Como Vejo o Mundo



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televisão da Senhora Roosevelt
Estou-lhe  infinitamente  grato,  Senhora  Roosevelt,  por  oferecer-me  a  ocasião  de  manifestar
minha  convicção  sobre  esta  questão  política  capital. A  certeza  de  alcançar  a  segurança  por


meio do armamento nacional não passa de sinistra ilusão, quando se reflete no estado atual da
técnica  militar.  Nos  Estados  Unidos  esta  ilusão  se  fortaleceu  de  modo  particular  por  outra
ilusão, a de ter sido o primeiro país capaz de fabricar uma bomba atômica. Gostariam de se
persuadir  de  que  os  meios  de  atingir  à  superioridade  militar  definitiva  haviam  sido
encontrados. Porque pensavam que, por tais vias, seria possível dissuadir qualquer adversário
potencial, e assim salvarem-se a si mesmos e, ao mesmo tempo, a toda a humanidade; o que
correspondia ao desejo de segurança exigido por todos. A máxima, a absoluta convicção dos
últimos cinco anos, assim se resumia: a segurança em primeiro lugar, seja qual for a dureza da
opressão,  qualquer  que  seja  o  preço.  Eis  a  consequência  inevitável  desta  atitude  mecânica,
técnico-militar e psicológica. Todas as questões de política exterior são agora encaradas por
um só ângulo. “Como agir em caso de guerra para que possamos levar a melhor contra nosso
adversário?”  Estabelecimento  de  bases  militares  em  todos  os  pontos  do  globo  que  sejam
vulneráveis e de importância estratégica; armamento e reforço do poder econômico de aliados
potenciais.  Dentro  dos  Estados  Unidos,  concentração  de  um  poder  financeiro  fabuloso  nas
mãos  dos  militares,  militarização  da  juventude,  vigilância  sobre  o  espírito  cívico  leal  do
cidadão  e  especialmente  dos  funcionários,  por  uma  polícia  cada  dia  mais  poderosa,
intimidação  de  pessoas  que  pensam  de  modo  diferente  em  política,  influência  sobre  a
mentalidade  das  populações  através  do  rádio,  da  imprensa,  da  escola;  censura  a  cada  vez
maior  número  de  setores  da  comunicação,  sob  pretexto  de  segredo  militar.  Outras
consequências: a corrida armamentista entre Estados Unidos e Rússia, a princípio considerada
necessária como preventiva, toma agora um aspecto histérico. Nos dois campos, a fabricação
de  armas  de  destruição  continua  com  uma  pressa  febril  e  no  maior  mistério.  A  bomba  H
aparece no horizonte como um objetivo plausivelmente possível. Sua fabricação acelerada é
solenemente  anunciada  pelo  Presidente.  Se  for  construída  esta  bomba,  acarretará  a
contaminação radioativa da atmosfera e com isto o aniquilamento de toda a vida na terra em
toda  a  extensão  que  a  técnica  tornar  possível.  O  horror  nesta  escalada  consiste  em  sua
aparente  inevitabilidade.  Cada  progresso  parece  a  conseqüência  inevitável  do  progresso
precedente. Sempre mais, o aniquilamento geral se apresenta como a consequência fatal. Nas
atuais circunstâncias, poder-se-á pensar em meios de se salvar, quando nós próprios criamos
as  condições  de  nossa  morte?  Todos,  e  em  particular  os  responsáveis  pela  política  dos
Estados Unidos e da URSS, devem chegar a compreender que, de fato, venceram um inimigo
exterior, mas não são capazes de se livrar da psicose gerada pela guerra. Não se pode chegar
a  uma  paz  verdadeira  se  se  determina  sua  política  exclusivamente  pela  eventualidade  de  um
futuro  conflito,  sobretudo  quando  se  tornou  evidente  que  semelhante  conflito  significaria  a
completa  ruína. A  linha  diretriz  de  toda  a  política  deveria  ser:  Que  podemos  nós  fazer  para
incitar  as  nações  a  viverem  em  comum  pacificamente  e  tão  bem  quanto  for  possível?  A
eliminação  do  medo  e  da  defesa  recíproca,  eis  o  primeiro  problema.  A  solene  recusa  de
empregar  a  força,  uns  contra  os  outros  (e  não  somente  a  renúncia  à  utilização  dos  meios  de
destruição  maciça),  impõe-se  absolutamente.  Tal  recusa  somente  será  eficaz  se  se  referir  à
criação de uma autoridade internacional judiciária e executiva, à qual se delegaria a resolução
de  qualquer  problema  concernente  diretamente  à  segurança  das  nações.  A  declaração  por
parte  das  nações  de  participar  lealmente  da  instalação  de  um  governo  mundial  restrito  já
diminuiria singularmente o risco da guerra. A coexistência pacífica dos homens baseia-se em
primeiro lugar na confiança mútua, e só depois sobre instituições como a justiça ou a polícia.


Esta regra aplica-se tanto às nações como aos 44
indivíduos. A  confiança  implica  a  sincera  relação  do  give and take,  quer  dizer,  do  dar  e  do
tomar.
Que  pensar  do  controle  internacional?  Poderá  prestar  serviço  acessório  em  sua  função
policial.  Mas  sobretudo  não  demos  excessivo  valor  a  sua  eficácia.  Uma  comparação  com  o
tempo da “proibição” nos deixa pensativos!
PARA A PROTEÇÃO DO GÊNERO HUMANO
A descoberta das reações atômicas em cadeia não constitui para a humanidade perigo maior
do que a invenção dos fósforos. Mas temos de empregar tudo para suprimir o seu mau uso. No
estado atual da tecnologia, uma organização supranacional só poderá proteger-nos se dispuser
de  poder  executivo  suficiente.  Quando  tivermos  reconhecido  esta  evidência,  encontraremos
então  a  força  de  realizar  os  sacrifícios  necessários  para  a  salvaguarda  do  gênero  humano.
Cada um de nós seria culpado se o objetivo não fosse atingido a tempo. O perigo está em que
cada um, sem fazer nada, espera que ajam em seu favor. Todo indivíduo, com conhecimentos
limitados ou até conhecimentos superficiais baseados na vulgarização técnica, tem o dever de
sentir  respeito  pelos  progressos  científicos  realizados  em  nosso  século.  Não  é  arriscado
exaltar  demais  as  realizações  científicas  contemporâneas,  se  os  problemas  fundamentais  da
ciência  estão  presentes  ao  espírito.  O  mesmo  ocorre  numa  viagem  de  trem!  Observe-se  a
paisagem  próxima,  o  trem  parece  voar.  Mas  se  olhamos  os  espaços  longínquos  e  os  altos
cumes,  a  paisagem  só  lentamente  se  modifica.  O  mesmo  acontece  quando  refletimos  nos
grandes problemas da ciência. Pouco importa, a meu ver, discutir sobre our way of life ou o
dos russos. Nos dois casos, um conjunto de tradições e de costumes não forma um todo muito
bem estruturado. É muito mais inteligente procurar conhecer as instituições e as tradições úteis
ou  prejudiciais  aos  homens,  benéficas  ou  maléficas  para  seu  destino.  Então  será  preciso
utilizar deste modo o melhor, como tal reconhecido de hoje em diante, sem se preocupar com
saber se está sendo realizado agora entre nós ou em outra parte.
NÓS, OS HERDEIROS
As gerações anteriores talvez tenham julgado que os progressos intelectuais e sociais apenas
representavam  os  frutos  do  trabalho  de  seus  antepassados,  que  conseguiram  uma  vida  mais
fácil, mais bela. As cruéis provações de nosso tempo mostram que há aí uma ilusão cheia de
conseqüências.
Compreendemos melhor agora que os esforços mais consideráveis devem ser empregados no
sentido  de  que  a  herança  se  torne,  para  a  humanidade,  não  uma  catástrofe,  mas  uma
oportunidade.  Se  outrora  um  homem  encarnava  um  valor  aos  olhos  da  sociedade  quando
ultrapassava  uma  certa  medida  de  seu  egoísmo  pessoal,  deve-se  exigir  dele  hoje  que
ultrapasse o egoísmo de seu país e de sua classe. Só então, tendo chegado a esse autodomínio,
poderá ele melhorar o destino da comunidade humana.
Em face dessa temível exigência de nossa época, os habitantes de pequenos Estados ocupam
uma posição relativamente mais favorável do que os cidadãos de grandes Estados, expostos às
demonstrações da brutal força política e econômica. A convenção entre a Holanda e a Bélgica
que,  nestes  últimos  tempos,  é  a  única  a  iluminar  com  uma  chama  tênue  os  progressos  da
Europa,  dão  o  direito  de  esperar  que  as  pequenas  nações  tenham  um  papel  essencial:  seu
modo de lutar e a recusa de uma autodeterminação ilimitada em um pequeno Estado isolado


chegarão à liberação da escravidão degradante do militarismo.
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CAPÍTULO III
Luta contra o Nacional-Socialismo Profissão de fé Março 1933
Recuso-me a permanecer em um país onde a liberdade política, a tolerância e a igualdade não
são garantidas pela lei. Por liberdade política entendo a liberdade de expressar publicamente
ou por escrito minha opinião política; e por tolerância, o respeito a toda convicção individual.
Ora,  a Alemanha  de  hoje  não  corresponde  a  estas  condições.  Os  homens  mais  devotados  à
causa  internacional  e  alguns  grandes  artistas  são  ali  perseguidos.  Como  um  indivíduo,  um
organismo social pode cair psicologicamente doente, sobretudo em épocas de crise. Em geral,
as  nações  tomam  a  peito  vencer  tais  doenças.  Espero  portanto  que  sadias  relações  se
restabeleçam na Alemanha e que, no futuro, gênios como Kant e Goethe não sejam motivo de
rito  de  um  festival  de  cultura,  mas  que  os  princípios  essenciais  de  suas  obras  se  imponham
concretamente  na  vida  pública  e  na  consciência  de  todos.  CORRESPONDÊNCIA  COM  A
ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DA PRÚSSIA Declaração da Academia a 1° de abril de 1933
Com indignação, a Academia das Ciências da Prússia tomou conhecimento, mediante artigos
dos jornais, da participação de Albert Einstein na abominável campanha de imprensa levada a
efeito na França e na América. Por conseguinte exigiu imediatamente suas explicações. Nesse
ínterim, Einstein pediu demissão da Academia, apresentando como pretexto não mais poder se
considerar cidadão prussiano sob um tal regime. E já que foi cidadão suíço, parece assim ter o
propósito de renunciar à nacionalidade prussiana recebida em 1913, quando foi admitido na
Academia como membro ordinário.
Diante  deste  comportamento  contestatário  de  A.  Einstein  no  estrangeiro,  a  Academia  de
Ciências da Prússia sente grande tristeza, quanto mais que ela e seus membros, já há longos
anos,  se  sentem  afeiçoados  ao  Estado  da  Prússia  e  que,  apesar  das  reservas  que  se  impõem
estritamente no domínio político, sempre defenderam e exaltaram a idéia da Nação. Por este
motivo, a Academia não vê nenhum motivo para lastimar a partida de Einstein. Pela Academia
de Ciências da Prússia,
Prof. Doutor Ernst Heymann,
Secretário perpétuo
RESPOSTA DE A. EINSTEIN À ACADEMIA DE CIÊNCIAS DA PRÚSSIA  Le Coq, perto


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