Diagnóstico na psicanálise: da clínica dos fenômenos à clínica da estrutura



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Diagnóstico em psiquiatria e em psicanálise (1)
2.1. O Estruturalismo: 
Para delimitar o que é estrutura vamos esclarecer suas origens, discutir 
sua   repercussão   no   pensamento   de   uma   época   e   suas   conseqüências   na 
psicanálise.
Dois autores e duas obras nos servirão de guia: Gilles Deleuze em seu 
texto  Em que se pode reconhecer o estruturalismo?  (1967) e Eduardo Prado 
Coelho   em   seu   texto  Introdução   a   um   pensamento   cruel:   estrutura, 
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estruturalidade e estruturalismo (s/d).
Prado Coelho inicia seu texto citando diversos autores e suas versões 
sobre o estruturalismo. Faz isso para marcar que não há um estruturalismo 
ideal e que cada domínio do conhecimento faz uso do pensamento estrutural a 
seu modo, já que como método, o estruturalismo se presta sempre ao campo 
em   que   está   sendo   aplicado.   No   mesmo   sentido   Deleuze   diz   que   mais 
importante que definir o que é o estruturalismo é tentar extrair alguns princípios 
gerais dos autores que, cada um a seu modo, participam de uma certa visada 
que   pode   ser   reconhecida   como   sendo   produto   de   um   espírito   do   tempo 
estruturalista.   Ambos   afirmam   o   caráter   plural   e   multifacetado   dos   autores 
“estruturalistas” afirmando que colocá-los sob esta denominação só é possível 
pelo reconhecimento de suas manifestações, de um certo modo de pensar que 
os identifica e os remete às mesmas bases conceituais.
 “ O estruturalismo (...) não designa um objeto preciso, definido, mas é o 
termo   conveniente   e   indispensável   para   englobar   um   certo   tipo   de 
atividade (segundo Barthes) e uma certa forma de linguagem.” (Prado 
Coelho, s/d, p.x) 
As bases do estruturalismo estão, indubitavelmente, na lingüistica, tanto 
de Saussure quanto de Jakobson e se uma teoria da linguagem é utilizada para 
uma   variedade   tão   grande   de   domínios   do   conhecimento   é   porque   só   se 
conhece   aquilo   que   se   coloca   no   discurso,   não   porque   a   linguagem   seja, 
meramente,   um   instrumento   para   exprimir   idéias   mas   sim   porque   é   na 
linguagem que as idéias, elas mesmas, emergem. Não há pensamento sem 
linguagem,   não   há   linguagem   sem   teoria.   A   influência   da   lingüistica   no 
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estruturalismo não passa pelos modelos que ela aplica ao seu objeto e que 
seriam   aplicados   da   mesma   forma   pelo   estruturalismo.   A   influência   é   mais 
radical, está na base da lingüistica assim como está na base do estruturalismo: 
“só há estrutura daquilo que é linguagem.”  (Deleuze, p. 272)   
A   lingüistica   é   alvo   de   estudos   desde   a   Antigüidade.   Os   estóicos 
especulavam sobre as formas gramaticais do grego e do latim. No início do 
século XIX, ao se ter contato com o sânscrito, passou-se a investigar o grau de 
parentesco entre as línguas, de uma forma que Benveniste (1995) chama de 
“genética da língua” (p. 21). Até então se tratava de Filosofia da Linguagem, 
dentro da concepção de que a linguagem existia para nomear aquilo que existe 
no mundo. A partir da publicação do Curso de Lingüistica Geral de Ferdinand 
de   Saussure,   em   1916,   a   lingüistica   ganha   seu   objeto   de   estudo:   em   que 
consiste e como funciona uma língua. 
Saussure propõe que a língua seja entendida como um sistema, isto é, 
como uma forma organizada por leis que lhe são  próprias: “A língua é  um 
sistema que conhece somente sua ordem própria.” (p. 31) Portanto, seu estudo 
deve situar-se como o estudo de cada língua, uma a uma, para entender suas 
leis internas. Este sistema – língua - é composto de signos, signos lingüisticos, 
que formam, cada um deles, uma unidade composta de um conceito e uma 
imagem acústica, chamadas de significado e significante e representadas pelo 
algorítmo 
                                     s
 
     S
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O   signo   lingüistico   teria   duas   características   fundamentais:   a 
arbitrariedade e a linearidade. A arbitrariedade seria devida a duas realidades: - 
uma é que o signo é imposto ao ser falante na medida em que ele nasce numa 
dada   língua,   e   outra,   é   que   aquilo   que   une   o   significante   ao   significado   é 
imotivado. A linearidade, afirma Saussure, é própria do significante, já que este 
se desenvolveria no tempo. Como tempo ele representa uma extensão formada 
por uma linha onde seus elementos, os signos, apresentam-se um após outro 
formando uma cadeia (A, B, C,...)
Nesta cadeia formam-se relações de vizinhança que vão determinar o 
valor lingüistico do signo. Saussure nos fala de dois tipos de valor: o conceitual 
e o material. O valor conceitual é dado pela relação de vizinhança entre os 
signos   que   estabelecem   entre   si   semelhanças   e   diferenças   produzindo   a 
significação. Assim, temos que na cadeia A, B, C, ... o sentido de cada signo 
vai ser dado pela posição que ele ocupa em relação aos demais, por exemplo: 
o signo ‘manga’ ganha um sentido ao ser predicado com o signo ‘doce’ , o 
mesmo signo ‘manga’ predicado pelo signo ‘curta’ ganha outro sentido. O valor 
material também é dado pelas relações de diferenças na medida em que é pela 
diferença entre o som de /p/ e o som de /b/ que temos a diferença entre ‘pata’ e 
‘bata’. Assim ele concebe que o caráter arbitrário do signo é correlativo ao fato 
dele se constituir a partir de diferenças. Estes dois valores são relativos ao 
signo   como   uma   unidade   lingüistica   e   estabelecem   diferenças   em   termos 
positivos.   Por   outro   lado,   temos   que   o   signo   se   compõe   de   significante   e 
significado   e   entre   eles   também   opera   uma   diferença:   a   imagem   acústica 
‘cadeira’ nada tem a ver com o objeto ‘cadeira’. A relação entre eles é arbitrária 
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também,   porém,   a   diferença   que   se   estabelece   entre   eles   não   pressupõe 
nenhuma positividade: ao significante ‘cadeira’ nada serve de referente, assim 
como ao significado ‘cadeira’, eles são pura negatividade. É a partir disso que 
Saussure  vai poder  dizer  que  “na língua há apenas diferenças sem termos 
positivos” (p. 139) no que se refere ao significante ou ao significado tomados 
de forma isolada, mas que em relação ao signo em sua unidade o que temos 
são   relações   de   oposição   e   não   mais   de   diferença.   (p.139/140)   Assim, 
Saussure guarda o termo diferença para aquilo que aponta para uma diferença 
pura sem referente, como o significante e o significado, e o termo oposição 
para aquilo que é da ordem do signo ao qual ele vai se dedicar ao estudar a 
língua. A diferença, então, não é constituída pelas unidades, ela é constitutiva 
dessas unidades. 
Esta conceitualização vai ser importante mais adiante quando falarmos 
do falo como significante. No momento o que nos interessa é poder marcar o 
ponto em que Lacan se distancia de Saussure dando primazia ao significante e 
enfatizando que entre eles opera uma barra. Para Saussure este traço entre 
significante   e   significado     mostra   a   união   entre   eles   que   assim   formam   a 
unidade lingüistica.   “A unidade lingüistica é uma coisa dupla, constituída da 
união   de   dois   termos”   (p.   79)   que   estão   intimamente   ligados   e   onde   um 
reclama pelo outro. Ao enfatizar a barra entre significante e significado, Lacan 
põe   em   jogo   uma   outra   questão:   que   eles   não   estão   ‘unidos’   e   que   a 
articulação entre eles é que vai produzir o sentido. Ao desvincular o significante 
do significado, Lacan vai constituir uma outra concepção de significante, ele vai 
dizer que o significante é aquilo que representa o sujeito para outro significante, 
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portanto, vai entender que ele é autônomo em relação ao significado e que 
acima da barra desliza uma cadeia de significantes (S1, S2, S3, ...) que pelo 
seu efeito metafórico vai produzir o sujeito como efeito desta cadeia. 
Delimitando   aproximações   e   diferenças   podemos   reconhecer   que 
Saussure não só rompe com a idéia de que a linguagem representa o mundo 
como também propõe que a língua cria a realidade ao mesmo tempo em que é 
criada   pelas   relações   que   se   estabelecem   dentro   da   própria   língua.   Para 
Saussure, e para Lacan, a realidade é um fato lingüistico. 
O poeta Manoel de Barros (1993) nos mostra como a língua constitui o 
mundo:
“O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa
era a imagem de um vidro mole que fazia uma
volta atrás de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta
que o rio faz por trás de sua casa se chama
enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro
que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.” (p.27)
A língua não só organiza como cria a realidade, daí ela ser uma outra 
forma   de   racionalidade   em   contraste   com   a   racionalidade   clássica
7
.   Ela 
constitui um sistema cujas partes estão unidas, não por um simples somatório, 
mas pela relação que estas partes mantêm entre si. Estas relações formam 
assim  unidades lingüisticas.  Portanto,  poderíamos dizer  que as relações de 
dependência   estão   situadas   dentro   da   língua,   desde   seus   substratos 
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 A racionalidade clássica trabalha com a idéia de uma realidade pré-existente na qual a razão vai operar 
para extrair dela a sua ordem. Já a racionalidade estrutural entende que a realidade é construída a partir da 
linguagem: a nomeação tem função de construção e não de reconhecimento.
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(unidades) até o conjunto de uma dada língua, formando, assim, um sistema no 
qual todas as partes estão ligadas entre si por relações que se delimitam e se 
articulam mutuamente.
Tal qual elementos de uma estrutura, as unidades lingüisticas não têm 
uma   designação   extrínseca   nem   uma   significação   intrínseca,   o   sentido   é 
formado pela posição topológica, isto é, por uma ordem de vizinhança, como 
efeito de combinações possíveis dentro de uma dada língua. Como exemplo 
podemos pensar no seguinte poema de E.E. Cummings, na sua versão em 
português e em inglês:
i ( abe ) mó
un ( bee ) mo
                                                  
v                                                vi
e ( lha ) l                                    n ( in ) g 
você ( n                                     are ( th
a ) está ( ú                                 e ) you ( o
nica )                                         nly )
                                 
dorm ( rosa ) indo                      asl ( rose ) eep
É   possível   perceber   que   para   cada   uma   das   línguas   a   ordem   de 
vizinhança é diferente pois é a partir delas que se tem o efeito de sentido.
Isto que Saussure chamou de sistema, Jakobson e a posteridade, deram 
o nome de estrutura. Desde então, a lingüistica de Saussure passou a ser o 
marco   de   origem   do   estruturalismo,   influenciando   toda   uma   geração   de 
pensadores. 
Definida por Deleuze (op.cit.), uma estrutura é um conjunto aberto de 
lugares, posições ou elementos que se definem exclusivamente pelas relações 
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que mantêm entre si, segundo leis próprias a estas relações. Prado Coelho 
(op.cit., p.xxi) frisa que as leis que regem as relações são independentes das 
leis   que   regem   cada   elemento   e   que   estas   leis   de   conjunto   implicam   que 
qualquer  alteração  em   um  dos   elementos  necessariamente  promoverá   uma 
alteração   em   todos   os   outros   e   que   o   valor   de   cada   elemento   depende, 
sobretudo, da posição que ele ocupa em relação aos demais elementos do 
conjunto.  
Assim,   numa   estrutura   estão   implicados   certos   elementos   atômicos 
(Deleuze, p. 273-275) que pretendem dar conta ao mesmo tempo da formação 
do todo e da variação de suas partes. Ela não tem nenhuma relação com uma 
forma sensível, nem com uma figura de imaginação, nem com uma essência 
inteligível. “A Lingüistica trabalha, pois, no terreno limítrofe onde os elementos 
das duas ordens se combinam; esta combinação produz uma forma, não uma 
substância”   (Saussure,  op.cit.,  131).   A   estrutura   trata   de   uma   combinatória 
referente a elementos formais que em si mesmos não têm nem forma, nem 
significação, nem representação, nem conteúdo, nem realidade empírica dada, 
nem modelo funcional hipotético, nem inteligibilidade por trás das aparências 
(Deleuze, p.275; Gadet, 1987, p.55).
A tradição filosófica se acostumou a trabalhar com a oposição entre real 
e imaginário, numa oposição de dois termos que davam conta do homem e de 
suas formas de conhecer o mundo. A novidade que o estruturalismo faz surgir 
no contexto do pensamento filosófico e científico é a inserção de um terceiro 
termo: o simbólico.
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Da  lingüistica foi retirada a idéia de que para além da palavra em sua 
realidade   em   suas   partes   sonoras,   além   das   imagens   e   dos   conceitos 
associados às palavras existe um elemento de natureza diferente desses dois: 
o objeto estrutural ou objeto simbólico ou terceiro elemento. Para Foucault este 
terceiro elemento é o que situa a arqueologia do pensamento, para Lacan além 
do pai real e das imagens do pai tem o pai simbólico chamado de Nome-do-
Pai.
O simbólico, então, estaria, no dizer de Deleuze, “no princípio de uma 
gênese” (p.274). O real tende a fazer um, o imaginário define-se pelo jogo de 
espelhos, de desdobramentos, de identificações, sempre sob o modo do duplo, 
portanto do dois. O simbólico faz três: um terceiro para além do um e do dois e 
um terceiro no próprio simbólico – a estrutura é ao menos triádica, sem o que 
ela não circula. O simbólico é interpretativo porque faz com que novas leituras 
sejam possíveis, porque faz daquilo que está no discurso algo que possa se 
tornar “objeto de reinterpretações profundas” ( p. 275).
Entendendo a estrutura como uma rede de relações, temos que precisar 
que   para   haver   relação   é   necessário   no   mínimo   dois   elementos.   Este   é   o 
chamado binarismo  jakobsoniano:  “toda significação lingüistica é diferencial” 
(Jakobson, 1985, p. 29) e a diferença se dá entre os elementos, que tomados 
numa   relação   diferencial,   mostram   que   em   si   não   têm   existência,   valor   ou 
significação; eles se determinam em reciprocidade pela lógica das relações. 
Estas determinações é que vão constituir singularidades. Deleuze articula o 
caráter diferencial da estrutura com a produção de singularidades dessa forma: 
“Os elementos simbólicos e suas relações determinam a natureza dos 
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seres   e   objetos   que   vêm   efetuá-los,   ao   passo   que   as   singularidades 
formam   uma   ordem   dos   lugares   que   determina   simultaneamente   os 
papéis e as atitudes desses seres enquanto os ocupam. A determinação da 
estrutura  culmina, assim,  numa  teoria  das  atitudes  que exprimem seu 
funcionamento.” (p. 281) 
Assim,   as   singularidades   não   se   confundem   com   os   elementos 
simbólicos   e   suas   relações,   elas   operam   com   eles   simbolizações.     “O 
verdadeiro sujeito é a própria estrutura: o diferencial e o singular, as relações 
diferenciais e os pontos singulares, a determinação recíproca e a determinação 
completa” (p. 282).
A estrutura produz singularidades na medida mesma em que, além de 
diferencial,   ela   é   também   diferenciadora.   É   por   esse   viés,   da   produção   de 
singularidades, que Deleuze vai falar de causalidade estrutural. 
Causalidade estrutural é um termo cunhado por Althusser, para marcar a 
diferença entre ela e as duas formas de causalidade até então reconhecidas: a 
relação de causa-efeito cartesiana e a prevalência do todo sobre as partes, 
sendo   as   partes   expressão   do   todo.   A   causalidade   estrutural   designaria   a 
presença da estrutura em seus efeitos, isto quer dizer que, na medida em que 
a estrutura não tem materialidade nem substancialidade, ela é nos seus efeitos. 
É um modo particular de estar presente nos efeitos sem se confundir com eles, 
de determinar efeitos e ser determinada por eles.   
Para   Prado   Coelho   a   causalidade   estaria   ligada   a   duas   formas   de 
estrutura:   a   primeira,   chamada   de   estrutura   I,   seria   aquela   em   que   a 
causalidade é a presença da estrutura nos seus efeitos; a segunda, chamada 
de estrutura II ou estruturalidade, seria a causalidade “como eficácia de uma 
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estrutura   ausente”   (p.   xxix).   Neste   caso   a   estrutura   não   está   no   exterior, 
atuando de fora, ela atua de dentro pela presença de sua ausência, presença 
aqui designando uma eficácia produzida pela ausência. 
Esta eficácia da ausência nos conduz a outro critério de reconhecimento 
do estruturalismo: a casa vazia. 
Se a estrutura é um jogo combinatório temos que entender que isto se 
dá entre elementos ou séries em que incide uma força centrífuga que por sua 
ação impossibilita a emergência de um centro que condense o todo.  
Este descentramento estrutural é condição do próprio campo que pela 
falta   de   um   centro   se   organiza   em   séries.   A   estrutura   é   sempre   serial   e 
multisserial, sendo, justamente, nas series e entre elas que a combinatória se 
dá. As séries são sempre divergentes mas têm um ponto de convergência: um 
objeto   estrutural,   um   lugar,   uma   casa   vazia.   Este   objeto   não   pertence   a 
nenhuma série em particular mas está presente em todas. Ele é um elemento 
simbólico e como tal dá mobilidade à estrutura, ele está presente em todas as 
séries não por uma presença positiva, mas sim porque marca um lugar de falta. 
Pode ser das mais diversas naturezas: haumana, falo, carta, dívida, coroa
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; o 
que o caracteriza é que ele sempre falta ao seu lugar e está sempre deslocado 
em relação a si próprio: nunca está onde é procurado e só pode ser encontrado 
onde não está. 
Segundo Deleuze o inconsciente para o estruturalismo é diferencial. Ele 
é feito de “variações de relações diferenciais num sistema simbólico em função 
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 Estamos nos referindo aqui a diversos objetos identificados como estruturais por diferentes autores em 
seus estudos estruturalistas: hau de Marcel Mauss, mana de Lévi-Strauss, falo de Sigmund Freud, carta 
do conto A Carta roubada de Edgar Alan Poe, a dívida no Caso do Homem dos Ratos de Freud e coroa 
em Hamlet de Shakespeare. 
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de   repartições   de   singularidades”   (p.   287).   Não   se   tratando,   portanto,   de 
percepções do real mas de variações. Deleuze cita Lévi-Strauss para dizer que 
ele “tem razão em dizer que o inconsciente não é nem de desejos nem de 
representações,   que   ele   é   sempre   vazio,   consistindo   unicamente   nas   leis 
estruturais que ele  impõe  tanto às representações  quanto aos desejos.” (p. 
287) 
Para   Prado   Coelho   o   inconsciente   “   é   radicalmente   irredutível   à 
consciência e caracteriza-o não só uma inteira independência em relação ao 
tempo (a temporalidade específica do inconsciente), como o desconhecimento 
das categorias da ‘razão’ (coerência, não-contradição), a soberania do princípio 
de prazer, a indistinção sujeito-objeto, etc.” (p. xlii). 
A   partir   da   idéia   do   inconsciente   como   diferencial   ele   produziria 
singularidades   pelo   ordenamento   dos   elementos   numa   dada   estrutura,   este 
ordenamento é produzido e produz efeitos. Sob o ponto de vista clínico estes 
efeitos   configurariam   um   certo   modo   de   produzir   questões   e   de   tentar 
respondê-las a partir do campo simbólico em que elas se colocam. É por esta 
via que poderemos falar tanto de clínica da estrutura quanto de um diagnóstico 
estrutural.
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