Ed & Lorrain Warren: Domonologistas



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Ed & Lorrain Warren Domonologi - Gerald Brittle
— Terence Beckford
Após o exorcismo da sua casa, a vida dos Beckford voltou
gradualmente ao normal. No entanto, o período prolongado de
danos a móveis, paredes, tapetes, colchões, roupas de cama,
instalações hidráulicas, telhado e carros teve um custo muito
superior a 5 mil dólares. (Ironicamente, o seguro da família não
cobria “atos de Deus”. Hoje, os Beckford vivem satisfeitos na
mesma pequena casa suburbana. Eric está em outra cidade,
fazendo faculdade. E, é claro, Vicky, atualmente casada, está


sempre ocupada — como se poderia esperar — com três filhos
pequenos para criar.
UM SERVO DE LÚCIFER
O que aconteceu à família Beckford não é, em absoluto, um
evento comum. Não obstante, atrair espíritos negativos para
junto de si não é assim tão incomum. Todo ano, Ed e Lorraine
Warren atuam em pelo menos uma dúzia de casos sérios de
opressão e possessão demoníaca, e é impossível dizer quantos
outros casos o clero especializado é chamado a resolver no
mesmo período.
O que distingue o caso Beckford é que ele constituiu um ataque
diabólico. “Fenômenos de infestação e opressão são uma coisa”,


diz Ed, “mas, quando se tem um ataque diabólico, você está
lidando com algo muito mais poderoso que o espírito demoníaco.
O espírito demoníaco tem apenas determinado grau de
conhecimento e o seu intelecto pode ir apenas até certo ponto.
Por outro lado, este caso saiu do controle devido à intervenção
da hierarquia satânica. Para fazer uma analogia, uma coisa é
pilotar um avião de bombardeio e lançar uma bomba atômica;
outra coisa é inventar a arma. Essa é a mesma distinção entre
diabos e demônios. Embora ambos pertençam ao assim
chamado Reino, o espírito demoníaco é uma entidade vil e
bestial quando comparado à inteligência mais profunda da
hierarquia diabólica. No entanto, não tenha dúvidas de que
ambos estão em busca da mesma coisa: o espírito demoníaco
apenas faz o trabalho sujo. Ainda assim, quando se tem um caso
envolvendo fogo; o teletransporte de bigornas, portas e
coberturas de radiadores; a levitação de objetos extremamente
pesados; a movimentação sacrílega de rosários e estátuas
abençoadas; além de exemplos irracionais, quase insanos de
blasfêmia
— então, é certo que existe um verdadeiro maníaco por trás da
situação, orquestrando o pandemônio.”
Por que esse poder diabólico se mostrou como um diabo clássico
duramente o exorcismo, com chifres e cauda? Esse detalhe é
difícil de acreditar.
“Bem, com certeza”, responde Ed. “É exatamente por isso que
ele se manifestou dessa maneira. Ele assumiu a forma de um
diabo arquetípico para, primeiro, preservar o anonimato —
sempre uma prioridade I para o demônio. E, segundo, para fazer
o exorcista parecer possivelmente um tolo. Quando tivesse que
relatar a aparência que o espírito I assumiu ao receber o
comando para ir embora, isso levantaria dúvidas I quanto à
credibilidade do exorcista ou sobre o caso em geral. Esse tipo I
de comportamento é padrão no que diz respeito ao demoníaco.
No entanto, independentemente da forma que tenha assumido, o


importante para os Beckford é que as forças/oram expulsas da
casa.”
E quanto às pessoas? Que efeitos sofrem os seres humanos que
passaram por um episódio com o espírito demoníaco?
“Dada a natureza extremamente traumática da maioria dos casos
envolvendo fenômenos demoníacos”, explica Lorraine,
“recomendamos que os principais envolvidos participem de um
programa de acompanhamento de seis meses, para que
consigam lidar com o que aconteceu na vida delas. Recobrar a
estabilidade psicológica é algo muito particular e exige bastante
autoanálise. Normalmente, o acompanhamento é feito por um
clérigo da fé da família, às vezes até o próprio ministro. Quando
isso não é possível, Ed e eu ajudamos tais pessoas ao longo dos
meses difíceis. Às vezes, é claro, o choque é grande demais, e
certos indivíduos vão precisar de psicoterapia. De qualquer
forma, sempre se fica abalado após uma experiência com o
fenômeno. Alguns escolhem vê-lo por aquilo que ele é; outros
vão além e o consideram s uma ‘revelação’; há ainda aqueles
que precisam de um prolongado processo de
terapia, ou mesmo hospitalização por longos períodos. E outros,
por razões psicológicas, simplesmente vão negar que os eventos
diabólicos um dia aconteceram.
“Via de regra, aqueles que conseguem lidar com o problema vão
tomar as precauções necessárias para que ele nunca volte a
acontecer na sua vida; aqueles que não conseguem
compreender, ou não querem, permanecem abertos à ocorrência
de problemas ainda mais graves no futuro. A maioria, porém,
leva a sério o que aconteceu e, assim, promove grandes
mudanças, às vezes até mesmo radicais no seu estilo de vida.
“Essas pessoas começam se afastando fisicamente do cenário”,
prossegue Lorraine. “A pessoa ou família se muda de um lado do
país para o outro, vai morar no exterior ou volta para o estado ou
a cidade onde cresceu. Sua atitude costuma ser: ‘Qualquer coisa


para sair daqui!’. Embora as pessoas não possam se distanciar
fisicamente dos espíritos, a sinceridade da ação delas é o que
importa — e esse é o verdadeiro mecanismo de distanciamento.
Além disso, uma dose assim tão pesada de realidade vai inspirar
outros indivíduos a reavaliar o curso da própria vida. Muitas
vezes, adultos deixarão um emprego que não seja gratificante e
assumirão ocupações criativas ou de assistência social.
Invariavelmente, se os principais envolvidos não eram religiosos
antes do problema, eles logo passam a
‘levar a religião a sério’. Sua ênfase geral é: segurança, redução
do medo e prevenção de qualquer recorrência do episódio
negativo.
“Tais são as mudanças exteriores”, diz Lorraine. “Contudo, em
nível emocional e psicológico, pessoas que foram alvo de um
ataque espiritual negativo têm muito trabalho mental a fazer para
recobrar o equilíbrio. Crianças, infelizmente, costumam ser as
mais afetadas. 0 terror que testemunharam é permanente. Ser
exposta a tamanha violência, vulgaridade, indecência e medo
persistente deixa em uma criança uma percepção do mundo que
poucos de nós conseguiríamos compreender.
“Para adultos, em geral é necessário algum aconselhamento.
Embora a possessão ou o pandemônio tenha sido testemunhado
em primeira mão, as pessoas geralmente não conseguem aceitar
o fato de que forças invisíveis de natureza sobrenatural foram as
reais causadoras do caos. f A sociedade é, em parte,
responsável pelo problema, é claro. As pessoas têm sido
metodicamente ensinadas a não acreditar em fantasmas,
espíritos e forças sobrenaturais porque se supõe que essas
coisas sejam ‘irracionais’. Na minha opinião, fechar a mente ao
conhecimento é que é irracional. No aconselhamento, as
pessoas precisam desaprender a percepção estreita da vida que
lhes foi ensinada e, então, serem expostas ao fato de que o
mundo é um lugar muito mais complexo e sério do que elas
foram levadas a acreditar.”


Por que, na opinião de Ed, algumas pessoas disseram que o
caso Amityville foi uma “fraude”?
“Isso faz parte de um padrão de negação que anda de mãos
dadas com a questão dos espíritos”, esclarece Ed. “Quando
alguma coisa é ameaçadora, a mente tenta negá-la. Em
psicologia, isso é chamado repressão. Pessoalmente, não fico
surpreso com esse clamor de fraude: é um aspecto previsível da
reação geral diante de fenômenos demoníacos. Anos mais tarde,
ao conversar com pessoas que foram possuídas ou sofreram um
assédio diabólico, esses mesmos indivíduos costumam negar
que o evento tenha ocorrido. Essas pessoas são mentirosas?
Não, elas estão reagindo a um trauma. O que lhes aconteceu é
tão incompatível com a sua racionalidade que, como mecanismo
psicológico de defesa, elas negam que o evento tenha ocorrido.
Em menor medida, a mesma coisa acontece quando surge um
livro como Amityville. O tema é ameaçador, até mesmo
traumático para alguns leitores. Além disso, a palavra
‘fraude’ é uma garantia de lucros quando usada em uma í:
manchete de primeira página.”
Raramente se lê sobre os dois primeiros estágios dos fenômenos
demoníacos — a infestação e a opressão — em jornais, exceto
em termos da assim chamada atividade “poltergeist”. Não
obstante, casos de possessão diabólica são publicados, mas a
ninguém se conta como possessão ocorreu. Ainda assim, se não
se resiste à opressão física ou psicológica, ou se não se
consegue obter a ajuda adequada, então, o espírito opressor é
capaz de passar à possessão. E, quando isso acontece, as
coisas tornam-se muito mais complicadas e sinistras. Afinal, toda
a violência e o terror que podem ocorrer durante os estágios de
infestação e opressão destinam-se nada menos que à possessão
diabólica de um ser humano. Se a opressão for bem-sucedida, a
porta de acesso à vontade fica simplesmente escancarada.
Então, o indivíduo é invadido por uma, ou até uma multidão, de
entidades possessoras.


“Você precisa traçar uma linha bem larga entre opressão e
possessão”, diz Ed, traçando com o dedo uma linha na mesa.
“Durante a opressão, o espírito demoníaco tenta manipular a
vontade humana por meio de tentação, intimidação e outras
influências sórdidas que o indivíduo em geral pode afastar ou às
quais pode resistir. Porém, quando ocorre a possessão, o espírito
inumano já não o ataca: ele se toma você, por assim dizer.
Apoderar-se do corpo da pessoa e impor sua vontade à do
espírito humano é o objetivo final do espírito demoníaco. Por
incrível que possa parecer, o corpo se toma hospedeiro de um
ser completamente diferente. O que possui o corpo é um espírito
exterior inumano de natureza claramente diabólica que não tem
qualquer relação com o indivíduo possuído. Um espírito
independente, com vontade e inteligência próprias, toma o corpo
humano à força e, com a própria voz, desafia qualquer um a
fazê-lo sair.” Expandindo a ideia, Lorraine diz: “Os teólogos
costumam chamar o corpo humano de ‘a mansão da alma’; a
morada que o espírito habita. 0 espírito demoníaco chama
grosseiramente o corpo de uma casa para habitar. Pessoas que
deixam a ‘porta da frente’ destrancada, convidando ou atraindo
forças espirituais, criam a real possibilidade da possessão. ‘0 lixo
de um homem é o tesouro de outro.’ Aqueles que não apreciam o
dom da vida correm o risco de tê-la arrancada de uma forma
bastante real e física”.
Quando a possessão de fato ocorre, existe alguma coisa que fica
evidente na aparência do indivíduo afligido?
“Muitas vezes, a pessoa possuída tem uma aparência comum,
como você e eu”, responde Ed. “Exceto por uma coisa: os olhos.
Dizem que os olhos são as janelas da alma, e acredito que seja
verdade, porque o que se vê nos olhos de uma pessoa
severamente oprimida ou possuída é diferente de tudo o que
você já viu. Os olhos não ficam caídos ou meio adormecidos;
ficam arregalados e vigilantes. Além disso, o que se vê naqueles
olhos não é humano: é selvagem, animalesco e cheio de ódio. Já
vi esse olhar enlouquecido e sobrenatural muitas vezes na vida


e, em cada ocasião, parece que perco uma pequena parte de
mim no processo. Estou convencido de que esse é um olhar que
as pessoas não devem ver, porque é verdadeiramente o espírito
do mal vendo através das janelas de um ser humano.
“Há apenas alguns meses, Lorraine e eu tínhamos acabado de
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