Como Vejo o Mundo



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Um apelo em prol de “Keren Hajessod”
Os  maiores  inimigos  da  consciência  e  da  dignidade  judaica  se  chamam  decadência  dos
estômagos cheios, se chamam frouxidão provocada pela riqueza e vida fácil, se chamam forma
de submissão interior ao mundo não-judeu, já que a comunidade judaica se relaxou. O que há
de melhor no homem somente desabrocha quando se desenvolve em uma comunidade. Terrível
portanto se mostra ó perigo moral para o judeu que perde contacto com a própria comunidade
e se descobre estrangeiro até mesmo para aqueles que o acolhem. O balanço de uma situação


destas  quase  sempre  resulta  em  egoísmo  desprezível  e  sombrio.  Ora,  atualmente  se  revela
particularmente importante a pressão contra o povo judeu. E este gênero de miséria nos cura.
Porque suscita uma renovação da vida comunitária judaica tal que até a penúltima geração não
poderia imaginar. Sob a influência do sentimento de solidariedade, tão novo, a colonização da
Palestina,  iniciada  por  chefes  devotados  e  prudentes  através  de  dificuldades  aparentemente
insuperáveis,  começou  a  dar  frutos  tão  belos  que  não  posso  mais  pôr  em  dúvida  o  sucesso
final. Para os judeus do mundo inteiro, a importância da obra se revela de primeira ordem. A
Palestina  será  para  todos  os  judeus  um  lugar  de  cultura,  para  os  perseguidos  um  lugar  de
refúgio, 56
para os melhores de nós um campo de ação.
Para os judeus do mundo inteiro, ela encarnará o ideal de unidade e um meio de renascimento
interior.
CARTA A UM ÁRABE
15 de março de 1930
Sua  carta  muito  me  alegrou.  Prova-me,  com  efeito,  que  de  seu  lado  há  a  clarividência
necessária  para  uma  solução  razoável:  nossos  dois  povos  podem  resolver  as  dificuldades
pendentes. Os obstáculos me parecem de natureza mais psicológica do que objetiva, e poderão
ser  vencidos  se,  de  parte  a  parte,  se  agir  com  a  vontade  de  eliminar  os  problemas!  Nossa
situação atual apresenta-se desfavorável porque judeus e árabes são postos face a face como
dois adversários pela potência mandatária. Esta situação é indigna dos dois povos e somente
será modificada se descobrirmos entre nós um terreno onde os dois campos possam dialogar e
se unir.
Explicarei aqui como encaro a realização de uma mudança nas atuais condições deploráveis.
Apresso-me  a  dizer  que  esta  opinião  é  exclusivamente  minha,  já  que  não  a  comuniquei  a
ninguém.  Constitui-se  um  “conselho  privado”  para  o  qual  judeus  e  árabes  delegam
respectivamente  e  em  separado  quatro  representantes,  absolutamente  independentes  de
qualquer  organismo  político.  Assim,  de  parte  a  parte  se  reuniriam:  um  médico,  eleito  pelo
conselho  da  ordem;  um  jurista,  eleito  pelas  instâncias  jurídicas;  um  representante  operário,
eleito pelos sindicatos; um chefe religioso, eleito por seus semelhantes. Estas oito pessoas se
reúnem uma vez por semana. Comprometem-se sob juramento a não servir os interesses de sua
profissão  nem  de  sua  nação,  mas  exclusivamente  a  procurar  com  toda  a  consciência  a
felicidade  da  população  inteira. As  discussões  são  secretas  e  nada  deve  ser  divulgado;  nem
mesmo  na  vida  particular.  Se  se  tomar  uma  decisão  sobre  um  problema  qualquer  com  o
assentimento de pelo menos três de cada lado, esta decisão poderá ser publicada, mas sob a
responsabilidade  do  conselho  inteiro.  Se  um  dos  membros  não  aceitar  uma  decisão,  poderá
abandonar o conselho, mas sem nunca se ver livre da obrigação do segredo. Se um dos grupos
citados  responsáveis  pelas  eleições  não  se  considerar  satisfeito  com  uma  resolução  do
conselho, poderá substituir seu representante por um outro.
Embora  o  conselho  secreto  não  tenha  competência  alguma  bem  delimitada,  pode  no  entanto
permitir  que  sejam  progressivamente  aplainados  os  desacordos  e  apresentar,  diante  da
potência mandatária, uma representação comum dos interesses do país realmente oposta a uma
política a curto prazo.


A  NECESSIDADE  DO  SIONISMO  —  CARTA  AO  PROFESSOR  DR.  HELLPACH,
MINISTRO DE ESTADO
Li seu artigo sobre o sionismo e o congresso de Zurique. É preciso que eu lhe responda, ainda
que  brevemente,  como  o  faria  alguém  que  estivesse  inteiramente  convencido  desta  idéia.  Os
judeus formam uma comunidade de sangue e de tradição, sendo que a tradição religiosa não
representa  o  único  ponto  comum.  Revela-se  antes  pelo  comportamento  dos  outros  homens
diante dos judeus.
Quando cheguei à Alemanha, há quinze anos, descobri pela primeira vez que era judeu e esta
descoberta  me  foi  revelada  mais  pelos  não-judeus  do  que  pelos  judeus.  A  tragédia  da
condição  judia  consiste  nisto:  os  judeus  representam  indivíduos  que  chegaram  a  um  estágio
evidente  de  evolução,  mas  não  têm  o  sustentáculo  de  uma  comunidade  para  uni-los.  A
insegurança  dos  indivíduos,  que  pode  provocar  grandíssima  fragilidade  moral,  vem  como
consequência. Aprendi  por  experiência  que  a  saúde  moral  deste  povo  não  seria  possível,  a
não ser 57
que todos os judeus do mundo se reunissem numa comunidade viva, à qual cada um de plena
vontade se associaria e que lhe permitiria suportar ódio e humilhação que encontra em todas
as partes.
Vi o execrável mimetismo em judeus de grande valor e este espetáculo me fez chorar lágrimas
de sangue. Vi como a escola, os panfletos e as inúmeras potências culturais da maioria não-
judia  haviam  minado  o  sentimento  de  dignidade,  mesmo  nos  melhores  de  nossos  irmãos  de
raça, e senti que isto não poderia mais continuar.
Aprendi  por  experiência  que  somente  uma  criação  comum,  que  os  judeus  do  mundo  inteiro
levassem  a  peito,  poderia  curar  este  povo  doente.  Esta  foi  a  obra  admirável  de  Th.  Herzl:
compreendê-lo e bater-se com toda a energia para a realização de um centro ou — para falar
mais claramente ainda — de um lugar central na Palestina. Essa obra exigia todas as energias.
Contudo inspirava-se na tradição do povo judeu. O senhor dá a isto o nome de nacionalismo,
não sem se enganar. Mas o esforço para criar uma comunidade, sem a qual não podemos viver
nem  morrer  neste  mundo  hostil,  sempre  poderá  ser  designado  por  este  termo  odioso.  De
qualquer modo, será um nacionalismo, mas sem vontade de poder, preocupado pela dignidade
e  saúde  morais.  Se  não  fôssemos  constrangidos  a  viver  no  meio  de  homens  intolerantes,
mesquinhos  e  violentos,  eu  seria  o  primeiro  a  rejeitar  todo  o  nacionalismo  em  troca  de  uma
comunidade humana universal! A objeção — se queremos, nós judeus, ser uma “nação”, não
poderemos  mais  ser  cidadãos  integrais,  por  exemplo,  do  Estado  alemão  —  revela  um
desconhecimento  da  natureza  do  Estado,  a  fundar  sua  existência  partindo  da  intolerância  da
maioria  nacional.  Contra  esta  intolerância  jamais  estaremos  protegidos,  tenhamos  ou  não  o
nome  de  “povo”,  “nação”,  etc.  Disse  tudo  o  que  penso,  resumidamente,  sem  floreios  e  sem
concessões. Mas, a julgar por seus escritos, sei que o senhor aprecia mais o sentido do que a
forma. AFORISMOS PARA LEO BAECK
—  Feliz  quem  atravessa  a  vida  prestativo,  sem  medo,  estranho  à  agressividade  e  ao
ressentimento!  Numa  natureza  assim,  revelam-se  as  testemunhas  magníficas  que  trazem  um
reconforto para a humanidade nas situações desastrosas que cria para si mesma. — O esforço
para unir sabedoria e poder raramente dá certo e somente por tempo muito curto.
—  O  homem  habitualmente  evita  reconhecer  inteligência  em  outro,  a  não  ser  quando,  por


acaso, se trata de um inimigo.
— Poucos seres são capazes de dar bem claramente uma opinião diferente dos preconceitos
de seu meio.
A  maioria  é  mesmo  incapaz  de  chegar  a  formular  tais  opiniões.  — A  maioria  dos  imbecis
permanece  invencível  e  satisfeita  em  qualquer  circunstância.  O  terror  provocado  por  sua
tirania  se  dissipa  simplesmente  por  sua  distração  e  por  sua  inconsequência.  —  Para  ser  um
membro irrepreensível de uma comunidade de carneiros, é preciso, antes de tudo, ser também
carneiro.
—  Os  contrastes  e  as  contradições  podem  coexistir  de  modo  permanente  numa  cabeça,  sem
provocar  nenhum  conflito.  Esta  evidência  atrapalha  e  destrói  qualquer  sistema  político
pessimista ou otimista.
— Quem banca o original neste mundo da verdade e do conhecimento, quem imagina ser um
oráculo,  fracassa  lamentavelmente  diante  da  gargalhada  dos  Deuses.  —  A  alegria  de
contemplar e de compreender, eis a linguagem a que a natureza me incita. 58
CAPÍTULO V
Estudos científicos
PRINCÍPIOS DA PESQUISA


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