Color of the Culture



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Using Rubrics to help a complex evaluation become more relevant: The 



“Color of the Culture” 

Ana Paula Brandão, Geraldine Silva, Maíra Mascarenhas, Monica Pinto, 

Rosalina Soares 

INTRODUÇÃO 

 

Estudos realizados no campo das relações étnico-raciais explicitam a centralidade 



da  educação  brasileira  nos  processos  que  levam  à  persistência  das  desigualdades  de 

cor/raça  no  país,  descrevendo  processos  discriminatórios  que  operam  nos  sistemas  de 

ensino  e  que  penalizam  crianças  e  jovens  negros  (pretos  e  pardos).  Estes  enfrentam 

diferentes  formas  de  discriminações,  preconceitos  e  desvalorização  de  sua  história  e 

cultura. Como resultado, a desigualdade escolar afeta esse grupo da população de forma 

que  os  alunos  negros,  em  especial  aqueles  que  se  autodeclaram  pretos,  apresentam 

desempenho  escolar  inferior  aos  brancos  e  são  também  os  alunos  que  mais  repetem  e 

evadem a escola.  

Os  indicadores  econômicos  e  sociais  diretamente  alinhados  às  desigualdades 

educacionais revelam que a população negra, 53,6% dos brasileiros (IBGE, 2014)

1

, sofre 


com desemprego, subemprego e com diversas formas de violências e exclusões.  

 O governo brasileiro, em diálogo com movimentos sociais, identificou o impacto 

das desigualdades étnico-raciais no desenvolvimento sustentável da nação. E reconheceu 

a relevância da educação para o combate e redução das desigualdades. No ano de 2003 

foi sancionada a lei 10.639, que tornou obrigatório em todas as escolas brasileiras o ensino 

da  História  e  Cultura  Afro-brasileira  no  currículo  da  educação  básica.  Uma  decisão 

política com forte repercussão pedagógica, em especial no que se refere ao investimento 

na  formação  dos  educadores,  disponibilização  de  recursos  didáticos  e  outros  tipos  de 

apoio institucional que favorecessem a promoção de uma releitura da História do Brasil, 

resinificando  a  contribuição  dos  afro-brasileiros  para  o  desenvolvimento  econômico, 

social e cultural do país.  

                                                           

1

    Dado  proveniente  da  Pesquisa  Nacional  por  Amostra  de  Domicílios  (PNAD),  realizada  pelo  Instituto 



Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE). A PNAD é uma das principais fontes de dados socioeconômicos 

sobre a população brasileira e é realizada de forma amostral e anual.  




 

Para apoiar o governo no desafio de efetivamente implementar a lei foi lançado, 



em  2004,  o  projeto  A  Cor  da  Cultura  (ACDC),  uma  iniciativa  da  Fundação  Roberto 

Marinho (FRM) em parceria com empresas privadas, o governo federal e organizações 

não governamentais

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A  Fundação  Roberto  Marinho  é  uma  organização  não  governamental  brasileira 

fundada  em  1977.  Atua  nas  áreas  de  educação,  por  meio  de  parcerias  com  órgãos 

governamentais e organizações da sociedade civil. 

A Cor da Cultura é um projeto de educação e comunicação desenvolvido pela 

FRM  por  meio  do  Canal  Futura,  um  projeto  social  de  educação  e  comunicação  de 

interesse público, criado e mantido por parceiros da iniciativa privada e do terceiro setor.  

O Canal é assistido pela TV e/ou internet por aproximadamente 40 milhões de brasileiros. 

A área de Mobilização Comunitária, do Canal Futura, em diálogo com a sociedade civil 

desenvolve e implementa conteúdos presencialmente, entre eles o A Cor da Cultura.  

O Projeto ACDC se estrutura na produção e exibição de séries audiovisuais e na 

criação de recursos didáticos complementares, que compõem um kit planejado para tratar 

o  tema  em  espaços  educativos,  visando  práticas  positivas  que  valorizem  a  história  e  a 

cultura Afro-Brasileira sob um ponto de vista afirmativo.  

Uma das estratégias do projeto é a realização de parcerias com universidades que, 

por sua vez, participam da formação do projeto e se responsabilizam pela formação de 

educadores  das  redes  públicas  de  ensino  e  de  ONGs

3

.  Esta  formação  ocorre  em  duas 



etapas  -  inicial  e  continuada  -  e  tem  dupla  intenção:  (1)  sensibilizar  e  ampliar 

conhecimentos dos participantes e (2) fomentar e/ou fortalecer instituições e profissionais 

para  atuarem  colaborativamente,  a  favor  da  implementação  da  lei,  em  seus  territórios.  

 

Os participantes das formações têm o compromisso de multiplicar a capacitação 



recebida a outros profissionais nos locais onde trabalham, além de incorporar a temática 

em suas práticas cotidianas de ensino.  

                                                           

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 Esses parceiros são a Petrobras, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), o 



Ministério  da  Educação  (MEC),  o  Centro  de  Informação  e  Documentação  do  Artista  Negro  (Cidan),  a 

Fundação Palmares e TV Globo. 

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 A maioria dos educadores que participaram das formações são professores que atuam em sala de aula. Há 



casos, em menor proporção, de participação da liderança pedagógica da escola. 


 

O projeto, implementado em três fases (2004 a 2006; 2009 a 2011; 2012 a 2014), 



apoiou trabalhos em 18 unidades da federação (AL, AM, BA, CE, DF, ES, GO, MA, MG, 

MS, MT, PA, PB, PE, PR, RJ, RS e SP), em 170 municípios. Participaram da formação 

do projeto, neste período, 9.002 educadores e foram distribuídos 11.000 kits educativos. 

A dimensão avaliativa esteve presente nas três fases de implementação do ACDC. 

Nas  duas  primeiras,  a  conclusão  avaliativa  confirmava  o  valor  social  do  projeto,  ao 

mesmo tempo em que alertava que os resultados se diferenciavam em função da variação 

da  institucionalização  da  temática  (História  e  Cultura  Afro-brasileira)  nas  diferentes 

secretarias de educação.  

Na  terceira  fase,  a  avaliação  buscou  compreender  os  fatores  de  contexto 

associados à implementação da temática no currículo escolar, com claro propósito de usar 

os resultados para diversificar o modelo de atuação, tornando o ACDC mais aderente às 

características locais. Havia ainda o interesse em conhecer a relevância da formação, do 

kit pedagógico e do fomento e fortalecimento de uma rede de instituições/profissionais 

(universidades,  secretarias  de  educação  e  ONGs)  promotora  de  ações  favoráveis  à 

implementação da História e Cultura afro-brasileiras no currículo das escolas.  

O  presente  trabalho  irá  abordar  a  avaliação  da  fase  III  do  A  Cor  da  Cultura,  

perpassando o planejamento, definições metodológicas, envolvimento entre equipes de 

avaliação e de implementação e comunicação dos resultados.  

Destacaremos 

os 


desafios  e  também  as  soluções  em  diferentes  etapas  da  avaliação,  descrevendo  o 

desenvolvimento  de  uma  avaliação  verdadeiramente  relevante  e  útil  para  a  gestão  do 

projeto. 




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