Diretora: carla camurati



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ANÁLISE DO FILME “‘CARLOTA JOAQUINA, A PRINCESA DO BRASIL”

TÍTULO ORIGINAL: CARLOTA JOAQUINA, A A PRINCESA DO BRASIL

GÊNERO: COMÉDIA

DIRETORA: CARLA CAMURATI

ROTEIRO HISTÓRICO ABORDADO NO FILME

- As cortes espanhola e portuguesa e suas diferenças.

- O casamento de D. João e Carlota.

- As habilidades de Carlota.

- A morte do Rei e do irmão de D, João, D. José.

- O trono ocupado por D. João.

- A decadência das monarquias europeias.

- Ações de napoleão.

- A disputa de poder entre carlota e D. João.

- O casamento de aparências.

- A quantidade de filhos de Carlota.

- As aventuras de Carlota em solo brasileiro.

- A fuga da corte portuguesa para a colônia brasileira.

- O confisco das casas brasileiras para a acomodação de uma nobreza parasitária.

- Chegada da comitiva.

- O amor revelado de Carlota por Fernando Leão.

- A vida da monarquia.

- A fundação do Banco do Brasil e do Jardim Botãnico.

- O desprezo de Carlota pela colônia brasileira: “Desta terra não quero nem o pó.”

- Pedro de Bragança sobe ao poder.

- Suicídio de Carlota.

Fiz a resenha dividindo o filme em cinco partes, pois achei que assim os caminhos ficariam mais bem definidos, pois uma o filme sendo uma produção desvinculada da linearidade histórica, acaba quebrando os acontecimentos na forma como a história se desenrola baseada nos fatos.

- INTRODUÇÃO – É o momento em que o escocês narra a história de Carlota. É nesse momento que ele apresenta o problema.

- SEGUNDA PARTE – A narração da infância de Carlota, onde a diretora mostra Carlota fazendo um teste na Corte espanhola. A negociação do casamento com Dom João; a despedida e a viagem de Carlota até a chegada à corte portuguesa; Algumas loucuras de Carlota e a sua primeira noite.

-TERCEIRA PARTE – O filme mostra uma Carlota adulta. Os seus casos amorosos, e o seu apetite por sexo. A loucura de D. Maria e a nomeação do regente de D. João. A sua partida e a viagem da corte portuguesa para o Brasil.

-QUARTA PARTE - Carlota no Brasil. A representação da chegada. As modificações causadas com a chegada de uma corte europeia num ambiente colonial sem estrutura e a forma como as pessoas são desalojadas para receber uma corte improdutiva e parasitária. A questão do Prata. O romance com Fernando Carneiro. O casamento de Gertudes, e a volta de D. João.

-QUINTA PARTE – Conclusão do filme. A volta de Carlota à Portugal e o seu suicídio e o fechamento do filme com a volta dos escoceses para a casa.

O filme tem como protagonista Carlota Joaquina. A narração é direcionada a montar uma personagem totalmente dependente do sexo e como odiava a situação de ter de viver numa colônia, distante dos brilhos de uma corte europeia de onde viera. A corte espanhola era extremamente alegre e vivia em constante festa. Quando ela se casa e passa a viver na corte portuguesa, a diretora realça essa diferença de uma corte fechada e extremamente decadente. Dom João é retratado com as cores vivas de um bufão. Gordo e extremamente glutão e que não tinha o hábito de higiene. Há de ressaltar que nos créditos bibliográficos, a autora buscou autores que tinham uma visão depreciativa de ambos os personagens.

SEQUÊNCIAS SIGNIFICATIVAS

A corte espanhola em 1785. Há uma festa na qual Carlota está participando, Maria Luísa de Parma, mãe de Carlota. Carlota aparece dançando. E passa no teste e o filme mostra a corte a elogiando. O Rei da Espanha reconhece as habilidades de Carlota. A protagonista se sai muito bem no exame antes de ser mandada a Portugal. Mostra excelente desempenho e o filme mostra de forma irônica a reação das pessoas. A mãe diz que Carlota não precisa fazer nenhum teste na corte portuguesa. Uma demonstração de superioridade da corte espanhola sobre à portuguesa. O filme faz questão de mostrar a inferioridade dos portugueses em relação aos outros povos.

Há um corte. Vemos uma despedida. Viagem e chegada à corte Portuguesa. Interessante notar que percebemos claramente para diferenciar as duas corte. Portugal é retratada sem cor e triste, enquanto que a espanhola é alegre e rica em cores. Há uma clara evidência de tentar passar uma corte portuguesa grossa e rude em contraposição da corte espanhola, rica e educada.

O filme não explica o momento histórico que Portugal atravessava, onde D. Maria ao assumir o trono, faz uma política de enfraquecimento das ideias de Pombal. Assim, Camurate não contextualiza essa diversidade de uma oposição entre as ideias de D. Maria e Pombal.

O momento que se segue, a diretora vai analisar a diferença entre D. João e D. José. Aparece D. João em três momentos: menino pulando sobre a coroa, num balanço imbecil e devorando um pedaço de frango , e por fim, uma anã o fazendo de idiota, distanciando uma posição de virilidade, característica de todo o rei. D. João não preenche nenhum estereótipo de um verdadeiro rei. Aqui percebemos as vozes de grupos que clamam pela tomado do poder por D. José, pois esse fora criado e educado por mestres escolhidos a dedo por Pombal. O filme volta a fazer de D. João um imbecil depreciando toda a família real portuguesa. A visão é pintada com as cores da diretora, e assim se desfaz o objeto da história.

Outro momento, D. João é desmoralizado. Mostra Carlota como uma mulher que só pensa em homem. D. João é pintado como um homem totalmente dominado pela mulher. Carlota revela um apetite sexual jamais imaginado. A diretora faz um retrato de uma mulher que veio para o Brasil matar a sua volúpia e luxúria, como uma gata eternamente no cio.

Nesse momento nos é apresentado um crime. Carlota surge como a autora de um crime. Matara um amante de nome RAMALHO, mas em nenhum momento há um aprofundamento da fonte, e cria-se uma atmosfera de boato, como se a corte flutuasse em constante ironia.

O tema da neutralidade portuguesa é abordado, mas como de resto, não será aprofundado, e D. João volta a ser retratado como um exemplo de que a neutralidade faz parte de seu caráter. É um tema importante, pois custou à nação portuguesa quase todo o seu tesouro. Novamente, um momento importante serve como depreciação de D. João.

A cena seguinte mostra a presença de um inglês, como se a solução do problema entre Brasil, França e Inglaterra estivesse nas mãos dos ingleses. A incapacidade de resolver qualquer assunto, ressalta a falta de atitude do monarca português.

A colocação de sombras, dão um clima de que tudo estava sendo tramado por trás dos panos, sobre qual posição tomar diante da invasão francesa a Portugal, e novamente a última palavra é dada pela Inglaterra. A decisão é levar a Corte portuguesa para a colônia brasileira, ou os portugueses perderiam toda a sua frota, pois os ingleses cogitavam a sua total destruição para que ela não caísse nas mãos dos franceses.

A cena da fuga mostra que foi influenciada pelos grandes interessados: os ingleses. Mas, novamente D. João é detalhado como um inerte e sem o poder do comando da corte, pois o momento o exigia. O filme não aprofunda o momento, que muitos afirmam como uma medida acertada da corte, ao invés de representar um surto de covardia, pois transformou por completo as pretensões de Napoleão.

Há uma clara intenção, no momento da fuga, de passar que a corte estava fugindo num ato de covardia, e não derivada de um momento de deliberação do rei, pois não cabe covardia a quem detém tão elevado grau do poder. O desastre histórico fica marcante passa a ideia de que a origem do Brasil nasceu de um erro. O anseio de passar uma visão de comédia, satirizando o momento.

Fecho o trabalho com a afirmação de um dos maiores atores da nossa dramaturgia, Paulo Autran: “O teatro é a arte principalmente do ator, o cinema é do diretor e a televisão do patrocinador." Cito essa frase devido ao fato que a direção do filme seguiu exatamente a linha da bibliografia utilizada para compor o filme, e nesse sentido, acabou produzindo um filme cujas fontes foram utilizadas de forma extremamente parcial e de acordo com a sua visão pessoal dos acontecimentos, mas, mesmo seguindo essas fontes, traz assuntos que foram marcantes para a formação do estado brasileiro, mesmo sem o aprofundamento historiográfico merecido.

No que toca ao sentido da Historiografia, o relevante fica para o final quando o texto se dirige diretamente à ela, e o narrador diz a seguinte frase:



“O problema da história é que, quanto mais se lê, menos se sabe. Cada um tem uma versão diferente do mesmo fato. Quem sabe?”

O engano da frase foi a colocação da História como elemento que quanto mais se conhece, menos conhecemos. Ao contrário, quanto mais lemos, mais tomamos contato com a diversidade de fontes produzidas. Cabe a quem lê, buscar conhecer os vários ângulos do mesmo fato. A diretora buscou fontes e a enquadrou conforme a sua intenção: produzir uma comédia sem contextualizar a história.


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