Diagnóstico na psicanálise: da clínica dos fenômenos à clínica da estrutura



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Diagnóstico em psiquiatria e em psicanálise (1)
ReferênciasBibliográficas                                                        
                              
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Introdução:
A palavra diagnóstico vem do francês diagnostic, que por sua vez vem 
do grego diagnostikós que quer dizer ‘capaz de ser discernível’. Ela deriva de 
diágnosis - discernimento, exame, que por sua vez deriva de diagignoskein, 
discernir (Cunha, 1986). Discernimento é uma forma de conhecer através de 
uma análise sensata e lógica que estabeleça distinções e semelhanças. Pelo 
discernimento podemos discriminar uma coisa de outra pela apreciação destas 
duas   coisas,   utilizando   critérios   que   possibilitem   o   estabelecimento   de 
diferenças. É o primeiro momento de uma análise que, poderá ou não, seguir-
se de uma forma de classificação após o conhecimento ser estabelecido.
Este preâmbulo se faz necessário para esclarecer a partir de que ponto 
pretendemos pensar o ato de diagnosticar.  
Desde   Freud,   a   Psicanálise   vem   propondo   uma   maneira   de   fazer 
diagnóstico que se distingue do diagnóstico médico e, consequentemente, do 
diagnóstico psiquiátrico. 
Em   1925,   ao   escrever  Um   estudo   autobiográfico,   Freud   considerou 
incompleta a teoria que construiu nos Estudos sobre a histeria (1895) alegando 
que esta “não ultrapassou a descrição direta das observações” e que apenas 
“lançava luz sobre a origem dos sintomas”, mostrando que o método descritivo 
não o satisfazia e que seu objetivo era ir além dos sintomas. Mas é justamente 
neste trabalho, que não o satisfaz, que vamos encontrar os primeiros indícios 
de um novo método. Nele Freud explica que sua investigação se dará sobre a 
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etiologia e a natureza dos mecanismos psíquicos de cada caso e que a decisão 
sobre o diagnóstico dependerá do resultado dessa investigação. Ele também 
se  mostra  preocupado  com  o   fato  de  que  bastava  que  se  encontrasse  um 
sintoma de tipo histérico numa afecção qualquer para que o quadro como um 
todo fosse classificado de histeria. 
Inaugura-se, assim, um novo método diagnóstico que propõe ‘um para 
além dos sintomas’, legando o papel principal à investigação etiológica de cada 
caso sem se preocupar em classificar as manifestações fenomênicas. Dando 
primazia ao discurso do paciente, Freud descobre que o inconsciente tem leis e 
que estas estão referidas a uma maneira própria a cada pessoa de dar conta 
do   sexual.   Ele   passa   do   trauma   para   as   fantasias,   apontando   para   o   seu 
núcleo: a castração. O Édipo é a sustentação simbólica do temor à castração. 
É   a   entrada   do   sujeito   na   cultura   pela   via   da   interdição   operada   pelo   pai 
enquanto no lugar da lei. 
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