Daniella ribeiro do vale e silva vieira



Baixar 3.96 Mb.
Pdf preview
Página15/64
Encontro30.06.2021
Tamanho3.96 Mb.
1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   ...   64
Pedagogia do Oprimido, 
em 1968. Voltou do exílio ao Brasil em 1979 já ingressando 
na vida universitária. Morreu em 1997, de enfarte, tendo traduzidas suas obras em mais 
de vinte idiomas.  
 
O diálogo para Freire (2005) é essencial na prática educativa. Alguns elementos 
constitutivos para o diálogo estão na dimensão da ação e da reflexão, não se separando, 
pois “não há palavra verdadeira que não seja práxis. Daí que dizer a palavra verdadeira 
seja  transformar  o  mundo.”  (FREIRE,  2005,  p.89).  Proferir  palavras  verdadeiras  não 
deve ser privilégio de alguns. É sim um direito de todos os homens, pois ao dialogar, os 
homens  nascem.    Por  isso,  o  diálogo  “é  uma  exigência  existencial  (FREIRE,  2005, 
p.91)  
 
Arendt e Freire aproximam-se na questão do diálogo, pois, “o elemento político, 
reside  no  fato  de  que,  no  verdadeiro  diálogo,  cada  um  pode  compreender  a  verdade 
inerente à opinião do outro” (ARENDT, 1993, p. 99), comungando dessa mesma ideia, 
que  “se  o  diálogo  é  o  encontro  dos  homens  para  ser  mais,  não  pode  fazer-se  na 
desesperança  (...),  pois  não  há  diálogo  verdadeiro  se  os  sujeitos  do  diálogo  nada 
esperam do seu que fazer (FREIRE, 2005, p. 95), e assim, os homens se reconhecem 
em uma relação inquebrável de solidariedade.  
 
O pensar também é uma categoria de análise arendtiana, que aproxima Freire e 
Arendt.  “O  professor  que  pensa  certo  deixa  transparecer  aos  educandos  uma  das 
bonitezas de nossa maneira de estar no mundo e com o mundo, como seres históricos, é 
a  capacidade  de,  intervindo  no  mundo,  conhecer  o  mundo”(FREIRE,  2014,  p.30). 
Arendt em sua obra A Vida do Espírito (2014), apresenta o pensar como algo que não 
necessita  de  causas  ou  objetivos.  “Assim,  tenho  consciência  de  mim,  não  de  como 


33 
 
apareço para mim, não de como sou em mim mesmo, mas apenas de que sou. (...) o eu 
penso expressa o ato de determinação da minha existência” (ARENDT, 2014, p. 60). 
Compreender  em  Freire  que  pensar  certo  é  uma  busca  constante  para  novos 
entendimentos  e  em  Arendt  que  a  atividade  de  pensar  expressa  a  própria  existência 
aproxima  os  autores  para  a  necessidade  de  pensar  em  educação  para  poder  agir  em 
educação.  É  necessário  aguçar  o  pensamento  na  aprendizagem,  levando  o  aluno  a 
refletir,  considerar  as  opiniões  dos  outros,  compreender  o  real  sentido  de  estar  no 
mundo e quais atitudes podem ser significativas para a mudança de uma realidade social 
e educacional com grandes dificuldades.  
 
A educação deve constituir-se na comunicação, “no sentir comum uma realidade 
que  não  pode  ser  vista  mecanicistamente  compartimentada”  (FREIRE,  2005,  p.117). 
Entendeu-se nesta pesquisa que a ética é uma condição para que a educação se construa 
de maneira que se encontrem respostas para a influência dos docentes no agir ético dos 
discentes,  a  formação  política  e  humana  deve  ser  assumida  e  contextualizada  com  a 
existência humana, com o diálogo, o pensar e o agir.  
 
 
1.5
 A condição política de Freire e Arendt  
Falar em educação como o espaço da formação política e humana é considerar 
que  não  deve  existir,  segundo  Freire  (2001)  uma  prática  educativa  que  seja  neutra  e 
apolítica.  É  necessário  que  um  fim  seja  sempre  perseguido.  Não  ser  neutro,  não  deve 
implicar uma posição de autoritarismo, mas sim, educar para escolhas e opções. Ainda 
no  pensamento  freireano,  “não  pode  haver  caminho  mais  ético,  mais  verdadeiramente 
democrático do que testemunhar aos educandos como pensamos” (FREIRE, 2001, p.38) 
e  ao  mostrar  os  sonhos,  utopias,  apresentar  provas  concretas  do  porquê  lutamos  e 
pensamos, mas, em todas as situações, respeitando o que cada um pensar.  
A formação humana e política necessitam de rupturas, decisão, posicionamento. 
Educar é dialogar com o mundo e entender a visão que temos dele juntamente com os 
alunos,  sem  imposições.  Ter  consciência  de  como  atuar  no  mundo  em  função  das 
finalidades a que se propõem educandos e educadores “ao terem o ponto de decisão de 
sua busca em si e em suas relações com o mundo e com os outros (FREIRE, 2005, p. 
103) encontra-se a razão pelo qual existem e escrevem sua história.  
Assim  como  Freire,  Arendt  (2011)  também  compreende  que  a  tarefa  do 
educador é a de não apenas informar, mas oportunizar aos novos, conhecer o mundo que 
já existe, e assumir responsabilidades perante este mundo que pode ser conservado ou 


34 
 
transformado. O educador que se preocupa com a formação humana e política de seus 
alunos apresenta a eles a necessidade de compreender que este mundo é um lar de várias 
gerações,  devendo  assim,  todos  manterem  um  grau  de  respeito  e  consideração.  Freire 
(2014)  argumenta  que  não  há  como  responder  pelo  mundo  sem  se  comprometer.  A 
educação deve se constituir assim, como construção do homem em ser mais, despertado 
de suas ingenuidades e passividades, assumindo a sua condição de agente de sua própria 
história.  
 
A  natureza  formadora  da  docência,  que  não  poderia  reduzir-se  a  puro 
processo  técnico  e  mecânico  de  transferir  conhecimentos,  enfatiza  a 
exigência  ético-democrática  do  respeito  ao  pensamento,  aos  gostos,  aos 
receios, aos desejos, à curiosidade dos educados. Respeito, contudo, que não 
pode  eximir  o  educador,  enquanto  autoridade,  de  exercer  o  direito  de  ter  o 
dever  de  estabelecer  limites,  de  propor  tarefas,  de  cobrar  a  execução  das 
mesmas. (FREIRE, 2001, p. 39) 
 
Ao  estabelecer  limites,  o  educador  não  está  exercendo  o  autoritarismo,  e  sim 
deixando que o educando aprenda exercer a sua liberdade e a capacidade de decisão e 
de  escolha.  O  educando  não  se  encontra  assim  em  uma  condição  de  opressão  ou 
indignidade,  mas  com  a  oportunidade  de  crescer  no  aprendizado,  coerente  com  as 
opções que se faz durante a vida.  
O viver no mundo é muito mais do que ter acesso às técnicas para execução de 
atividades.  A grande questão para a educação deve ser o ser humano, pois este não é 
solitário.  Se  a  pluralidade  é  a  condição  humana,  a  escola,  a  educação,  deve  ter  esse 
preparo  para  que  os  educandos  sejam  seres  humanos  responsáveis  por  seus  atos  e 
decisões. Segundo Arendt (2011), as crianças podem adquirir condições para o trabalho 
e fabricação, conhecimentos, competências, mas somente isso não basta. A ação é uma 
excelência humana, porque o trabalho é apenas uma das condições.  
A vida não pode ser reduzida à utilidade, com a educação instrumentalizada. De 
acordo  com  Arendt  (2011),  as  crianças  herdam  um  mundo  como  espaço  de  trabalho, 
mas também deve ser um espaço de convivência e de histórias humanas. Por isso, é da 
educação  a  tarefa  de  familiarizar  os  educados  com  experiências  e  compreensões 
compartilhadas,  instituições  práticas,  saberes  e  pensamentos  que  façam  sentido  para  a 
construção de um mundo mais humano.  
Ao abordar-se formação política, é importante destacar o pensamento freireano 
que enxerga a aprendizagem como um direito de criticar, e “ao criticar, de não faltar à 
verdade  para  apoiar  nossa  crítica  é  um  imperativo  ético  da  mais  alta  importância”. 


35 
 
(FREIRE,  2001,  p.  59,  2001).  Aceitar  análises  de  fatos,  reflexões,  compreender  o 
mundo,  entender  nossas  propostas,  significa  posicionar-se,  intervir  e  exercer  a  função 
política de viver em sociedade.  
No criar e recriar do mundo e das relações no contexto social, o ser humano vai 
se tornando histórico. “Este ser histórico e cultural que não pode ser explicado somente 
pela  biologia  ou  pela  genética,  nem  tampouco  apenas  pela  cultura  (...)  mas  podendo 
reconhecer-se  para  superar  limites  do  próprio  condicionamento,  programado  para 
aprender” (FREIRE, 2001, p.68). Nas relações, o educando tem o direito de optar por 
ser  coerente  com  suas  ações  e  não  se  contradizer  em  seu  discurso,  assumindo  sua 
posição política de conviver com os diferentes.  
 
1.6
 A ética do agir pautada na constituição da postura política do homem 
Pensar  em  uma  educação  em  que  docente  e  discente  possuem  características  e 
posturas diferentes, aponta para o questionamento central desta pesquisa que foi saber 
se existe influência do docente no agir ético dos seus discentes.  A ação educativa como 
formação  humana  e  política  pode  responder  a  tal  questionamento.  As  dimensões  do 
ensinar  e  do  aprender  nas  contextualizações  didáticas,  relacionadas  com  a  prática 
pedagógica  do  fazer  docente  nos  remeteu  a  vários  olhares  em  relação  ao  cotidiano 
educacional.   
O  espaço  do  exercício  da  docência  se  apresenta  desafiador  e  ocupa  lugar  nas 
investigações científicas no Brasil e, no momento desta pesquisa, coube  considerar  as 
diferentes  características  e  realidades  educacionais  e  a  articulação  de  uma  teoria  de 
compreensão e interpretação da realidade com a prática, na medida em que se tratam os 
conhecimentos  específicos  com  a  formação  humana,  buscando  uma  interação  entre 
docente  e  discente  para  um  trabalho  baseado  na  postura  ética.  O  enfrentamento  da 
realidade para conhecer o mundo em que se vive e a concepção de homem que cada um 
possui  apresenta  indícios  de  diferenças,  porém  também  pode  apontar  onde  é  possível 
unir  as  diferenças  para  melhor  interação  entre  docentes  e  discentes.  “É  assim  que  se 
impõe um reexame do papel da educação que, não sendo fazedora de tudo é um fator 
fundamental na reinvenção do mundo” (FREIRE, 1997, p.14).  
Em que medida em que se busca nos saberes que se constroem e reconstroem de 
acordo com as novas demandas sociais, quais serão os reflexos e contribuições na sala 
de aula no que diz respeito à formação humana e política? “Se os seres humanos fossem 
puramente determinados e não seres programados para aprender, não haveria por que, 


36 
 
na prática educativa, apelarmos para a capacidade critica do educando. Não havia por 
que falar em educação para a decisão, para a libertação”. (FREIRE, 1997, p.12) 
 
Ao produzir o trabalho educacional, o educador expressa aquilo que tem como 
formação  de  uma  sociedade  que  é  criada  por  cada  cidadão.  A  escola,  sendo  ora  essa 
sociedade, ora parte dela, tem papel primordial na formação das relações que se formam 
aos pares, apesar de ser dividida em setores, assim como uma grande sociedade, “cujo 
impulso  brota  do  desejo  de  estar  na  companhia  dos  outros,  do  amor  ao  mundo  e  da 
paixão pela liberdade”. (ARENDT, 2014, p. XXXI).  
 
Enfrentar  a  sociedade,  no  âmbito  econômico  do  capitalismo  reafirmado  na 
maioria das nações no século vinte, e trabalhar para uma formação humana e politica, 
quando o currículo dá sentido às práticas que estão ao entorno do que se busca construir 
através de uma grande ruptura e não através da continuidade de ações individualistas e 
competitivas, são um grande desafio. Assim,  
 
cedo  ou  tarde,  por  isso  mesmo,  prevalece  à  compreensão  da  história  como 
possibilidade, em que não há lugar para as explicações mecanicistas dos fatos 
nem  tampouco  para  projetos  políticos  de  esquerda  que  não  apostam  na 
capacidade critica das classes populares. (FREIRE, 1997, p.13) 
 
 
       
Através  das  ações  pedagógicas  o  aluno  e  todos  os  envolvidos  necessitam 
entender  que  as  funções  não  devem  ser  divididas,  não  existindo  apenas  aprender  ou 
ensinar. A construção de um currículo próximo da sua realidade e também enfrentar a 
alienação em relação a sua própria história, à sua concepção de homem, onde na maioria 
das vezes impera o individualismo, a competição, a recompensa por ser bom e a punição 
pelo fracasso também fazem parte deste trabalho para a formação humana e política. 
        “Certamente  não  é  preciso  grande  imaginação  para  detectar  os  perigos  de  um 
declínio  sempre  crescente  nos  padrões  elementares  na  totalidade  do  sistema  escolar” 
(ARENDT, 2011, p. 221-222), mas, pensar a ação humana no âmbito da política e do 
espaço  público  onde  todos  possam  espontaneamente  aparecer.  Ao  mesmo  tempo, 
entender  uma  das  características  principais  de  seu  pensamento  acerca  da  educação 
enquanto espaço público e político nos leva a encontrar formas para que o trabalho seja 
em  equipe,  reunindo  questões  que  superem  dificuldades,  fortaleçam  laços  e 
desenvolvam a formação humana e política no espaço escolar, somando aprendizagem a 
uma organização das relações de conflitos de concordâncias e divergências.  
Existe  na  prática  docente,  um  repertório  peculiar  de  conhecimentos  do  ensino. 
Identificar  quais  são  esses  saberes  na  ação  pedagógica  e  onde  eles  situam-se  na 


37 
 
organização  do  trabalho  pedagógico  como  formação  humana  e  política  exige 
posicionamento, postura ética. 
 
O importante é que a pura diferença não seja razão de ser decisiva para que se 
rompa o diálogo através do qual pensar diversos, sonhos opostos não possam 
concorrer  para  o  crescimento  dos  diferentes,  para  o  acrescentamento  de 
saberes. (FREIRE, 1997, p.17). 
 
Para  que  a  ação  pedagógica  seja  eficaz,  é  necessário  retornar  aos  saberes 
disciplinares,  ou  seja,  o  que  compõe  a  profissão  docente  através  da  formação 
acadêmica;  quais  as  ciências  que  se  carregam  junto  com  os  fazeres  através  de  cursos 
realizados para aperfeiçoamentos; o que se adquire durante a formação e trabalho, o que 
se conhece e aprende ao trabalhar em uma escola, a organização, tradição pedagógica, 
correntes  e  teorias.  O  saber  experiencial,  a  partir  do  particular  e  depois  testado 
publicamente, ou seja, dentro de sala de aula, segundo Freire (1997) não pode escapar 
de uma continuidade histórica e das marcas culturais que são herdadas.  
De fato, o que é um saber? Sem respostas definitivas, entende-se que pesquisas 
vêm  sendo  realizadas  sobre  o  repertório  de  conhecimentos  do  ensino,  o  professor 
especialista,  o  prático  reflexivo  ou  competências.    Cria-se  um  espaço  de  criação  no 
pedagógico,  com  saberes  de  decisões,  liberdades,  e,  mesmo  não  sendo  um  saber 
científico, nem por isso deixa de ser válido ou legítimo.  
 
Por isso é que a investigação se fará tão mais pedagógica quanto mais critica 
e tão  mais critica quanto, deixando de perder-se nos esquemas estreitos das 
visões  parciais  da  realidade,  das  visões  focalistas  da  realidade,  se  fixe  na 
compreensão da totalidade. (FREIRE, 2005, p. 116) 
 
 
O saber é o resultado de uma produção social. Não se reduz a sujeitos pensantes, 
mas  a  extração  de  leis  contidas  num  objeto  e  contexto,  Devendo  estar  aberto  ao 
processo de questionamento. O objetivo prático se refere a uma comunidade de agentes 
que  possui  diferentes  tipos  de  juízo,  situado  em  tempo  e  espaço  diferentes.  “É  uma 
questão  política  de  primeira  grandeza,  cuja  decisão,  portanto,  não  pode  ser  deixada  a 
cientistas profissionais ou a políticos profissionais”. (ARENDT, 2014, p. 3) 
A  atividade  pedagógica  não  é  reduzida  a  saberes  técnicos  de  aprendizagem  e 
nem a juízos empíricos. É voltada para uma ação eficaz, prática e não produção teórica. 
O  saber  é  construído,  é  um  saber  ligado  ao  trabalho.  Freire  (1997)  já  coloca  que  a 
educação é uma prática permanente, ressaltando o ser humano como um ser histórico-
social  e  “por  isso,  um  ser  ininterruptamente  em  busca,  naturalmente  em  processo”. 


38 
 
(FREIRE,  1997,  p.18).  Conhecer,  dizer,  refazer,  ensinar  e  melhorar  o  mundo, 
transformando e melhorando o ensinar.  
          No  atual  contexto  de  incessantes  desafios  é  de  fundamental  importância  que 
estejamos  permanentemente  ressignificando  os  saberes  e  reafirmando  convicções 
enquanto  educadores.  É  preciso  investir  no  conhecimento  vivo  e  continuado, 
reorganizar  os  currículos,  imprimindo-lhes  a  dimensão  complexa  do  trabalho 
intelectual, enquanto instrumentos flexíveis de constante aprendizagem. Associar ensino 
e  pesquisa  e  ensinar  investigando,  investigar  ensinando  e  ensinar  a  investigar.  Nesta 
interação  cotidiana,  a  responsabilidade  social  das  instituições  de  ensino  se  torna 
concreta, e a teoria e a prática se fundem, se articulam como um todo.  
 
Repensar e ressignificar as práticas de acordo com a demanda atual, configura-se 
em um novo momento de desenvolvimento científico, tecnológico, intelectual, político e 
social,  porém  percebem-se  incoerências  e  dificuldades  de  iniciativas  que  contemplem 
esse novo momento. O aluno como sujeito e construtor de seu próprio conhecimento; o 
individuo  como  agente  de  interferência  e  transformação  social;  as  relações  em  uma 
visão de interação e o diálogo como forma de comunicação e crescimento coletivo. A 
curiosidade  e  a  dúvida  geram  iniciativas  de  investigação  que  levam  a  processos 
metodológicos que priorizem a dimensão da dúvida, da construção, da descoberta.  
 
Aprender e ensinar  faz parte da existência humana,  histórica e social, como 
dela fazem parte à criação a invenção a linguagem, o amor, o ódio, o espanto, 
o medo, o desejo, a atração pelo risco, à fé, a dúvida, a curiosidade, a arte, a 
magia, a ciência, a tecnologia. (FREIRE, 1997, p. 19).  
 
 
 
Percebeu-se  até  aqui  que  o  conhecimento  é  tecido  nas  complexas  redes 
contextuais de significações e pressupõe assumir o processo pedagógico com objetivos 
e estratégias pedagógicas diferenciadas. A sala de aula passa a ser palco de discussões, 
de argumentação e de pesquisa. A discussão a partir da complexidade pressupõe acolher 
a  investigação  como  princípio  norteador,  em  que  professor  e  aluno  se  lançam  na 
construção  de  projetos  de  vida  e  de  saberes.  “No  processo  de  conhecimento,  que 
envolve  ensinar  e  aprender”  (FREIRE,  1997,  p.39),  a  dimensão  ética  não  deve  se 
restringir  apenas  aos  educadores,  sua  formação
 
e  cumprimento  de  deveres,  mas  ao 
respeito à pessoa humana dos educandos.  
 
O  profissional  docente  precisa  conhecer-se  como  parte  de  um  processo 
educativo que questiona o homem situado historicamente e inserido em uma sociedade 
em constante crise e transformação. Os pressupostos teóricos esclareceram o porquê de 


39 
 
estarmos  em  um  momento  delicado  da  educação,  quando  se  buscam  respostas  para 
problemas.  Deixar  o  individualismo,  conhecer  o  homem  como  um  todo,  entender  o 
mundo  em  que  vivemos  e  qual  realmente  é  nossa  visão  diante  dele  são  marcas 
profundas deixadas durante esse percurso de estudos.  
A Educação Brasileira precisa de reformas, porém, devem partir de mudanças do 
próprio ser humano enquanto um ser que depende do outro para se consolidar, entender 
a essência da educação, educar para humanizar e olhar a realidade ainda obscura, mas 
com respostas possíveis através de uma verdadeira conceituação de homem, sociedade e 
educação.  Essas  questões  podem  ser  o  início  de  um  novo  momento  para  a  ação 
educativa fundamentada em valores, na qual a criticidade e a valorização do humano se 
baseiam nos princípios éticos para qualquer mudança.   
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   ...   64


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal