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A NECESSIDADE DE CONCEPÇÕES SOCIOLINGUÍSTICAS E HISTÓRICO-POLÍTICAS COMO PANO DE FUNDO PARA A ELABORAÇÃO DE VERBETES DE DICIONÁRIOS DE ESPANHOL
DICIONÁRIO - POESIA DA ALTERIDADE EM MANOEL DE BARROS - PARADOXO DA DESPALAVRA, TESE - SUJEITO SINTÁTICO E REFERENCIAÇÃO INDETERMINADA, ACHEGAS AO FENÔMENO DO EMPRÉSTIMO LINGUÍSTICO - REDEFININDO OS TERMOS EMPRÉSTIMO E ESTRANGEIRISMO, O PERCURSO ONOMASIOLÓGICO APLICADO A UM DICIONÁRIO DE IDIOMATISMOS
co é o conjunto abstrato das unidades lexicais da língua; vocabulário é o conjunto de 

realizações discursivas dessas mesmas unidades. No plano das realizações discursivas, 

qualquer sequência significativa será chamada indiferentemente e imprecisamente de 

palavra ou vocábulo (Biderman, 1999: 89). 

3. ANÁLISE DAS FRASES 

Manual de Gramática I (Cueva Iglesias, 1989) é utilizado no contexto 

de ensino e aprendizagem de espanhol como LM. Está dividido em quatro 

capítulos: o primeiro intitula-se: O nível gramatical; o segundo: Estrutura 

da oração; o terceiro: Estudo do sintagma nominal: análise morfológica e 

sintática das unidades que o integram; o quarto: Sintaxe do Sintagma No-

minal; e o último, reúne as referências nas quais o manual está embasado. 

Das 335 frases selecionadas por Ortigoza (2008) do Manual de Gra-

mática I, escolhemos os enunciados que continham unidades léxicas com 

acepções diferentes ao serem comparadas às da variante padrão da língua 

espanhola, analisaremos apenas as frases a seguir. 

Na frase número 1, a palavra professor traz consigo uma nova carga 

semântica, no contexto de ensino e aprendizagem de Cuba, pois se encon-

tra ligada à palavra companheiro

1.  Este compañero es maestro (p. 33) — [Este companheiro é professor 

das séries iniciais]. 

Sobre a palavra companheiro, verificamos que «começou a ser usada em 

Cuba no século vinte, e ganhou força com o estreitamento das relações en-

tre a ilha e a ex-URSS. A palavra é empregada comumente pela população 

(cubana) e, principalmente, pelos seus líderes políticos» (Ortigoza, 2006: 

40). Este termo tem como sinônimo a unidade léxica camarada, conhecida 

no mundo inteiro, como sendo: companheiro de estudos, de profissão ou 

de ideologia, especialmente quando se mantém uma relação cordial, fruto 

da atividade compartilhada: camaradas de partido (RAE, 2000: 204)

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  Camarada. Compañero de estudios, de profesión o de ideología, especialmente 

cuando se mantiene una relación cordial, fruto de la actividad compartida: camaradas 

de partido (Tradução nossa). 



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A relação que gostaríamos de estabelecer entre a palavra companheiro e 

a palavra professor tem a ver com o que representam os docentes dentro do 

contexto de ensino e aprendizagem de Cuba, pelo fato de serem represen-

tantes da ideologia socialista do sistema de governo vigente na ilha. Neste 

caso, será feito um contraste da relação existente entre vocábulos que não 



formam locuções. Para tal, citaremos as declarações da educadora Zagury, 

após sua estada em Cuba com o propósito de analisar o sistema educa-

cional aplicado na ilha. Citaremos as observações encontradas nesse livro 

devido ao fato de ter sido escrito na mesma década em que foi elaborado 

o manual de gramática que estamos analisando, ou seja, teoricamente há 

uma fidelidade maior entre o que estava sendo feito no sistema educacio-

nal de Cuba e o que estava sendo transmitido aos estudantes nessa época. 

Ao contrastar as definições dadas para a palavra maestro, em quatro di-

cionários da língua espanhola, obtivemos o quadro a seguir: 

Olhando para a definição apresentada nos dois dicionários escolares 

(1962 e 1950), temos a impressão de estar lendo a mesma informação, já 

que, tanto na variante padrão do espanhol quanto na variante falada em 

Cuba, é possível perceber que a unidade léxica ‘maestro’ faz referência 

a um sujeito qualificado para o ensino. Na variante padrão do espanhol 

é possível verificar que houve o acréscimo de significados para o termo 

professor, que denotava alguém que ensinava as primeiras letras, passando 

a incluir aquela pessoa que ensina uma ciência, arte ou ofício. Dentro da 

variante cubana, porém, uma explicação mais detalhada sobre o que se 




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entende em Cuba por professor das séries iniciais revelará as características 

intrínsecas desta palavra nesse contexto, e as diferenças com sua equiva-

lente na variante padrão da língua espanhola. Isto só é possível devido à 

interação social dos usuários de uma língua, processo que acontece ao 

longo de anos e que tem como consequência o surgimento das variantes 

de uma mesma língua. 

Um dos deveres dos estudantes cubanos que podemos enquadrar como 

abstrato é a excelência naquilo que fazem. Há um interesse especial por 

parte do governo em estimular atitudes de perfeição nos estudantes, pois 

se considera que, como futuros produtores de bens de consumo, eles cons-

truirão as bases da futura e almejada sociedade comunista. Castro conside-

ra que «um povo que aspira a viver no comunismo tem de fazer o que nós 

estamos fazendo agora, tem de sair do subdesenvolvimento, tem de desen-

volver as suas forças produtivas, tem de dominar a técnica, para poder fazer 

do esforço e do suor do homem o milagre de produzir os bens materiais em 

quantidades praticamente ilimitadas» (Castro, 1979: 19). 

 Estos valores de excelência veiculam-se em frases como estas: 

2.  Luis es un excelente alumno. (p. 32) — [Luís é um aluno excelente]. 

3.  Luis y María son excelentes alumnos. (p. 87) — [Luís e Maria são 

alunos excelentes]. 

4.  Los compañeros con quienes estudiamos, son excelentes. (p. 71) – 

[Os companheiros com quem estudamos são excelentes]. 

Neste caso, faremos um contraste das definições de vocábulos e seus 


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