa
força para as suas vidas. E, sinto dizer, garotas, mas vocês
fizeram algo para trazer o demoníaco para as suas vidas.”


“Como o quê?”, Deirdre logo indagou.
“Bem, na sua maioria, vocês cometeram erros honestos mas,
neste caso, cometeram os piores erros”, respondeu Ed. “O
primeiro erro de vocês foi ter dado tanta atenção para a boneca.
Vejam, a razão pela qual o espírito movimentou a boneca, no
início, era chamar atenção para si. Ao conseguir a atenção de
vocês, ele passou a explorá-las. Em vez de retribuir a sua
preocupação e o seu cuidado, ele simplesmente lhes causou
medo e até mesmo ferimentos físicos. Essa é a natureza do
espírito inumano: ele é negativo, gosta de provocar dor. Logo no
início vocês não deveriam ter tolerado a atividade incomum. No
entanto, em vez de cortar o mal pela raiz, o fato despertou a
curiosidade de vocês e isso foi notado — em termos
sobrenaturais.
“O erro seguinte foi contatar uma médium”, prosseguiu Ed.
“Quem quer que tenha atuado como médium foi
involuntariamente usada pela entidade como instrumento de
comunicação. Durante a sessão, esse espírito inumano
transmitiu informações falsas a vocês. O espírito demoníaco é
mentiroso. Ele já foi até
chamado de Pai da Mentira. Vocês foram enganadas — por um
espírito da mentira — e, sem suspeitar de nada, acreditaram na
história. O pior erro, porém, foi dar ao espírito a permissão de
que ele precisava para ‘entrar na boneca’. Era isso o que ele
queria e tirou proveito do fato de vocês ignorarem sua existência
para fazê-lo.”
“Por quê?", indagou Lara.
“Porque, para de fato interferir na vida de vocês, o espírito
demoníaco precisa obter sua permissão para fazê-lo de algum
modo. E, infelizmente, por meio da sua livre e espontânea
vontade, vocês lhe deram essa permissão. Foi o mesmo que
entregar uma arma carregada a um maníaco.”


“Então, a boneca está possuída?”, quis saber Deirdre.
“Não, ela não está possuída. Espíritos não possuem objetos:
espíritos possuem pessoas”, informou Ed.
“Em vez disso, o espírito apenas movimentou a boneca pelo
lugar, criando a ilusão de que ela estivesse viva. Mas, como
vocês, moças, acreditavam que era o espírito de uma garotinha,
Annabelle, a aparência e a realidade eram a mesma coisa. Em
resumo, vocês se mantiveram abertas, e um espírito negativo e
enganador tirou vantagem disso — com a sua permissão, é claro.
Foi assim que o fenômeno foi provocado.”
Ed fez uma pausa para ver se havia mais alguma pergunta, mas
nenhuma foi feita.
“Agora, o que aconteceu a Cal no início desta semana*,
continuou ele, “acabaria acontecendo mais cedo ou mais tarde.
Na realidade, vocês todos estavam correndo o risco de ser
possuídos por esse espírito, e era isso o que a coisa estava
realmente querendo. Mas Cal aqui não acreditou na encenação
e, portanto, era uma ameaça constante à entidade. De uma
forma ou de outra, acabaria havendo um confronto. E o que
aconteceu? Para começar, o espírito tentou estrangular Cal até a
morte. Quando isso não deu certo, ele o cortou com uma marca
simbólica de garras, lá vimos essa marca de garras em outros
casos: é um sinal indicativo de uma presença inumana. Vocês se
safaram desta vez. Se tivessem dado ao espírito mais uma ou
duas semanas, todos vocês poderiam ter sido mortos.’
“Esse... esse... espírito demoníaco está no apartamento agora?’,
perguntou Lara, petrificada.
“Sim, receio que sim”, respondeu Lorraine. “Há apenas uma
entidade envolvida, mas seu comportamento é absolutamente
imprevisível.”


Parecia que as palavras dos Warren começavam a ser
compreendidas. “Vocês estão falando sério, não é?’, disse
Deirdre, incrédula.
A campainha da frente tocou. O padre Everett havia chegado. A
conversa na cozinha terminou quando Deirdre se levantou para
atender à porta. Com a proximidade do pôr do sol, que
aconteceria dali uma hora, Ed estava ansioso para que a
residência fosse abençoada para que pudesse então retirar a
boneca dali e voltar para casa.
Enquanto os Warren recolhiam suas coisas, o padre Everett — a
quem Ed e Lorraine nunca haviam visto pessoalmente — entrou
na cozinha. O padre episcopal, um homem alto de meia-idade,
estava claramente desconfortável no seu papel de exorcista.
Após a troca dos cumprimentos preliminares, Ed disse ao padre
que, em seu julgamento, o espírito responsável pela atividade
perniciosa era inumano, ainda estava no apartamento e que a
única maneira de fazê-lo sair dali seria pelo poder das palavras
escritas na benção do exorcismo.
“Não estou de todo familiarizado com a demonologia”, admitiu o
padre, “Como você sabe que esse tipo de espírito está por trás
da perturbação?"
“Bem, neste caso, não foi tão difícil chegar a essa conclusão’,
disse Ed, com franqueza. “Esses espíritos agem de formas
características. O que está acontecendo aqui é basicamente o
estágio de infestação do fenômeno. Um espírito, neste caso, um
espírito demoníaco inumano, começou a movimentar a boneca
pelo apartamento por meio de teletransporte e outros
mecanismos. Após despertar a curiosidade das moças —- que
era o objetivo do espírito ao movimentar a boneca —, elas
cometeram o erro previsível de trazer para cá uma médium, que
fez com que a situação evoluísse. A mulher disse às
garotas, no estado de transe, que o espirito de uma garorinha
chamada Annabelle estava movendo a boneca. Comunicando-se


por intermédio da médium, a entidade se aproveitou da
vulnerabilidade emocional das moradoras do apartamento e
durante a sessão conseguiu extrair delas a permissão para
prosseguir com o seu intento. Visto que o demoníaco é um
espírito negativo, ele começou então a provocar a ocorrência de
fenômenos ostensivamente negativos: causou medo com os
movimentos esquisitos da boneca; promoveu a materialização de
bilhetes perturbadores, escritos à mão; deixou resíduos de
sangue na boneca; e, por fim, chegou a ferir o rapaz, Cal, no
peito, abrindo uma sangrenta marca de garras.
“Além da atividade, Lorraine também detectou que esse espírito
inumano está conosco agora. Lorraine é uma excelente
clarividente e nunca se enganou quanto à natureza de um
espírito que esteja presente. No entanto, se o senhor quiser ir
adiante, podemos desafiar a entidade agora mesmo com
provocação religiosa. O senhor poderá ver por si mesmo...”
“Não, creio que não", tomou o padre Everett. “Por que não
fazermos simplesmente o que tem que ser feito?”
Neste caso, o padre levou cerca de cinco minutos para recitar a
bênção do exorcismo em cada cômodo do apartamento. A
bênção episcopal de um lar consta de um documento prolixo de
sete páginas e tem um caráter marcadamente positivo. Em vez
de especificamente expulsar entidades malignas da residência, a
ênfase é encher a casa com o poder da positividade — o poder
de Deus.
Não houve problemas nem acidentes durante o procedimento. Ao
terminar o exorcismo da residência, o padre abençoou as
pessoas presentes e, em seguida, declarou que estava tudo
bem. Lorraine também confirmou que o apartamento e as
pessoas estavam livres da entidade espiritual infestadora.
Concluído o seu trabalho, Ed e Lorraine despediram-se e
Baixar 1.54 Mb.

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