DissertaçÃO


Tabela  2.  Estratificação  das  patologias  na  gestação  segundo  algumas



Baixar 410.38 Kb.
Pdf preview
Página11/18
Encontro09.02.2022
Tamanho410.38 Kb.
#21511
1   ...   7   8   9   10   11   12   13   14   ...   18
Tabela  2.  Estratificação  das  patologias  na  gestação  segundo  algumas 

características das mulheres entrevistadas que já haviam engravidado em alguma 

fase da vida. Cidade Estrutural. Distrito Federal, 2017. 

Faixa etária 

Anemia 

ITU



Hipertensão 

DMG







16 a 19 anos 

2,8 



8,6 


0,0 


6,7 


20 a 24 anos 

13,9 



20,0 


13,3 


6,7 


25 a 29 anos 

11,1 



8,6 


6,7 


13,3 


30 a 34 anos 

11,1 



8,6 


20,0 


13,3 


Maior de 35 anos 

22 


61,1 

19 


54,3 

60,0 



60,00 


Total 

36 


100,0 

35 


100,0 

15 


100,0 

15 


100,0 

Estado Civil 















Casada/união 

estável 

18 


50,0 

18 


51,4 

53,3 



10 

66,7 


Separada/divorciada 

0,0 



5,7 


6,6 


6,7 


Solteira 

17 


47,2 

15 


42,9 

40,0 



26,7 


Viúva 

2,7 



0,0 


0,0 


0,0 


Total 

36 


100,0 

35 


100,0 

15 


100,0 

15 


100,0 

Gestas 















1 a 3 


21 

58,3 


25 

71,4 


11 

73,3 


13 

86,7 


4 a 6 

22,2 



14,2 


20,0 


6,7 


Mais de 6 

19,4 



14,2 


6,6 


6,7 


Total 

36 


100,0 

35 


100,0 

15 


100,0 

15 


100,0 

ITU: Infecção trato urinário 



DMG: Diabetes Mellitus Gestacional 

Fonte: Elaborado pela autora. 

Em relação a ITU na gestação, patologia com maior prevalência neste estudo, tentou-se 

observar se, ao longo do tempo (última gestação das mulheres), esta patologia se comportou de 

forma estável, ascendente ou descendente no grupo entrevistado. Ainda que esta análise tenha 

uma grande limitação do número de entrevistadas, bem como o fato de ter sido uma patologia 

autorreferida, observou-se que a partir do ano de 2011 á 2017 houve um aumento no número 

de  casos,  uma  vez  que  nos  anos  anteriores,  o  relato  foi  de  apenas  1  a  2  mulheres  com  tal 

complicação por ano. 




11 

 

 



Figura 1.  Relação dos casos autorreferidos de ITU durante a gestação ao 

longo dos anos entre as mulheres entrevistadas.  Cidade Estrutural. Distrito 

Federal, 2017. 

 

Fonte: Elaborado pela autora. 



Já em relação a hipertensão na gestação, evento que pode levar a complicações graves, 

observou-se que a partir do ano de 2012 houve um discreto aumento no número de casos, uma 

vez que nos anos anteriores, o relato foi de apenas uma mulher com tal evento por ano. 

Figura 2. Relação dos casos autorreferidos de hipertensão durante a gestação ao 

longo  dos  anos  entre  as  mulheres  entrevistadas.    Cidade  Estrutural.  Distrito 

Federal, 2017. 

 

Fonte: Elaborado pela autora. 



 

0

1



2

3

4



5

6

2005



2007

2008


2009

2011


2012

2014


2015

2016


2017

0

1



2

3

4



2005

2006


2007

2008


2009

2012


2014

2015


2016


12 

 

 



4 DISCUSSÃO 

Neste estudo obteve-se um percentual de 20,9% de gestantes que autorreferiram anemia 

durante  a  gestação.  A  anemia  causada  por  baixas  taxas  de  ferro  no  organismo  é  a  carência 

nutricional  mais  prevalente  no  mundo,  nas  gestantes,  possuem  efeitos  mais  visíveis  e 

prejudiciais.  A nível  mundial é provável que cerca de 19% das gestantes apresentem anemia 

(BLACK et al., 2013; STEVENS et al., 2011).  

No Brasil, ainda não existe uma pesquisa de  alcance  nacional  sobre a prevalência do 

impacto  nesse  grupo  populacional  mas  estudos  pontuais  indicam  diversidades  regionais 

importantes,  com  variação  de  6,3%  no  Sul  a  33,5%  no  Nordeste  (FUJIMORI  et  al.,  2011; 

ARAÚJO et al., 2013). 

A  deficiência  de  ferro  na  gestante  pode  ocasionar  efeitos  prejudiciais  tanto  para  si 

mesma quanto para o recém-nascido. As anemias maternas moderada e grave estão relacionadas 

a um crescente número de abortos espontâneos, partos prematuros, baixo peso ao nascer e morte 

perinatal.  Os  efeitos  causados  no  feto  são  a  restrição  do  crescimento  intrauterino, 

prematuridade, morte fetal e anemia no primeiro ano de vida, pelo fato das baixas reservas de 

ferro no recém-nascido (ROCHA et al., 2005).  

O Ministério da Saúde do Brasil preconiza a suplementação universal de 40 mg de ferro 

elementar e 5 mg de ácido fólico, todos os dias, uma hora antes das refeições, a começar da 

vigésima  semana  de  gestação  em  gestantes  que  não  possuem  anemia.  Nas  gestantes  já 

diagnosticadas com anemia leve a moderada, aconselha-se a prescrição de sulfato ferroso com 

dose para tratamento de anemia ferropriva (120 a 240mg de ferro elementar por dia) (BRASIL, 

2006). Os níveis de concentração de hemoglobina, é um indicador específico para diagnóstico 

da  anemia,  deve-se  avaliar  nas  primeiras  consultas  de  pré-natal  de  gestantes  atendidas  em 

serviços públicos de saúde no Brasil. Nesse contexto, existe a Portaria Nº730, de 13 de Maio 

de 2005 que instituiu o Programa Nacional de Suplementação de Ferro que tem como objetivo 

prevenir a anemia ferropriva em gestantes e crianças de 6 a 18 meses de idade (BRASIL, 2005). 

Nesse  estudo  constatou-se  que  das  gestantes  que tiveram  de  1  a  3  gestas  21  (67,7%) 

tiveram anemia, comparando com um estudo que apresentou prevalências de >20% de anemia 

em  gestantes  com  duas  ou  mais  gestações  anteriores,  no  segundo  e  terceiro  trimestre  de 

gestação, a quantidade de gestas interfere diretamente no aparecimento de doenças na gestação 

(WHO, 2001). 



13 

 

 



A  infecção  do  trato  urinário  (ITU)  foi  a  mais  frequente  nesse  estudo  com  21,5%, 

comparada  com  um  estudo  feito  no  Rio  de  Janeiro,  sua  prevalência  foi  estimada  em  20% 

(MONTENEGRO;  REZENDE,  2011).  A  ITU  atinge  as  mulheres  de  menor  nível 

socioeconômico,  mais  jovens  e  multíparas  (FATIMA;  ISHRAT,  2006;  FELDKAMP  et  al., 

2008). 

Mulheres com nível socioeconômico baixo, menor grau de informação e menos chances 

de  acesso  ao  serviço  de  saúde,  são  mais  vulneráveis, o  que  pode  interferir  no  conhecimento 

sobre a saúde de si mesma e gestação. Tornando imprescindível a realização do exame de urina 

durante a gestação, o rastreamento da ITU deve ser feito em toda unidade de assistência ao pré-

natal (SMAILL, 2007). 

A ITU é a terceira intercorrência clínica mais frequente na gestação, compreendendo de 

10%  a  12%  das  gestantes,  porém  neste  estudo  foi  a  primeira  intercorrência  clínica  mais 

frequente.  No  período  gravídico  torna-se  mais  alarmante  quando  assintomática,  quando  não 

detectada  com  rapidez,  essa  situação  propicia  o  parto  prematuro  do  bebê  e  internação  da 

gestante.  No  começo  da  gestação  a  bacteriúria  assintomática,  é  também,  um  risco  para  uma 

posterior pielonefrite. No entanto, quando sintomática a infecção também é significativa, apesar 

disso  o  diagnóstico  é  mais  rápido  em  razão  da  presença  de  sintomas  que  se  estabelecem 

conforme o tipo de infecção que se instalou no trato urinário da gestante. A dor lombar pode 

ser  o  sintoma  clínico  mais  referido,  em  alguns  casos  de  infecção

 

(JACOCIUNAS;  PICOLI, 



2007; ASSIS; TIBÚRCIO, 2004). 

Existem evidências de que por meio da anamnese realizada nas consultas de pré-natal é 

possível  identificar  gestantes  com  maior  risco  para  ITU.  Logo, o  Ministério  da  Saúde  (MS) 

iniciou  no  ano  2000  o  Programa  de  Humanização  no  Pré-natal  e  Nascimento  (PHPN).  O 

destaque deste programa verifica-se nos procedimentos clínicos e laboratoriais que a gestante 

deve  obter  no  período  do  pré-natal,  evidenciando  a  identificação  de  fatores  de  risco  que 

necessitem  da  intervenção  de  cuidados  clínicos.  Um  dos  objetivos  do  PHPN  é  a  crescente 

propagação da educação em saúde e os conhecimentos durante o pré-natal. Contudo, sabe-se 

pouco  acerca  do  conhecimento  que  a  mulher  tem  sobre  o  processo  de  gestação  em  si

 

(MENDOZA-SASSI et al., 2007; CESAR; ULMI, 2007).  



O Ministério da Saúde em seu "Manual técnico pré-natal e puerpério", do mesmo modo 

que  em  outra  publicação  pertinente  ao  PHPN,  determina  que  deve-se  solicitar  na  primeira 

consulta  de  pré-natal  o  exame  de  urina  tipo  I  e  a  urocultura  e  repetir  o  sumário  de  urina  no 



14 

 

 



terceiro  trimestre  de  gestação  (BARROS;  PAULA;  RODRIGUES,  1997;  SILVEIRA  et  al., 

2008). 


A  hipertensão  durante  a  gestação  é  uma  das  principais  causas  de  morbimortalidade 

materna com um valor preocupante no Brasil (LOTUFO et al., 2012; CECATTI et al., 2007).  

A  partir  deste  estudo  observou-se  que  8,9  %  das  mulheres  relataram  hipertensão  no 

período  gestacional.  Conforme  dados  da  literatura  cerca  de  10  %  das  gestações  podem  ser 

acometidas pela hipertensão (ORGANIZACIÓN PANAMERICANA DE LA SALUD, 2009). 

No entanto, a hipertensão crônica e o histórico de síndromes hipertensivas em gestação anterior 

representam risco durante a gestação e no momento do parto, exigem atenção redobrada à saúde 

reprodutiva antes, durante e após a gestação. 

A  pressão  sanguínea  aumentada  em  gestantes  tem  efeitos  negativos  sobre  inúmeros 

sistemas,  especialmente  vascular,  hepático,  renal  e  cerebral.  Esses  problemas  observados 

esclarecem  a  alta  morbimortalidade  materna  e  perinatal  em  mulheres  com  e  hipertensão 

gestacional e as que desenvolvem a pré-eclâmpsia. Essas situações são as principais causas de 

morte materna no Brasil e no mundo

 

(ARAUJO et al., 2007). A pré-eclâmpsia é uma síndrome 



que afeta muitos órgãos na gestante, é identificada pelo início da hipertensão e proteinúria após 

a vigésima semana de gestação (REPORT..., 2000).  

Por  meio  de  diretrizes  e  ações  o  Ministério  da  Saúde,  investiu  na  qualificação  do 

controle  da  gestação  de  alto  risco  e  na  instituição  de  uma  rede  de  serviços  característicos

 

(BRASIL,  2012).  Essa  assistência  especializada  para  se  tornar  eficaz  necessita  de 



implementação  de  propostas,  frequentes  discussões  entre  profissionais  de  saúde  e  gestores. 

Porém,  no  caso  das  síndromes  hipertensivas,  em  muitas  ocasiões,  presta-se  pouca  atenção  à 

saúde reprodutiva das mulheres nos períodos não gestacionais, apesar de que o risco reprodutivo 

já possa estar inserido e manter-se após a gravidez. 

Foi observado neste estudo que 8,9 % das gestantes relataram ter tido Diabetes Mellitus 

Gestacional  (DMG)  durante  a  gestação,  e  conforme  a  literatura  aproximadamente  7%  das 

gestações estão associadas a complicações maternas e fetais relacionadas ao DMG, que foram 

registradas  no  Sistema  Único  de  Saúde  (SUS),  uma  das  causas  mais  recorrentes  de 

morbimortalidade materna no Brasil (BOLOGNANIL; SOUZA, 2011).  

É  importante  um  acompanhamento  durante  o  pré-natal  sobre  a  idade  das  gestantes, 

especialmente as com  idade  maior que 25 anos, com sobrepeso ou obesidade e antecedentes 

familiares  de  diabetes  e/ou  hipertensos;  usuárias  de  drogas  hiperglicemiantes;  portadoras  da 




15 

 

 



síndrome dos ovários policísticos e/ou síndrome metabólica; com história de perda gestacional 

de  repetição;  polidrâmnio;  macrossomia  e  óbito  fetal  requerem  cuidado  específico  e  uma 

atenção  singular  no  pré-natal,  a  fim  de  prevenir  danos  em  relação  a  doença  (AMERICAN 

DIABETES ASSOCIATION, 2011).  

Nesse  sentido,  deve-se  priorizar  na  assistência  ao  pré-natal,  a  educação  em  saúde  e 

cuidados  específicos,  como  atividade  física,  dieta,  controle  glicêmico  e  recomendações  em 

relação  ao  tratamento  medicamentoso,  de  forma  que  impeça  um  desfecho  desfavorável  para 

gestante e o recém-nascido. Diante disso, identifica-se a  importância do diagnóstico precoce 

dessa patologia em razão das complicações, como a descompensação metabólica, suscetível a 

progredir  para  cetoacidose,  as  infecções  urinárias  de  repetição  com  o  risco  de  pielonefrite 

aguda,  o  surgimento  simultâneo  da  doença  hipertensiva,  risco  para  abortamento,  parto 

prematuro, distócias e malformações congênitas (FREITAS et al., 2010). 

No  pré-natal  das  portadoras  de  DMG,  é  imprescindível  a  frequência  nas  consultas, o 

controle  metabólico  materno  e  a  monitorização  do  bem-estar  fetal.  Aconselha-se  que  as 

consultas  sejam  quinzenais,  do  diagnóstico  de  DMG  até  a  32ª  semana,  e  consecutivamente, 

semanais até o parto (FREITAS et al., 2011; OLIVEIRA et al., 2009). 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera essencial o início precoce do pré-

natal para a adequada assistência, bem como o número recomendado de consultas, ressalta-se 

um quantitativo igual ou superior a seis, assegura-se o monitoramento da saúde da mulher e do 

bebê,  assim  como  orientação  sobre  o  parto,  puerpério,  cuidados  com  o  recém-nascido  e 

incentivo ao aleitamento materno (BRASIL, 2013). 

5 CONCLUSÃO 

De  acordo  com  os  dados  da  pesquisa  encontramos  uma  frequência  importante  das 

patologias mais comuns na gestação como ITU e anemia, além de patologias que podem evoluir 

para situações graves. Estes achados apontam para a importância do investimento contínuo na 

qualificação das ações de pré-natal com abordagem de  identificação de risco. Recomenda-se 

também que o investimento em ações de educação em saúde das gestantes, para promoção do 

autoconhecimento sobre sua saúde durante o ciclo gravídico puerperal. 

Os diversos aspectos como faixa etária, estado civil e quantidade de gestas influenciam 

diretamente no surgimento dessas patologias. Assim como, as doenças crônicas já existentes e 

o estilo de vida dessas mulheres. A morbimortalidade de gestantes devido a essas patologias, 



1   ...   7   8   9   10   11   12   13   14   ...   18




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal