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Apresentação: 

Ana Maria Machado

Tradução: 

Maria Luiza X. de A. Borges

Contos de Fadas

de Perr ault, Grimm, 

Andersen & outros




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Cinderela ou  

O  sapatinho de vidro

Era uma vez um fidalgo que se casou em segundas núp-

cias com a mulher mais soberba e mais orgulhosa que já se 

viu. Ela tinha duas filhas de temperamento igual ao seu, sem 

tirar nem pôr. O marido, por seu lado, tinha uma filha que 

era a doçura em pessoa e de uma bondade sem par. Nisso 

saíra à mãe, que tinha sido a melhor criatura do mundo. 

Assim que o casamento foi celebrado, a madrasta co-

meçou a mostrar seu mau gênio. Não tolerava as boas 

qualidades da enteada, que faziam suas filhas parecerem 

ainda mais detestáveis. Encarregava-a dos serviços mais 

grosseiros da casa. Era a menina que lavava as vasilhas e 

esfregava as escadas, que limpava o quarto da senhora e os 

das senhoritas suas filhas. Quanto a ela, dormia no sótão, 

numa mísera enxerga de palha, enquanto as irmãs ocu-

pavam quartos atapetados, com camas da última moda e 

espelhos onde podiam se ver da cabeça aos pés.

A pobre menina suportava tudo com paciência. Não ou-

sava se queixar ao pai, que a teria repreendido, porque era sua 



20

Charles Perrault

mulher quem dava as ordens 

na casa. Depois que terminava 

seu trabalho, Cinderela se me-

tia num canto junto à lareira e 

se sentava no meio das cinzas. 

Por isso, todos passaram a cha-

má-la Gata Borralheira. Mas a 

caçula das irmãs, que não era 

tão estúpida quanto a mais ve-

lha, começou a chamá-la Cin-

derela. No entanto, apesar das 

roupas suntuosas que as filhas 

da madrasta usavam, Cinderela, 

com seus trapinhos, parecia mil 

vezes mais bonita que elas.

Ora, um dia o filho do rei deu um baile e convidou to-

dos os figurões do reino – nossas duas senhoritas estavam 

entre os convidados, pois desfrutavam de certo prestígio. 

Elas ficaram entusiasmadas e ocupadíssimas, escolhendo 

as roupas e os penteados que lhes cairiam melhor. Mais um 

sofrimento para Cinderela, pois era ela que tinha de passar 

a roupa branca das irmãs e engomar seus babados. O dia 

inteiro as duas só falavam do que iriam vestir.

“Acho que vou usar meu vestido de veludo vermelho com 

minha renda inglesa”, disse a mais velha.

George Cruikshank, 1854



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Cinderela ou O sapatinho de vidro

“Só tenho minha saia de todo 

dia para vestir, mas, em com-

pensação, vou usar meu mantô 

com flores douradas e meu bro-

che de diamantes, que não é de 

se jogar fora.”

Mandaram chamar o melhor 

cabeleireiro das redondezas, para 

levantar-lhes os cabelos em duas 

torres de caracóis, e man daram 

comprar moscas do me lhor fa-

bricante. Chamaram Cinderela 

para pedir sua opinião, pois sa - 

biam que tinha bom gosto. Cinderela deu os melhores 

conselhos possíveis e até se ofereceu para penteá-las. Elas 

aceitaram na hora. Enquanto eram penteadas, lhe pergun-

tavam: “Cinderela, você gostaria de ir ao baile?”

“Pobre de mim! As senhoritas estão zombando. Isso não 

é coisa que convenha.”

“Tem razão, todo mundo riria um bocado se visse uma 

Gata Borralheira indo ao baile.”

Qualquer outra pessoa teria estragado seus penteados, 

mas Cinderela era boa e penteou-as com perfeição. As 

irmãs ficaram quase dois dias sem comer, tal era seu al-

voroço. Arrebentaram mais de uma dúzia de corpetes de 

Harry Clarke, 1922



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