Dra Paula Menezes Luciano Coordenação uti/Emergência Santa Casa de São Joaquim da Barra



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Infecção Urinária 

 

Dra Paula Menezes Luciano 



Coordenação UTI/Emergência  

Santa Casa de São Joaquim da Barra 

 



Caso clínico 

Identificação: MPSB, 68 anos, feminino, procedente de Restinga. 

 

QP: Dor nas costas e para urinar há 2 dias. 



 

HDA: Paciente relata que há 2 dias iniciou quadro de dor lombar à 

direita  associada  a  disúria,  polaciúria,  febre  e  eliminação  de  urina 

escurecida.  Também  refere  náuseas  e  vômitos  +  prostração  e 

diminuição do apetite. Nega infecções urinárias de repetição. 

 

HPP: Nega HAS 



          Nega DM 

          Nega uso de medicações regularmente  




Caso clínico 

História social: Nega tabagismo e etilismo 

 

Ao  exame,  paciente  consciente,  eupnêica,  acianótica,  corada, 



hidratada, afebril e anictérica. 

PA = 121/61 mmHg         

FC = 102 bpm 

FR = 16 irpm 

Tax = 38° C 

SpO2 = 96% (AA) 

AR – MV audível universalmente sem RA 

ACV – RCR em 2T BNF sem sopros e/ou arritmias 

Abdome – Plano, flácido, sem visceromegalias, doloroso à palpação 

profunda em flanco D, sem sinais de irritação peritoneal, peristalse 

presente, Giordano positivo à direita 

MMII – Sem edema, panturrilhas livres, pulsos simétricos 




Hipóteses Diagnósticas: 

- ITU alta – pielonefrite aguda 

- Sepse? 

 

 



Conduta:  

- Mantida na emergência em observação 

- Acesso venoso + hidratação endovenosa 

- Solicitados gaso arterial com lactato, HMG, eletrólitos, 

função renal, Urina I, urocultura e hemoculturas + R-X 

de tórax e USG de rins e vias urinárias  

- Início de antibiótico precoce por via endovenosa – 

ceftriaxona 2 gramas 

  



Resultados de exames laboratoriais: 

• Hemograma: 

   Hb = 11,8g/dl   e    Ht = 36% 

   GB = 


13500      77% de neutrófilos com desvio à esquerda 

(11% de bastões) 

   Plaquetas = 150.000 

 

• Gasometria arterial: 



   Sem acidose metabólica com lactato de 1,0mmol/L 

• Creatinina = 

2,29  

• Uréia = 



65 

• Na = 134 

• K = 4,0 



Resultados de exames laboratoriais: 

• Urina I: 

  Moderadamente turva 

  Ácida, com densidade de 1020 

  2.000.000 de leucócitos 

  1000 células  

  40.000 hemácias 

  bactérias frequentes 

  nitrito positivo 

   


 

• USG de rins e vias urinárias: normal 




Conduta na internação: 

• Mantido antibioticoterapia: Ceftriaxona 

• Mantido hidratação endovenosa + sintomáticos 

• Profilaxia para TVP 




3º dia de internação: 

• Evolução  com  melhora  clínica,  principalmente  com 

melhora da dor lombar. Sem febre. 

 

• Normalização  da  função  renal  após  48  horas  da 



antibioticoterapia e da hidratação endovenosa. 

 

• Isolamento  na  urina  de  E.coli  +  de  100.000U 



formadoras de colônias sensível a celalosporinas de 2ª 

e 3ª gerações, sulfametoxazol-trimetropin, piperacilina-

tazobactan  e  ciprofloxacina,  resistente  a  norfloxacina, 

cefalosporinas de 1ª geração  e amoxicilina-clavulanato. 

 



4º dia de internação: 

• Alta  hospitalar  com  medicação  por  via  oral  – 

transicionado  para  cefuroxima  250mg  de  12/12 

horas por mais 7 dias. 




Infecção de trato urinário 

• Definição 

• Epidemiologia 

• Fisiopatologia 

• Classificação 

• Etiologia 

• Manifestações clínicas 

• Diagnóstico  

• Tratamento 

• Profilaxia 

• Conclusões 

 

 



 


Definição: 

• É  a  presença  de  bactérias  na  urina,  com  limite 

mínimo  de  100.000U  formadoras  de  colônias  por 

ml de urina. 




Epidemiologia: 

• ITU  é  a  segunda  infecção  bacteriana  mais  comum  na 

prática clínica. 

 

• São  responsáveis  por  7.000.000  de  consultas  por  ano, 



1.000.000  de  atendimentos  em  emergência/ano  e 

100.000  internações/ano nos EUA. 

 

• Cerca  de  20%  das  mulheres  apresentam  um  episódio 



de ITU durante a vida, predominantemente de cistite. 

 

• A  incidência  em  mulheres  é  o  dobro  da  de  homens, 



mas acima de 50 anos, a incidência passa a ser igual. 

 

 




Epidemiologia: 

• Populações mais susceptíveis a ITU: 

   - Crianças pequenas 

   - Mulheres grávidas 

   - Idosos 

   - Diabéticos 

   - Usuários de sonda vesical 

   - Imunodeprimidos 

   - Pacientes com lesões medulares 



Fisiopatologia: 


Fisiopatologia: 


Fisiopatologia: 


Classificação: 

SINTOMÁTICA 

 

ASSINTOMÁTICA 



 

BAIXA 


ALTA 

COMPLICADAS 

NÃO-COMPLICADAS 



Fatores de risco para ITU complicada: 


Etiologia: 

• ITUs de comunidade: 

   - E. coli (70 a 85%) 

   - Staphylococcus saprophyticus 

   - Proteus 

   - Klebsiella 

   - Enterococcus faecalis 

 

• ITUs hospitalares: enterobactérias e cândida 



• ITUs complicadas e de repetição: germes produtores de 

beta-lactamase de espectro estendido (ESBL) 




Manifestação Clínicas: 

• Sinais e sintomas: 

   - Polaciúria 

   - Urgência miccional 

   - Disúria 

   - Alteração da coloração e do aspecto da urina, com 

urina  turva  associada  a  alterações  no  sedimento 

urinário, hematúria e piúria  

   - Dor lombar ou em hipogástrio 

   - Febre 




Diagnóstico: 

• Clínico – manifestações clínicas típicas: 

   - ITU baixa 

   - ITU alta 

 

   - Idosos, imunodeprimidos, pacientes internados 



 

   - Bacteriúria assintomática???? 




• Vaginite 

 

• Doença inflamatória pélvica 



 

• Uretrite/Prostatite 

Diagnóstico diferencial: 



Diagnóstico laboratorial: 

• ITU: + de 100.000 ufc/ml colhida do jato médio de 

maneira asséptica. 

 

• Pacientes idosos, com infecção crônica e em uso de 



ATB,  pode  ser  valorizado  crescimento  bacteriano  > 

que 10.000 ufc/ml. 

 

• Bacteriúria  assintomática:  crescimento  de  pelo 



menos  100.000  ufc/ml  de  uma  mesma  bactérias 

em 2 amostras de urina de um paciente. 




Diagnóstico laboratorial: 

• Urina I associada a clínica com  

seguintes achados: 

   - Leucocitúria 

   - Hematúria 

   - Bacteriúria 

   - Nitrito positivo 

   


 

• Urocultura  –  permite  identificação  do  agente  causal  e  seu  perfil 

de sensibilidade. 

 

• Hemocultura – positiva em 25 a 60% dos casos de ITU alta. Tem 



relação com a gravidade da doença e risco de sepse. 


Causas de leucocitúria sem ITU: 

• Pensar  também  em  tuberculose  e  DSTs  - 

clamídia/gonococo 

 

• Outras causas: 



   - Glomerulopatias 

   - Nefrites túbulo-intersticiais 

   - Litíase 



Exames de imagem - indicações: 

• ITU alta ou envolvimento sistêmico 

 

• Presença de anormalidades anatômicas que podem 



predispor a complicações 

 

• Infecção de repetição 



 

• Má resposta à terapêutica 




Exames de imagem - USG: 

• Alterações de parede (cistites, pólipos e neoplasias) 

 

• Alterações de conteúdo (cálculos, coágulos, cristais) 



 

• Alterações de topografia e contornos  




Exames de imagem - USG: 


Exames de imagem - USG: 


Exames de imagem - CT: 


Exames de imagem - CT: 


Tratamento: 


Quando tratar bacteriúria assintomática? 

• Mulheres grávidas 

 

• Homens  que  serão  submetidos  a  procedimentos 



urológicos, como a RTU de próstata 

 

• Procedimento  cirúrgico  de  trato  urinário  com 



previsão de sangramento 


Não 

existe 


evidência, 

tratar 


bacteriúria assintomática em: 

• Mulheres  não-grávidas,  pré-menopausa  ou  na 

menopausa 

• Mulheres diabéticas 

• Idosos, institucionalizados ou não 

• Paciente  com  lesão  medular  e  com  alteração 

funcional da bexiga 

• Paciente com SVD sem sintomas 

• Pacientes transplantados-órgãos sólidos 

 

 




Algoritmo I de tratamento de ITU 

Mulher jovem, sem comorbidades,  

com vida sexual ativa 

DUM, possibilidade de gravidez? 






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