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partiu há alguns meses em um voo espetacular nas asas de um anjo e me



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partiu há alguns meses em um voo espetacular nas asas de um anjo e me 
vejo aqui com muita inveja da vida daquelas pessoas da obra de, arte que 
não envelhecem, não cansam e nem choram a ausência de ninguém e eles 
têm o privilégio de viverem eternamente.
Eu aqui barbado e cansado, na parede está  Luiz, o mesmo menino 
que em seu olhar carrega ainda uma sede inexplicável pelo conhecimento. 
A tela está velha. Vou vender a casa pelo fato de ser muito antiga e vou 
comprar um apartamento compacto e lá não há espaço para Luiz. A 
Senhora Gorda e o Homem Feioso. Passo a mão pelo quadro acariciando 
aquela família que me ajudou mesmo que em sonho ser menino de 
verdade.
A campainha tocou, atendi, eram os novos moradores da casa.
O homem me cumprimentou e logo puxou conversa:
-A casa é excelente, porém precisa de uma boa reforma.
E comentei:
E ela tem para mim um valor afetivo incalculável.
- Aqui nasci e convivi com minha família, embora pequena, está em 
mim como uma tatuagem.
Minha irmã quer vender, ela acha que aqui tem recordações que nos 
machucam. A mulher fez uma vistoria com o olhar exigente e dirigiu-se a 
mim:
- Este quadro pode jogar no lixo?
Pensei em dizer mil coisas, mas, respondi:
- Não tenho como levá-lo.
Ela disse:
- Lamento! Mas, não combina com a minha decoração.
Neste dia, me despedi com lágrimas, porém, convicto de que tudo 
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não passava de fantasias infantis que eu tinha alimentado por toda a minha 
vida. Senti vontade de falar com alguém, liguei para Marina e  fomos 
almoçar juntos, fazia tempo que eu não via minha irmã, minha única irmã, 
para ela pude revelar toda minha saudade de nossa mãe, da nossa casa, tive 
necessidade de chorar e  chorei para ela.
Ela aconselhou-me lembrar de coisas boas, quem sabe casar e formar 
uma família com muitos meninos, porquê nossa família será extinta por 
falta de voluntárias. Rimos demais desta expressão.
Disse a ela:
- Má, eu queria muito voltar a ser criança somente para passar mais 
tempo com você.
- Desta vez eu juro não brigaria com você.
Falei do quadro que mamãe gostava tanto e ela  não me respondeu:
- Jogue no lixo, já está tão fora de moda.
Acatei insatisfeito. Não há mais lugar para armazenar meus sonhos  nem 
minhas aventuras, Despedimo-nos calorosamente.
Ela saiu do restaurante e ainda fiquei um bom tempo olhando para 
aquela menina que se tornara uma mulher tão determinada e feliz.
Paguei a conta e saí caminhando em passos largos em busca de vida nova.
Fim
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Voltei para casa, pois ainda não havia fechado a venda.
O  telefone tocou:
-Zeca?
Era a voz de Marina.
-Fiquei triste, depois que saí do almoço;
Respondi docemente:
- Não se preocupe. Está tudo bem.
Ela continuou:
- Sobre o quadro. Sei que ele significa muito para você, tive uma 
ideia.
- Vou ficar com ele.
- Posso guardar para você, quem sabe não arranjas depois um 
apartamento maior e o leva.
- O que você acha?
Falei com alegria;
- Claro, se não houver incômodo, passo aí pra lhe entregar.
Esbocei gratidão:
- É muito importante mesmo. Este quadro é o mais fiel retrato da 
minha infância. E Mais uma vez, nos despedimos. Marina deve ter chegado 
à conclusão de que nossa família se resume em nós dois, quando desliguei o 
telefone percebi uma frieza no quarto e, de repente, uma rosa amarela 
aparece sobre a mesa.
Pensei imediatamente:
- Minha mãe amava rosas amarelas.
Corri para guardar. Coloquei em um vaso com água e ela durou muitos dias, 
acredito que minha mãe não queria que eu me desfizesse do quadro e 
mandou esta rosa como sinal de sua alegria.
Beijei a rosa e fiquei feliz por minha mãe ter ido embora, porém, 
continua cuidando de  nós.
XII
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Fui ao quadro sorrindo e disse:
- Ei, amigos, não vão se livrar de mim nunca.
Esta noite foi a mais tranquila de toda minha vida.
Fim
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Sobre a mesa da cozinha, aquela mesa comprida de quatro pernas, seis 
cadeiras envelhecidas, uma toalha longa e muito colorida, havia uma garrafa 
térmica  que  mamãe  mantinha  o  café  constantemente    quentinho,  uma 
bandeja  de  xícaras  marrons  e  um  suporte  para  o  pão,  este  era  o  cenário 
cotidiano do nosso amanhecer. Tinha também um objeto misterioso, hoje sei 
que era a bolsa da minha mãe.
Meu pai um homem austero, trabalhador e dinâmico fazia de minha 
mãe administradora da casa. Incluindo as finanças e esta responsabilidade 
sempre lhe impedia de trabalhar fora, ela não encontrava tempo para mais 
nada.
Dona  Clô  era  assim:  tudo  muito,  muito  alta,  olhos  muito  grandes  e 
verdes, passos muito largos, tinha muito amor e cuidado pela família, muito 
obediente ao meu pai e muito temente a Deus e tinha muita fé.
Nós éramos quatro crianças levadas, todo dia além da escola, tínhamos os 
ensinamentos  de  Dona  Clô,  eu  já  com  dez  anos,  Felipe  com  oito  anos, 
Angélica com sete e Davi era o bebê mais querido e lindo do mundo, por onde 
andávamos as pessoas só tinham olhos 
OS MISTÉRIOS DA BOLSA 
DA MAMÃE
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para ele:
- Que lindo bebê!
Outro acolá:
- Clô, que bebê amado!
Fora os que saiam o abençoando em voz bem alta pela rua, como se 
Deus fosse surdo. A casa em silêncio já pronta para dormir, ouvi meu pai com 
voz alterada:
- Clô,  traga-me o recibo do pagamento da água, a companhia me ligou 
dizendo que no sistema deles a nossa água está em atraso.
Mamãe  com  certeza  olhou  para  ele  com  suas  esmeraldas  grandes  e 
brilhantes:
- o que?
- Está duvidando de mim?
Meu pai:
-  Jamais,  apenas  quero  levar  até  a  Companhia  da  água  para  tirar  a 
dúvida. Ouvi os chinelos de minha mãe em passos largos e ferozes. Saí do 
quarto  e  coloquei  a  cabeça  no  canto  da  escada  onde  eu  podia  avistar  a 
cozinha.  Vi  mamãe    freneticamente  mexendo  em  alguma  coisa  profunda, 
onde ela retirava muita coisa que eu   não podia identificar, a luz baixa não 
ajudava. Tirou de lá muitos abjetos e ainda pude vê um espelhinho redondo e 
um pente.
De repente ouvi seu grito;
- Achei! Sabia que jamais me enganaria.
E meu pai desceu as escadas com muita rapidez:
-O que houve?
-O papel está aqui.
Papai, aliviado, fez uma revelação depois de ver tanta coisa sobre a mesa.
- Meu Deus! Isto parece um caldeirão!
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Ai
 
que susto  tomei! Do que estariam falando, será que é de bruxaria?
- A que caldeirão se referia?
- Será que mamãe...
- Não! Minha mãe não tinha jeito de bruxa.
Apagaram as luzes e o silêncio voltou a reinar na casa, mas na minha 
cabeça muitas dúvidas, meu coração palpitava tão rápido e tão alto que tive 
medo de acordar os pequenos. De repente, a maçaneta da porta vira e tomei 
mais um susto.   Era a mão de minha mãe nos cobrindo e se curvando para 
aquele beijo de sempre. Ela sai em passos lentos.
Pensei:
-  Como  uma    pessoa  tão  dedicada  e  amável  poderia  guardar  um 
segredo tão cabeludo desse?
Amanheceu  o  dia  descemos  as  escadas  preparados  para  ir  à  escola, 
minha  mãe  já  com  a  mesa  pronta,  mas  meu  olhar  agoniado  procurava  o 
caldeirão que meu pai falou, sem  encontrar, saí preocupado e pensei:
 -Quando eu voltar  investigarei por toda a casa, ninguém esconde uma 
coisa assim por  muito tempo.
Outro pensamento invade as minhas ideias:
- Invisível!
-É invisível!
Continuei pensando no caminho:
-Deve haver uma senha para desvendar o mistério do caldeirão.
-Mas qual?
- Como descobrir?
Resolvi então ficar mais atento às atitudes de papai e mamãe. Na aula fiquei 
desatento.  Dona  Dinda  chamou-me  atenção  várias  vezes  e  finalmente 
dirigiu-se a mim com autoridade:
- Gustavo ,o que está acontecendo?
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-Parece está no mundo da lua!
-Aterrisse!
Respondi:
- Tudo bem professora, estou um pouco indisposto.
Felipe chegou à porta da minha sala e me chamou para ir embora. Tocou  a 
sineta e saímos juntos.
No caminho ele mostrou-me um livro que havia ganho em um sorteio.
- Olha, Gugu, ganhei este livro.
Tomei o livro e li o título:
- Ali Babá!
Pensei:
- É uma mensagem, pois  Ali usava senha!
- ABRE-TE SÉSAMO!
Prossegui pensando:
- Tem uma senha para encontrar o caldeirão invisível!
Guardei o livro e entramos em casa, a escola era bem perto íamos e 
voltávamos    caminhando.  Entramos  na  cozinha,    mamãe  fazendo  uma 
comidinha quente e cheirosa. Olhou para trás e nos viu.
- Chegaram!
- Que alegria! Papai também já chegou.
-Vamos para o banho, hoje tem manjar de goiaba que vocês adoram!
Pensei mais uma vez: A minha mãe tem um mistério e eu tenho que 
desvendar. Eu e Felipe guardamos a farda, tomamos banho e descemos para o 
almoço, papai já  estava na mesa  e o bebê mais querido do mundo  fazendo 
uma grande bagunça  em sua  cadeirinha. Tudo que estava sobre a mesa fora 
colocado num cantinho, inclusive, a garrafa do café e  a bolsa de minha mãe 
que mais parecia um bichinho de  estimação dela, se alguém por  acaso brinca 
com as grandes fivelas logo escuta:
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- Solte já minha bolsa!
- Não gosto de ninguém mexendo nas minhas coisas.
Os  pratos  foram  servidos  e  todos  em  grande  animação  familiar, 
quando o meu pai  pergunta :
-Clô, onde está a chave da gaveta do cofre do escritório?
Mamãe olhou para ele com a cara de quem diz:
- Vai começar?
Ele conteve-se. Comemos a sobremesa, mas senti o desconforto de mamãe.
E ela começou:
- Olhe aqui, nunca mais quero guardar nada seu, por favor, arranje uma 
caixa para organizar seus pertences, todo dia é a mesma coisa.
- Cadê?
- Onde está?
- Quem viu?
- Parece brincadeira.
Papai não ficou calado:
-Minha  querida,  você  esconde  tudo  que  vê  na  frente,  na  caixa  de 
PANDORA!
-Meu Deus! Exclamei!
- O que é isso!
Não era um caldeirão?
- Onde estou metido?
-Quais riscos corremos nós? Com tanto mistério?
Convidei Felipe e Angélica para subir com o pretexto de ler o livro, mas 
ao chegar no quarto,  fiquei  na  porta  para tentar  observar alguma coisa.  Saí 
rapidamente  e  procurei  o  dicionário  para  me  certificar  melhor  desta 
Pandora, sei que minha mãe não tinha amiga  com este nome, fazia a busca e 
ficava de olho e  nisso, o Felipe  ainda  me  cobrava  insistentemente  que  lhe 
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contasse uma história.
De repente ouço os passos de papai subindo e falando ao mesmo tempo;
- Aquela chavezinha é importante, procure ainda hoje.
- Verifique em seus esconderijos, você que guarda tudo.
Mamãe retruca:
-  Deixa  de  ser  rabugento,  não  tenho  esconderijos  e  nem  caixa  de 
Pandora, não sei nem o que é isso.
Ouvi um barulho vindo da cozinha, como se estivesse se soltado vidros 
e metais. E a sacudida se intensificava mais ainda, então me desesperei:
- Meu Deus, minha mãe deve estar mexendo na caixa daquela mulher 
do nome esquisito!
E, de relance, eu a via pegar em pilhas alcalinas, serrinhas de unhas, 
tesourinha, batom ,toco de vela e um molho de chaves. Bruscamente ela joga 
tudo dentro novamente, não sei de que e fica com as chaves balançando em 
suas mãos. Senta na cadeira da cozinha e começa a desmembrar uma por uma 
do chaveiro.
 E aos gritos:
- Achei!
- Achei!
- Desta vez foi mais fácil.
- Não tenho obrigação de saber de tudo.
Volta a calmaria, desisti do dicionário, nada encontrei sobre esta tal 
Pandora, contei- a. Que  meus  irmãos  tanto  queriam  história  para  os  meus 
irmãos. Vi meu pai sair de volta para o escritório e minha mãe entregar a 
chave que estava em  lugar incerto e voltar para a cozinha, fazer a limpeza e 
preparar o lanche da tarde e,  finalmente, ajudar em nossas tarefas escolares.
Fiquei, de todo modo, muito, muito estranho, observando cada passo 
de Dona Clô, ela  desconfiou:
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- Quer me dizer por que está me seguindo com o olhar?
Respondi desconfiado:
- Não há nada,  mamãe.
Ela continuou:
- Só o que me faltava.
- Basta seu pai querendo que eu tome conta de tudo nesta casa.
- Sabe filhos, tem horas que me sinto pressionada, é muita cobrança, 
somente para uma pessoa, mãe também   cansa. Tentei confortá-la cheio de 
reservas:
-Não ligue mamãe, a Senhora precisa confiar em nós. Quando guardar 
alguma coisa   agora,  vamos  lhe  ajudar,    para,  se,  por  acaso,  a  Senhora 
esquecer, vamos logo descobrir. Irritou-se com minha proposta:
- Que história é essa! Está igualzinho ao seu pai, que acha que estou 
ficando esquecida?      
-Muito obrigado, dou conta da casa sozinha. E complementou:
- Vamos acabar com a conversa e dever de casa.
Olhava ao redor de casa, da cozinha, olhava pra despensa e não dava 
notícia nem de  caldeirão  de caixa. A noite chegou sentamos à mesa para o 
jantar. Contemplava aquela mulher de olhos verdes, tão bonita e ao mesmo 
tempo lhe faltando um sorriso no rosto para complementar a sua beleza tão 
singular.  As  mãos  de  minha  mãe  eram  lindas  e  delicadas,  as  unhas  bem 
aparadas e brilhantes, ela começava a se preparar para receber meu pai que, 
muitas  vezes,  nem  observava  seu    capricho.  Não  entendia  como  aquela 
mulher preciosa poderia ter tanto mistério. O dia amanheceu diferente, era o 
aniversário de Dona Clô e ela anunciou a todos:
- Hoje é festa, vou trabalhar muito, mas vou celebrar o meu dia com 
vocês.
Olhou para papai e falou com o dedo indicador em sua direção:
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- Você está proibido de pedir alguma? Para eu procurar hoje.
Papai sorriu:
- pode deixar, hoje você está ‘dispensada de  mexer  naquela caixinha 
de mistério. E saiu sorrindo de sua provocação. 
E eu mais um dia de terror e investigação. Agora eu tinha certeza, a caixa de 
Pandora estava em nossa casa e  corríamos perigo.
Pensei:
-Hoje vou pedir socorro à Dona Dina, Professora deve saber de tudo 
nesta vida, quando eu lhe contar que em nossa casa tem bruxaria, ela vai 
intervir  em  nosso  favor.  Entrei  às  pressas,  fui  rapidamente  à  busca  da 
professora  e,  na  sala,  procurei  com  o  olhar,    não  consegui  vê-la.  Então, 
perguntei ao professor do quinto ano:
- Onde está Dona Dinda?
O professor olhou-me com cara feia:
-Bom  dia  para  você  também!  Não  lhe  ensinaram  cumprimentar  as 
pessoas?
Baixei a cabeça:
- Perdoe-me!  É que preciso ver  Dona Dinda.
Retruca o professor:
- E isso lhe impede de ser  educado?
Respondi em voz baixa:
- Não,  senhor.
Quando tocou a sineta, esperei por ela na porta.  Os alunos em algazarra:
-Graças a Deus Dona Dinda não  vem!
Outro berrava:
- Vamos embora mais cedo, não teremos aula!
E os demais:
- Eeeeeeeeeeeeeeeeeeêbaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!
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O supervisor de disciplina entrou na sala e todo mundo ficou quieto para 
ouvir  o  que    faríamos    na  falta  de  Dona  Dinda:  O  homem  de  fala  bem 
compassada disse:
- Hoje a professora   Dinda não vai comparecer, está resolvendo um 
problema  pessoal  e  nós  vamos  ter  aula  com  a  Dona  Zulmira,  ela  já  está 
chegando e nada de bagunça.
Pensei:
- Hoje é o dia de minha mãe e não o meu.
Voltei meu pensamento para a minha casa, tentei ficar feliz por minha mãe.
No meu sonho acordado eu via Dona Clô. Minha mãe parecia ter mil pernas e 
mil braços, tudo ela fazia com muita bravura.
Hoje então, que é festa, ela faria assim:
- Meninos, vamos nos levantar!
-O leite já está  quentinho, o pão com manteiga derretida do jeito que 
todos gostam.
- Estendam a toalha no varal, Felipe, amarre o sapato!
-Gugu, tome conta do seu irmão, cuidado ao atravessar à rua.
Dirigia-se ao papai:
-  Querido,  esta  camisa  está  amarrotada,  tira  rápido,  quero  passar  o 
ferro quentinho.
E ela continuava o discurso;
- Escovem os dentes e tragam para eu ver o sorriso de cada um.
-Meu Deus, a panela de pressão!
E papai interfere:
-Já no fogo uma hora dessas!
Mamãe responde;
- Preparar os quitutes para logo mais.
Felipe eufórico:
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-Tem brigadeiro ,mamãe?
Ela, com carinho, e voz doce;
 - Claro, meu bem, não é festa de criança, mas virão todos os primos.
-Vamos lá acompanhe papai.
Angélica pula nos braços de papai. Papai sussurra em seu ouvido:
- Vamos comprar presente para a mamãe?
E ela responde:
- É segredo!
Ao sairmos, com certeza, ela continuou elétrica:
- Vou jogar toda a roupa na máquina e sair correndo para o mercado 
comprar frutas e  verduras para as saladas. A vizinha grita:
 -Clô ! Parabéns!
- Já vai às compras?
Mamãe, com certeza, responde caminhando em seus passos largos;
- Estou   com pressa, minha família virá todinha e à noite, quero está 
descansada e bela. E a vizinha bondosa:
- Traga o  bebê  para que eu cuide e assim ficará mais folgada.
Mamãe diz agradecida:
- Obrigada!
- Volto logo, pode levar.
- À noite,  te espero.
E meu sonho acaba e estou de novo querendo saber dos mistérios de mamãe.
Dona Zulmira entra tão amável;
-Bom dia!
E a sala em coro;
-Bom dia, Dona Zulmiraaaaaaaaaaaaaaaaa!
Ela continua:
- Quero fazer com vocês a hora do conto.
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Fabiana, a menina mais popular da sala, indaga:
- Como é esse conto?
Dona Zulmira responde:
- O conto é uma história interessante, tem um enredo curioso, poucos 
personagens  e  eles  conversam  muito  entre  si,  estão  sempre  dialogando. 
Levantei a mão, anunciando que gostaria de falar.
Dona Zum logo me deu a vez:
- Vamos ouvir aqui o Gustavo.
Comecei:
- Eu sei que a Senhora sabe um montão de história, mas hoje eu queria 
dá uma ideia. Ela me olhando com firmeza:
- Pronto! Vamos saber qual a sua sugestão.
Continuei com olhar de pavor:
- A Senhora já ouviu falar na caixa de Pandora?
Dona Zul ficou atarantada e a sala toda em um silêncio  fúnebre. Pensei:
- Meu Deus! Neste momento sei, morri 48 vezes.
Continuei pensando com muita rapidez:
- A professora vai chamar meus pais e aí sim, estou perdido, eles vão 
descobrir que já sei de seus segredos.
- O que vou fazer?
Neste  momento  eu  desejei  ser  uma  pulga  pra  sair  pulando  e 
desaparecer no ar.  Que nada, Dona Zulmira saiu da sala, com certeza buscar 
reforço  para  retirar  da  aula  este  menino    cretino,  e  já  ouvia  a  segurança 
entrando na sala, olhando um por um e apontando  o  dedo  para  mim.  De 
repente, despertei dos pensamentos por uma vez:
- Acorda, garoto!
- Olha aqui a ideia que você teve.
- Veja o livro.
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Era a voz de dona Zulmira que adentrava em meus ouvidos. Exclamei:
- Existe mesmo a história desta tal Pandora.
Todos os olhares ficaram focados em Dona Zul que logo iniciou como se 
soubesse da minha angústia:
- Tenho aqui uma história curiosa para contar!
-Vamos silenciar.
- Procurem um lugarzinho confortável
-Ah! Esta historinha vocês vão adorar.
Dona Zul mostrou uma caixa toda enfeitada, acredito que para prender nossa 
atenção.
- Vejam! Esta caixa é o nome da história
Quanto mistério há nela. Mas não tenham medo: É a Caixa de Pandora. E 
assim ela começou a fascinante narrativa:
- A Caixa de Pandora é um mito grego no qual a existência da mulher e 
dos vários males do mundo são explicados . Tudo começa quando Zeus, o 
deus de todos os deuses ,uma mão se ergue pedindo para falar:
-  Dona  Zul,  que  história  esquisita,  Deus  não  é  somente  um  que 
aprendemos a amar?
Dona Zul retruca: Ora, ora isso lá é verdade, é só história, é lenda. Mas vamos 
continuar:
-  Então  Zeus  começou  arquitetar  um  plano  para  se  voltar  contra  a 
ousadia de outro deus   chamado   Prometeu, que entregara aos homens a 
capacidade de controlar o fogo. Por esta razão Zeus decide criar uma mulher 
cheia de atributos oferecidos pelos deuses  e a, oferece a Epimeteu, irmão de 
Prometeu. Levantei a mão e dona Zul parou:
- Eu quero saber o que prometeu prometia aos deuses.
Todos caíram numa grande rizada:
Dona Zul pediu silêncio e explicou:
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- Nada, nada prometia, Prometeu era apenas o nome de um dos deuses 
da Grécia.
- Vamos continuar?
E todos concordaram:
- Vamos, dona Zul!
- Está muito divertido.
Dona Zul continua:
-Antes disso Prometeu recusou a jovem Pandora de Zeus, temendo que 
ela  fizesse  parte    de  algum  plano  de  vingança  da  divindade  roubada.  Ao 
aceitar Pandora, Epimeteu também  ganhou  uma  caixa  onde  estavam 
escondidos  vários  males  físicos  e  espirituais    que  poderiam  acontecer  no 
mundo.
-Desconhecedor do conteúdo foi somente alertado de que aquela caixa 
não poderia ser aberta de maneira nenhuma. Com isso o artefato era mantido 
em segurança no fundo de sua morada, cercado por duas gralhas barulhentas. 
A sala toda em silêncio e de olhos bem arregalados! Quebrei o silêncio e 
perguntei:
- Dona Zulmira , ainda falta muito?
Ela respondeu:
- Paciência é a ciência da paz, vamos continuar ou querem deixar o 
restante para  depois? A Sala grita em coro:
- Continua, dona Zul!!!!!!!!!!!!!!
Ela continuou a narrativa:
-Aproveitando-se  de  sua  beleza,  Pandora  convenceu  o  marido  a  se 
livrar das gralhas que   lhe causavam espanto.   Após atender ao pedido da 
esposa, Epimeteu caiu em um sono profundo.
-Neste momento não suportando a sua própria curiosidade, Pandora 
abriu a caixa proibida  para  espiar  seu  conteúdo.  Naquele  momento,  ela 
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acabou  libertando  várias  doenças  e  sentimentos  que  atormentavam  a 
existência do homem no mundo. Zeus assim concluía seu plano de vingança 
contra Prometeu. Fabiana, a menina de cabelos negros, olhos amendoados e 
dentes  brilhantes  que  lhe    permitia  abrir  um  sorriso  de  causar  inveja, 
levantou o braço:
- Dona Zul,  falta muito?
Dona Zulmira delicadamente:
- Falta pouco, Fabiana.
E dirigiu-se à classe:
- Vamos concluir?
- Pois muito bem, Pandora ficou muito desesperada, pois, reconheceu 
o erro que cometeu, abrindo a caixa e apressou-se em fechá-la novamente, 
com isso ela conseguiu  preservar o único dom positivo que fora depositado.
 E dona Zul perguntou:
-Quem quer saber qual?
E em coro:
- Fala, fala. Fala...
E dona Zul sorria da curiosidade da meninada.
- Vocês estão bisbilhoteiros iguaizinhos a Pandora.
- Vamos continuar?
-Sabem qual era o bem precioso que ficou na caixa?
- É uma coisa que todos devemos ter e jamais devemos perder.  E tem 
mais, na vida, ela  é a última que morre.
-Quem disser vai ganhar um doce.
E Fabiana responde com muita alegria:
 - ESPERANÇA!!!!!!!!!!!!!
Dona Zul empolgada:
- Muito bem!!!!!!!!!!!!!!
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Dona Zulmira continuou: A caixa de Pandora e seus segredos servem para 
que o homem seja perseverante, mesmo   quando as situações se mostrem 
difíceis de resolver.
 - Pronto! Agora, Gustavo, você já conhece os segredos da caixa de 
Pandora.
A sineta tocou indicando fim da aula. É hora de voltar para casa. Tomei meus 
irmãos pela mão e saimos caminhando na calçada. Quando entramos pelo 
portão, já percebemos a casa toda limpinha e um jarro de flores  na porta.
Angélica gritou:
- Mamãe, que casa linda!
Dona  Clô  estava,  como  sempre,  na  cozinha  e  pelo  cheirinho  era  comida 
gostosa e ela não  poupou advertências:
- Não tirem nada do lugar, guardem suas roupas e material escolar no 
lugar de sempre.
- Tomem banho e venham almoçar.
Já na mesa, papai entra com uma grande caixa enrolada em papel de 
presentes e foi logo  prevenindo:
 - O presente da mamãe só será entregue à noite na presença de todos, 
mas já podemos   tentar adivinhar do   que se trata. Imaginei uma caixa de 
segredos, mais uma vez eu não vou aguentar. Papai continuou a brincadeira:
-Dentro deste presente cabe o mundo das miudezas.
- E ainda cabe maquiagens, notas de compras, cabe várias chupetas do 
bebê  aquelas    mais  antigas  que  o  tempo  já  desgastou,  assim  como  velhas 
fotografias.
Perguntei:
- Papai, pode caber sentimentos e coisas do mal?
Mamãe interfere:
- Que pergunta, Gustavo!
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Retruquei: 
- Mamãe, desculpe, papai disse que cabe o mundo, então, o mundo tem 
coisas boas e  ruins. Papai me socorre:
- Meu filho, quando eu digo que cabe o mundo, é força de expressão, à 
noite desvendaremos todos os segredos desta caixa. E papai sobe as escadas 
dando uma de suas imperdíveis risadas.
Fiquei  ainda  mais  intrigado,  pois,  nesta  noite  mamãe  será 
desmascarada diante de todo mundo. Na minha imaginação papai estava se 
comportando como Zeus que queria vingança e  logo chega com esta caixa:
- Pobre mamãe, sua festa será sua maior decepção, devo preveni-la, 
mas ela não vai   acreditar em mim. Anoiteceu, os convidados eram nossos 
vizinhos e pessoas de família, iam chegando e entregando seus presentes, a 
alegria de minha mãe não tinha preço. Agradecia beijando cada pessoa:
- Obrigada, não precisava se preocupar, o importante é a presença.
Minha  avó  trouxe  para  minha  mãe  um  lindo  aparelho  de  jantar. Mamãe 
abraçou a vovó e disse:
- Só a senhora pra descobrir meus desejos e meus segredos.
Quando ouvi isto fiquei aterrorizado:
- Vovó também sabe de tudo! É uma quadrilha.
As  crianças  brincavam  e  corriam  pelo  jardim,  minhas  tias 
conversavam  animadas,  meu  pai  e  meus  tios  tomavam  drinques  e  as 
vizinham  serviam  os  doces  e  salgados.  Eu  num  canto  observando  o  que 
estava para acontecer na festa, que mamãe preparou  para o seu aniversário, 
já não tinha mais dúvidas, caldeirão de bruxa não era, e ,sim, uma caixa onde 
mamãe  mantinha seus segredos.
Vi quando meu pai olhou no seu relógio de pulso e disse :
- Atenção! amigos e família! Venham todos para a mesa, vamos agora 
saborear esta torta  de morando que a Clô fez com tanto capricho  em volta 
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dela, cantaremos os parabéns  em seguida o jantar.
 Mamãe mostrou-se feliz com a iniciativa do meu pai, pois todas as 
festas ela sempre   tomava a frente de tudo e hoje ele foi muito amoroso. 
Pensei:
- A que hora será a grande revelação?
 Eu não estou vendo o presente. Terminado os parabéns, papai disse:
- Senhores, quero apenas mais um minuto da atenção de vocês.
Pediu que mamãe chegasse para perto dele e continuou:
- Minha querida, vou lhe entregar agora o seu presente, é uma coisa que 
você precisa muito e que nela mantém parte da sua vida, muitas vezes na 
brincadeira que coloquei  vários apelidos . Neste objeto que você tanto presa 
e mantém sempre ao alcance de seus olhos, é algo que cabe tudo, parece ter 
mistérios  dentro,  que  você  não  quer  revelar,  mas  poucos  nós  vamos 
descobrindo,  já  disse  que  você  possui  um  caldeirão  profundo,  também  já 
comparei este objeto de caixa de Pandora, você se irritou, porém tudo é uma 
maneira de lhe dizer que sou muito feliz pela dona de casa organizada que 
você  é,  e  que  lhe  peço  tudo  porque  você  tem  uma  grande  capacidade  de 
organização, e como este objeto já está muito desgastado de tanto ser usado, 
resolvi    lhe  presentear  com  outro  muito  mais  bonito  e  novo.  Eu  já  não 
entendia mais nada.
-Quer dizer que tudo não passava de uma piada?
- E o meu desespero em descobrir os mistérios de minha mãe?
-Meu Deus, aonde meu pai quer chegar?
Com voz carinhosa chamou Angélica:
- Vá à cozinha e traga de lá o objeto proibido que está em cima da mesa. 
Fiquei ligado e tenso.
Quando minha irmã apareceu na porta da sala, com a bolsa de minha mãe.
Gritei:
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- Que horror! A bolsa de minha mãe!
- Isso mesmo, tudo que meu pai precisava estava nela.
Continuei avaliando:
- Ah! No dia em que faltou energia havia um toco de vela e uma caixa de 
fósforos, para  cortar nossas unhas era dela que saía a tesourinha e no dia do 
vinho, que ninguém sabia onde havia sido perdida a rolha, depois de muito 
tempo, mamãe disse que não sabia como isso tinha ido parar em sua bolsa.
Papai fez a entrega do presente, uma linda e grande bolsa a tiracolo 
com vários zíperes e  uns bolsinhos menores. Dona Clô abraçou papai como 
nunca eu tinha visto antes. Ela pegou a bolsa velha e disse:
-Agora vou lhe dá um descanso.
Todos caíram numa maravilhosa risada. Eu, aliviado  me sentindo um 
perfeito idiota.  Que  de  esperto  não  tinha  nada.  Meus  pais  são  bem  mais 
espertos  do  que  eu,  conseguiram  me  enganar  de  verdade.  Os  convidados 
foram saindo até que ficamos sozinhos. Papai pediu que mamãe contratasse 
uma diarista para a faxina da casa. Para que ela não se cansasse tanto, pois o 
dia fora muito puxado.
Com seu jeitinho, nos conduziu para o quarto e nos colocou na cama, 
nos cobriu com  cobertores quentinhos. Neste dia eu percebi que meus pais 
se amavam muito e que tudo o que ouvíamos não  passava de coisas de casal. 
Passei horas deitado e pensando nas minhas dúvidas de menino. Ouvi um 
barulho  na  cozinha  e  me  levantei  apressadamente.  Comecei  a  ouvir  os 
mesmos  sons  de  quando  meu  pai  dizia  que  minha  mãe  parecia  ter    um 
caldeirão. Pensei:
- Não deve ser nada importante, apenas a minha mãe trocando seus 
tesouros para a bolsa nova.
De repente os passos dos chinelos em direção ao quarto do casal. 
E as luzes foram desligadas. 
E amanhã será um novo dia.
Fim
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Acordei cedo.
Saí rumo ao trabalho.
Morava  na periferia.
A escola era no centro da cidade.
Já um pouco atrasada para tomar uma condução.
Os transportes, pela manhã, estavam sempre muito lotados.
Não há outro jeito, esperar até dar certo e chegar de qualquer modo.
Olhei  a fila  na  parada e não visualizei o final dela.
Isso me causou desconforto, quase desespero.
De repente, um carro parou lá  à  frente e buzinou.
Não consegui reconhecer nem a   marca   nem quem o conduzia, mas 
corri  em  busca  desta  tábua  de  salvação.  A  porta  se  abriu,  no  interior  do 
veículo, duas mulheres, uma no volante e a outra  no banco traseiro.
Ocupei o  banco do carona, eu nem mesmo sei porquê, porém deixei as 
coisas    acontecerem.  Não  houve  cumprimentos  e  nos  mantivemos  sem 
qualquer palavra. O carro saiu e com ele uma grande  aventura. A motorista, 
de olho na via, foi dando velocidade ao carro. Tudo a nossa frente passou a ser 
PESADELO
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pura ilusão.
Os prédios assemelhavam-se aos raios de tão velozes que passavam por 
nós.  As  pessoas  eram  somente  vultos.  Nada  mais  era  colorido,  não  dava 
tempo identificar as cores. Vi velocidade maior ou igual aquela, somente na 
fórmula um. Foi uma longa viagem, parecia que as estradas eram infinitas.
Nada se ouvia, nada se falava e nada se sentia. Quando o normal para aquela 
aventura seria haver uma sensação de medo e  pavor.
Com  o  passar  do  tempo,  sem  calcular  nada,  comecei  aos  poucos  a 
reconhecer  e  me  aclimatar  ao  ambiente,  sentia  que  já  havia  passado  por 
aquele  lugar.  Numa  fração  de  segundos  aconteceu  um  despertar  para  a 
realidade. Perdida em meus pensamentos, sussurrei:
- A Praça da Bandeira!
Olhei   a moça do volante   pedi que ela parasse ali mesmo na Faculdade de 
Direito. Ela aproveitou o sinal,  a porta se abriu. Desci. Lembro que agradeci e 
continuei sem nenhuma resposta. Parada ao lado do carro, agradeci mais uma 
vêz. E o carro deu partida e, gritei:
- Muito obrigada!!!!!
Ainda posso ouvir o meu brado de gratidão ao vento! Neste  intervalo, 
saí  andando  e  olhando  para  trás,  já  não  conseguia  mais  ver  o    carro.
Inesperadamente  colidi  com    um  prédio  na  esquina  da  Rua  Domingos 
Olímpio com  a General Sampaio.
Não me recordo se antes este edifício existia naquele lugar. Olhei pra 
cima, com espanto, e pude fazer a conjetura. Exclamei:
- Aqui deve ter uns cinquenta andares.
Eu, aquela altura dos acontecimentos, e com o trânsito sem dá trégua, 
resolvi enfrentar mais este desafio. A escada ficava ao lado. Toda trabalhada 
em mármore, era uma linda e longa escada. Recordo-me, bem, que o edifício 
a que me refiro, fazia correspondência com os  fundos da escola em que eu 
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trabalhava.
 Comecei a escalada sem tomar fôlego. Degrau por degrau, ainda ouço 
,com muita nitidez, o som do meu sapato a cada  passo.
- toc,toc,toc,toc,toc...
Depois de muito tempo sem ter como mensurar o quanto,  consegui chegar 
ao   último andar. Pela janela pude contemplar a beleza da capital de vários 
ângulos. Consegui avistar o azul do mar e, por que não, a sua perfeita divisão 
entre azul do  céu e verde esmeralda. Retomei o ânimo, e percebi que havia 
em cada andar um sacada espaçosa que eu   poderia ir subindo e descendo 
entre um pulo e outro em pouco tempo estaria em  baixo.
Passei pela janela, coloquei os dois pés na laje e me apoiei numa coluna 
de concreto  de tamanha espessura que não conseguia abraçá-la e ficar mais 
segura. O susto maior mesmo foi quando reconheci que meus pés estavam 
totalmente   desprotegidos  e,  de  onde  eu  estava,  não  havia  passagem  para 
lugar  nenhum,  simplesmente,  direto  para  o  asfalto  que  estava  a  vários 
quilômetros  de  distância  iria.  Fiquei  numa  situação  de  não  poder  mover 
nenhum músculo. Respirar passou a ser o meu maior desafio.
Comecei a imaginar:
- O que vai ser de mim?
- Meus pés estão ficando cansados.
-  Meus  braços  já  estão  dando  sinal  de  que  querem  escorregar  pela 
coluna.
Olhei para baixo com todo pavor. Via carros. Via pessoas de um só 
tamanho.  Eu  não  conseguia  identificar,  se  crianças  ou  adultos.  Ninguém 
olhava para cima. Nascia, a cada segundo em mim a esperança de que alguém 
olhasse para o céu e visse  meu desespero. Comecei a sentir o suor nas mãos, 
que, com certeza, iria ajudar e, muito, a cair de uma vêz   e me espatifar no 
chão.  
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Meus pés já davam sinais de dormência, quase não os sentia mais. Meu 
coração, ah meu coração! Já começava a dar aquela taquicardia que tem tudo 
a ver com pavor. Meus pensamentos eram só sintonia com Deus, depois da 
queda no chão, com certeza,  eu iria direto subir para o  céu. De uma altura 
dessas,  o  céu,  com  certeza,  me  esperava,  os  anjos  já  com  as  trombetas   
afinadas me esperando e os santos arrumando o quarto de hóspede.  P a r o u  
um carro dos bombeiros em frente ao prédio e logo pensei, pois pensar era   
tudo o que me restava: 
- Alguém me descobriu aqui.
- Graças a Deus!
-  Se  eles  forem  rápidos,  armarem  logo  a  tela  de  proteção  que 
amortizará a minha  esperada queda, vai dar tudo certo.
A coluna insistia em se soltar de mim. Meus pés, eu já os sentia com a 
metade  fora  da  estreita  laje.  Com  tudo  isso  eu  ainda  estava  cheia  de 
esperanças.  Passados  preciosos  minutinhos,  o  carro  dos  bombeiros  não 
tomava nenhuma  atitude de salvamento. Decidi gritar:
- Socorro!
-Socorro!
Fui
 
alterando a voz e gritando cada vêz mais alto, tão alto, mais tão alto que fui 
perdendo as forças, mas não parava de gritar.  Neste desespero acordei, ainda 
fiquei com os olhos cerrados por alguns minutos buscando encontrar o que 
havia  acontecido.  Abri os olhos bem devagar. Por algum tempo exercitei as 
mãos e os pés, conferi que estava inteira.
Conclui:
-Meu Deus! Que tremendo pesadelo!
Fim
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NATAL
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O   ano inteirinho passávamos contando os dias para   a chegada do 
natal, sempre na doce ilusão de que ele seria diferente dos anteriores, pois, a 
cada ano, no amanhecer do dia 25 de dezembro, minha mãe preparava a mesa 
para o café com bolo mole que ela havia preparado no dia anterior. 
Ela sentava à mesa conosco e começava seu lindo e sereno discurso 
ensaiado, até já poderíamos repetir as palavras seguintes de sua fala. 
Olhava-nos uma a uma, acredito que conduzida por um sentimento de culpa 
de não poder cumprir suas promessas e começava: 
-  Ontem,  vocês  dormiram  cedo  demais.  Papai  Noel  esteve  aqui  por 
volta da meia-noite, e perguntou onde estavam as minhas sete meninas e eu 
não podia mentir para o bom velhinho que viera de tão longe, para entregar 
os presentes.  Eu, sempre muito sapeca, interferi: 
- Mas os presentes ele, deixou, não foi, mamãe? 
E, mais uma vez, se utiliza da criatividade maternal: 
- Ah! Não! Não deixou, eu ainda insisti, porém ele disse: 
- Presentes somente são entregues pessoalmente, se a criança dormir, 
ela perde tudo.  E com lágrimas nos olhos: 


- Na cartinha que eu mandei, lembrei a ele que o ano passado a culpa de 
não termos recebido os presentes fora dele, pois a Senhora nos falou no dia 
seguinte, que ele havia perdido nosso endereço na pressa em subir no trenó,  
pois  suas  renas  não  esperavam.  Minha  mãe  atarantou-se  diante  da  minha 
réplica: 
- O que posso garantir a cada uma de vocês agora é que no futuro o 
Papai Noel não perderá o endereço da casa dos seus filhos, pois vocês 
vão estudar, se formar e ganhar dinheiro. Aí, sim, o Bom Velhinho virá com 
certeza.   Eu  e  minhas  irmãs  compreendemos  que  o  presente  de  natal 
dependia do nosso empenho e desempenho como filhas, como cristãs e que 
nossos pais não tinham condição para o custeio da viagem do Papai Noel do 
Polo Norte para o Brasil. 
Terminamos  nosso  café  e  saímos  para  brincar,  vez  em  quando, 
percebia o olhar de minha mãe cheio de culpa e vontade de nos revelar a 
verdadeira  identidade  do  entregador  dos  presentes.  Meu  pai  trabalhava 
muito,  nos  víamos  pouco,  quando  ele  chegava,  já  estávamos  dormindo  e 
quando saía, era cedo demais, ele dirigia um carro preto com placa oficial e 
ainda lembro com nitidez do brilho e do barulho suave daquele carro de luxo 
que nos enchia de orgulho. Passado mais um ano de expectativa para a noite 
de natal, conversávamos entre nós: 
- Este ano com certeza não haverá esquecimento, as cartinhas foram 
enviadas  com  tudo  certinho  e  o  contentamento  tomava  posse  do  nosso 
inocente coração. 
Quando  o  carro  preto  reluzente  parou  em  frente  a  nossa  casa,  tão 
simples, meu pai desceu com sua inconfundível pisada firme, com aquele 
sapato engrachado com o capricho da minha mãe. 
- Arrume as crianças, Consinha, (apelido carinhoso que ele dispensava 
a minha mãe). Ela indagou com admiração: 
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- O que é isso, homem de Deus?! 
Ele explanou com sua perfeita dicção: 
- Hoje é o natal da repartição, vou levar as meninas. 
Inacreditável!  O  milagre  do  natal  chegou!  Como  poderíamos  perder  mais 
tempo?  Um banheiro para tanta gente na mesma hora, o banho foi o mais 
rápido de toda a nossa vida. 
Fomos arrumadinhas e cheirosas, perfume não podia faltar, uma boa e 
clássica  seiva  de  alfazema.  Dos  sapatos  não  lembro  e  nem  tampouco  das 
roupas. Sei que nada era novo, pois só quem se dava ao luxo de roupas e 
sapatos novos, de vez em quando, era a primeira filha, já mocinha, as demais 
iam aproveitando as dela, de acordo com o crescimento. 
Na  euforia  e  no  corre-corre  só  fomos  três  e  tínhamos  a 
responsabilidade de trazer o brinquedo das que ficaram. Entramos no carro e 
nosso pai nos conduzia como princesas em suas ricas carruagens. Chegamos 
e adentramos a um salão muito animado e cheio de balões, foi servido um 
lanche  e  logo  depois  os  pais  eram  chamados  pelos  nomes  completos  e 
recebiam um saco,  de acordo  com o número de crianças, era a quantidade de 
brinquedos. 
De repente, de súbito, no auto falante aquela voz suave, inesquecível: 
- Seu Francisco Dias! 
-E nosso coração não aguentava mais. 
A  caminhada  que  meu  pai  fez,  de  onde  estávamos  ao  palco,  foi 
quilométrica. 
Chegou  lá  recebeu  e  voltou.  E  nos  entregou  o  saco  grande.  Em  cada 
brinquedo Papai Noel teve o cuidado de escrever o nome de cada uma de nós. 
Exclamações de alegria a todo o momento  de cada criança.  Lamentações de 
outras.   Não sabíamos como fazer para que coubesse dentro de nós tanta 
alegria.  - Este boneco tão grande é meu: 
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Em voz alta e cheia de espanto, minha  irmã  Celene,  sempre  mais 
contida, ganhou uma boneca cujo nome passou a ser Graciosa. Ela depois de 
muitos anos ainda fala dela, mas, nunca saberemos qual o tamanho de sua 
alegria.   Retornamos  para  casa,  conduzidas  por  meu  pai,  e  ao  chegar,  as 
pequenas, que não foram, correram para nos receber arrancando de nossas 
mãos seus brinquedos.  Quanta felicidade no olhar de minha mãe, que havia 
se transformado em palavra cumprida. 
E neste ano, o Papai Noel, quem sabe, se por drama de consciência, ou 
não veio mesmo, de forma efetiva, chegou antes da data fixada.  E quando a 
noite chegou, meu pai abriu a Bíblia e leu para nós sobre o verdadeiro sentido 
do natal, que era celebrar o nascimento de Jesus e que Deus já havia nos 
enviado  seu  filho  como  presente  de  amor  e  fé.  E,  com  o  tempo,  fomos 
entendendo,  celebrando  e  vivendo  o  autêntico  sentido  do  evento  no 
calendário religioso.
Fim
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Morava no castelo o Rei Felipe, sua filha Flora, que jamais havia dado 
um único sorriso em toda sua vida. Tudo era silêncio e pairava no ar um clima 
angustiante.  A  rainha,  já  falecida,  deixara  a  princesa  Flora  pequenina  aos 
cuidados do rei e da criadagem.  Um  Rei  bondoso  não  merecia  esta  solidão: 
pensavam os moradores e servos do  Rei.
Flora, quatorze anos, bela menina de cachos dourados e as maçãs do 
rosto  rosadas,  porém  nada  dava  realce  a  sua  juventude  e  beleza,  pois  lhe 
faltava o sorriso, descia duas vezes por dia para o salão real: no almoço e no 
jantar.  Todo  o  resto  do  dia  passava  debruçada  sobre  a  janela  de  seus 
aposentos,  contemplando  a  natureza  e  observando  os  passantes  dos 
arredores.
Diante da tristeza e olhar distante de sua filha, o Rei Felipe em nada se 
concentrava, a não ser buscar formas que arrancassem do rosto de sua filha 
um sorriso que fosse. Um dia, já bastante insatisfeito, baixou um decreto:
- Desta data em diante o rapaz que conseguir arrancar dos lábios de 
minha princesa um sorriso, este mesmo casará com ela e herdará a metade do 
Reino DO VAI E NÃO TORNA. A notícia espalhou-se como um raio.
A PRINCESA DO REINO 
DO VAI E NÃO TORNA
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Vinha gente de todos os confins do mundo. Rapazes de todas as idades 
e nacionalidades. Contavam piadas, histórias engraçadas, rodopiavam pelo 
chão, cantavam e se cutucavam todo, no máximo o que conseguiam era um 
olhar de desprezo lançado pela princesa Flora. E sua rotina era a mesma de 
bruços sobre a janela do quarto real.
Nos arredores do palácio morava uma boa senhora com seu filho João.
Era moleque, preguiçoso, moleza no corpo inteiro, vivia deitado numa rede 
velhinha a se balançar. O moço era conhecido por João Angu, pois era seu 
alimento preferido.
Tudo quanto a boa senhora queria dele, valia-se da troca por um prato 
de  angu.  Vez  por  outra,  faltava  a  lenha  para  o  cozimento  das  refeições, 
quando ele resolvia atender a sua mãe, já era noite, retornava e novamente a 
se balançar na velha rede de algodão. E no castelo amanhecia e anoitecia o Rei 
Felipe, sem qualquer resultado de um pretendente para a sua filha. No jantar, 
a filha em silêncio.
O Rei puxou um fio de conversa:
- Filha, não te anima para bailes ou visitas a outras princesas de tua 
idade?
Ouviu apenas como resposta:
- Não! Papai ,estou bem e nada me falta.
O rei  retrucou:
- Falta-te alegria. Um sorriso nos lábios não imagina o quanto ficarias 
mais bela.
Flora levantou os olhos lentamente e disse:
- Boa noite, papai!
O  Rei  sentou-se  na  poltrona  real  com  dificuldade  por  sua  barriga 
avantajada e sua baixa estatura, pois seus membros eram curtos, passou a 
mão na cabeça com poucos cabelos e com ar de desespero pensou:
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- Uma linda moça, porém, triste. Há de acontecer um milagre neste 
reino que a faça  sorrir.
Pela manhã, na casa de João Angu, faltou lenha, e sua bondosa mãe começou 
cedo a adular o lento rapaz para adentrar a mata e buscar a madeira para o 
fogo.
- João, chega ligeiro, vai pegar um feixe de lenha, meu filho! A mãe 
ordenou.
O rapaz espreguiçou-se, esticou os braços, e ficou olhando para o vazio 
com caras e bocas que denunciavam sua preguiça e falta de boa vontade.
Diante  da  dificuldade  de  João,  a  boa  senhora,  imediatamente,  propôs  um 
acordo:
- João, vai buscar a lenha, que eu te faço um prato de angu.
Saindo da rede, com rapidez, ele saiu a caminho da estradinha estreita de 
barro, cabeça baixa e bem disposto, pois seu interesse era no angu gostoso da 
boa Senhora.
Foi longe demais, com o facão na mão, cortando lenha com destreza, 
sem mensurar a quantidade. Quando olhou para o feixe de lenha, ele não 
acreditou. 
- Meu Deus, quanta lenha! Como levarei para casa?   Perguntou-se o 
rapaz. 
E já bastante cansado, deitou-se à margem de um pequeno riacho que 
corria separando o castelo do REINO DO VAI E NÃO TORNA da vizinhança.
Devagar,  foi  se  molhando  e  gostando  daquele  inesperado  banho  de  rio. 
Pulava  e  quando  olhava  para  o  feixe  de  lenha,  lhe  voltava  o  desânimo  e 
reclamava:
- Caso eu consiga levá-lo, nunca mais precisarei cortar lenha.
Voltando ao banho de rio começou a bater fortemente com as mãos na água 
fazendo um barulho que aproximava os peixes. Em meio as fortes braçadas, 
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acertou uma piaba, peixe comum em lagos.
- Te peguei pequena, serás meu almoço! Disse João.
Fechou a piaba na mão e o peixinho começou a se debater, em pânico.  
Nadava de um lado a outro, batendo as nadadeiras com urgência e a mão 
grande, em côncavo a impedia de respirar. Já exausta, tomou uma decisão 
inesperada:
-SOLTA – ME,  JOÃO ! – gritou o peixe.
O rapaz, assustado, parou até de respirar, do susto que levou.
- Quem está aí?  Perguntou João Angu.
-Sou  eu,  João,  presa  aqui  em  tua  mão!    Respondeu  a  piaba,  ainda 
tentando se livrar da mão forte do rapaz.
Ele olhou e viu o peixinho minúsculo, gritando e debatendo em sua 
mão.
- Sai, de reto, assombração!   Exclamou o garoto assustado.
 A piabinha voltou a falar:
-Não tenha medo, João, sou encantada. Olha, se você me libertar, farei 
tudo o que me pedir, realizo todos os seus sonhos, os mais impossíveis.
João pensou:
- Uma piabinha encantada, e que fala.
- Sorte grande!
Então, João lembrou-se do decreto do Rei, o rapaz sempre passava em 
frente ao palácio, e inúmeras vezes contemplou a imagem da bela princesa na 
janela, sempre séria. 
João não pensou duas vezes e disse:
-Vou testar seus encantos, piabinha encantada, eu quero que você faça 
a princesa do REINO DO VAI E NÃO TORNA sorrir.
E a piabinha anunciou de prontidão:
 - Tudo o que você quiser,  João.
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- Agora, meu rapaz, arrume o feixe de lenha e o amarre de modo que 
lhe dê estabilidade e segurança, pois você vai subir sobre ele numa carreira 
veloz.
João,  ressabiado,  retrucou:  Eu  pedi  pra  fazer  a  princesa  sorrir  e  não  pra 
carregar a lenha.  A Piabinha falou:
-Você quer ver o sorriso da princesa ou não?
-Somente obedeça e o resto deixe comigo.
A Piabinha deu as coordenadas:
-Leve a lenha até o ponto mais alto da ladeira que segue a estrada do 
castelo. João olhou para o sol já alto. Imaginou:
-Não dará tempo, é hora das refeições do rei, ela o acompanha. Tenho 
que ser rápido senão, quando eu passar a janela estará fechada. A piabinha 
falou:
-Quem pensa não casa, João Angu!
Mais do que depressa entrou no bolso do amigo e viu o feixe de lenha desfilar 
na estradinha de barro em alta velocidade, com o João Angu no comando e a 
poeira subindo.
Quem estava na estrada apontava: 
- Aquele lá, não é?
A rapidez não permitia que vissem o que na realidade estava acontecendo.
E gritavam na rua:
-É João Angu!
Quando de repente, o feixe de lenha passa em frente ao palácio real e a 
princesa Flor,a como de costume, de bruços sobre a janela, levanta os olhos e 
os arregalam com bastante espanto!
O que é... Sem se conter com a cena, abriu seu semblante terno, sério e 
angelical em uma exagerada risada que de todos os cantos do REINO DO VAI 
E NÃO TORNA pôde ser ouvida.
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  A princesa Flora passou o resto do dia cantando, sorrindo, pulando e 
alegrando todo o reino. Sua alegria contagiante tocou, de modo profundo, o 
coração de seu pai e de todos os súditos.  À noite, desce as escadas do palácio 
em altos pulos.
O  Rei  Felipe  convidou  a  criadagem  para  sentarem  à  mesa,  pois  a 
princesa iria contar o razão de seu raro sorriso.  E puxou um fio de conversa:
-Não viram aquele feixe de lenha desgovernado?
- Ele deve ter sido guiado por alguém.
 O Rei interferiu:
-Por quem?
Era um rapaz, papai, foi rápido, porém, vi bem, era um rapaz.
Nesta  noite  foi  possível  até  uma  taça  de  vinho  de  tamanho 
contentamento por este súbito sorriso real.
Recolhidos a seus aposentos, o Rei Felipe imaginava que palavra de Rei não 
tem volta, era preciso honrar a palavra dada no decreto e pensava:
- Vou entregar minha amada filha nas mãos de um desconhecido.
Flora  desceu  as  escadas  para  o  desjejum  mais  cedo  do  que  o  relógio  real 
imaginava badalar, seus pulos eram tão fortes que acordou todo o castelo.
Sorriu como nunca e comeu com alegria.
Decidiu o que gostaria de fazer neste dia:
Cavalgar,  tomar  banho  de  rio,  passear  pelos  jardins  e,  no  fim  da  tarde, 
procurar o lenheiro que a fizera sorrir.
Quando participou ao rei o último desejo, ele entrou em pânico.
-Procurar onde? Respondeu o Rei.
A princesa serelepe considerava tudo fácil demais.
- Ora, meu pai, ordene ao chefe da guarda que busque pelos arredores 
notícias do lenheiro engenhoso. Disse ao rei com firmeza.
A primeira ordem do dia:
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-Homens, procurem este rapaz incansavelmente.
- Tragam-no á minha presença.
- Minha filha, tenha calma, este moço deve ser um príncipe, portanto, 
não deve ser encontrado com tanta facilidade.
João em sua casinha humilde já dava como certo seu casamento com Flora e 
conversava com a Piabinha encantada.
- Acho que devo lhe pedir mais um favorzinho.
-Mais um ,João? Perguntou a encantada amiga.
- Pois é. Quero ser encontrado pela princesa, eu a fiz sorrir, todo o povo 
fala que o lenheiro veloz fez a princesa sorrir, e quem é o lenheiro?
- Sou eu.
- mereço a recompensa.
Sua mãe ouvindo a conversa pensando que João falava sozinho, interferiu:
- Não se iluda, a princesa já deve está prometida para um príncipe e 
herdeiro de um rico reino, continue sonhando com um prato de angu bem 
quentinho.
A Piabinha animada na mão de seu amo prometeu:
- Vou ajudar.
- À noite arme uma fogueira bem alta e pela fumaça todos saberão que 
aqui há um lenheiro esperto. E assim João fez.
 Não deu outra, em questão de minutos pára na casa de João uma rica 
carruagem  toda dourada e dela desceu o chefe da guarda já indagando:
- Quem é o lenheiro?
João desconfiado:
- O Rei Felipe do REINO DO VAI E NÃO TORNA manda dizer que a 
princesa  está  prometida  para  você  e  o  casamento  no  castelo  será  nos 
próximos quinze dias e adiante-se, rapaz, em fazer tudo direito, pois esta 
união não é do agrado do meu Senhor, todavia tem que se dá cumprimento ao 
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decreto que você já conhece.
João apertou a Piabinha, na mão de tão agradecido. Passado os quinze 
dias o rapaz precisou mais uma vez, e pediu a sua amiga encantada que o 
ajudasse.  E  surgiu  sobre  a  mesa  da  cozinha  uma  roupa  azul  com  linhas 
douradas,  sapatos  pretos  brilhosos  de  encandear  a  visão  e  o  rapaz  saiu 
animado,  acompanhado  de  toda  a  vizinhança  com  a  Piabinha  no  bolso, 
adentrou o castelo, com o coração aos pulos, era chegada a hora de receber 
Flora em matrimônio.
Olhava para todos os lados e só via riqueza, beleza e todos os olhos 
admirados com aquele rapaz tão  desajeitado, tornar-se herdeiro do REINO 
DO VAI E NÃO TORNA. O chefe da guarda anuncia a entrada da sorridente 
noiva conduzida pelo Rei Felipe.
Quando  a  princesa  colocou  seus  olhos  sobre  João  Angu,  não  teve 
dúvida em aceitá-lo como seu companheiro pelo resto de sua vida e daquele 
momento em diante, se olhavam com a ternura de um casal apaixonado,
O rei que jamais poderia se arrepender de uma promessa, não gostava 
de João e passou a humilhá-lo em todas as oportunidades que surgiam no dia 
a  dia  do  reino,  pois  o  Rei  esperava  que  sua  filha  linda  Princesa,  fosse 
prometida para um príncipe que a merecesse.
João já com tanta mágoa guardada em seu coração; resolveu mais uma 
vez,solicitar o auxílio da Piabinha encantada. Ele a mantinha guardada em 
segredo. Chegou pé ante pé, bem devagar, aproveitando o profundo sono da 
princesa e chamou a Piabinha, que de um salto o atendeu:
- Diga, João, sei que você não está feliz e a minha promessa continua de 
pé. Faço tudo que você mandar.
- Vai, manda, coragem!
E João, cheio de coragem profere:
- Quero que surja, ao amanhecer, um castelo maior e mais bonito do 
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este do REINO DO VAI E NÃO TORNA,
- Tudo em ouro e a mobília encantadora.
- Quero que todos fiquem maravilhados com tamanha beleza.
É hora de se recolherem aos seus aposentos e como já era de se esperar, a 
Piabinha não perdeu tempo.
Quando o dia clareou, João Angu e a Princesa Flora haviam se mudado 
para o majestoso castelo. O Rei desceu para o salão real para o café da manhã 
e sentindo-se sozinho, resolveu andar pelos jardins do castelo, levantando 
seu olhar para os arredores, deparou-se com aquela belíssima arquitetura e 
sem  acreditar  no  que  via  mandou  o  chefe  da  guarda,  imediatamente, 
investigar como, surgiu de repente aquele castelo e quem eram os donos.
O chefe da guarda retornou com um ar de espanto: Meu rei, tudo que 
pude descobrir é que hoje os proprietários estão oferecendo para todos os 
reinos um jantar real e enviam-lhe este convite.
O Rei Felipe olhou admirado com tanto bom gosto, letras em fios de 
ouro e laço de fita.  Ansioso, procurou os anfitriões e para sua surpresa:
João Angu e princesa Flora. O anoitecer foi diferente naquele reino, todas as 
luzes do novo castelo acenderam simultaneamente dando um clima de festa.
As  carruagens  foram  chegando  incontáveis,  esplendidamente  belas, 
homens e mulheres elegantes em fraques e babados, saias longas e armadas. 
Finalmente, a esperada chegada do Rei Felipe e sua comitiva real. Flora corre 
sorridente para abraçá-lo, porém João o recebe friamente. A mesa do jantar 
preparada,  perfeita  ornamentação  em  rosas  naturais,  pratos  bordados  em 
ouro personalizados em letras de ouro: JOÃO E FLORA.
Toalhas em linho bordadas à mão.
Os talheres em maciço ouro a reluzir à mesa. A Piabinha encantada 
tinha trabalhado incansavelmente para agradar seu amigo João. João estava 
sempre com a piabinha no bolso e  afastou-se um pouco dos convidados para 
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falar-lhe.
- Ainda tens uma última missão:
- Algo não saiu do seu agrado, João?
Ele, em reconhecimento por seu serviço prestado, disse-lhe:
- Tudo perfeito, saiu como o planejado, porém quero que um talher 
seja encontrado  no bolso do rei Felipe. E assim a Piabinha fez.
Os  convidados  foram  conduzidos  aos  assentos,  em  lugares 
previamente marcados para iniciar o jantar. Na hora que o serviçal começa a 
servir,  sente  falta  de  um  talher  e  faz  esta  revelação  ao  João.  Houve  neste 
momento alguns rumores.
Uns diziam:
 
- Não fui eu!
 
- Outros proferiam podem me revistar!
João, com calma e simplicidade, solicitou que os homens procurassem 
em seus paletós e, para espanto de todos, o talher fora encontrado no bolso 
do Rei Felipe, pai da Princesa Flora;
Assustado e sem ter como se defender retirou-se do castelo às pressas 
e muito desapontado, sem se dá conta de como tinha acontecido tamanho 
mal entendido.
Aos poucos, os representantes dos reinos foram se retirando até que o 
último saiu, O castelo já vazio, a Princesa muito tristonha como nunca mais 
havia  se  sentido,  retirou-se  para  os  aposentos,  convidando  João  para 
acompanhá-la,  pois,  já  apresentava  enfado  depois  deste  jantar  repleto  de 
estranheza.
Nasce mais um dia, João e Flora desceram para um café reforçado e 
resolveram passear pelos jardins. A Princesa olhou para João e, docemente, 
pediu:
-João, me conta o teu segredo.
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Assustado, sorrir sutilmente:
-Não há nenhum.
Ela insiste:
-Conta-me, confia em mim, não conto pra ninguém.
- Será um segredo somente nosso.
Ela continua:
- De onde saiu este castelo?
- E o feixe de lenha, que me fez sorrir?
- Conta João, eu guardo o segredo.
-Não conto a ninguém,
E João negando, eu não tenho segredo.
Ela colocou as mãos em seu rosto e falou baixinho:
- Conta-me teu segredo que eu faço um delicioso prato de angu.
Ele não resistiu:  Puxou do bolso a Piabinha e mostrou:
- É encantada,  encontrei-a no rio.
Ela faz tudo que eu peço e pode fazer muito mais.
De repente, abriu a mão e a piabinha quase sem vida ainda falou:
- João, eu era encantada pra você, eu era simplesmente a prova de que 
você é um vencedor, que o importante não é ter. É ser.
- João, você é bom, tem pensamentos positivos, por isso acontecem 
coisas boas para você.
- Veja o que a ambição foi capaz de fazer. 
-Vá ao REINO DO VAI E NÂO TORNA apresente seu arrependimento 
ao Rei Felipe, ele pode não se arrepender, porque é Rei, você pode, faça isso, 
tome sua esposa amada pela mão e de lá  não torne nunca mais.
 Calado e pensativo João procurava os jardins, os talheres, todo o ouro. 
O castelo e tudo haviam desaparecido da mesma forma como tinha surgido 
num  passe  de  mágica.  A  Piabinha  silenciou  sua  voz.  João  entendeu  sua 
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mensagem e a levou rapidamente para o rio, onde era o seu lugar, lá ela ficou 
paradinha tentando recuperar sua vida.
João  caminhou  até  o  castelo  do  Rei  Felipe  e  fora  recebido  com  a 
Princesa Flora como um verdadeiro Rei, pois o rei Felipe desde o início era 
bondoso, a partir de agora vão viver em harmonia, com humildade, para que 
todos aprendam amar além das aparências.
Fim
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- Olá, Senhor sapo!
 Falou Denise à beira do lago.
- Parece-me está com frio? Continuou a conversa.
O  sapo  era  morador  deste  lago  desde  que  era  girino,  ele  não  tem 
lembrança nenhuma de  seus pais e acha que morreram. Toda noite, ele volta 
para o mesmo lugar, na tentativa de encontrá-los, não fosse a bondade da 
pequena  Denise,  o  pobrezinho  já  havia  morrido.  Denise,  sempre  amiga, 
trazia-lhe alimento todo dia na mesma hora. E lhe chamava com carinho:
- Xadrez!
- Onde está você?
O sapo saía de uma loca:
- Estou aqui.
- Olhe, hoje houve festa na minha casa, e guardei bolo para você.
- Coma tudinho, senão, não terá força para encontrar sua família.
O sapo tristonho:
-  Denise,  ontem  à  noite  estive  aqui,  conversei  com  umas  rãs  bem 
antigas, aqui do brejo. Elas acham que meus pais foram carregados por uma 
O SAPO XADREZ,
A INVESTIGAÇÃO
105


grande enxurrada e que não  tiveram condição de chegar até a terra firme, e 
que só escapei por quê mamãe havia me deixado longe do brejo para o banho 
de sol.
Denise  ficou  penalizada  com  a  expressão  de  tristeza  de  Xadrez  e 
prometeu ajudá-lo na busca:
-  Amanhã,  não  tenho  aula,  acordarei    junto  com  os  pintos  e  virei 
correndo para  começarmos a investigação sobre o desaparecimento de seus 
pais.
- Fique tranquilo, nada pode escapar da minha habilidade, agora coma.
Xadrez  olhou  para  o  bolo,  porém  não  tinha  nenhuma  vontade  de  comer.
Chorando disse à menina:
- Sei que não vou mais encontrá-los.
Denise com voz firme:
- Já disse, vou lhe ajudar. Espere o dia amanhecer e começaremos a 
busca. Denise afastou-se do brejo e começou a pensar numa forma de ajudar 
Xadrez.
-Já sei!
 Vou convocar uma grande assembleia na beira do lago e formar uma 
boa equipe de busca e salvamento, acho que todos participarão depois que eu 
explicar o caso. Há poucos metros de sua casa ouviu a voz de sua mãe que 
estava à sua procura:
- Filha, não se afaste tanto de casa, anda por aí sozinha, este lugar é tão 
esquisito, de  repente, surge um bicho feroz e você é tão pequena, tem apenas 
sete anos, não sabe  ainda se defender.
 Denise arregala os olhos para sua mãe:
- Êpa! Não tenho medo de bichos não, eles são amigos.
- Pois saiba que amanhã terei uma manhã reunião no brejo, vou dar 
início as buscas pra encontrar os pais do sapinho Xadrez.
106


A mãe em tom de graça:
- Pois não, senhora detetive, vá para o banheiro, tome banho, vista o 
pijama e venha tomar um chocolate quente, pois a noite está fria e você pode 
até  se resfriar. 
Denise obedeceu à mãe, porém não tirou da cabeça seu plano. Deitou-se e 
começou a traçar seus planos:
- Quando começa a citar os nomes que farão parte da equipe seus olhos 
pesaram e a pequena dormiu profundamente.
A mãe, muito cedo, gritou da cozinha:
-Denise, levantando rápido, filha!
- Olha, a escola não espera!
Ainda sonolenta, ela responde:
- Hoje não haverá  aula, é feriado, Dia de Todos os Santos.
- Mesmo assim, vou despertar, pois  o compromisso me chama.
Vestiu calça e camisa como se fosse a um safari, chapéu de abas longas 
e botas cano longo. Quando sua mãe olhou para ela, admirou-se:
- Dona detetive, quanta elegância! Tome um copo de leite.
Denise engoliu rápido e saiu porta a fora cantarolando. Não demorou 
chegou no lugar combinado com Xadrez, e para sua satisfação, ele também 
estava de paletó , botas e chapéu. Ela sorridente, o cumprimentou:
- Vejam só! “Quanta elegância, camarada”!
Xadrez cheio de orgulho:
-Ora, ora, boa menina, para andar com uma mocinha tão gentil, não 
poderia ser diferente. 
Denise com graça:
- Pois muito bem! sapo galanteador! tome meu braço e vamos ao que 
interessa.
- Lutar por notícias de seus pais.
107


E sentaram à beira do lago, para formar a equipe de trabalho.
Denise trouxe em sua mochila um material que ela chamava material 
de socorro. Retirou uma lata furada nas duas extremidades e colocou na boca 
o que chamou de megafone e começou a gritar pelos  animais mais próximos:
“Atenção!  Muita  atenção,  bichinhos  que  tanto  amo!  Venham  onde  estou 
agora,  temos  camaradas  em  perigo,    vamos  em  missão  de  socorro, 
compareçam agora.
- Deixem sua preguiça de lado, ou quando estiverem precisando de 
mim, não os  socorrerei. ’
Em questão de segundos, a beira do lago estava de forma que ninguém 
mais se entendia, em consequência do  barulho. Os bichos  chegavam de todo 
jeito: correndo, voando, pulando, nas costas uns dos outros, mas chegavam e 
se perguntavam:
- E aí qual é o ocorrido?
As respostas vinham em coro:
- Não se sabe ainda,
A abelha fofoqueira:
- Deve ter sido algum peixe que se afogou.
Todos riam e zombavam da situação.
Denise levantou-se com seu megafone e pediu;
- Acomodem-se, não estou para brincadeiras. 
-.Vamos lá!
- Silêncio! 
E iniciou a reunião:
- Sou a detetive Denise, estou aqui para realizar uma força-tarefa para 
encontrar um casal de sapos que desapareceu, deixando o pequeno Xadrez 
sozinho no brejo.
- Agora, eu pergunto:
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- Quem viu alguma coisa de estranho que possa ajudar?
A abelha, que sabe da vida de todo mundo, se manifesta:
- Eu, que muito zumbizar faço por aí e que nada escapa da minha vista, 
e do meu  zumbido que zune, não sei e nunca os vi mais barrigudos.
-Cala essa boca, encrenqueira!  - gritou o beija – flor que estava atento 
ao pedido da pequena detetive:
- Não pode ajudar, cai fora, abelhuda!
A abelha expôs os seus ferrões para ferir o passarinho, mas Denise interferiu 
a tempo:
- Não há tempo para discussões, a hora é de formarmos uma corrente 
do bem e   trazermos de volta os pais de Xadrez. Eu sugiro que formemos 
equipes de busca. Cada uma vai para um lado.
-  Vejam!  Eu  trouxe  alimento  para  todos,  e  estes  rojões,  caso  haja 
qualquer notícia, o chefe da expedição solta-o e os que ouvirem,   seguem a 
trilha pelo barulho.
- Alguém tem outra sugestão?
A borboleta azul, com sua delicadeza:
- Acho esta ideia muito elegante, posso chefiar a equipe dos voadores, 
por termos  facilidade  em alcançar os lugares mais difíceis.
Todos  aplaudiram  a  borboleta,  que    sobrevoou  diante  de  todos  que  ali 
estavam na  reunião. O calango se candidata a chefiar a equipe dos animais de 
pernas curtas.
- Posso me arrastar até dentro das locas.
Denise se anima;
-Muito bem!
E  finalmente  todos  entraram  nas  equipes  e  partiram  para  a  busca. 
Xadrez pede à Denise para fazer parte de sua equipe, porém a pequena passa 
a mão em sua cabeça e diz:
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- É melhor não ir, não sabemos o que vamos encontrar pelo caminho, 
fique aqui e logo  darei notícias. 
Xadrez   recolhe-se à loca com grande tristeza. Na equipe de Denise 
está Dr. Sabe Tudo, um peixinho de cor vermelha, que comanda os outros 
peixes no lago, conhece todos os lugares, Denise colocou-o em um vidro e 
juntos  percorreram  os quatro cantos do brejo.
Vermelho olha para o sol e comenta:
- Já é tarde  e nenhuma notícia. Isso para mim, não é bom sinal.
Denise  repreende-o:
- Ora, veja só! está aí dentro d’água e ainda fala em quentura, e eu que 
estou com este  roupão  quente?
O peixinho sorrindo:
- É, pensei até que fosse à guerra.
De repente, eles ouvem o estampido de um sinalizador, entreolham-se 
e seguem a trilha  pelo barulho. 
Denise indaga!
- O que será?
- Rápido, Dr. Sabe Tudo. Rápido!
Correram  com  dificuldade,  pois  os  tênis  de  Denise  estavam 
encharcados de tanto pisar   na água. Ao chegarem no ponto de onde saiu o 
barulho, lá estava o beija-flor deitado no chão, todo pinicado pelo ferrão da 
abelha  abelhuda  que  acompanhou  a  equipe  dos  voadores  a  fim  de  tomar 
satisfações pelo ocorrido na beira do lago logo pela manhã.
Denise correu para socorrê-lo:
- O que  houve?
A borboleta sempre delicada:
- Chamei vocês porque esses dois estão sempre brigando e as buscas 
estão sem resultado.
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- Gostaria de pedir que você, como chefe das investigações, tomasse 
uma providência.
Denise pasma:
- Não acredito, abelhuda! Quase mata o pobre passarinho!
-  Quanta  maldade,  pensei  que  no  meio  dos  bichos,  todos  fossem 
amigos, mas pelo que vejo, vou dispensar  sua ajuda, Dona Abelha, e quanto 
ao senhor, passarinho, suba em meu ombro, vamos voltar para os curativos: 
água fresca, alpiste e  um bom descanso.
O  peixinho  vermelho,  com  sabedoria:  Oh!  Cara  detetive,  o  beija-flor  está 
necessitado é do pólen das flores.  Denise prossegue:.
- Que seja, vamos andando, vou estourar  um sinalizador e, por hoje, as 
buscas estão encerradas.
O peixinho vermelho lamenta;
- Pobre Xadrez!  Mais um dia de angustia, por causa destes desunidos, 
não digo desumano, porque não o são, estão envergonhando nossa classe. A 
pequena  investigadora  chega  com  o  pássaro  nos  ombros  e    os  demais 
bichinhos vão   chegando como podem. O calango vem por último, pois o 
pobre coitado se arrasta vagarosamente por conta de  sua idade avançada  e 
medo de se encontrar com répteis mais ferozes.
Denise cheia de graça:
-  Oh!  Caríssimo  calanguinho,  deve  está  muito  cansado,  sua  barriga 
machucada, vá  descansar.
Quando todos estão em rítmo de despedidas, ouve-se um soluço vindo da 
beira do lago,  todos silenciam, para ouvir melhor. Para surpresa de todos, era 
Dama, a mãe de Xadrez, que coaxava com desespero:
- Não há mais o que procurar .Eu estou aqui, agradeço por tudo, mas as 
buscas devem  encerrar por aqui.
O pequeno  Xadrez  saltou até sua mãe com muita alegria, porém sem 
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dispensar  uma  verdadeira avalanche de perguntas:
-Mãe, por que me deixou aqui?
- Você está bem?
- Não está ferida?
- Por onde andava?
- E a enxurrada?
- Como escapou?
- E meu pai?
- Onde está meu pai?
- Vamos buscá-lo.
Dona Dama mantendo a calma.
-Olhe, Xadrez,   são muitas perguntas ao mesmo tempo, vamos por 


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