Ed & Lorrain Warren: Domonologistas


parte do culto demoníaco são de fato perigosas, como demonstra



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Ed & Lorrain Warren Domonologi - Gerald Brittle

parte do culto demoníaco são de fato perigosas, como demonstra
a história dos Warren. No entanto, este é um perigo profundo e
real, não um mero acaso. Como muitas vidas foram
intensamente perturbadas e algumas ceifadas mediante
assassinatos e “acidentes”, constitui extrema imprudência, por


parte das pessoas, brincar com poderes que elas não podem
controlar e menos ainda compreender.
O Deus da Bíblia é o Deus da verdade que descreve Satã como
o Pai da Mentira. Abrirmo-nos às verdades de Deus e às Suas
promessas é sermos humildes. Vivermos Suas verdades é
estarmos a salvo do mal assustador que leva à destruição.
Pessoalmente, espero que todos aqueles que leiam estes relatos
sejam tocados pela graciosa afabilidade de Ed e Lorraine Warren
e abram o coração e a vida ao salvífico Espírito de Nosso Deus
de Amor.
Reverendo John C. Hughes, M.S.


ALÉM DE AMITYVILLE
Do lado de fora do escritório de Ed Warren, no Condado de
Fairfield, o relógio de uma antiga capela marcava o passar dos
minutos com uma precisão discreta e mecânica. Tudo o mais
estava imóvel. Era uma noite escura e fria, que já ia avançada,
na Nova Inglaterra.
Dentro do escritório, uma luminária de latão iluminava a
escrivaninha à qual Ed Warren, um homem de 50 anos, grisalho
e pensativo, estava sentado, trabalhando. Centenas de livros o
cercavam, a maioria deles trazendo estranhos títulos arcanos
sobre a misteriosa tradição da demonologia. Acima da
escrivaninha pendiam fotografias de monges e exorcistas de
semblante carrancudo, cada qual ao lado de Ed Warren em
cenários que lembravam monastérios. Para Ed, que estava ali
trabalhando no silêncio sepulcral da noite, aquele fora um dia
sinistro — um dia que ainda não tinha terminado.
No último instante antes da hora cheia, o movimento do relógio
ganhou vida em uma sequência de cliques e relés, soando enfim
três sonoras badaladas sombrias. À terceira, Ed ergueu os olhos,
ficou atento aos sons da escuridão e então voltou a escrever.
Eram 3h, a verdadeira hora das forças do mal, a hora do
Anticristo. E agora, sem que o soubesse, Ed Warren seria
atacado a qualquer instante.
Apenas algumas horas antes, Ed e Lorraine Warren retomavam à
sua residência em Connecticut após terem sido chamados para
investigar certas alegações sobre a existência de uma “casa mal-
assombrada”
no litoral sul de Long lsland, em um agradável bairro residencial
da cidade de Nova York. Em dezembro de 1975, a casa fora
comprada por George e Kathleen Lutz, que para lá se mudaram
com os três filhos pequenos por volta do Natal daquele ano. Um
ano antes de os Lutz comprarem a casa, o filho mais velho do
antigo proprietário assassinou os seis membros da família


enquanto eles dormiam, às 3hl5 da madrugada do dia 13 de
novembro de 1974, com um rifle calibre.3
5[1]
. Em 14 de janeiro
de 1976, os Lutz fugiram da casa, afirmando que haviam sido
vítimas de forças sobrenaturais manifestas. Esse caso veio a ser
conhecido mais tarde como Amityville
[2]
.
Ao final de janeiro de 1976, a imprensa já havia tomado
conhecimento das alegações da família Lutz acerca de sua
bizarra experiência na casa, e convocou prontamente
especialistas para investigar o caso.
Os especialistas requisitados foram Ed e Lorraine Warren. Os
Warren foram consultados porque, em círculos profissionais, são
considerados talvez as maiores autoridades do país em questões
relativas a espíritos e fenômenos sobrenaturais. Ao longo de pelo
menos três décadas, Ed e Lorraine Warren investigaram mais de
3 mil perturbações paranormais e sobrenaturais.
A pergunta que os veículos jornalísticos queriam que fosse
respondida era basicamente se havia um
“fantasma” na casa à época.
A resposta dada pelos Warren ao final de três dias de
investigação, porém, foi algo que ninguém podia esperar. Na
realidade, a resposta era literalmente difícil de acreditar.
“Sim”, revelaram eles, “na nossa opinião, havia um espírito
atormentando os Lutz na casa. Contudo”, concluíram, “nenhum
fantasma estava presente.”
O que significava essa afirmação paradoxal? Implicaria a
existência de outros tipos de espíritos além de fantasmas?
Por incrível que pareça, a resposta que os Warren deram foi:
“Sim!”.


“Há dois tipos de espíritos que são encontrados em verdadeiras
situações de lugares mal-assombrados”, explicaram em 6 de
março de 1976. “Um tipo é humano; o outro, no entanto, é
inumano.
Um espírito inumano é algo que nunca caminhou sobre a terra
em forma humana.”
A grave informação dada pelos Warren não se tratava de mera
especulação bem-intencionada —
porque, exatamente duas semanas antes, Ed e Lorraine Warren
haviam se deparado com um espírito inumano na própria casa.
Ed foi o primeiro a ver a aparição. O escritório de Ed Warren
situa-se em uma edícula, do tamanho de um chalé, ligada à casa
principal por um longo corredor de alvenaria. Ed estava sentado,
trabalhando nos detalhes preliminares do caso Amityville naquela
fatídica madrugada de fevereiro, quando o trinco da porta ao final
do corredor se abriu com um estalo, que foi acompanhado pela
batida estrondosa da pesada porta de madeira. Em seguida,
passos avançaram em direção ao escritório.
Ele recostou-se na cadeira, esperando Lorraine entrar com uma
xícara de café, que seria muito bem-vinda.
“Aqui dentro”, chamou. No entanto, passaram-se longos
instantes, e sua esposa não apareceu.
“Lorraine?”, chamou ele outra vez, mas não houve resposta.
Em vez disso, o que ele ouviu, intensificando-se ao longe, foi um
uivo sobrenatural de vento. Não era o assobio do ar sob os
beirais da casa, mas o rugido ameaçador de um ciclone distante.
Os pelos de seus braços arrepiaram-se.
“Lorraine?”, chamou ele, com a voz mais forte. “Você está aí?”
Mas, novamente, não houve resposta.


À medida que o agourento som de redemoinho aumentava em
poder e intensidade, Ed repassou depressa na mente o que
acontecera nos últimos instantes. Ocorreu-lhe, então, que havia
escutado apenas três passos no corredor — não os passos
contínuos de uma pessoa andando. Alguma coisa estava errada.
De repente, a luz da luminária da escrivaninha enfraqueceu à
intensidade da chama de uma vela. Então, abruptamente, a
temperatura no escritório despencou até alcançar a de uma
câmara fria. Um odor desagradável e pungente de enxofre se fez
sentir no cômodo.
Desconfiado daquele estardalhaço insólito, Ed Warren abriu a
gaveta da escrivaninha e retirou dali um frasco de água benta e
um grande crucifixo de madeira. Em seguida, levantou-se e deu
alguns passos, saindo do escritório e entrando no corredor.
Nisso, do corredor emergiu, rodopiando, um horrendo torvelinho
cônico.
A coisa, sendo pontuda na base e larga no topo, era mais negra
que o negror natural da noite. Muito maior que um homem, a
massa rodopiante entrou na sala mal iluminada e deslizou
lentamente na direção de Ed, parando uns três metros à sua
esquerda. Ele observava enquanto a coisa parecia ficar ainda
mais densa e escura que antes! De fato, ele conseguiu ver que,
dentro do torvelinho, algo começava a tomar forma. Uma
entidade começava a manifestar-se em forma física!
Como demonologista, Ed Warren sabia que precisava agir
depressa tomar a iniciativa antes que aquela assustadora massa
negra se transformasse em algo ainda mais ameaçador e
perigoso.
Segurando a cruz voltada para aquilo que agora assumia
rapidamente a forma de um macabro espectro encapuzado, Ed
Warren avançou. No instante em que o fez, porém, a entidade se
moveu, desafiadora, na direção dele.


Ed parou e permaneceu firme enquanto a forma avançava,
deslizando devagar. Quando a massa negra rodopiava a apenas
poucos passos, Ed, de forma metódica e determinada, em um
movimento que desenhava uma cruz, aspergiu o conteúdo do
frasco de água benta na coisa. Em seguida, ele recitou o antigo
comando: “Em nome de Jesus Cristo, ordeno que vá embora!”.
Por segundos que pareciam eternos, a massa negra permaneceu
imóvel, a não mais que trinta centímetros da cruz. Então, aos
poucos, começou a recuar — mas não sem antes transmitir a Ed
uma visão clara de ele mesmo e Lorraine envolvidos em um
acidente automobilístico potencialmente fatal em uma rodovia.
Com isso, a entidade retirou-se para o corredor de onde
emergira.
Uma imensa sensação de alívio tomou conta de Ed Warren, que
continuava de pé, suando em profusão, ali na sala congelante.
Todavia, enquanto ele tentava reorganizar os pensamentos,
rosnados ferozes, como os de animais brigando, de súbito
irromperam do lado de fora da casa. Ed imediatamente percebeu
que não eram animais brigando: a aparição ainda estava na
casa. Ela havia simplesmente subido as escadas para atacar
Lorraine!
Evitando o corredor, Ed abriu às pressas a porta lateral do
escritório e disparou pelos degraus nos fundos da casa.
Ele chegaria tarde demais.
No andar de cima, Lorraine Warren estava sentada na cama,
lendo a biografia do padre Pio, um notável monge capuchinho
que muitos acreditam estar destinado à santidade. Não importa o
quanto se sinta cansada, Lorraine não dorme quando Ed precisa
trabalhar sozinho, tarde da noite, no escritório. Após uma vida
inteira trabalhando com o sobrenatural, Ed e Lorraine Warren
sabem que nunca estão sozinhos
— nunca.


Enquanto ela lia tranquilamente, uma atmosfera de terror
espalhou-se pelo quarto. Então, baixando o livro, também
percebeu que havia alguma coisa errada. Muito errada!
“Fiquei aterrorizada”, lembra-se Lorraine, “mas não sabia do que
estava com medo. Olhei pelo quarto, mas não havia nada ali.
Então, observei nossos dois cachorros, que dormiam ao lado da
cama. Eles estavam imóveis. À exceção dos pelos de cada um
deles, que estavam completamente eriçados, arrepiados da
cabeça ao rabo! Então, do nada, começou um verdadeiro
pandemônio.”
A entidade negra em redemoinho que Ed havia afugentado
apenas um minuto antes parecia ter recuado pelo corredor e
entrado na casa. O horrendo invasor anunciou sua chegada
produzindo um som trovejante de pancadas que, para Lorraine,
soavam “como se alguém estivesse batendo com um martelo em
uma chapa de metal”. O violento barulho de golpes sobressaltou-
a — então, em questão de segundos, todo o calor do quarto
desapareceu, o que a deixou tremendo de frio. Depois disso, o
terrível som de marteladas parou, e também ela ouviu o som de
um torvelinho vindo em sua direção. O barulho ameaçador e
pavoroso vinha das bandas do corredor, no andar de baixo.
Apavorada, ela ouviu o redemoinho subir as escadas e entrar,
rodopiando, na cozinha, em seguida na sala de jantar, na sala de
estar...
“O que quer que estivesse lá fora parecia estar procurando por
mim”, diz Lorraine. “O que era aquilo?
Por que estava aqui? Então, de repente, um ciclone negro
arremeteu rodopiando para dentro do quarto e se colocou diante
de mim.
“Eu não conseguiría sequer começar a descrever o absoluto
terror e desespero que senti conforme aquela coisa mórbida,
negra, dentro do torvelinho se aproximava cada vez mais de
mim”, lembra Lorraine. “Tentei me mover, mas não conseguia.


Tentei gritar, mas as palavras não saíam! Naquele momento, tive
uma sensação de morte iminente, como nunca havia sentido
antes. Como médium, eu sabia que aquele era um espírito de
morte. Mas ele parecia querer ainda mais que a morte: ele queria
a mim, queria minha essência, meu ser.
“Então, a coisa ficou pior”, continua Lorraine. “Senti que estava
sendo arrastada para dentro daquela coisa negra furiosa. E não
havia nada que eu pudesse fazer para impedir isso!
Mecanicamente, fiz a única coisa em que consegui pensar:
roguei, em nome de Deus, por proteção. Daí, de algum modo,
tive condições de fazer uma cruz — uma cruz grande, enorme —
no ar, entre mim e a coisa. Isso a fez parar.
Mas ela não ia embora! Eu não sabia o que fazer em seguida. A
essa altura, graças a Deus, Ed entrou correndo na casa. Nisso, a
coisa rodopiou para o quarto ao lado, atravessou os tijolos e
subiu pela chaminé. E, então, acabou. Não havia nada quebrado,
nada destruído depois disso. No entanto, esse não foi o nosso
primeiro encontro com um espírito inumano!”
O que confrontou Ed e Lorraine Warren naquelas primeiras horas
da madrugada não era um fantasma.
(Tampouco foi algo visto exclusivamente por eles. Existem relatos
de outras pessoas sobre a mesma massa negra em
redemoinho.) Antes, aquilo era a aparição de algo muito mais
nefasto do que qualquer
fantasma jamais poderia ser: a manifestação de um fenômeno
relativamente mais raro, conhecido como espírito demoníaco
inumano. Enquanto entidade preternatural, considera-se o
espírito inumano como algo dotado de uma inteligência negativa
e diabólica, focada em uma ira perpétua contra o homem e Deus.
Estudar o que esse espírito é, o que ele pode fazer e o que sua
existência pode significar é, em última análise, o trabalho e a
incumbência do demonologista.


Até recentemente, eram poucas as pessoas, à exceção de outros
profissionais e clérigos exorcistas, que conheciam a vida de Ed e
Lorraine Warren. O trabalho deles, por necessidade, não era
público. Em vez disso, os Warren mantinham-se longe dos
holofotes, quer trabalhando sigilosamente com indivíduos que
estivessem passando por verdadeiros problemas relacionados
com espíritos, quer como investigadores, realizando pesquisas
nos locais onde fenômenos estranhos ou inusitados estavam em
curso.
Os Warren começaram a investigar fenômenos espirituais na
metade da década de 1940, mas foi somente na década de 1970
que eles de fato se tornaram conhecidos pelo público. Parecia
que eles estavam sempre onde quer que ocorresse qualquer
atividade bizarra ou nefasta. Em 1972, por exemplo, o fantasma
de um servo do século XIX entrou em atividade em uma mansão
em West Point e começou a atormentar os convidados. Mais
tarde, os jornais de Nova York noticiaram que os Warren haviam
sido chamados pelo Exército para confrontar aquele espírito
zombeteiro e colocar um fim nas suas travessuras.
No início de 1974, os Warren estavam de novo na mira do
público. Dessa vez, eles foram vistos rapidamente por ocasião do
encerramento de um caso em que um padre da Igreja Católica
Romana teve que realizar um exorcismo em uma casa que vinha
sendo destruída por vândalos invisíveis que chegavam até
mesmo a atacar pessoas! Mais tarde, naquele mesmo ano, o
casal tornou-se notícia novamente, dessa vez na rede de
televisão, porque uma casa na região sul da Nova Inglaterra
vinha sendo abalada por uma das mais inacreditáveis atividades
do tipo “poltergeist” já registradas. “A causa das perturbações,
em ambos os casos”, diz Ed, conhecedor do assunto, “foi
demoníaca.”
Contudo, foi apenas em 1976, quando foram chamados a
investigar relatos de uma irrupção de


“atividade demoníaca” em Amityville, que Ed e Lorraine Warren,
bem como seu extraordinário trabalho no campo dos fenômenos
sobrenaturais, passaram a ser foco de atenção nacional.
Quem são essas duas pessoas, vistas em segundo plano nas
fotografias da imprensa, mas raramente identificadas? Como elas
são? E por que fazem o tipo de trabalho que fazem?
Embora se possa pensar que pessoas envolvidas com
demonologia devem ser necessariamente fascinadas pelo
macabro, Ed e Lorraine não são ocultistas nem excêntricos,
tampouco estão empenhados em alguma espécie de cruzada
religiosa. Ao contrário, a visão que os Warren têm da vida é
qualquer coisa, menos negativa. Na realidade, eles são eficientes
em seu trabalho apenas por serem pessoas muito positivas.
Ed Warren nasceu em Connecticut, em setembro de 1926.
Robusto, de tronco largo e arredondado e natureza afável, Ed
parece mais o quitandeiro da esquina que um demonologista.
Nitidamente despretensioso, Ed não deixa transparecer em nada
o misterioso conhecimento — e poder — que traz consigo.
Tranquilo e despreocupado, dele emana aquele ar de
competência que se vê em pessoas que aprenderam o que
sabem do modo mais difícil.
Lorraine Warren, nascida a poucos quilômetros do futuro marido,
em janeiro de 1927, é esbelta e atraente, sempre com um sorriso
no rosto. A julgar por sua aparência — a de uma dona de casa
elegante da Nova Inglaterra — ninguém jamais poderia supor
que ela seja uma clarividente perspicaz e uma médium de transe
leve. Além disso, Lorraine tem o dom bíblico do discernimento
dos espíritos, do qual São Paulo fala em sua Primeira Epístola
aos Coríntios.
Juntos, Ed e Lorraine Warren, cada qual na casa dos 50 anos de
idade, formam um casal cordato e feliz que tem uma amizade
única no casamento e uma visão claramente positiva da vida.


Não obstante, tudo o que os Warren já viram e aprenderam ao
longo de sua extraordinária carreira conjunta proporcionou-lhes
uma sabedoria que vai muito além de sua idade.
Hoje, e não é de se surpreender, a pergunta feita com maior
frequência a Ed e Lorraine Warren é: “O
que de fato aconteceu no caso Amityville?”. Embora nenhuma
resposta breve pudesse solucionar a questão, talvez a explicação
mais abrangente que os Warren já deram a respeito do caso
tenha sido em uma palestra beneficente realizada em sua cidade
natal, Monroe, em Connecticut, durante o verão de 1978.
A palestra foi dada no conservado prédio de tijolos da prefeitura
municipal em um agradável e ameno início de noite, no final de
agosto. Dez minutos antes da hora marcada para a exposição de
Ed e Lorraine, as poltronas do novo e equipado auditório já
estavam todas ocupadas. Aqueles que não conseguiram
encontrar assentos acabaram descendo pelo corredor e
sentando-se na parte da frente, com as pernas cruzadas. Havia
muito alvoroço e tagarelice em meio à multidão. Por todo o
recinto, palavras como fantasma, espírito e exorcismo podiam ser
ouvidas aqui e ali nas conversas. Parecia que todos, ao menos
naquela noite, tinham uma história de fantasmas para contar a
alguém.
No palco estavam duas tribunas, um microfone cromado
instalado em cada uma delas. Às oito horas, as luzes do recinto
diminuem, o silêncio toma conta da platéia e, no instante
seguinte, os Warren sobem ao palco. Lorraine vestia uma longa
saia de lã xadrez, blusa de babados e um colete de veludo negro;
Ed, um casaco azul e uma gravata de tecido xadrez, que
combinava com a saia da esposa.
“Nesta noite, senhoras e senhores, Ed e eu gostaríamos de
compartilhar com vocês algumas das nossas experiências dentro


de muitas casas mal-assombradas que têm aparecido
recentemente nos jornais.
Gostaríamos de mostrar o que descobrimos nessas casas, bem
como discutir algumas das informações que obtivemos nos casos
em que foi possível a comunicação com os espíritos que as
assombravam.”
Nesse momento, Ed dá um aceno de cabeça para o
projecionista, que apaga as luzes do palco. Uma onda de vozes
ansiosas elevou-se na sala. “Ah, não, eles vão mostrar fotos!”,
exclama uma garotinha, afundando sem demora na poltrona.
“Aqui temos uma verdadeira casa mal-assombrada”, declarou Ed
quando o primeiro slide foi projetado. “Digo que a casa é mal-
assombrada porque aquela senhora de aparência bondosa que
vocês podem ver ali, de pé junto à janela do andar térreo, é um
fantasma.”
E assim começa... É por isso que os Warren fazem palestras:
não para contar histórias de fantasmas, mas para apresentar
casos verdadeiros que mostram a existência dos fenômenos
sobrenaturais e explicar como e por que eles ocorrem.
Como explica Ed: “A existência dos espíritos não é uma questão
de fé, é uma questão de provas. Na verdade, a pergunta nem é
tanto se os fenômenos estão ali, mas por que estão ali. E por que
interferem tanto nos assuntos humanos?”.
A razão por que os Warren fazem palestras públicas remonta a
aproximadamente uma década, final dos anos de 1960. À época,
em meio a experimentações de estilos de vida alternativos, um
renovado interesse pelo oculto de repente floresceu. Fechada
havia quase um século, a porta para o “submundo” foi
escancarada de súbito, ao que se seguiu um drástico aumento
no número de relatos de incidentes com fenômenos espirituais
nocivos. Quase que imediatamente, os Warren foram soterrados


com o que se provaram ser casos genuínos de opressão e
possessão espiritual negativa.
A maioria das pessoas afetadas então era de jovens em idade
universitária. Preocupados com esse grave desdobramento, os
Warren deram início a um programa de palestras em campi
universitários, nas quais alertavam estudantes de todo o país
contra os perigos do oculto. Corroborando suas palavras com
provas documentais — slides, fotografias, gravações em fitas
cassete e artefatos físicos —, Ed e Lorraine deixavam uma
impressão indelével naqueles a quem falavam. Em pouco tempo,
o público ficou fascinado com suas experiências em primeira mão
e suas pesquisas contínuas.
Embora hoje em dia eles façam palestras principalmente para
plateias de estudantes, os Warren também falam a grupos
comunitários e participam de programas de rádio e televisão,
quando dispõem de
tempo para tal. O que os tomou populares foram sua honestidade
e sua experiência. Seu estilo descontraído, informativo e
pragmático fez com que muitos céticos passassem a acreditar
nesses fenômenos. Não obstante, mesmo que Ed e Lorraine
apresentem uma explicação articulada dos fenômenos
espirituais, eles têm consciência da gravidade de suas
declarações. Por isso, os Warren não dizem nada que não
possam comprovar com evidências críveis e casos
documentados.
Durante sua palestra com slides, a plateia de Connecticut
permanece sentada em silêncio enquanto Ed e Lorraine
detalham caso após caso de fenômenos espirituais, ilustrando
seus comentários com imagens de fantasmas, luzes produzidas
por psiquismo, levitações e objetos materializados. (Dan
Greenburg diz, em seu livro Something’s There [Há Algo Ali, em
tradução livre], que, se os Warren disserem que viram um
fantasma, então eles viram um fantasma!) Quando as luzes do


auditório são acesas novamente, dúzias de mãos erguem-se de
imediato.
Um elemento obrigatório nas palestras públicas do casal é a
sessão de perguntas e respostas que se segue à exposição.
Nela, as pessoas podem compreender por si mesmas o
estranhíssimo tópico dos espíritos, porque é possível fazer uma
pergunta aos Warren e receber uma resposta direta e objetiva.
Para Ed e Lorraine, isso é como uma conversa entre vizinhos.
"Agora que todos vocês estão prontos para entrar em uma casa
mal--assombrada”, brinca Ed com a plateia, “vamos à primeira
pergunta!" Um senhor já idoso, usando óculos de aro dourado,
levanta-se.
"Tenho idade suficiente para ser seu pai, Ed Warren, mas, em
toda a minha vida, nunca vi nenhum desses tipos de fenômenos,
como você os chama. Você já viu um fantasma pessoalmente?
Já viu esses objetos levitando?” E voltou a sentar-se.
“Na minha vida, já vi muitos, muitos fantasmas materializados”,
responde Ed, pelo microfone. “Os fantasmas que vocês viram
nesses slides hoje foram fotografados por mim ou por fotógrafos-
médiuns que estavam trabalhando comigo nas investigações. Na
verdade, ainda este ano iremos para a Inglaterra para tentar
conseguir uma fotografia da Dama de Castanho de Raynham
Hall — Lady Dorothy Walpole, um dos fantasmas mais famosos
que existem. Não muito longe dali fica Borley, a região mais mal-
assombrada do país. Lorraine e eu já vimos a Freira de Borley
caminhando pela rua e, desta vez, tentaremos fotografá-la
também.”
Tomando um gole do seu copo de água gelada, Ed prossegue.
“Quanto a levitações — sim, já vi levitações de todos os tipos.
Esse caso que lhes mostrei esta noite foi por atividade
demoníaca, não por fantasmas. Durante o seu desenrolar,
testemunhei um refrigerador de pouco mais de 180 quilos se
erguer do chão. Em outro caso, observei uma televisão de


armário subir lentamente no ar, e então cair com um estrondo
ensurdecedor, como o de uma explosão. No entanto, nada se
quebrou! Esses são apenas dois exemplos que me vêm à mente,
embora levitações ocorram em muitos casos em que espíritos —
tanto humanos quanto inumanos — estão por trás da
perturbação. Então, respondendo à sua pergunta, senhor: sim, já
vi um fantasma; sim, já vi levitações acontecerem.”
Ed aponta para uma loura alta que se levanta para falar.
“No livro Amityville, o autor cita uma antiga crença de que
espíritos do mal não podem atravessar uma extensão de água”,
diz ela. “Isso é verdade?”
“Não, é só uma superstição antiga”, responde Ed. “Espíritos não
são afetados por barreiras físicas —
nem pela distância, aliás. O simples ato de pensar em um
espírito específico é suficiente para atraí-lo até você.”
Lorraine chama um adolescente que estivera sentado nas
primeiras fileiras, perto do palco. “O que vocês querem dizer com
sobrenatural?", ele deseja saber.
“Se você procurar a palavra no dicionário, encontrará que
‘sobrenatural’ significa a atividade provocada por Deus e Seus
anjos”, responde Lorraine. “Mas a maioria das pessoas não
entende o termo dessa maneira. Então, em vez disso, usamos a
palavra no sentido que é mais comumente compreendido,
ou seja, atividade provocada por qualquer força ou agente que
não faça parte do nosso reino físico, terreno. Tecnicamente, os
fenômenos provocados por espíritos inumanos são chamados de
atividade preternatural. Para explicar de outra forma, os
fenômenos provocados por espíritos inumanos poderiam ser
considerados milagres negativos.”


Em seguida, Ed aponta para uma mulher no meio do público. “Se
eu morresse amanhã”, pergunta ela,
“me tornaria um fantasma?”
“É possível”, responde Ed, “mas pouco provável. No entanto, se
você morresse de repente, de forma inesperada — digamos, em
um acidente — e se recusasse a aceitar o fato de estar morta,
então muito provavelmente você permaneceria presa à Terra até
perceber que está fora do jogo, que está morta.
Nesse meio-tempo, enquanto estivesse tentando entender essa
questão, já em espírito, você provavelmente permaneceria presa
a lugares familiares —* como a sua casa. Nada lhe pareceria
diferente: você seria capaz de ver e ouvir outros membros da sua
família exatamente como antes, mas eles não conseguiriam vê-la
nem ouvida. ‘Qual é o problema?’, você poderia se perguntar.
‘Por que não prestam atenção em mim?’ Então, frustrada, você
encontra uma maneira — pelo poder da mente sobre a matéria
— de começar a fazer objetos se moverem, ou a bater portas,
para chamar atenção. É claro, a única coisa que você de fato vai
conseguir fazer é deixar sua família apavorada. A essa altura,
seus parentes talvez entrassem em contato conosco, e então nós
iríamos até a casa e teríamos uma conversinha com você,
enquanto espírito — para que você conseguisse seguir para o
outro lado corretamente.”
“Como vocês dois se envolveram no caso Amityville?”, pergunta
aos Warren um senhor moreno, vestindo uma camiseta de rúgbi.
“Além disso, o que vocês fizeram durante suas investigações que
outros não fizeram?” As perguntas deixaram a plateia animada. É
óbvio que todos também querem ouvir a resposta.
“Sua longa pergunta, senhor, pede uma resposta longa”, alerta-o
Lorraine, com graciosidade.
“Não tem problema”, diz o homem.


“Então, tudo bem”, começa Lorraine. “Nosso envolvimento teve
início na última semana de fevereiro de 1976, quando recebemos
em casa um telefonema de uma jovem produtora de televisão da
cidade de Nova York. Ela queria saber se tínhamos
disponibilidade para investigar uma suposta casa mal-
assombrada em Long lsland. Eu disse que talvez, mas que
primeiro precisaria saber de mais detalhes.
Então, ela explicou a questão do assassinato dos DeFeo, em
1974, e da experiência dos Lutz na residência. Em seguida, falou
que seu canal de tv estava fazendo a cobertura do trabalho de
parapsicólogos e pesquisadores de fenômenos psíquicos que
haviam entrado na casa logo após a fuga da família Lutz. No
entanto, após um mês, aqueles investigadores ainda não tinham
nenhuma resposta concreta. Então, ela queria saber se
poderíamos realizar uma sessão espírita na casa e informar se
eram espíritos que estavam por trás do problema.
“Eu respondi que sim, que poderíamos investigar a casa, mas
realizar uma sessão espírita seria uma questão muito diferente.
Ela compreendeu. Enquanto ainda estava ao telefone, consultei
Ed, que concordou que não haveria problema em analisarmos o
caso.
“Quando fomos para Long lsland, encontramos George e Kathy
pela primeira vez. Os Lutz estavam morando temporariamente na
casa da mãe de Kathy. O casal disse que não queria sequer
chegar perto da casa que havia comprado: nós tivemos que ir até
eles para pegar as chaves da residência. Para não formarmos
prejulgamentos com relação à investigação, não entrevistamos a
família Lutz à época. No entanto, fizemos algumas perguntas
pontuais ao casal, para atestar sua sinceridade. Sem dúvida, eles
estavam sendo sinceros: estavam completamente apavorados!
De sua parte, George nos pediu apenas uma coisa. Se fôssemos
entrar na casa, que, por favor, pegássemos a escritura e a
levássemos para ele. Nós concordamos e partimos para o local.


“A casa era bem bonita”, continua Lorraine, ajeitando o cinto de
tecido quadriculado sobre o colete de veludo. “Ed estacionou o
carro na entrada da garagem e demos uma volta em redor dela,
para termos uma
ideia do lugar. Em seguida, destrancamos a porta da frente e
entramos.
“Uma vez lá dentro, a primeira coisa que Ed e eu fizemos foi
andar juntos pela casa, um andar por vez.
O que encontramos foi uma residência que parecia ter sido
evacuada às pressas. Sobre a mesa da sala de jantar havia uma
casa feita de biscoitos de gengibre, toda decorada para o Natal,
jornais de meados de janeiro de 1976 estavam espalhados pelas
mesas ou no chão. Os armários da cozinha estavam cheios de
comida, bem como o refrigerador. No porão, um freezer vertical
estava abarrotado com provisões que valiam algumas centenas
de dólares; havia roupas dobradas sobre a secadora, prontas
para serem guardadas. O barzinho tinha um estoque de garrafas
de bebida lacradas. Os armários estavam repletos de roupas —
temos, vestidos, sapatos, tudo. Havia joias sobre a cômoda do
quarto do casal Lutz. Relíquias de gerações anteriores, até
mesmo os álbuns de fotografias da família foram deixados para
trás, à vista, para serem levados. Em resumo, a casa estava
exatamente do jeito que a casa de vocês provavelmente está
hoje à noite, quando vocês vieram até aqui para assistir nossa
palestra. Se aquelas pessoas tivessem inventado a história, elas
com certeza não teriam deixado a escritura da casa para trás,
juntamente com uma grande quantidade de pertences valiosos.
“Nossa investigação envolvia ir em frente e realizar a sessão
espírita”, diz Lorraine. “Portanto, voltamos à casa de Amityville
em uma data posterior para realizar uma sessão espírita noturna
diante de câmeras de televisão e equipamentos de gravação,
como haviam solicitado que fizéssemos. No todo, creio que havia
dezessete pessoas presentes.


“Três médiuns, eu entre elas, participaram da mesa durante a
sessão”, conta Lorraine. “As outras duas médiuns eram a sra.
Alberta Riley e a sra. Mary Pascarella. Mary e Alberta são
excelentes médiuns de transe; ambas profissionais, é claro, e
também grandes amigas nossas. Antes do início da sessão, Ed
lançou mão de provocações religiosas. Sabíamos que, se um
espírito inumano estivesse presente, ele seria provocado a reagir
se exposto a objetos sagrados. Entretanto, não sabíamos como
ele iria reagir.”
“Bem, tivemos uma resposta satisfatória”, diz Ed, assentindo com
a cabeça. “Ocorreram vários fenômenos — não em termos de
atividade exterior aterrorizante —, mas como um ataque físico
contra pelo menos metade dos presentes, em especial aqueles
que tinham uma tarefa crucial durante a sessão.
Comecei a ter reações físicas involuntárias, tais como arritmias
cardíacas. Senti essas ‘palpitações’, como eu ás chamo, por
umas três semanas depois que estivemos na casa.
“Pelo menos metade das pessoas que presenciaram a sessão
experimentaram ou relataram fenômenos naquele lugar, os quais
elas julgavam ser fora do comum. Assim, embora a sessão
espírita tenha sido basicamente um fiasco, esse fiasco foi
resultado da ação de algum agente externo.” Perto do corredor,
levantou-se uma mulher de cabelos escuros. “Certa vez, me
disseram que o padre do livro sobre Amityville nunca existiu.”
“Senhora”, responde Lorraine, “o padre que participou do caso é
nosso amigo.
Nós o conhecemos muito bem. Não só o que foi relatado no livro
aconteceu a ele como outras coisas que nunca foram reveladas
também lhe aconteceram desde então. O padre já sofreu
inúmeras vezes por seu envolvimento nesse caso.”
Com esta resposta, os Warren agradecem à plateia e encerram a
palestra. Como sempre, porém, esse não é o fim das perguntas.


Metade das pessoas formam filas para sair, mas a outra metade
coloca-se diante do palco e cerca o casal.
“Como vocês sabem que esses espíritos demoníacos de que
vocês falam não são realmente algo humano — apenas
fantasmas perversos?”, pergunta um homem.
“Senhor”, responde-lhe Lorraine, “às vezes, no início de um caso,
não se pode distinguir entre um espírito humano negativo e um
espírito inumano negativo. Ambos podem ser extremamente
malvados, e às vezes até trabalham juntos. No entanto, apenas
um espírito demoníaco tem o poder de provocar fenômenos
negativos extraordinários como incêndios, explosões,
desmaterialização, teletransporte e levitação de objetos grandes.
Além disso, em casos de possessão, o espírito se identifica
claramente. Ele diz o que é. Às vezes, revela o próprio nome. Se
o senhor ouvisse uma gravação dos possuídos, não teria
dificuldade em reconhecer a diferença entre um espírito humano
e um inumano.”
“Por que vocês não as reproduzem aqui?”, interpõe uma mulher.
“Nós costumávamos reproduzir gravações para nossas plateias”,
responde Lorraine, “mas, em um grupo muito grande de pessoas,
existem muitas psicologias receptivas. A exposição à ocorrência
real pode acabar produzindo efeitos negativos sobre algumas
pessoas.”
E, por fim, decorre mais uma hora antes que os Warren consigam
de fato deixar o prédio da prefeitura.
Mais tarde, naquela noite, após o término da palestra, Ed e
Lorraine relaxam em casa na companhia de amigos. Por que eles
respondem a tantas perguntas do público nas palestras?
“As perguntas fazem parte do programa”, explica Lorraine.
“Quando terminamos a exposição, sempre abrimos um espaço
no evento para perguntas. Embora, às vezes”, brinca ela, “eu


acorde no meio da noite ouvindo um pedido distante de ‘Mais
uma pergunta, por favor'. Quanto às nossas palestras, eu as vejo
como uma via de mão dupla. As pessoas vêm nos ouvir porque
estão interessadas no que temos a dizer.
Em troca, proporcionamos um bom briefing, acho que você
poderia usar esse termo, de duas horas sobre o tema dos
fenômenos espirituais. Quando terminamos a nossa exposição,
interagimos com a plateia por meio de perguntas. Vemos nosso
papel como tendo um caráter educacional. É por isso que
tentamos responder às perguntas de todos.”
Por que há tanto interesse em espíritos e fenômenos
sobrenaturais hoje em dia?
“As pessoas sempre se interessaram pelo oculto”, responde
Lorraine. “Mas, nos últimos dez anos, o público tem sido exposto
a tanta informação sobre o tema dos espíritos e do sobrenatural
que agora está tentando realmente compreendê-lo. Em todos os
lugares a que vamos, as pessoas já leram O Exorcista, já leram
sobre o nosso envolvimento no caso Amityville. E querem saber
mais. Querem descobrir como e por que esses fenômenos
aterrorizantes ocorrem, e o que está por trás deles. O argumento
de que espíritos são uma ilusão ou uma idiossincrasia
psicológica já não se sustenta mais. As pessoas querem saber a
verdade, mesmo que a resposta seja abertamente
desagradável.”
Os Warren demonstram tranquilidade ao falar sobre a existência
dos espíritos. Como eles respondem à afirmação de que eles não
existem?
“Nunca houve uma pessoa, no passado ou no presente, que
pudesse provar a inexistência do sobrenatural”, declara Ed.
“Porém, dadas as mesmas considerações que qualquer pessoa
poderia fazer em juízo, eu poderia — se fosse convocado por um
motivo adequado — provar que fantasmas existem, que
aparições existem, que casas mal-assombradas existem, que


fenômenos sobrenaturais existem, e que espíritos demoníacos
inumanos existem.”
Ed mostra uma fotografia, tirada em uma casa infestada por
espíritos demoníacos, do que parece ser o fantasma de um
garoto.
“Isto não era um fantasma”, diz Ed, meneando a cabeça. “O
espírito que vinha comandando o ambiente naquela ocasião
assumia muitos disfarces diferentes. Contudo, em última análise,
todos eram o mesmo: eles eram um só. Quanto à fotografia, o
garoto não tinha os olhos. Isso é uma marca registrada do
demoníaco. Toda vez que ele se manifesta, há uma imperfeição
— sempre existe alguma coisa anormal na sua aparência. Às
vezes, a imperfeição é tão óbvia que, a princípio, passa
despercebida, mas a imperfeição está presente.”
Se há uma mensagem que Ed e Lorraine Warren tentam
transmitir com clareza é que o oculto é basicamente um acidente
esperando para acontecer. “Na última década”, diz Ed, “houve
um aumento de cem vezes em práticas ocultistas negativas. Por
quê? Porque, na sua maioria, as pessoas não sabem que
existem forças negativas reais no mundo. Em vez disso, fazem
com que o oculto pareça um jogo, uma diversão, uma panaceia
para tudo que os afligem. Basta ver o modo como o oculto é
tratado nos jornais e nas revistas hoje em dia — como uma
novidade inofensiva. Bem, ele não é inofensivo, ele pode ser
perigoso! Quando Lorraine e eu fazemos palestras,
apresentamos o que sentimos ser um contra-argumento
necessário a todo esse interesse forjado pelo oculto. Nós
mostramos o lado negativo do oculto como ele realmente é: um
paraíso ilusório. Para aqueles que apenas se interessam pelo
material, que querem aprender como evitar problemas com
espíritos, o conhecimento do assunto representa não só poder,
mas uma arma de proteção. Em outras palavras, conhecer
previamente é estar preparado.”


Após 34 anos nesse trabalho, eles já viram de tudo: o choque, o
terror, os fenômenos inacreditáveis.
Para Ed e Lorraine, os fenômenos fazem sentido; eles sabem por
que estes acontecem. Após uma vida investigando o
desconhecido, os Warren agora compartilham esse
conhecimento do sobrenatural e de como ele funciona. Mas
cuidado! “O demônio vem em muitas formas”, diz Ed, com
entonação significativa, “algumas bem piores do que aquelas
sobre as quais falamos esta noite!”
[1] 
The New York Times, 15 nov. 1974. [As notas são do Autor,
salvo indicação contrária.]
[2] 
Amityville (DarkSide® Books, 2016), de Jay Anson. Trad.
Eduardo Alves. [Nota do Editor.]


ARTE E APARIÇÕES
Por incrível que possa parecer, a demonologia e o exorcismo
ainda são praticados na era moderna. De fato, existem sete
demonologistas reconhecidos apenas na América do Norte. Seis
são clérigos ordenados, membros de diversas das principais
religiões. O sétimo é Ed Warren. Cada um deles é único.
Todos vivenciaram horrores para além do imaginável. E cada um
desses homens vive em constante risco de vida.
Como Ed Warren se envolveu com a demonologia? “Foi um
chamado?”, perguntaram-lhe.


“Não. Considero um chamado algo elevado e majestoso”, admite
Ed. “Mas acredito firmemente que o trabalho que faço hoje é algo
que, sem dúvida, estava destinado a fazer. Digo isso porque
inúmeros fatores decisivos me afetaram, mesmo na tenra
infância.
“Eu tinha 5 anos de idade”, recorda-se, “quando percebi, pela
primeira vez, que alguma coisa fora do comum estava
acontecendo neste mundo. A proprietária do lugar onde
morávamos era uma idosa solteirona que não gostava de cães —
ou de crianças. Ela se sentava à janela e de fato esperava você
fazer alguma coisa errada. E quando fazia, ela saía correndo da
casa, gritando feito louca.
“Bem, mais ou menos um ano após sua morte, eu estava no
andar de cima, na mesma casa, tirando os calçados que usava
para brincar. O sol já estava se pondo e o quarto ia ficando
escuro. Enquanto eu estava ali, sentado no chão, a porta do
guarda-roupa se abriu sozinha. Dentro da escuridão do guarda-
roupa, vi um ponto de luz, mais ou menos do tamanho de um
vaga-lume. Em poucos segundos, a luz cresceu e ficou do
tamanho de um ser humano, e então, inacreditavelmente, a
aparição da proprietária estava de pé diante dos meus olhos,
semitransparente, vestindo o que parecia ser um tipo de
mortalha.
Ela franzia o rosto, como sempre, e estava com a mesma
aparência que tinha em vida. Em seguida, desapareceu.
“Como eu contava com apenas 5 anos, não sabia se esse tipo de
coisa era natural, mas tive a sensação de que não era, porque
fiquei apavorado. Quando contei ao meu pai, que era policial
estadual de Connecticut, ele me disse para esquecer o que eu
tinha visto e nunca contar a ninguém. Bem, eu não contei a
ninguém na época, mas também nunca esqueci do que vi.”
A medida que Ed crescia, a busca por respostas a esses
acontecimentos estranhos e misteriosos tornou-se uma cruzada


que constituiu a base para sua futura carreira. Sendo uma
criança observadora, ele queria saber por que essas coisas
estranhas estavam sempre acontecendo à sua volta, e se outras
pessoas tinham experiências semelhantes.
“Ao mesmo tempo em que minha infância se passava em uma
casa mal-assombrada, eu frequentava uma escola católica. Eu
com certeza não era o garoto mais religioso da classe. Na
verdade, não gostava sequer de ir à igreja, porque tinha que me
arrumar”, continua Ed. “No entanto, quando os bons padres e as
boas freiras da escola falavam sobre espíritos e sobre o diabo,
eu — mais do que os outros na minha classe — tinha motivos
para ouvir. Mesmo com pouca idade, eu já tentava compreender
os incidentes bizarros de fenômenos psíquicos que via acontecer
na minha própria casa. Minha educação de base, portanto, me
deu uma visão metafísica geral do mundo. Eu não sabia se
aquelas informações eram verdadeiras ou falsas, é claro, mas,
mesmo assim, eu me lembrava delas.
“Além disso, aconteceram outras coisas comigo na infância. Meu
pai era um homem muito devoto que nunca deixou de ir à missa
um único dia de sua vida — talvez porque ele visse o lado mais
feio da vida todos os dias, como policial. O que sei, porém, é que
meu avô teve uma forte influência sobre meu pai.
Meu avô foi um homem muito piedoso, muito devoto. Quando
faleceu, deixou as economias da sua vida inteira para a igreja
que frequentávamos, para que fosse comprado um vitral com a
figura de São Miguel ao centro. Ainda criança, eu costumava
entrar na igreja e olhar para aquele vitral enorme e lindo, com a
luz do sol que o atravessava, e me perguntava quem era São
Miguel. Hoje sei, é claro, que São Miguel foi o Arcanjo que
expulsou Satã do céu, e é o patrono dos exorcistas.
“Uma das coisas mais desconcertantes que me aconteceu
quando criança”, retoma Ed, “foi que eu tinha sonhos com uma
freira que vinha conversar comigo. Chegou ao ponto em que


contei ao meu pai sobre essa mulher, e a descrevi em detalhes.
Certa noite, meu pai disse, perplexo: ‘Essa mulher era a sua tia’.
Eu nunca conheci minha tia. Ela faleceu antes de eu nascer.
Fiquei sabendo que ela tinha sido freira e havia passado por
sofrimentos físicos inacreditáveis. Meu pai costumava chamá-la
de santa, por falta de um termo melhor. Em um dos meus
sonhos, ela me disse algo que começou a fazer sentido apenas
quando me tornei adulto. ‘Edward’, disse ela, ‘você apontará a
muitos padres o caminho certo a seguir, mas você mesmo nunca
será padre.’ Bem, não sou padre, mas de fato trabalho em
conjunto com eles, e instruo aqueles que foram designados para
trabalhar na área da demonologia e do exorcismo. Assim, com
toda a franqueza, meu trabalho não é um chamado. Em vez
disso, eu diria que estou simplesmente cumprindo meu destino.”
Enquanto isso, a quase três quadras do futuro marido, crescia
Lorraine Moran, a filha caçula, inteligente e precoce de uma
digna família irlandesa. Além disso, ela era uma garota com uma
verdadeira percepção do além, pois Lorraine nasceu com o dom
da clarividência — a capacidade de ver para além do tempo e do
espaço físicos.
“Eu não sabia que tinha o dom de um sentido adicional”, lembra
ela. “Eu simplesmente achava que todos tivessem os mesmos
sentidos dados por Deus — você sabe”, brinca, “todos os seis
sentidos. Bem, descobri que não era assim quando eu tinha por
volta de 12 anos de idade. Na época, eu frequentava uma escola
privada só para meninas. Era o Dia da Árvore, e estávamos
todas no gramado da frente, de pé, formando um círculo ao redor
de um buraco aberto no solo com uma pá. Bem, assim que
colocaram a muda na terra, eu a vi como uma árvore totalmente
crescida. Ergui os olhos para ver seus galhos robustos, repletos
de folhas farfalhando ao vento, sem saber que estava tendo uma
experiência de segunda visão. A freira que estava de pé ao meu
lado cutucou meu braço e perguntou, no seu habitual tom severo:


‘Srta. Moran, por que está olhando para o céu?’ Eu disse que
estava apenas olhando para a árvore...
‘Você está vendo o futuro?’, ela me perguntou, no mesmo tom
severo. ‘Sim’, admiti, ‘acho que sim.’
“Bem, foi o suficiente — fui imediatamente mandada para uma
casa de retiro, onde passei o fim de semana. Eu não podia
conversar nem brincar, não podia fazer nada, apenas ficar
sentada ali na igreja o dia todo, rezando. Aquilo me ensinou uma
lição. Depois disso, quando se tratava de coisas que
envolvessem clarividência, eu mantinha minha boca calada.”
Em retrospecto, a experiência de Lorraine naquele Dia da Árvore
serviu para canalizar suas habilidades para o bem, tornando-se
uma ferramenta que acabaria por auxiliar milhares de pessoas.
Ed, como a maioria das pessoas, não possuía quaisquer dons
psíquicos apaientes. No entanto, a exposição contínua a dados
psíquicos durante o final da década de 1940 e o início da década
de 1950 (acumulados ao longo do período em que os Warren
“caçaram fantasmas") fez com que a clarividência de Lorraine se
desenvolvesse significativamente. Mais tarde, na década de
1970, ela foi submetida a testes na UCLA e sua clarividência foi
considerada “muito superior à média”.
As pessoas talvez estivessem inclinadas a chamar de destino o
modo como os Warren se uniram. A princípio, o casal não
planejava fazer do sobrenatural sua vocação. Em vez disso,
como explica Lorraine, ele foi uma vocação que os encontrou.
“Ed e eu nos casamos — os dois aos 18 anos — quando ele
estava na Marinha. Na verdade, nossa única filha, Judy, já tinha
seis meses quando Ed voltou do teatro de operações do Pacífico
e a viu peia primeira vez. Terminada a Segunda Guerra Mundial,
tivemos que arranjar um meio de ganhar a vida, como todo
mundo. Nós dois tínhamos habilidades para a pintura de
paisagens e nutríamos o desejo de pintar. Ed já havia
frequentado a escola de artes em New Haven antes da guerra,


então, começamos nosso casamento presumindo que seríamos
pintores.”
A arte, no entanto, acabou por tornar-se o ponto de partida para
a pesquisa psíquica. “Veja”, continua Lorraine, “precisávamos de
um tema para pintar — um bom tema, algo com que as pessoas
pudessem sentir uma conexão. Casas mal-assombradas
revelaram ser o tema ideal. Ed encontrava algum artigo sobre
uma casa mal-assombrada no jornal ou conseguia alguma pista
de um lugar assim com as pessoas da cidade. Então, íamos ao
local no nosso antigo Chevrolet. Ed desenhava um belo esboço
completo da casa e do terreno. Enquanto isso, é claro, o dono do
lugar ficava espiando pela janela, se perguntando o que raios
estava acontecendo. Éramos apenas crianças na época, então,
um de nós batia na porta, mostrava aos moradores o esboço da
casa e oferecia o desenho em troca de informações sobre a
assombração. Se a história fosse bastante envolvente,
pintávamos a casa para nossa coleção e, mais tarde, vendíamos
o quadro em uma exposição de arte.
“Ao todo, passamos cinco anos viajando pelo país, pintando e
investigando casas mal-assombradas —
e não exatamente por coincidência, posso acrescentar. Antes de
nos casarmos, Ed já havia devorado todos os livros disponíveis
sobre o preternatural, embora eu não soubesse disso à época.
Assim, além de pintar, ele ficava totalmente absorto em pesquisa
de campo, sempre tomando notas a respeito daquilo em que os
livros estavam errados.”
De forma bastante concreta, os Warren usaram o mundo como
sua universidade, adquirindo uma miríade de informações nesse
período. Geralmente, eles eram os primeiros e, por vezes, os
únicos pesquisadores a investigar um local mal-assombrado.
Embora, na infância, Ed tivesse visto acontecerem à sua volta
fenômenos que fariam os cabelos de qualquer outra pessoa ficar
em pé, Lorraine não tinha experiência alguma com fantasmas e


assombrações. Portanto, já adulta, ela permanecia naturalmente
cética.
“No começo”, recorda-se ela, “eu tinha bastante cautela com
relação às pessoas com quem conversávamos. Eu achava que
elas estavam sofrendo de algum excesso de imaginação, ou
apenas inventando aquelas coisas para chamar atenção. Na
verdade, algumas das coisas que as pessoas nos contavam
pareciam um completo absurdo de tão estranhas — naquela
época. Com o passar do tempo, porém, comecei a me
convencer. Nós íamos a lugares diferentes, muito afastados uns
dos outros, uma semana estávamos em lowa, na outra, no Texas,
mas normalmente havia uma semelhança, às vezes até mesmo
certa exatidão nas histórias que aquelas pessoas contavam. E lá
estávamos Ed e eu, com as mãos e os braços cobertos de tinta,
oferecendo consolo a pessoas que, normalmente, tinham o dobro
da nossa idade, e dizendo o que sabíamos sobre a dinâmica do
reino espiritual.”
O que os Warren aprenderam sobre fantasmas durante aquele
período? O fenômeno é real? E, em caso positivo, eles foram
indagados, como os espíritos se manifestam?
“Parece que a maioria das pessoas pensa que fantasmas andam
se esgueirando no andar superior de residências antigas em um
estado nevoento, vaporoso”, diz Ed em resposta. “Mas não é
assim: para ser visto, o fantasma ou a aparição precisa de
energia física para se manifestar. Descobrimos que existem dois
processos básicos pelos quais um espírito humano pode
provocar sua própria materialização. Um deles requer uma
presença humana; o outro, não.
“Quando um espírito preso à terra precisa de uma presença
humana para se manifestar, ele ativa um processo complexo de
transferência de energia para adquirir substância”, explica Ed. “E
a costela de Adão para a maioria das manifestações
fantasmagóricas é nada mais que a aura humana. Ao redor do


corpo de todo ser vivo existe um brilho bioluminescente que é
resultado de uma descarga natural de energia do corpo.
Clarividentes como Lorraine conseguem ver e ‘ler’ a aura
humana, que se revela em três camadas que refletem o estado
físico, emocional e espiritual da pessoa. Espíritos também leem
auras”, observa ele, “e a aura de um indivíduo pode repelir ou
atrair a presença de um espírito específico. De qualquer forma, o
fantasma sorve pequenas porções de energia desse brilho
bioluminescente, ou aura, que se reúnem e formam um globo ou
pequenos pontinhos de luz. Essa energia luminosa, combinada
com o calor e a energia eletromagnética do cômodo, é o que o
espírito humano usa para se manifestar.”
Instada a dar uma explicação mais simples, Lorraine diz:
“Imagine que você está passando a noite na casa de um amigo.
O lugar é tão agradável e alegre que você jamais pensaria em
um fantasma. Nessa noite, você é levado ao quarto de hóspedes
e, em pouco tempo, está dormindo profundamente. Em algum
momento, no meio da noite, você acorda. Talvez o espírito tenha
projetado fisicamente o som de vidro se quebrando ou da batida
de uma porta, para chamar sua atenção. Sentando-se na cama,
você é invadido por uma sensação de medo — você sabe que
alguma coisa está errada. Olhando depressa ao redor do quarto,
você vê dois globos azulados de luz, mais ou menos do tamanho
de bolas de golfe, flutuando próximos um do outro, mais ou
menos 1,5 metro acima do chão. Enquanto observa, talvez
também veja raios de luz coriscando do seu corpo — isso é a
energia eletromagnética que está sendo retirada da sua aura. Em
um piscar de olhos, aquelas duas bolas de luz se juntam e
formam uma bola maior, mais ou menos do tamanho de uma
toranja. Essa bola então se alongará em um formato de charuto
da altura de um ser humano.
“No lugar dos globos de luz, outras pessoas relatam ver centenas
de minúsculos pontinhos de luz em uma nuvem que — como os
globos — se fundem em um brilho cilíndrico maior. Em qualquer


um dos casos, dentro desse brilho bioluminescente alongado
começarão a surgir e a se definir as feições de uma pessoa até
que o espírito alcance a máxima manifestação que puder. A
propósito, para ser exata, isso será chamado de fantasma se as
feições não forem reconhecidas por aquele que o vê; se as
feições são conhecidas, trata-se de uma aparição. De qualquer
forma, porém, você tem um visitante.”
“A outra maneira pela qual um fantasma pode aparecer”, explica
Ed, “é basicamente diferente — e um pouco teatral. Em dias
muito úmidos, com bastante chuva ou nevoeiro, ou em noites de
tempestade, quando há eletricidade no ar graças às descargas
dos raios e relâmpagos, um fantasma é capaz de se materializar
com a energia disponível na atmosfera. Quando um fantasma ou
uma aparição se manifesta dessa maneira, costuma haver um
forte cheiro de ozônio no cômodo, e a materialização resultante
parece ter um brilho azulado — um espetáculo e tanto, posso
garantir. De qualquer forma, porém, é provável que o espírito se
manifeste antes que você note a presença dele ou enquanto
você observa. O ponto importante é que, em um caso, o espírito
requer uma presença humana para se materializar, ao passo
que, no outro, basta a Mãe Natureza. No entanto, é evidente que
um espírito não precisa se manifestar para estar presente,
porque ele não é intrinsecamente uma entidade material. O
fantasma já está lá. Ele se manifesta apenas para atestar a
própria presença àqueles que estão no reino físico.”
O modo como um fantasma se manifesta é uma coisa — mas a
aparência que ele assume diante de uma pessoa é outra história.
Por que alguns fantasmas não têm cabeça ou se mostram
desfigurados?
“A aparência de um espírito”, afirma Ed, “depende inteiramente
do modo como ele decide projetar a si mesmo, ou de como vê a
si próprio em sua mente. É por isso que contatos com espíritos
presos à terra nem sempre são eventos tranquilos, passivos. A
tragédia vem em muitas formas, em geral acompanhada de


violência, e os últimos pensamentos de um indivíduo tendem a
dominar a mente do seu espírito após a morte física. Assim, via
de regra, o fantasma se manifestará em um espetáculo grotesco,
que representa o modo como ele morreu. Além disso, uma
pessoa que encontra um fim trágico normalmente leva uma
atitude negativa para o além-vida, muitas vezes culpando Deus
pelas suas aflições. Em consequência, alguns espíritos são
perversos e — ao contrário do que muitas pessoas podem
pensar — um espírito
maligno é capaz de provocar efeitos físicos e psicológicos que
podem levar a doenças, ferimentos e até a morte. A opressão
psicológica exercida por espíritos humanos pode resultar em
depressão profunda, em hábitos perniciosos como embriaguez e
insônia e até mesmo em impulsos suicidas. Os efeitos físicos
podem variar desde doenças prolongadas até pontadas de dores
agudas que não têm origem clínica no corpo.”
Pelo menos metade das pessoas que buscam a ajuda de Ed e
Lorraine Warren a cada ano nunca teve nenhum envolvimento
com espíritos ou com o oculto. Em vez disso, elas costumam ser
pessoas comuns, cotidianas, que inadvertidamente se
envolveram em situações em que espíritos já estavam ativos
antes da sua chegada. Isso aconteceu em Amityville, onde a
família Lutz perdeu muito dinheiro e também sofreu uma
catastrófica experiência emocional. Algumas pessoas compram
carros mal-assombrados e, então, se veem forçadas a recriar
acidentes trágicos. Outras ainda se veem incontrolavelmente
possuídas pelo espírito de alguém ou de alguma coisa que
claramente não são elas. E é frequente que as pessoas mais
desprevenidas acabem sendo vítimas de fenômenos espirituais.
Foi exatamente isso o que aconteceu em West Point.
Era o mês de outubro de 1972. Um oficial da Academia Militar
dos Estados Unidos telefonou para os Warren um dia antes da
data marcada para o casal realizar uma palestra geral para os
cadetes dali.


Embora os comentários do oficial fossem deliberadamente
vagos, ele, não obstante, disse aos Warren que havia surgido um
curioso problema de segurança, e queria saber se eles estariam
dispostos a ajudar no caso — em caráter profissional — antes da
sua palestra no dia seguinte, em Point. Sem fazer quaisquer
questionamentos, os Warren concordaram em prestar seu
auxílio. “Ótimo”, disse o oficial, aliviado.
“Mandarei um carro buscá-los amanhã, às 15h.”
No dia seguinte, à tarde, uma lustrosa limusine preta com placas
governamentais parou diante da porta da frente dos Warren. Ed e
Lorraine, vestidos com trajes formais para a palestra, deslizaram
para dentro do veículo, no espaçoso banco traseiro. O chofer, um
sargento administrativo, disse-lhes que o percurso levaria cerca
de uma hora, mas não deu qualquer outra informação.
Seguindo para o norte pela rodovia estadual Taconic Parkway e
enfrentando ocasionais nevascas moderadas, a limusine
manteve um ritmo constante de 95 km/h. Outras pessoas que
viajavam pela estrada espiavam o carro enquanto os Warren se
perguntavam que tipo de “problema de segurança” teria levado o
governo a solicitar os seus serviços.
Um pouco depois das 16h, eles entraram pelos portões da
Academia Militar dos Estados Unidos. O
sargento parou o veículo junto à entrada dos escritórios do
quartel-general, abriu a porta de trás e conduziu o casal ao oficial
no comando de West Point.
O major Donald Wilson, um homem metódico e amistoso,
convidou--os a se sentarem. Ele então os informou da
programação que já estava preparada: jantar com os oficiais do
corpo docente às 18h, seguido de uma palestra geral para todas
as turmas, às 20h.


“Mais uma coisa...” Nos minutos que se seguiram, o major Wilson
passou a explicar uma falha inexplicável de segurança que
estava ocorrendo na residência de um dos oficiais de West Point.
Naturalmente, a polícia do Exército já havia investigado o
problema, mas em vão, admitiu ele. Os problemas tinham
piorado ainda mais. Portanto, decidiu-se buscar uma opinião
externa a respeito de um problema que parecia não ter uma
explicação natural. “Então, se não houver objeção, o oficial
gostaria de conversar com vocês antes do jantar.”
“Ficaremos felizes em ajudar”, respondeu Ed. “O senhor sabe
qual é a natureza do problema?”
“Cá entre nós...”, o major quase deixou escapar um largo sorriso.
“Há um fantasma nos aposentos em questão.”
Apagando as luzes, o oficial pegou seu quepe, acompanhou os
Warren pela porta da sala e apresentou-lhes a um fotógrafo do
Exército, que aguardava sentado no corredor. Estabeleceram-se
limites estritos quanto à coleta de informações naquele dia —
todos os registros documentais seriam de propriedade do
governo norte-americano.
Do lado de fora, vozes fortes e cadenciadas quebravam o
silêncio conforme os cadetes marchavam pela imobilidade
cinzenta da tarde. O grupo caminhou tranquilamente até os
aposentos do general, uma impressionante estrutura de tijolos.
Um auxiliar-geral do pessoal administrativo atendeu à porta da
frente da mansão e convidou o grupo a entrar. Em poucos
instantes, o general em comando e sua esposa chegaram ao hall
de entrada e o oficial apresentou-os aos Warren. O general
impressionou Lorraine, mostrando-se um homem gentil e
compassivo, de grande sensatez e inteligência. 8 A esposa do
general conduziu todos a uma sala de estar graciosamente


mobiliada com peças antigas de vários períodos, herança dos
generais anteriores ao longo de dois séculos.
“Nada macabro aconteceu aqui”, disse o general, sentando-se no
que parecia ser sua poltrona predileta. “No entanto, nesta casa
ocorreram muitos incidentes que, até agora, ninguém conseguiu
explicar de modo a me deixar satisfeito. Um histórico dos fatos:
no porão, há um estúdio privativo. Esse cômodo é mantido
trancado e seguro. Mas, não importa quantas vezes a cama que
fica ali seja arrumada, ela é sempre encontrada desfeita mais
tarde. No andar de cima, fantasmas foram vistos sobrevoando a
casa. Esses eu não vi, mas se ouvem relatos sobre eles há anos
e, ao que parece, eles acompanham o quartel. Agora, eu não
contaria nada disso se não fosse por um problema insólito e
persistente que temos: percebemos que pertences pessoais e
outros objetos importantes desaparecem com regularidade. Eles
não são roubados”, enfatizou, “mas ficam temporariamente
desaparecidos.”
O militar parou de falar por um instante para colocar os óculos.
“Tenho que reconhecer que nada disso é demasiado importante,
a menos que colocado em perspectiva. Uma das
responsabilidades do oficial em comando aqui é o protocolo
social. Nesta casa, recepcionamos uma boa parcela de líderes
governamentais e oficiais de alta patente do Exército.
Recentemente, em ocasiões especiais, ocorreram alguns
eventos potencialmente sérios. Carteiras foram roubadas, bolsos
foram esvaziados, dinheiro e lembrancinhas pessoais foram
furtados de eminentes dignitários e suas esposas. Algum tempo
depois, todos os objetos roubados foram encontrados lá em
cima, primorosamente dispostos sobre uma penteadeira na
nossa suíte master.” Os Warren permaneciam sentados, em
silêncio, tentando compreender a natureza única do problema.
“Este absurdo não pode continuar”, disse o general, com
veemência. “No entanto, sabemos que ninguém cometeu tais
atos. Por isso, minha pergunta a vocês, sr. Warren e sra. Warren,


é a seguinte: se for um fantasma — e eu enfatizo, se for —
então, me digam: um fantasma é capaz de manipular objetos
físicos?”
“Sim”, respondeu Ed, “é capaz, sim. Desde que os objetos não
sejam muito pesados, como esses que o senhor descreveu.”
“Tudo bem, então”, falou o general. “Isso parece ser a obra de
um fantasma para vocês?”
“Com base no que o senhor diz, sim”, respondeu Ed. “Na
verdade, é bastante provável que um espírito humano esteja
atuando aqui, porque os objetos não desapareceram por
completo.”
Aturdido com a resposta, o general fitou Ed por um instante.
“Você saberia dizer se nesta casa há um fantasma que rouba
carteiras?”.
Lorraine viu isso como sua oportunidade de responder: “Senhor,
sou clarividente. O melhor a fazermos seria andar pela casa. Isso
me permitiria afirmar se de fato um espírito está causando essas
perturbações.
É o melhor teste”.
O general e a esposa concordaram, e o grupo levantou-se. Ed e
o major Wilson seguiram rumo ao porão, com a chave do estúdio
que ficava ali embaixo. Como sempre, a cama estava desfeita,
como se alguém tivesse dormido ali. No entanto, tudo o mais
estava em perfeita ordem. Eles fecharam o quarto e voltaram
para o piso térreo. Na cozinha, o major Wilson mostrou a Ed uma
tábua de cortar alimentos que ostentava uma mancha úmida.
“Ela quase seca”, disse-lhe o militar, “mas, toda tarde, fica
molhada outra
vez!”


Em outro ponto da casa, acompanhada do general e da esposa,
Lorraine passava por todos os cômodos do piso térreo de olhos
fechados, começando pela sala de estar. Ela permanecia de pé
no centro de cada um deles, tentando perceber qualquer
presença invisível.
Nada se revelou no térreo, embora Lorraine tivesse ficado um
tanto fascinada em um dos quartos mais afastados da entrada da
mansão. “Este quarto*, disse ela, “este quarto é onde John
Kennedy se hospedava sempre que visitava o Point. As
vibrações aqui são realmente belíssimas."
Um pouco desconcertada, a esposa do general disse a Lorraine
que ela estava certa: “Este era o quarto do presidente; ele não
podia subir as escadas por causa da coluna”.
Após deixarem o piso térreo da mansão Thayer, a esposa do
general conduziu-os por uma escadaria balaustrada que subia ao
primeiro andar. Em cada cômodo, Lorraine captava impressões
das pessoas poderosas que haviam passado algum tempo na
casa, mas nenhuma sensação que indicasse um espírito
zombeteiro.
Em um quarto do primeiro andar, Lorraine parou novamente por
longos instantes. “Uma senhora idosa passou um longo período
neste quarto”, ponderou ela. “A mulher costumava ficar de pé
junto daquela varanda aberta e olhava para o campo.”
Lorraine caminhou até a janela. À distância, ela viu os cadetes
em formação na área de desfiles. Então, virou-se outra vez para
o quarto. “Essa mulher era muito sensata e carregava um fardo
junto com um homem, na sua vida. Ela o aconselhava... mas o
homem não era o marido dela.” “Ele é general Douglas
MacArthur”, disse o militar. “A senhora idosa é a mãe dele. Este
era o quarto da sra. MacArthur quando o filho era
superintendente aqui.”


O grupo que estava no andar de cima desceu de volta à sala de
estar, onde todos se reencontraram.
“Após andar pela casa inteira”, admitiu Lorraine, “não senti a
presença de ninguém que pudesse ser o responsável por
provocar os fenômenos que o senhor descreveu. Por outro lado,
é possível que o espírito tenha deliberadamente nos evitado.”
“Existe algum meio de descobrir isso?”, perguntou o major.
“Sim”, respondeu ela, “isso pode ser verificado no estado de
transe.” Uma expressão apreensiva passou pelo rosto do major.
“Isso significa que teremos que fazer uma sessão espírita?”
“Não”, riu ela, “apenas vou precisar permanecer sentada por
algum tempo aqui, esta noite, depois que o tumulto e as
vibrações do dia tenham se apaziguado.”
Com a concordância de Lorraine, decidiu-se realizar uma reunião
na mansão após a palestra da noite.
Se o problema pudesse ser resolvido de uma vez por todas, ao
menos valia a pena tentar.
Em um jantar agradável às 18h daquele início de noite, os
Warren foram apresentados aos oficiais do corpo docente de
West Point, os quais, com suas respectivas esposas, mostraram-
se curiosíssimos acerca de todos os aspectos da temática do
sobrenatural. Às 20h, Ed e Lorraine fizeram uma palestra geral
sobre espíritos para uma plateia militar espantada. Os Warren
ilustraram sua palestra com os habituais slides de fantasmas,
aparições e outros fenômenos inusitados, que provocaram as
costumeiras exclamações de
“Oh!” e “Nossa!”. Embora a palestra tenha sido recebida com
entusiasmo, nenhum dos cadetes imaginou sequer por um
instante que tais coisas poderiam acontecer no Point.


Durante a sessão de perguntas ao final da exposição, uma jovem
na casa dos 30 anos de idade levantou-se e disse aos Warren
que sentia ser aquele um bom momento para contar algo que
vinha carregando consigo a vida inteira. Ela queria que todos
soubessem que aquilo de que os Warren estavam falando era
verdade. Essas coisas incomuns de fato acontecem. Seu pai era
o líder de voo daquela esquadrilha de caças que se perdeu sobre
o Triângulo das Bermudas, em 1945, e nunca voltou para casa.
Ele e os outros homens realmente se perderam no mar. E
embora as pessoas talvez preferissem pensar que aquilo é algum
tipo de embuste, não é.
Quando ela se sentou, a plateia em peso explodiu
espontaneamente em gritos de aprovação e aplausos.
Vendo isso como a oportunidade perfeita para encerrar a
palestra, Ed cumprimentou os cadetes e disse boa-noite a todos.
Cinco minutos mais tarde, os Warren já estavam voltando à
mansão Thayer, na companhia do oficial e de mais um grupo
privativo de oficiais e suas esposas, os quais o casal havia
conhecido durante o jantar.
Lorraine explicou ao major que tinha a impressão de que o quarto
da sra. MacArthur seria o lugar mais favorável para uma tentativa
de comunicação.
O major, por sua vez, disse a ela que o general e a esposa
tinham de partir em uma viagem para Nova York, de helicóptero,
às 22h. Embora estivessem em outro local do campus, eles
fariam uma parada na mansão antes de partir.
“Sem problemas”, respondeu.
Após ser recepcionado à porta da frente por um auxiliar do
pessoal administrativo, o grupo subiu ao primeiro andar e dirigiu-
se ao quarto da sra. MacArthur, onde os oficiais e suas esposas


se sentaram no chão. Lorraine sentou-se na cama. (“Uma cama”,
observa Lorraine, “um lugar em que as pessoas passam um terço
da vida dormindo, é uma excelente fonte de vibrações.”) Todas
as luzes foram apagadas, à exceção de uma, e Lorraine fechou
os olhos.
“Vejo um homem negro se aproximando”, logo anunciou ela,
falando alto, como um repórter de noticiário. “Ele está vestindo
um uniforme escuro, sem galões nem condecorações. Esse
homem está conosco agora.”
Olhares dispararam pela sala, mas não se podia ver nenhuma
figura com aquela descrição.
“Esse homem está tomado de um sentimento de medo, culpa e
falta de aceitação. Ele está muito arrependido de alguma coisa.”
Lorraine parou, o corpo tenso, os braços totalmente estendidos
ao lado do tórax. “Ele está falando comigo agora. Está dizendo
que foi acusado de assassinato. Sua cela fica no porão. Mas o
Exército o absolveu daquele assassinato. Ele se arrepende
muito, muito, e já não consegue conter essa angústia. É por isso
que ele vem pegando carteiras... ele quer que o Exército saiba da
sua angústia.”
Todos no quarto permaneciam sentados, em silêncio, esperando
para ouvir mais.
“Qual é o seu nome, rapaz?”, perguntou Lorraine. “Diga o seu
nome... Ele está me dizendo que seu nome é Gerir. Está
soletrando: g-r-e-e-r. Qual é a data?... É no início de mil
oitocentos e... — não, é no início de 1800. Ele já não sabe mais a
data. Está dizendo que quer apenas que seu arrependimento
seja compreendido. Ele quer saber quem eu sou.”
Lorraine, em transe profundo, começou a pender para frente. Ed
disse para ela inclinar-se para trás.


“Sr. Greer”, disse ela, “fui enviada pelo Exército para descobrir
qual é o seu problema... Não, sr.
Greer, o senhor não é tido em desonra”, disse ela,
aparentemente em resposta. “Sua absolvição teve um motivo.
Está nos registros que a morte que o senhor causou não foi um
assassinato. Sua absolvição permanece.”
“Escute, sr. Greer. Seu arrependimento é compreendido pelo
Exército. Mas já é hora de sua angústia terminar. Não há nada
que possamos fazer pelo senhor. O senhor está se prendendo; o
senhor precisa se libertar da culpa. Já passou tempo suficiente.
Estamos agora no século XX — na década de 1970. O
senhor não entende os dias de hoje. Toda vez que o senhor tira
os pertences de uma pessoa importante, coloca o Exército em
uma posição muito perigosa... Ele está me dizendo que já não
precisa fazer isso.
Está confuso. Quer voltar à vida...”
Os braços de Lorraine afrouxaram; em seguida, ela começou a
sair do transe.
“Lorraine”, disse Ed, enfático, “fique com ele. Tente enviá-lo para
o outro lado.”
Lorraine continuou sentada, em silêncio, por longos instantes e,
então, voltou a falar. “Para viver outra vez, sr. Greer, o senhor
precisa ir para a luz. Já é hora de o senhor se entregar e
recomeçar. Todos precisam fazer isso. Concentre-se na luz e vá
em direção a ela. Vá ao encontro dos seus amigos e da sua
família. Vá para casa, para a luz, sr. Greer. Concentre-se na luz e
deixe que ela o leve...”
Lorraine despertou de súbito, os olhos arregalados. “Ele se foi.
Perdi contato com ele”, declarou a médium.


As luzes foram acesas enquanto os oficiais e suas esposas se
levantavam, falando em tons ansiosos, aos sussurros. Lorraine,
de pé no centro do grupo, fez uma descrição completa do homem
e disse que, por fim, Greer havia simplesmente desaparecido.
Pouco tempo depois, a comitiva desceu ao andar térreo e partiu,
mas os Warren e o major aguardaram na sala de estar. Alguns
minutos depois, chegaram o general e sua esposa. Lorraine
relatou sucintamente a comunicação que fizera, observando, em
conclusão: “Não tive a impressão de que Greer quisesse estar
aqui. De certa forma, acho que ele estava apenas esperando
para ser dispensado. Depois disso, duvido muito que qualquer
outro objeto venha a desaparecer. Mas, se isso acontecer outra
vez, por favor, me informe — há coisas que posso fazer à
distância".
“É muita gentileza sua”, disse o general. “Contudo, há um
pequeno porém. Nenhum negro jamais serviu no Point até este
século. No entanto, prometo que o major verificará essa questão
e encontrará uma resposta nas próximas semanas.”
Enquanto conversavam no hall de entrada, ouviu-se um
helicóptero pousar lá fora. Era hora de ir. Após uma troca de
agradecimentos e despedidas nos degraus da frente, o general e
a esposa atravessaram o gramado e embarcaram em um grande
helicóptero militar que seguiria para Nova York. Perguntando-se
se Greer teria realmente posto um fim no seu tormento de mais
de um século, os Warren acomodaram-se no banco traseiro da
limusine que os aguardava.
Algumas semanas mais tarde, durante uma palestra na
Universidade de Boston, Ed e Lorraine, ainda no palco, foram
chamados a atender um telefonema de West Point. O Exército
queria que eles soubessem que uma pesquisa completa e
minuciosa dos registros fora feita e descobriu-se que um homem
negro, um porteiro de nome Greer, havia servido no Point.
Designado para trabalhar na mansão Thayer no início do século
XIX, ele fora acusado de um assassinato, mas o Exército o


absolveu. Seus registros estavam em desordem e seriam agora
arquivados como “Falecido”. “E, a propósito, da próxima vez que
vierem dar uma palestra no Point, poderiam, por favor, fazer
alguma coisa a respeito do fantasma de um soldado de cavalaria
da Guerra Civil que se recusa a deixar um dos nossos
dormitórios? Precisamos do espaço.”
O Exército, é claro, não é a única grande organização que teve
que lidar recentemente com um fantasma. Depois da queda de
um dos seus aviões comerciais L-1011 em Everglades, a Eastern
Airlines foi vítima de recorrentes fenômenos espirituais nos seus
aviões, como foi relatado em The Ghost of Flight 401 [O
Fantasma do Voo 401]. No ano que se seguiu ao desastre,
muitas centenas de pessoas supostamente testemunharam os
espíritos da tripulação morta manifestados em forma física a
bordo de outros jatos Tristar. Em determinada ocasião, a voz do
espírito de Don Repo, o engenheiro aéreo morto no acidente,
teria sido captada pelo gravador do voo quando ele se
materializou na cabine e conversou com membros da tripulação.
Por vezes, é possível negar ou ignorar que tais eventos insólitos
ocorram.
Não obstante, em situações tais como a de West Point, quando
os fenômenos simplesmente não cessam, o caminho mais
certeiro é reconhecer que há algo ali —, nem que seja apenas
para fazer os fenômenos pararem de acontecer.
“Na realidade”, ressalta Ed, “é positivo que o Exército tenha
considerado o sobrenatural como uma hipótese válida. Nas
minhas viagens, eu normalmente percebo que as pessoas que
não acreditam em fantasmas muitas vezes não querem acreditar
neles. Elas veem o sobrenatural como algo ameaçador, então,
apagam as informações. Felizmente, esses oficiais do Exército
não ajustaram uma realidade desagradável de modo a adequá-la
aos seus propósitos. Em vez disso, eles analisaram os dados,
consideraram as evidências de forma lógica e chegaram a uma
conclusão racional que levou à solução do problema.”


Quando alguém faz menção à temática dos fantasmas, a mente
quase que de forma automática evoca imagens de castelos e
solares senhoriais mal-assombrados na Inglaterra. Pela
experiência dos Warren,
existem mais fantasmas na Inglaterra ou nos Estados Unidos?
“A BBC me fez essa mesma pergunta em Londres, não muito
tempo atrás”, responde Ed. “Há lugares no mundo que são
realmente mal-assombrados, e muitos desses lugares ficam na
Inglaterra. O presbitério Borley, por exemplo, é quase como que
um portal para o sobrenatural, e o tem sido por centenas de
anos.
Basta ler os livros recentes de Harry Price, como Poltergeist Over
England [Poltergeist na Inglaterra], para descobrir isso. Porém,
de longe, existem muito mais fantasmas nos Estados Unidos que
na Inglaterra.
O motivo disso é uma questão numérica. Embora o nível
cotidiano de atividade espiritual seja o mesmo no mundo todo, o
fato é que simplesmente existem mais pessoas nos Estados
Unidos. Em outras palavras, onde há uma população muito
numerosa, também existe maior probabilidade de que algumas
dessas pessoas sejam pegas pela síndrome do fantasma quando
morrem.”
Em que lugares dos Estados Unidos uma pessoa está mais
propensa a encontrar um fantasma?
“Em termos de lugares físicos”, responde Ed, “descobrimos que a
possibilidade de encontrar um fantasma é maior em construções
antigas e isoladas. Casas de fazendas ou feitas de tijolos, mais
antigas, construídas perto do mar durante a colonização dos
Estados Unidos, têm o maior potencial de ser mal-assombradas
por causa das gerações que viveram e morreram ali. Mas
fantasmas não aparecem apenas em casas mal-assombradas.
Por exemplo, recentemente, várias pessoas da vizinhança,


inclusive a nossa assistente, Judy, comentaram ter visto um
homem, vestindo uma gabardina, andando de lá para cá na rua,
à noite, na frente da nossa casa — embora ele desaparecesse
sempre que alguém se aproximava!
Acontece que, dias antes, um rapaz havia trazido alguns
destroços do voo 401, aquele avião a jato que caiu em
Everglades. No exato instante em que entregou o primeiro
destroço a Lorraine, o rapaz que estava de pé ao lado dela viu a
aparição de Don Repo — o engenheiro aéreo que estava no
caça. Era o mesmo homem que havia sido visto na estrada. Ele
estava andando de lá para cá, esperando, porque, talvez por
coincidência, nós nos encontraríamos com pessoas da família
dele ainda naquela semana, ocasião em que Lorraine viu o
engenheiro e outra aparição presentes durante todo o tempo em
que conversamos. A propósito, devo mencionar também que o
nome Steward ou Stewart foi comunicado a Lorraine no instante
em que ela começou a fazer a psicometria das partes do 401.”
A resposta abriu caminho para perguntas ainda mais profundas.
Primeiro, por que o fenômeno ocorre?
Existe alguma razão para que uma pessoa venha a se tomar um
fantasma e outra não? Esse é o tipo de perguntas a que Ed e
Lorraine conseguem responder em detalhes complexos. Ainda
enquanto jovens artistas, eles vieram a descobrir que espíritos
humanos presos à terra não passam de pessoas cujo corpo foi
subtraído à entidade total. Enredados em um estado mental de
confusão, esses infelizes possuem vida, mas não corpo. No
entanto, com ou sem corpo, eles ficam presos em um limbo
temporário entre este reino e o além. Certos fatores de alguma
forma conspiraram para impedir que o espírito fizesse qualquer
progresso adiante.
“A síndrome do fantasma”, explica Ed, “é provocada por uma
tragédia na vida de um indivíduo, ocasião em que a morte ocorre
subitamente ou em circunstâncias muito traumáticas. Menos
frequente é a situação em que o espírito se demora aqui por


causa de um apego atipicamente forte a coisas deste mundo.
Porém, em qualquer um dos casos, o espírito preso à terra se
identifica com este mundo, não com o além. Agora, em regra,
pessoas que conseguem contemplar uma vida após a morte
farão a passagem corretamente. No entanto, a mente do espírito
preso à terra tende a ficar enrijecida em um estado emocional
específico. No fundo, o espírito busca uma solução, é claro, mas
está tão enredado no próprio trauma e na sua tristeza que nada
lhe faz sentido, exceto a contemplação do seu estado emocional.
Muitas vezes, o fantasma não tem sequer consciência de que a
morte ocorreu. Isso acontece porque a pessoa na condição de
fantasma já não tem a mesma percepção que tinha enquanto ser
de carne e osso. Quando se dá a comunicação, em geral você
precisa dizer a eles — na verdade, precisa convencê-los — de
que estão mortos, que foram dissociados do seu corpo físico. A
mente, veja bem, não é afetada pelo advento da morte. Assim, se
ela chega de repente ou em meio a um trauma emocional, o
espírito fica preso em um
estado de irresolução. É por isso que espíritos permanecem aqui,
às vezes por gerações. O tempo não é um fator para os espíritos.
Eles vivem em uma espécie de presente eterno. É a sabedoria e
a percepção da realidade que permitem que o espírito humano
siga adiante.
“Basicamente, quando um fantasma é responsável por
fenômenos de assombração”, continua Ed, “ou ocorreu na casa
alguma situação emocional que desencadeia a perturbação, ou o
espírito presente está tentando comunicar o seu problema ao
reino físico. Tomemos primeiro as situações emocionais. As
pessoas costumam se perguntar por que duas, três, uma dúzia
de famílias mora em uma casa, mas apenas uma pessoa ou
família vivência fenômenos espirituais. A resposta é que
normalmente aconteceu uma interligação emocional.
“Por exemplo, você tem uma casa antiga em que alguém
cometeu suicídio cem anos atrás. Nesse meio-tempo, seis


famílias podem ter vivido ali e não ter passado por nem um único
evento estranho. Então, um dia, muda-se para lá alguém que
também tenha uma inclinação para a autodestruição.
Imediatamente começa a atividade espiritual. Ocorreu uma
interação emocional. É como colocar pilhas em uma lanterna:
estabelece-se uma conexão entre emoções compatíveis.
“Vejamos outro exemplo; Até talvez cinquenta anos atrás, as
mulheres davam à luz em casa e, às vezes, elas morriam no
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