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A NECESSIDADE DE CONCEPÇÕES SOCIOLINGUÍSTICAS E HISTÓRICO-POLÍTICAS COMO PANO DE FUNDO PARA A ELABORAÇÃO DE VERBETES DE DICIONÁRIOS DE ESPANHOL
DICIONÁRIO - POESIA DA ALTERIDADE EM MANOEL DE BARROS - PARADOXO DA DESPALAVRA, TESE - SUJEITO SINTÁTICO E REFERENCIAÇÃO INDETERMINADA, ACHEGAS AO FENÔMENO DO EMPRÉSTIMO LINGUÍSTICO - REDEFININDO OS TERMOS EMPRÉSTIMO E ESTRANGEIRISMO, O PERCURSO ONOMASIOLÓGICO APLICADO A UM DICIONÁRIO DE IDIOMATISMOS


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Comunicaciones


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A necessidade de partir de concepções sociolinguísticas 

e histórico-políticas como pano de fundo para a 

elaboração de verbetes de dicionários de espanhol 

 

Adja B. de Amorim Barbieri Durão  



Arelis Felipe Ortigoza  

Universidade Estadual de Londrina 

1. INTRODUÇÃO 

Este trabalho é um dos resultados de uma pesquisa realizada junto ao 

Programa de Pós-graduação em nível de mestrado em Estudos da Lingua-

gem da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que esteve sob a orien-

tação da Profa. Dra. Adja Balbino de Amorim Barbieri Durão, e tem por fim 

mostrar como em um manual de gramática editado em Cuba para ensino 

de espanhol como língua materna existem frases que veiculam conteúdos 

ideológicos e políticos que são legitimados pelo Discurso Pedagógico. Nes-

te trabalho, especificamente, contrastaremos algumas unidades léxicas que 

apresentam novas acepções com relação às suas equivalentes, ressaltando 

as semelhanças e as diferenças existentes entre elas no tocante à forma e 

que, do nosso ponto de vista, se engendraram em função das décadas de 

isolamento vividas por essa nação, assim como pelo trabalho político-ideo-

lógico a que a população cubana foi submetida. 

 Embora as unidades léxicas analisadas pertençam à língua espanho-

la, acreditamos não serem totalmente transparentes para falantes nativos 

e não nativos dessa língua que não compartilhem a mesma história que 

os falantes que usualmente se comunicam através da variante cubana ou 

que não tenham um conhecimento abrangente dessa variante. A variante 

cubana do espanhol deixa transparecer a imutabilidade e a mutabilidade 

do signo, ou seja, apesar de manter a estrutura da língua herdada da me-

trópole espanhola no período colonial, também apresenta novas acepções 

para unidade léxicas compartilhadas por outras variantes do espanhol, as 

quais pretendemos revelar. 

 

Do nosso ponto de vista, atualmente, as acepções diferenciadas que as 



unidades léxicas analisadas apresentam estão diretamente relacionadas à 

situação político-ideológica da ilha, que começou a se configurar a par-

tir de 1959. Tendo como referência essa hipótese, propomos os seguintes 



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questionamentos: 1) até que ponto, certos vocábulos e locuções da variante 

do espanhol falada em Cuba são transparentes para falantes nativos e para 

aprendizes de espanhol que não usam ou que não conhecem a variante 

cubana? 2) o que pode ser feito para que haja uma maior compreensão do 

significado de mensagens que certos enunciados e unidades léxicas usadas 

na variante cubana do espanhol carregam consigo e que estão ligados aos 

valores ideológicos do sistema governamental vigente naquele país?

 

O trabalho que ora propomos busca aplicar os fundamentos teóricos da 



Linguística Contrastiva à comparação entre o espanhol considerado padrão 

e a sua variante falada em Cuba. 

2. PRESSUPOSTOS TEÓRICOS 

Como ponto de partida para o estudo das diferenças do léxico entre a 

variante padrão do espanhol e a falada em Cuba, partimos de alguns pres-

supostos teóricos da Linguística Contrastiva (LC). 

A LC é uma ciência que tem duas vertentes: (i) a teórica, cujo objetivo é 

refletir sobre como os chamados universais linguísticos funcionam em cada 

língua em questão, e (ii) a prática, que se encarrega de realizar contrastes 

linguísticos, em eixos sincrônicos, com propósitos pedagógicos.  Para os 

objetivos desta pesquisa, interessa—nos trabalhar dentro da área do léxico, 

analisando duas variantes da mesma língua com base no modelo de Análi-

se Contrastiva: aquela considerada padrão e a usada em Cuba. 

Apesar de a AC ser um modelo que normalmente tem sido aplicado ao 

estudo de duas ou mais línguas, neste trabalho, nos valemos dele conside-

rando a opinião de Durão (2007: 11), que esclarece que: 

la Linguística Contrastiva [...] es el área que se centra en la observación de siste-

mas propios de aprendices de lenguas extranjeras (LE) frente a su lengua materna 

(LM), así como de distintas variantes de una misma lengua. En el ámbito de la 

LC, por ende, se realizan análisis de interlenguas de estudiantes de idiomas no 

nativos y análisis intralinguísticos, en ambos casos, con el objetivo de desnudar 

el modo como cada sistema se constituye con respecto al otro. 

 Mais adiante, Durão (2007: 11) cita as variantes en presencia fazendo 

menção às variantes de uma mesma língua, objeto de estudos contrastivos 

entre diferentes variantes linguísticas, indicando a possibilidade de mapear 

características similares ou diferentes de variantes de uma mesma língua. 




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Damos destaque, dentro do âmbito microliguístico, conforme classifi-

cação feita por Lado (1957), à análise de vocábulos e locuções no nível 

léxico-semântico. Por se tratar de duas variantes do espanhol, a padrão e 

a usada em Cuba, obviamente, elas possuem vocábulos e locuções com 

a mesma forma. Nosso objetivo é verificar até que ponto há equivalên-

cia no significado desses vocábulos e locuções. Lado (1957) propõe que, 

para uma análise contrastiva neste nível, seria preciso: (i) verificar se há 

vocábulos similares entre as línguas em questão (em nosso caso, nas va-

riantes já citadas do espanhol); (ii) elaborar uma lista desses vocábulos nas 

línguas (em nosso caso, nas variantes em questão); (iii) elaborar um único 

quadro de vocábulos para as duas línguas, para que as semelhanças e di-

ferenças possam ser observadas facilmente; (iv) verificar se a frequência de 

uso desses vocábulos é similar em ambas as línguas ou variantes; e, por 

último, (v) fazer predições das dificuldades e erros possíveis, levando em 

consideração as diferenças entre os vocábulos. Em relação ao último pas-

so proposto por Lado, temos que esclarecer que, por pretendermos fazer 

uma análise contrastiva de duas variantes de uma mesma língua, o objetivo 

de fazer o levantamento dos vocábulos é verificar até que ponto eles são 

transparentes, seja para falantes nativos de espanhol, seja para aprendizes 

dessa língua, de nível avançado. Por isso, buscamos contrastar as acepções 

dos vocábulos e locuções em estudo, tanto na variante padrão do espan-

hol, e, portanto, acessível à grande maioria; quanto na variante cubana, 

para verificar se há a interferência da ideologia do sistema governamental 

da ilha e do discurso político dos idealizadores e executores dos ideais da 

Revolução Cubana. 

Tendo sua origem no grego, a palavra léxico pode ser entendida como o 

conjunto de itens lexicais das diversas línguas naturais estocado na mente 

dos falantes. Estes itens lexicais são as unidades abaixo do nível de palavra, 

isto é, morfemas presos, como os elementos de formação de palavras, e 

acima desse nível, ou seja, fraseologismos. Além disso, léxico  também 

pode ser o dicionário ideal de uma língua, contendo a totalidade das pa-

lavras desta última ou, também, léxico aparece como sinônimo do saber 

interiorizado que os falantes de uma língua têm das propriedades lexicais 

das palavras (fonético-fonológico-gráficas, sintáticas e semânticas), segun-

do Vilela (1994: 10). Neste trabalho, o objeto de análise são as unidades 

léxicas, as quais são parte necessária para a produção do discurso, tendo 

em conta sua forma e seu conteúdo.

 

Não é nosso objetivo aqui realizar um estudo aprofundado sobre as dife-



rentes definições de palavra ou vocábulo que foram dadas pelos linguistas; 

tampouco fazer a delimitação dos vocábulos selecionados segundo os cri-




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térios fonológico e morfossintático. A delimitação dessas unidades mínimas 

do discurso será feita, segundo o critério semântico. 

Vamos usar as palavras vocábulo e palavra para as realizações discursivas [...] léxi-




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