De acordo com dados recentes (2018), o Brasil é, de fato, o país que mais mata pessoas trans



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Comentários Fase 1 

Questão 1 

De acordo com dados recentes (2018), o Brasil é, de fato, o país que mais mata pessoas trans 

em todo o mundo, seguido pelo México, Estados Unidos e Colômbia. A pesquisa é realizada em 

72 países  (e  não no mundo todo) e  as estatísticas do Brasil são de  fato preocupantes. O rap 

"Elevação  Mental"  foi  escolhido  porque  traz  essa  questão  para  o  debate,  num  contexto  em 

que a homofobia e a transfobia têm graves efeitos sociais, mas não são consideradas crimes.  

Triz  é  rapper  paulista,  que  se  identifica  como  transgênero  não  binário  –  “meu  gênero  é 

neutro”.  Na  canção,  traz  os  temas  da  violência  e  da  aceitação  e,  em  especial,  o  tema  da 

identidade  de  gênero,  que  consiste  na  maneira  como  um  indivíduo  se  identifica  com  seu 

gênero, ou em outras palavras, como a pessoa se reconhece: como homem, mulher, ambos ou 

nenhum dos gêneros. O transgênero se identifica com um gênero diferente daquele que lhe foi 

atribuído no nascimento; por exemplo, a pessoa nasce com características físicas masculinas, 

mas  se vê  como mulher. O  cisgênero é  a  pessoa  que  se  identifica  com o  gênero com o  qual 

nasceu; e o não-binário não se reconhece e não se enquadra na dualidade “homem e mulher”, 

numa  outra  identidade.  Já  a  orientação  sexual  significa  por  quem  a  pessoa  se  sente  atraída. 

Essa atração pode ser heterossexual, homossexual, bissexual, assexual etc. 

Questão 2 

Abigail de Andrade nasceu em Vassouras, no Rio de Janeiro, no ano de 1864, em uma família 

de fazendeiros ligados à cultura do café. Teve uma educação aristocrática, como indica Cláudia 

Oliveira  em  “Cultura,  história  e  gênero:  a  pintora  Abigail  de  Andrade  e  a  geração  artística 

carioca de 1880”. A artista fez parte de uma das primeiras turmas femininas do Liceu de Artes 

e  Ofícios  –  que,  em  1881,  passou  a  oferecer  um  “Curso  Profissionalizante  Feminino”,  em 

oposição ao ambiente predominantemente masculino da Academia Imperial de Belas Artes.  

Abigail de Andrade participou da Exposição Geral de Belas Artes de 1884, quando apresentou 

quatorze trabalhos entre quadros a óleo, retratos e estudos de desenho  - dois dos trabalhos 

apresentados, “Cesto  de  compras”  e  “Um canto  do meu  ateliê”,  foram,  inclusive,  premiados 

com  a  medalha  de  ouro  na  exposição.  “Um  canto  do  meu  ateliê”  segue  uma  linha  bastante 

explorada pela artista – aquela da auto-representação – e confere destaque ao protagonismo 

profissional  da  pintora,  retratada  em  seu  ambiente  de  trabalho,  cercada  por  objetos  que 

remetem  ao  treinamento em  diversas  técnicas  artísticas.  Na  pintura,  a mulher  rompe  com a 

ideia  da  “musa”,  e  é  protagonista  da  técnica  e  do  campo  profissional.  Abigail  de  Andrade 

faleceu  em  1890,  quando  tinha  apenas  26  anos  de  idade,  interrompendo  uma  carreira  em 

ascensão. 

Questão 3 

“A  Falência”  é  uma  obra  da  autora  brasileira  Julia  Lopes  de  Almeida,  ambientada  no  Rio  de 

Janeiro das primeiras décadas da República, período de intensas discussões sobre a Nação que 

se desejava construir sob a égide republicana e também de instabilidade política, financeira e 

social. No campo econômico, o período ficou conhecido como época do encilhamento – termo 

que remete às corridas de cavalo e ao clima de confusão, de especulação e à jogatina que se 




fazia antes da largada dos cavalos -, período em que a especulação, a criação de empresas, a 

emissão  de  dinheiro  sem  lastro  e  a  intensa  inflação  criaram  uma  grande  profusão  de 

enriquecimento  rápido e  também  de  falências,  como  acontece  com  a  personagem  Francisco 

Theodoro.  Além  de  trazer  para  seu  romance  uma  leitura  acurada  do  momento  político  e 

econômico, a autora apresenta personagens intensos, que carregam as contradições da moral 

burguesa esperada para o período - especialmente aquelas que envolvem os relacionamentos 

entre  homens  e  mulheres  -  ,  sendo  sua  obra  apontada,  por  vezes,  como  um  expoente  do 

Naturalismo e, por outras, definida como pré-modernista. 

Questão 4 

A  Paçoca  de  Carne  Seca  é  um  prato  de  origem  indígena  –  pa`soka  em  tupi.  O  prato 

tradicionalmente  era  feito  misturando  farinha  de  mandioca  com  outras  sementes,  raízes, 

carnes  e  temperos.  Tanto  a  farinha  de  mandioca  como  a  carne  seca  eram  produtos 

alimentares  importantes  no  período  colonial  e  foram  utilizados  também  por  bandeirantes, 

tropeiros e garimpeiros nas expedições pelo interior do território, de modo a difundir o prato.  

O  modo  de  preparo  tradicional  da  paçoca  exige  que  os  ingredientes  sejam  moídos 

manualmente  em  um  pilão  de  forma  a  se  tornarem  uma  farofa  encorpada  que  pode 

acompanhar diversos pratos. No decorrer do tempo, a receita da paçoca foi sendo modificada, 

seja  por  meio  da  incorporação  regional  de  novos  ingredientes  (como  a  cebola,  o  alho  e 

manteiga  do  sertão),  seja  pelo  uso  de  novos  equipamentos  em  seu  processo  de  produção 

(como o processador de alimentos no lugar do pilão de mão).  

A  abrangência  nacional  do  prato,  preparado  de  norte  a  sul  do  país  com  variações,  e  a  sua 

relação  com  a  cultura  de  determinados  estados  são  índices  da  importância  da  paçoca, 

considerada  patrimônio  gastronômico  no  estado  de  Roraima  –  apesar  de  ainda  não  ter  sido 

registrada nos órgãos de patrimônio locais, como aconteceu em Tocantins no ano de 2017 com 

a  promulgação  da  Lei  nº  3253  (“Declara  patrimônio  cultural  e  gastronômico  do  Estado  do 

Tocantins as comidas típicas que especifica”) 

Questão 5 

Em 1578, Jean de Léry, um pastor missionário francês, publicava a primeira versão de seu livro 

Viagem à Terra do Brasil. O texto procurava dar conta das impressões do autor colhidas entre 

os  anos  1556  e  1558,  quando  esteve  no  Brasil,  e  se  tornou  um  dos  relatos  de  viagem  mais 

importantes do século XVI.  

Nele,  é  possível  ver  que  a  forma  como  o  autor  descreve  os  animais  está  mediada  por  seus 

próprios  valores,  os  valores  ocidentais  europeus.  Trata-se  de  um  exercício  de  raciocínio 

chamado de alteridade: através da comparação dos animais brasileiros aos animais e objetos 

da Europa, Léry pretende fazer que o púbico europeu conseguisse imaginar animais que nunca 

viu. O autor não era, portanto, um despreparado, apenas era alguém que pensava de acordo 

com as concepções  de  seu mundo: tentava interpretar o outro a partir das suas referências, 

interpretando aquilo que lhe era diferente a partir de seu próprio olhar. 

Questão 6 



O mapa apresentado procura registrar o processo histórico de demarcação das fronteiras do 

Brasil.  Normalmente  indica-se  o  começo  desse  processo  com  o  Tratado  de  Tordesilhas,  que 

definiu  o  primeiro  limite  do  território  português  na  América  ainda  no  século  XV.  No  século 

XVIII outro tratado foi formulado, recebendo o nome da capital espanhola, Madri. Já no século 

XIX, uma série de linhas imaginárias foram traçadas na região fronteiriça entre Brasil, Guiana 

Inglesa e Venezuela. Essas linhas não coincidem necessariamente, o que evidencia desacordos 

entre  as  partes  envolvidas.  Por  exemplo,  a  atuação  de  Robert  Schomburgk  se  relaciona  ao 

reconhecimento  do  território  reclamado  pela  Inglaterra.  Naquele  momento  estavam  em 

questão o acesso às bacias hidrográficas do Amazonas (para os ingleses) e do Essequibo (para 

os  brasileiros  e  venezuelanos),  além  do  controle  sobre  territórios  com  minas  de  ouro.  O 

embate por territórios nas margens nortes da Amazônia iniciou com os interesses de Portugal, 

foi  transferido  para  o  Império  Brasileiro  e,  posteriormente,  para  a  República, sendo  que  seu 

desfecho foi alcançado somente no século XX após arbitragem do rei italiano Vitório Emanuel 

III. Nesse processo, os povos nativos da Amazônia em momento algum tiveram sua presença 

nos territórios respeitada. Tal apagamento dialoga na contemporaneidade com a demarcação 

do  território  indígena  Raposa  Terra  do  Sol  e  os  conflitos  entre  indígenas  e  agropecuaristas, 

assim como com outras questões contemporâneas que envolvem a fronteira entre Venezuela 

e Roraima. 

Questão 7 

Localizado no interior do Rio Grande do Norte, o Lajedo de Soledade, no município de Apodi, é 

uma formação rochosa onde estão gravadas pinturas rupestres com idades entre 3 mil e 10 mil 

anos.  Até  o  ano  de  1991 a  área  que  compõe  o  Lajedo  era  explorada  para  retirada  de  pedra 

calcária,  própria  para  a  produção  de  cal  e  utilizada  como  calçamento.  A  partir  desse  ano, 

contando  com  auxílio  da  Petrobrás,  foi  desenvolvido  o  projeto  de  preservação  e 

conscientização  que  resultou  na  constituição  da  Fundação  Amigos  do  Lajedo  Soledade, 

responsável por administrar um museu e uma equipe de guias. A área do Lajedo é dividida em 

três  partes  com  características  próprias,  sendo  que  na  segunda  área,  marcada  por  sulcos 

criados na rocha pela ação da água, são encontradas as pinturas rupestres. Ossos calcificados 

de animais pré-históricos também são encontrados em todo o Lajedo. 

As  pinturas  em  Apodi  compõem  parte  do  conjunto  brasileiro  de  sítios  arqueológicos  com 

vestígios pré-históricos da presença humana. Além do Lajedo de Soledade, a Serra da Capivara

no  Piauí,  a  região  da  Lagoa  Santa,  em  Minas  Gerais,  e  outras  áreas  na  Bahia,  Paraíba, 

Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina possuem igual importância para os estudos 

sobre o processo de povoamento e ocupação do continente sul-americano. 

Questão 8 

Ao  tomar  dicionários  como  fontes  de  pesquisa,  o  historiador  pode  observar  não  apenas  a 

variação  dos  significados  atribuídos  a  determinadas  palavras  ao  longo  de  um  período,  mas 

também a  forma  como as  etimologias são  pensadas  e  apresentadas,  percebendo  como  uma 

sociedade  imaginou,  catalogou  e  definiu  a  origem  e  a  empregabilidade  de  palavras  e 

expressões.  No  caso  específico  da  palavra cobogó, o  registro  de  sua  etimologia  apresentado 

pelo dicionário Houaiss destaca que se trata de um brasileirismo, e que a palavra foi formada a 

partir  da  junção  da  primeira  sílaba  do  sobrenome  daqueles  que  patentearam  o  termo,  em 




1929: Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann e Antônio de Góis. O cobogó surgiu 

em  Pernambuco,  e  é  uma  herança  da  cultura  árabe  trazida  pela  colonização  portuguesa, 

baseando-se  nas  treliças  dos  muxarabis/muxarabiês  que  eram  utilizados  para  fechar 

parcialmente  ambientes  internos.  Configura  também  uma  importante  alternativa  oferecida 

pela  arquitetura  para  a  vida  nos  trópicos  úmidos,  já  que,  sendo  composto  por  um  elemento 

vazado,  permite  a  passagem  de  ventilação  natural  e  reduz  a  incidência  de  luz  solar, 

amenizando  as  temperaturas  elevadas.  Esse  elemento  foi  muito  utilizado  e  difundido  pela 

arquitetura moderna, especialmente por Lucio Costa. O cobogó - assim como o muxarabi e as 

rótulas  do  período  colonial  -  pode  ser  interpretado  em  termos  de  mediação,  separação  ou 

conexão  do  privado  com  o  público,  do  interior  com  o  exterior,  conforme  sugere  a  própria 

definição do dicionário. 

Questão 9 

Em  1889,  o  empresário  brasileiro  Bernardo  Mascarenhas  inaugurou  a  Usina  Hidrelétrica  de 

Marmelos,  na  cidade  de  Juiz  de  Fora.  Primeira  grande  hidrelétrica  do  Brasil,  a  usina  visava 

primordialmente o fornecimento de energia elétrica para sua fábrica de tecidos, a Companhia 

Têxtil Bernardo Mascarenhas. 

O  texto  jornalístico  apresentado  antecede  em  dois  anos  a  criação  dessa  usina  e  indica  os 

planos  do  empresário  para  a  construção  da  mesma,  apontando  o  impacto  que  causará  na 

cidade.  O  texto  toma  um  tom  otimista  em  relação  à  incipiente  eletrificação  brasileira, 

reconhecendo os inúmeros benefícios que o novo serviço público pode ofertar, dentre eles o 

barateamento  da  iluminação  doméstica,  a  diminuição  do  risco  de  incêndios,  a  redução  dos 

custos com iluminação, a eletrificação das linhas de bonde  – usualmente movidas por tração 

animal – e o fornecimento de força para pequenas fábricas. 

Além dos impactos benéficos trazidos pela eletrificação, o jornal justifica a importância de sua 

implantação com base na comparação das iniciativas no setor elétrico em países como Estados 

Unidos, França e Rússia. Percebe-se, a partir da leitura do documento, uma associação entre a 

eletrificação e o desejo de modernização da cidade. O fornecimento de energia elétrica é visto 

como capaz de impulsionar a atividade industrial e o ramo dos transportes e é entendido pelo 

autor  do  texto  como  indiscutivelmente  benéfico.  Essa  associação  entre  eletrificação  e 

modernização  se  consolidou  no  início  do  século  XX,  momento  em  que,  segundo  Gildo 

Magalhães  dos  Santos  Filho,  dá-se  “[...]  o  reconhecimento  por  parte  da  elite  brasileira  do 

excelente  potencial  da  eletricidade  para  tração”,  bem  como  da  energia  como  base  para  a 

transformação  econômica,  em  especial  como  forma  de  impulsionar  a  industrialização. 

[MAGALHÃES,  G.  Força  e  luz:  Eletricidade  e  modernização  na  República  Velha.  São  Paulo, 

Unesp/FAPESP, 2000, 129 p.] 

Questão 10 

O  artigo  científico  tomado  como  documento  é  de  autoria  da  antropóloga  e  professora  da 

Universidade Federal de São Carlos (SP) Clarice Cohn, que esteve a frente de muitas políticas 

de  ação  afirmativa  implementadas  pela  instituição  na  última  década.  O  texto  é  um  balanço 

dessa experiência, considerada pioneira no caso do vestibular indígena. Outras universidades 




já  implementaram  esse  tipo  de  política  de  inclusão,  como  a  Universidade  Estadual  de 

Campinas no ano de 2018 ao realizar o seu primeiro vestibular indígena nacional. 

Cohn  enfatiza,  em  seu  texto,  a  via  de  mão  dupla  estabelecida  entre  os  indígenas  e  a 

universidade  a  partir  do  abandono  do  vestibular  tradicional  como  única  forma  de  ingresso. 

Com  a  implementação  do  vestibular  indígena,  segundo  seus  argumentos,  a  instituição  se 

defrontou com uma  série de  situações  inéditas,  para as quais teve  que  formular respostas e 

soluções.  

O ingresso dos indígenas, apresentados por ela em sua diversidade, teve efeitos nas dinâmicas 

do campus universitário – como a realização de eventos acadêmicos, projetos de extensão e 

ensino voltados a comunidades indígenas – e colocou em cheque preconceitos e estereótipos 

que, muitas vezes não explicitados, estavam enraizados em um modelo educacional pautado 

por valores estranhos e alheios a essas comunidades. Ela enfatiza como a própria relação entre 

indígenas  e  não-indígenas  e  aquelas  entre  o  conhecimento  produzido  e  buscado  por  ambos 

tiveram  que  ser  repensadas,  de  maneira  a  respeitar  as  plurais  histórias  e  contextos  trazidos 

pelo novo perfil dos estudantes. 

Questão 11 

Nesta  tarefa,  além  de  gerarmos  importantes  informações  sobre  os  participantes  da  Décima 

Primeira  Olimpíada  Nacional  em  História  do  Brasil,  exercitamo-nos  não  apenas  em  ler  e 

analisar  documentos,  mas,  de  certo  modo,  em  produzir  um.  Até  mesmo  informações  que 

parecem pouco importantes, como o gosto musical ou as leituras de nossos participantes, são 

relevantes,  pois  nos  permitem  traçar  um  perfil  socioeconômico  que,  associado  ao 

desempenho  da  Prova,  permitem-nos  criar  uma  compreensão  ampla  sobre  o  ensino  de 

História  no  país.  Perguntamos  ainda  aos  professores  e  estudantes  que  já  participaram  da 

Olimpíada  anteriormente  qual  o  impacto  desta  sobre  suas  atividades,  o  que  nos  premite 



avaliar o projeto ONHB. 



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