Desnaturalizar as ‘endemias de estimação’: mobilização social em contextos das arboviroses no Brasil



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Desnaturalizar as ‘endemias de estimação’: mobilização social em contextos das arboviroses no Brasil

Autores: *1 Valcler Rangel Fernandes; Maurício Monken & Grácia Maria M. Gondin; Zélia M. Profeta da Luz; Ana Beatriz A. Slaibi Lopes; Márcia Correa e Castro; Emanoel Campos Filho; André Luiz da Silva Lima; José Paulo Vicente da Silva e Annibal Coelho de Amorim

CONTEXTO

Desde os anos 1980, a população brasileira enfrenta sucessivas epidemias de dengue. A doença é provocada por um vírus transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti, vetor de disseminação de outras infecções que aparecem mais recentemente no cenário nacional, como Zika, Chikungunya e a febre amarela urbana (esta reemergente no país). Agravando o cenário, estudos epidemiológicos apontam associação entre a infecção pelo vírus Zika e alterações congênitas de recém-nascidos causadoras de microcefalia.

Em 2015, este cenário fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarasse Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional, em decorrência da dispersão do vírus Zika e suas consequências com a transmissão autóctone em 24 países nas Américas. No Brasil, esta epidemia tem potencial para se transformar em tragédia, dada as condições socioambientais e sanitárias favoráveis à disseminação da doença em regiões onde predomina situação de extrema desigualdade social e condições de vida precárias.

Cabe salientar que os índices alarmantes de arboviroses se concentram nas mesmas regiões onde a dengue incide há 30 anos. A partir deste panorama, duas questões merecem ser discutidas: primeiro o possível fracasso das estratégias vigentes de enfrentamento das arboviroses, adotados por diferentes esferas governamentais. Além disso, fica igualmente claro que as origens do problema não estão meramente na dispersão do vetor, mas se articulam aos determinantes sociais de saúde.

No contexto brasileiro, o setor saúde tem sido marcado, em sua história recente, pela organização de um modelo centrado no aspecto clínico e assistencial, resultando na ampliação de um complexo industrial da saúde globalizado e dominado por grandes corporações. Este modelo não tem respondido de forma efetiva aos problemas de saúde de populações em países com características demográficas, epidemiológicas e sanitárias como o Brasil, marcados por desigualdades sociais e de acesso a cuidados de saúde (GONDIM, 2011).

Por isso, torna-se necessária a estruturação de um sistema de vigilância em saúde que se contraponha ao modelo médico-assistencial e sanitarista-campanhista, compreendendo a saúde, a doença e o cuidado como manifestações resultantes de processos históricos e culturais (MENDES, 1993). Na perspectiva deste artigo, a vigilância em saúde deve ter base territorial e popular, incorporando, simultaneamente, a determinação social do processo saúde-doença das epidemias e a promoção da saúde como eixo norteador de processos e ações.





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