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EIXOS COGNITIVOS (comuns a todas as áreas de conhecimento)



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EIXOS COGNITIVOS (comuns a todas as áreas de conhecimento)

Da prática à avaliação

Algumas das Competências e Habilidades

I. Dominar linguagens (DL): dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa.

Talvez esta seja a prática mais comum da qual nos preocupamos: fazer que os alunos respondam questões que partem da leitura e interpretação de enunciados científicos. É possível reforçar o domínio das linguagens utilizando textos (matérias ou artigos científicos) que precedam as questões, números expressos em notação científica, unidades dentro e fora do Sistema Internacional de Unidades e representação vetorial.

Competência de área 5 - Entender métodos e procedimentos próprios das ciências naturais e aplicá-los em diferentes contextos.

Habilidade 17 - Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físicas, químicas ou biológicas, como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.



II. Compreender fenômenos (CF): construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.

Momento de explorar as questões que discutem o conceito em si e sua relação com os fenômenos naturais e sua aplicação. Podemos formular questões utilizando fotos de cenas reais ou ilustrações representativas, ou partindo de cenas em vídeo, filmes ou documentários.

Competência de área 3 - Associar intervenções que resultam em degradação ou conservação ambiental a processos produtivos e sociais e a instrumentos ou ações científico-tecnológicos.

H12 - Avaliar impactos em ambientes naturais decorrentes de atividades sociais ou econômicas, considerando interesses contraditórios.



III. Enfrentar situações-problema (SP): selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.

Eis a oportunidade da prática em laboratório ou de experimentos lúdicos e demonstrativos. Propor perguntas que devem ser respondidas por meio da experimentação.

Competência de área 2 - Identificar a presença e aplicar as tecnologias associadas às ciências naturais em diferentes contextos.

H7 - Selecionar testes de controle, parâmetros ou critérios para a comparação de materiais e produtos, tendo em vista a defesa do consumidor, a saúde do trabalhador ou a qualidade de vida.



IV. Construir argumentação (CA): relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.

Atividades em grupo baseadas nos textos da seção "Saiba Mais Sobre". Muitas das questões propostas necessitam de diálogo e troca de experiência entre os alunos. O objetivo da avaliação pode ser a redação de uma resposta coletiva, elaborada verdadeiramente em conjunto, e não uma sobreposição aleatória de discursos.

Competência de área 1 - Compreender as ciências naturais e as tecnologias a elas associadas como construções humanas, percebendo seus papéis nos processos de produção e no desenvolvimento econômico e social da humanidade.

H3 - Confrontar interpretações científicas com interpretações baseadas no senso comum, ao longo do tempo ou em diferentes culturas.



V. Elaborar propostas (EP): recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

Criar a necessidade de se pesquisar e ir além dos conteúdos da sala de aula, promovendo um olhar crítico sobre a realidade que cerca a comunidade escolar e seu redor. Pensar em intervenções reais para a melhoria do bem-estar social por meio do uso da ciência e da tecnologia aprendidos em aula. Avaliar as propostas por meio de projetos, maquetes, monografias e execução.

Competência de área 6 - Apropriar-se de conhecimentos da Física para, em situações-problema, interpretar, avaliar ou planejar intervenções científico-tecnológicas.

H23 - Avaliar possibilidades de geração, uso ou transformação de energia em ambientes específicos, considerando implicações éticas, ambientais, sociais e/ou econômicas.



CRÉDITO: Referência: BRASIL. Ministério da Educação, Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Matriz de referência para o Enem 2012, Brasília, DF. Disponível em: http://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/downloads/2012/matriz_referencia_enem.pdf. Acesso em: 11 abr. 2016.

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Sobre as atividades

Planejar o ano letivo é uma tarefa complexa e importante, e deve ser realizada com muita seriedade por toda a equipe (professores, orientadores, coordenadores e diretores). Geralmente as duas primeiras semanas que antecedem o início das aulas são reservadas para isso.

Mais uma vez é necessário deixar claro que nossa intenção é dar sugestões a você, professor, e não obrigá-lo a seguir por um caminho ou outro. Nosso trabalho sempre foi, e sempre será, a fim de estabelecer uma parceria, sejam os professores experientes ou novatos.

Portanto, na semana de planejamento, sugerimos que você obtenha um calendário e marque as datas de início e encerramento dos bimestres ou trimestres, atentando para os recessos do período letivo, agendando as datas comemorativas da escola (como festa junina, eventos esportivos etc.), as semanas de recuperação, as mostras e feiras de projetos feitos pelos alunos, enfim, tudo o que necessariamente ocupará o seu tempo, dos demais professores e dos alunos com outras atividades que não as aulas em sala. Feito tudo isso, conte efetivamente quantos encontros você terá com cada turma. Pense em uma quantidade de instrumentos de avaliação que você acha necessária para cada bimestre ou trimestre, sempre deixando uma reserva eventual para uma situação inesperada. Pense também que você pode precisar de novos instrumentos, um equipamento pode quebrar, o laboratório de informática não estar disponível, entre outros imprevistos.

Juntando tudo o que já foi escrito sobre o papel do professor, o papel do aluno e sobre a avaliação, cabe agora "pôr a mão na massa" e fazer a educação acontecer.



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Apresente-se às suas turmas e conheça-as

É de suma importância que os alunos tenham consciência de que estão frente a frente com um profissional da educação que estudou muito para ocupar essa função e que está ali para executar uma tarefa que lhe foi confiada e, portanto, será cobrada. Assim, conte-lhes um pouco de sua experiência acadêmica e profissional. Feito isso, aproveite a oportunidade para lembrar-lhes de nossa condição humana, que todos estamos sujeitos ao erro e ao acerto em todas as atividades que realizamos, no âmbito profissional ou pessoal. Experiências vividas por você, quando também na condição de aluno, pode aproximar o possível distanciamento entre a sua geração e a dos alunos, mostrando que, apesar das diferenças, há muito o que compartilhar.

Permita que os alunos façam o mesmo: procure conhecer a história deles, de onde eles vieram, como se deu o processo de formação deles, as experiências pelas quais passaram e o que os motiva.

É necessário, como defende Antoni Zabala, promover canais de comunicação:

"Entender a educação como um processo de participação orientado, de construção conjunta, que leva a negociar e compartilhar significados, faz com que a rede comunicativa que se estabelece na aula, quer dizer, o tecido de interações que estruturam as unidades didáticas, tenha uma importância crucial. Para construir esta rede, em primeiro lugar é necessário compartilhar uma linguagem comum, entender-se, estabelecer canais fluentes de comunicação e poder intervir quando estes canais não funcionem. Utilizar a linguagem de maneira mais clara e explícita possível, tratando de evitar e controlar possíveis mal-entendidos ou incompreensões.18"

Construa e estabeleça contratos

Estabelecer um contrato é uma das formas de legitimar a relação de trabalho entre professor e alunos.

Pesquisando sobre esse tema é possível encontrar dois tipos de contrato: o pedagógico, instrumento usado pelos professores como forma de tentar resolver algumas questões disciplinares de sala de aula, e o didático, que estabelece relações entre professor, alunos e o saber, amplamente estudado e difundido pelo educador matemático francês Guy Brousseau.

No contrato pedagógico, professor e alunos chegam a um consenso sobre o que podem e não podem fazer em sala e quais as consequências pelo não cumprimento de alguma regra. Falar do contrato pedagógico é falar de planejamento de aula, pois esse contrato deve ser um espaço de diálogo para a organização dos alunos da sala, suas regras e necessidades, por meio da integração entre alunos, professores e conteúdos. As escolas, geralmente, possuem um conjunto de regras explicitadas no "manual do aluno", que é entregue às famílias no momento da matrícula e que deveriam por si só estabelecer os parâmetros. Mas, como percebemos, isso pode não ser suficiente. O importante é estabelecer, por meio de conversa, algumas regras e as consequências que serão tomadas se, porventura, forem quebradas.

Um exemplo: qual deve ser a postura adotada quando o aluno não traz para a aula o material completo? Professor e alunos podem acordar que, dependendo do tipo de aula, é possível o aluno sentar-se junto a outro que tenha trazido o material e acompanhar as atividades normalmente, ou não, e estabelecer então que o aluno perderá o direito de fazer a atividade em sala e deverá realizá-la em casa. Quanto a reincidências, outras medidas podem ser acordadas, como o aluno se responsabilizar pela ausência de nota naquela atividade.

18. ZABALA, Antoni. A Prática Educativa: como ensinar. Porto Alegre: Artmed, 1998. p. 101.



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No contrato pedagógico, podem haver regras que não tenham espaço de negociação, como, por exemplo, proibir o uso de vocabulário chulo nas conversas entre alunos e entre aluno e professor, bem como intimidações e incitação de violência.

Por sua vez, o contrato didático regula as intenções do aluno e do professor perante situações didáticas. Brousseau define o contrato didático como um

"Conjunto recíproco de comportamentos esperados entre alunos e professor mediado pelo saber. Estes comportamentos são legitimados através de regras explícitas (formuladas verbalmente em sala de aula) e principalmente implícitas (que já foram construídas historicamente e podem ser interpretadas no contexto de sala de aula) que acontecem no interior da relação didática, em que há sempre uma intenção de ensinar e aprender envolvendo duas ou mais pessoas, permitindo interações entre estas e os conteúdos a serem ensinados, constituindo-se desta forma em uma relação ternária (professor-aluno-saber)"19.

Tem-se constatado que somente a aula expositiva, na qual são apresentados os conteúdos programáticos aos alunos, esclarecidas suas dúvidas e realizados exercícios de exemplos, além da solicitação de tarefas, não é mais suficiente para atingir os objetivos atuais da educação, que também são educar o jovem para participar de uma sociedade complexa e promover uma aprendizagem autônoma e contínua. Nesse sentido, o contrato didático permite anunciar certas práticas que serão desenvolvidas ao longo do ano e que servirão de norteadores para a avaliação, tanto dos alunos e do professor quanto do curso em si.

Como a instituição, com suas normas e regras, e os professores, com seus contratos pedagógicos, poderiam ajudar o aluno a desenvolver a autonomia e, com ela, o compromisso com a educação?

Baseados nas ideias de Brousseau, destacam Moretti e Flores quatro elementos importantes20, transcritos abaixo, que comentamos:

1. A ideia de divisão de responsabilidades: para que se efetive uma relação didática, é necessário que o professor esteja disposto a ensinar, e que o aluno também cumpra seu papel no envolvimento com o aprendizado, manifestando seu desejo de aprender.

Isso vai ao encontro de quase tudo que defendemos quando dissertamos sobre o papel do professor e o papel do aluno.

2. A tomada de consciência do implícito: a manutenção das regras implícitas é fundamental para o processo de ensino-aprendizagem. Tomar consciência dessas regras propicia conflitos e espaços para trocas entre os parceiros, porém não é conveniente transformar tudo o que está implícito em explícito.

Talvez esse seja o ponto mais controverso da ideia de construir um contrato didático e, mesmo assim, manter algumas regras implícitas. As experiências anteriores determinam posturas atuais e futuras, tanto de professores quanto de alunos, e dessas diferenças surgirão conflitos que também farão parte da relação ensino-aprendizagem.

3. A relação com o saber: a característica fundamental de uma relação didática reside na existência de assimetria entre as relações que professor e aluno mantêm com os saberes.

O professor define o melhor modo de trabalhar os conceitos durante as aulas. Isso não quer dizer que os alunos, em suas experiências, não devam contribuir na construção do conhecimento.

19. VIEIRA, K. R. C. F.; NAPPI, J. W. R.; HANSEN, M. F. O contrato didático no ensino de ciências nas séries iniciais: análise de seus elementos e regras. In: ENCONTRO IBERO-AMERICANO DE COLETIVOS ESCOLARES E REDES DE PROFESSORES QUE FAZEM INVESTIGAÇÃO NA SUA ESCOLA, 4., 2005, Lajeado. Disponível em: http://ensino.univates.br/~4iberoamericano/trabalhos/trabalho048.pdf. Acesso em: 20 mar. 2013.

20. Ibid

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Pelo contrário, são desejáveis as intervenções deles, além de haver a necessidade de conhecer e reconhecer seus conhecimentos prévios.

4. A construção da comunicação didática: mediante o Contrato Didático, busca-se descobrir o que favorece ou impede o acesso dos alunos ao conhecimento, e o que pode estar bloqueando ou não a entrada destes no processo de aprendizagem.

Podemos, por analogia, considerar a construção da comunicação didática como a elaboração de um texto. A construção de um texto dissertativo se dá por progressão, em que uma ideia inicial é retomada e aprofundada na sequência dos parágrafos. Não se trata, portanto, de repetição, mas de resgate do fio condutor do texto para consolidar o sentido. Na comunicação didática, devemos diversificar as formas de verificar o que foi aprendido, oferecendo situações progressivas de questionamento sobre os assuntos abordados, de modo a consolidar a compreensão dos conceitos.

Diversifique ao máximo os instrumentos de avaliação

Os PCN trouxeram uma lista de 15 competências e habilidades a serem trabalhadas em Física, divididas em "representação e comunicação", "investigação e compreensão" e "contextualização sociocultural", que, definitivamente, não podem ser desenvolvidas, ensinadas e averiguadas por meio de um único ou sempre o mesmo tipo de instrumento avaliativo. Essa prática não é condizente com a LDB, com as expectativas dos alunos e das famílias nem com nenhuma concepção de ensino atual.

Diversificar os instrumentos de avaliação é dar ao aluno oportunidades de ele se desenvolver na disciplina. A principal crítica à escola tradicional, que se ocupa basicamente da transmissão dos conhecimentos, é de dar crédito apenas ao aluno que consegue reter a maior quantidade de informações e repetir e sistematizar os assuntos do mesmo modo como eles foram apreendidos. Atualmente, as universidades, o mercado de trabalho e a sociedade esperam muito mais de um aluno formado no Ensino Médio, modificando drasticamente o conceito de boa formação.

Apesar de termos apresentado sugestões aos professores de como trabalhar com as competências e habilidades descritas no Enem 2012 no item "Papel da avaliação", há muito mais ainda que fazer e pensar quando se trata do que esperar do curso de Física no Ensino Médio. Segue abaixo a relação completa das competências e habilidades descritas nos PCN:



Tabela: equivalente textual a seguir.


Catálogo: editoras -> liepem18 -> OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> FÍSICA%201°%20AO%20%203°%20ANO%20-%20FTD
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Caminhos do homem: do imperialismo ao Brasil no século XXI, 3º ano
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Ronaldo vainfas
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Oficina de história: volume 1
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Gilberto Cotrim Bacharel e licenciado em História pela Universidade de São Paulo Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie Professor de História e advogado Mirna Fernandes
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Geografia Espaço e identidade Levon Boligian, Andressa Alves 3 Componente curricular Geografia
OBRAS%20PNLD%202018%20EM%20EPUB -> Manual do professor
FÍSICA%201°%20AO%20%203°%20ANO%20-%20FTD -> Componente curricular


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