CoordenaçÃo do curso de letras nivelamento oficina de produçÃo textual professor ozanir roberti / professora sabine mendes



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AULA 09 – Expressando ideias

Texto 1

A polêmica da opinião

Todos os anos, vestibulares primam por temas polêmicos que, em geral, rendem bons debates, passíveis de vários posicionamentos e pontos de vista. Com isso, espera-se estimular a capacidade de argumentação do candidato. Mas diante de um assunto controverso, o estudante pode – e deve – dar sua opinião, sempre se cercando de argumentos e exemplos concretos para que sua linha de raciocínio mantenha um vínculo com a realidade, evitando os famosos “achismos”.

As bancas examinadoras costumam aceitar opiniões polêmicas, desde que a redação se sustente com argumentos éticos. O próprio fato de escrever um texto para expor uma linha de pensamento pressupõe que haja um raciocínio inverso ou oposto ao apresentado. Porém, é preciso cuidado com a maneira pela qual se expôe uma opinião.

Considerar a existência de outras visões acerca do mesmo fato ou objetivo é um bom modo de evitar preconceitos na hora de produzir um texto. A discordância só é aceita quando o redator demonstra conhecer outras opiniões, as quais ele rebaterá por meio de argumentos, tornado seu textos mais plural e enriquecedor do ponto de vista de informação.



Fisionomia

A familiaridade com o tema proposto pela prova, bem como sua relação com a opinião a ser expressa pelo redator, levantam uma questão interessante, chamada de “fisionomia da redação”, objeto de estudo do professor Rogério Chociay, autor de “Redação no Vestibular da Unesp: A Dissertação” (Fundação Vunesp, 2004).

Um estudante que aprecie novidades tecnológicas certamente terá mais a dizer sobre o assunto na prova de redação do que um candidato que não goste ou ignore o tema. Por outro lado, um estudante que ache esse assunto fútil ou superficial, certamente não terá problemas em produzir uma redação contestando a relevância da tecnologia na vida das pessoas, por exemplo.

Não há problemas em discordar do tema proposto. Por exemplo, na prova de redação da Fuvest de 2005, diante do tema “Argumente sobre o programa para descatracalização da vida proposto pelo grupo artístico Contra Filé”, muitos vestibulandos expressaram-se contra o movimento, sob o pretexto de que a cidade já estava muito poluída com grafites de mau gosto. A maioria dos candidatos considerou uma bobagem a proposta do grupo de substituir uma estátua por uma catraca no Largo do Arouche, em São Paulo.

Se discordar não parece ser problema, desde que se sustente por argumentos plausíveis, não há como ignorar a questão dos direitos humanos, certamente um limite para as bancas examinadoras. Será impossível obter uma boa nota se o candidato expressar pontos de vista racistas, misóginos, homofóbicos ou cruéis.

Ainda que a banca se prenda a aspectos técnicos do texto, uma ética deturpada certamente merecerá nota mínima. Ser reacionário e preconceituoso não agregará charme nem personalidade ao texto, pois o que se espera é que o redator seja eticamente correto.



Pense antes de opinar

Colocar a opinião à prova antes de se posicionar pode evitar dissabores:






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