DissertaçÃO



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Keywords: Pregnancy. Maternal mortality. Prevalence. 

                                                        

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 Estudante do Curso de Enfermagem do UniCEUB. 



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 Professora do Curso de Enfermagem do UniCEUB. 




 

 



1 INTRODUÇÃO 

A  gestação  é  um  período  de  grandes  modificações  na  vida  da  gestante,  marcado  por 

alterações  consideradas  fisiológicas  relacionadas  ao  estado  gravídico,  de  ordem  física, 

psicológica  e  social.  A  gestação  e  o  parto  se  desenvolvem  com  menor  frequência  de 

intercorrências, ainda que haja uma fração de casos em que se evoluem patologias, agravos ou 

complicações  com  probabilidade  de  desfecho  desfavorável  para  a  gestante  ou  para  o  feto 

(BRASIL, 2010). 

A  diminuição  da  morbimortalidade  materna  no  Brasil  ainda  é  uma  das  agendas 

prioritárias do Sistema Único de Saúde (SUS). Muitos casos são classificados como evitáveis, 

mediante a um acesso ao pré-natal de qualidade dessas mulheres permitindo o rastreamento de 

doenças  precocemente  e  identificando  os  fatores  de  risco,  bem  como  acesso  ao  parto  e 

nascimento  assistido  por  profissionais  habilitados,  acesso  à  unidade  de  referência  para  as 

emergências obstétricas (BRASIL, 2010). 

Alguns fatores que influenciam no desenvolvimento de patologias durante a gestação, 

podem  ser  doenças  preexistentes,  algumas  doenças  crônicas  como,  hipertensão,  diabetes, 

histórico  de  morbidade  familiar,  entre  outros.  Alguns  fatores  podem  vir  de  características 

individuais  como  comportamento,  estilo  de  vida  da  mulher  (atividade  física,  alimentação, 

sedentarismo,  consumo  de  cigarro,  álcool,  drogas  de  abuso,  etc).  É  importante  também  a 

história reprodutiva anterior. Todos estes fatores podem atuar de maneira isolada ou conjunta 

no  período  de  gestação,  assim  aumentando  a  morbimortalidade  materna.  Um  fator 

preponderante  neste  processo  é  o  conhecimento  que  a  mulher  tem  de  si  mesma  sobre  sua 

condição de saúde, que vai ser um fator decisivo no momento de identificar os fatores de riscos 

existentes (MCCALL; MARREIRO, 2009). 

As  intercorrências  infecciosas  durante  gestação  abrangem  casos  de  infecção  do  trato 

urinário, infecções respiratórias, infecções com potencial de produzir transmissão vertical. Já 

as  intercorrências  clínicas  envolvem  doenças  diagnosticadas  na  gestação  atual,  como 

cardiopatias,  endocrinopatias  etc.  A  morbimortalidade  relacionadas  à  tais  intercorrências 

clínicas  podem  ser  especificadas  como  causas  obstétricas  indiretas  de  morte  e  adoecimento, 

visto  que  resultam  de  doenças  pregressas  à  gravidez  ou  que  progridem  nesse  intervalo, 

intensificadas pelas condições fisiológicas da gravidez (VIANA et al., 2011). 

A Infecção do Trato Urinário (ITU) define-se pelo aparecimento de agentes infecciosos 

e invasão dos tecidos urinários, classificada segundo sua localização em infecção urinária baixa 




 

 



e  alta.  A  bacteriúria  assintomática  é  definida  como  o  isolamento  de  bactérias  na  urina  em 

quantidade maior ou igual a 10 unidades formadoras de colônias por mililitros (UFC/mL), sem 

sinais  ou  sintomas  locais  ou  sistêmicos  de  infecção.  Entre  mulheres,  gestantes  ou  não,  sua 

prevalência é de 2 a 10% (VAZQUEZ; ABALOS, 2011; SMAILL; VAZQUEZ, 2015; VILLAR 

et  al.,  2000).  A  ITU  apresenta  significativas  complicações  maternas  (celulite  e  abscesso 

perinefrético,  obstrução  urinária,  trabalho  de  parto  prematuro,  corioamniorrexe  prematura, 

anemia,  corioamnionite,  endometrite,  pré-eclâmpsia,  choque  séptico,  falência  de  múltiplos 

órgãos e óbito) e perinatais (prematuridade, infecção, leucomalácia periventricular, falência de 

múltiplos órgãos e óbito)

 

(MENDOZA-SASSI et al., 2007). 



No Brasil, a Hipertensão Gestacional (HG) após a 20ª semana de gestação é a patologia 

que manifesta o maior índice de morte entre as gestantes, sendo as Síndromes Hipertensivas e 

a hemorragia as implicações que levam à morte materna com maior frequência em países em 

desenvolvimento (AZEVEDO et al., 2009; SOARES et al., 2009; NETO et al., 2010). 

No meio de danos evidenciados na gestação a hipertensão arterial de 140/90 mmHg ou 

mais se apresenta em cerca de 10% das gestantes. Tem uma frequência maior entre mulheres 

jovens em sua primeira gravidez e em mulheres multíparas idosas (BRILHANTE et al., 2010). 

Em  mulheres  normotensas  antes  da  gestação,  entretanto,  vários  empecilhos  podem 

aparecer  ao  longo  deste  período,  um  deles  está  associado  às  Síndromes  Hipertensivas  da 

Gravidez  como  a  pré-eclâmpsia  leve,  a  grave,  a  eclampsia,  com  a  complicação  da  HELLP 

síndrome  caracterizada  pela  hemólise,  enzimas  hepáticas  elevadas,  baixa  contagem  de 

plaquetas, ou coagulação intravascular disseminada (ANGONESI; POLATO, 2007). 

Com várias complicações durante a gestação, além da hipertensão as mulheres gestantes 

que apresentam anemia tendem a ter uma diminuição anormal da concentração de hemoglobina 

no sangue. É a alteração mais frequente, comumente, traz agravos as gestações e está associada, 

principalmente, com a deficiência de alguns micronutrientes, entre eles o ferro, vitamina B12 

e/ou ácido fólico, causada pela elevação da necessidade dos mesmos (DANI et al., 2008). 

A  carência  de  ferro  é  o  fator  de  risco  específico  para  o  surgimento  de  anemias 

nutricionais. A deficiência de ferro ocorre no organismo, de forma gradual e progressiva, até 

que  a  anemia  se  manifeste.  As  gestantes  constituem  um  dos  grupos  populacionais  mais 

suscetíveis  às  anemias  nutricionais,  em  função  do  baixo  consumo  durante  esse  período  e 

aumento  da  ingestão  deste  mineral.  Como  resultado  associa-se  a  uma  maior  incidência  de 




 

 



abortos, partos prematuros, baixo peso ao nascer e morte perinatal, entre outras (WHO, 2001; 

PAIVA, 2007; MASSUCHETI, 2007). 

O  Diabetes  Mellitus  Gestacional  (DMG)  também  vem  sendo  incorporado  dentro  das 

intercorrências  gestacionais,  aplicado  para  explicar  qualquer  nível  de  intolerância  a 

carboidratos,  resultando  em  hiperglicemia  de  gravidade  variável,  com  início  ou  diagnóstico 

durante  a  gestação.  O  surgimento  dessa  patologia  pode  ser  esclarecido  pelo  aumento  de 

hormônios contrarreguladores da insulina, pelo estresse fisiológico determinado pela gravidez 

e a fatores predeterminantes (genéticos ou ambientais). O principal hormônio associado com a 

resistência à insulina no período da gravidez é o hormônio lactogênico placentário, no entanto, 

entende-se hoje que outros hormônios hiperglicemiantes como cortisol, estrógeno, progesterona 

e prolactina também estão incluídos (FREITAS et al., 2006). 

Outras  causas  significativas  são  as  condições  socioeconômicas  desfavoráveis,  como 

baixa  escolaridade  e  baixa  renda  familiar,  uma  vez  que  possibilita  o  surgimento  de  riscos 

gestacionais,  como  essas  situações  estão  relacionadas,  com  maior  frequência  ao  estresse  e  a 

piores condições nutricionais (MOURA et al., 2010). 

A  investigação  de  patologias,  durante  o  pré-natal  é  fundamental,  para  um  desfecho 

favorável  para  a  mãe  e  o  feto.  É  necessário  um  acompanhamento  durante  o  pré-natal  para 

assegurar o desenvolvimento da gestação, possibilitando o parto de um recém-nascido saudável, 

sem  efeito  deletério  para  saúde  materna,  integrando  aspectos  psicossociais  e  as  atividades 

educativas e preventivas.  

A Estratégia Saúde da Família (ESF) proporciona assistência ao pré-natal de qualidade, 

e  o  vínculo  estabelecido  entre  os  profissionais  com  as  gestantes  é  imprescindível  para  a 

aceitação das mesmas ao Programa de Assistência Pré-Natal. É de total relevância a assistência 

à mulher no pré-natal pela ESF, contribuindo para diminuir a morbimortalidade relacionada à 

gravidez. Assim, estudos que busquem conhecer o histórico de doenças na gestação em áreas 

cobertas pela ESF podem contribuir para melhor organização dos serviços locais, bem como a 

efetivação de estratégias de promoção da saúde no ciclo gravídico puerperal. 

Nesse contexto, o objetivo desse trabalho foi descrever o histórico de intercorrências na 

gestação, autorreferidas, entre mulheres residentes na Região Administrativa Cidade Estrutural, 

Brasília-DF. 



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